A Oração vocal

Junho 18th, 2020

A oração é caminho, é amizade com Deus, uma amizade que se torna cada vez mais profunda. É orando que apreendemos a orar. Jesus também apreendeu a orar e crescia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. Assim também nós crescemos, é caminhando que se abre o caminho.

A Igreja, recolhendo a experiência comum de todos os cristãos, apresenta três forma de oração, isto é, três maneiras diferentes de se relacionar com Deus: a primeira etapa é a oração vocal (CIC 2700); a segunda etapa é a meditação (CIC 2705); a terceira etapa é a contemplação (CIC 2709).

1. A ORAÇÃO VOCÁLICA (CIC 2700-2704)
Deus fala-nos pela Sua Palavra e pelos acontecimentos da vida. Quando escutamos a Palavra de Deus é Deus que fala connosco, quando oramos somos nós que falamos com Deus. Ele fala também pelos acontecimento da vida, por exemplo, este tempo de pandemia pode ser interpretado com uma Palavra de Deus a qual somos chamados a responder. Nós respondemos pela oração.

A primeira forma de oração, comum a todos os cristãos, é a oração vocal. Por esta forma de oração é que apreendemos a orar. Podemos orar lendo algumas orações, que podem ser rezadas mentalmente ou pronunciadas a voz baixa ou em alta voz. O que é importante é dar atenção a Deus, Àquele com quem falamos, como também dar atenção às palavras que Lhe dirigimos.

Jesus ensinou a orar com sinceridade, com o coração: Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza a teu Pai no segredo, pois Ele, que vê o oculto, recompensar-te-á. Nas vossas orações não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que é por muito falarem que serão atendidos. Não façais como eles porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós Lho pedirdes» Rezai pois assim: «Pai nosso…» (Mt 6,9-13).

A verdadeira oração não depende da quantidade de palavras, mas do fervor das nossas almas. Deus procura adoradores em “espírito e verdade”, isto é, pessoas que oram com sinceridade, a partir do coração. Uma oração distraída, que não dá atenção a Deus nem ás palavras que lhes são dirigidas, não é verdadeira oração.

Jesus orou a voz alta, como por exemplo na grande oração sacerdotal da Última Ceia, a oração no Jardim das Oliveiras e no alto da cruz e em muitos outros momentos da Sua vida. Jesus ensinou a orar sobretudo com o Seu exemplo. Um dia Jesus estava recolhido em oração. Os discípulos respeitaram o recolhimento do Mestre, mas quando acabou de orar lhe pediram “ensina-nos a orar”. Nesta altura, Jesus podia ter respondido: “falem com Deus, abram o vosso coração a Ele” mas não, Ele ensinou uma oração vocal: o Pai Nosso.

A oração vocal era importante para Jesus como também é importante para nós, é a oração das multidões. É rezando as orações mais conhecidas, como o Pai Nosso, a Ave Maria, o Glória, o Anjo da Guarda que oramos e apreendemos a orar.

Jesus, rezou como os salmos. O Livro dos Salmos que se encontra na Bíblia encontramos 150 orações que ainda hoje são rezadas pelo povo de Israel e pela Igreja. Há pessoas e grupos que oram rezando e meditando um Salmo. Há pessoas e grupos que oram rezando o Terço Mariano ou o Terço da Misericordia, entre outros. A oração vocal é muito importante e nunca a devemos deixar porque por ela entramos na oração mais profunda, a meditação e a contemplação. Temos que perseverar na oração vocal, sozinhos ou em grupo, mas sempre com o coração, dando atenção a Deus e às palavras que lhe dirigimos.

É pela oração vocal que aprendemos a orar. Muitas pessoas têm um livrinho de orações e todos os dias oram lendo baixinho ou a voz alta, algumas orações. É um método simples e eficaz. Outras procuram um encontro com Deus na meditação, mas nunca deixam a oração vocal, muito pelo contrário, a ela recorrem, sobretudo nos momentos de aridez. Por exemplo, Santa Teresa do Menino Jesus dizia que nos períodos de aridez recorria à oração vocal: “Algumas vezes, quando o meu espírito se encontra numa aridez tal que não me é possível tirar um só pensamento para me unir a Deus, rezo, devagar, um “Pai nosso” e depois o “Angelus”; estas orações prendem-me, nutrem a minha alma, mais ainda do que rezadas uma centena de vezes”. Rezar devagar uma fórmula, meditando nas palavras que dirigimos a Deus, nos ajuda a evitar as distrações e é uma forma valiosa de oração. Por ela elevamos o nosso espírito a Deus e crescemos na intimidade filial.

É com o coração que devemos rezar. A oração é Amor. A oração pode ser silenciosa, mas com o canto dos nossos lábios, torna-a ainda melhor. Por isso, nunca devemos ter pressa e abandonar a oração vocal. A língua serve para louvar o Senhor. Dizia a tal propósito um famoso autor: “Oração quotidiana, oração da fidelidade e da segurança, oração do serviço desinteressado e sem recompensa, a tua maneira de proceder, por vezes aparece cansada, contudo avanças. Por vezes parece que só os lábios rezem e não o coração. Mas é melhor que, pelo menos, os lábios rezem, do que o homem fique calado totalmente”.

As palavras de uma fórmula, como por exemplo o Pai Nosso, a Ave Maria, o Acto de Contrição, os Salmos … dizem os sentimentos da nossa alma, ou simplesmente, a atitude que desejamos assumir. Por isso, as fórmulas nos introduzem ao diálogo com Deus: ajudam-nos a pedir perdão, a pedir ajuda, a louvar e a agradecer o Senhor. As fórmulas, se rezadas com atenção, conduzem a uma oração segura e espontânea.

Jesus apreendeu a orar

Junho 16th, 2020

O Catecismo da Igreja Católica 2598 diz que Jesus apreendeu a orar por Maria e José, seus pais. Com eles frequentava a sinagoga e o Templo de Deus. Jesus, o Verbo de Deus, que se faz carne e habitou entre nós (Jo 1,14) é que nos revela o poder, a força e o sentido da oração. Jesus ensina-nos, em primeiro lugar, com o Seu exemplo (Lc 3,2; 9,8) “Naqueles dias, Jesus foi para o monte e passou a noite inteira em oração” (Lc 6,12)
Compreender a oração de Jesus faz-nos aproximar de Deus como Moisés da sarça ardente, por isso, temos que
– contemplar Jesus em oração;
– escutar como Ele nos ensina a rezar,
– e como Ele atende a nossa oração.

Jesus, o Filho de Deus e da Virgem Maria, na sua humanidade “crescia em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens”. Ele aprendeu a orar segundo o seu coração de homem. Aprendeu as fórmulas de oração do seu povo com Maria sua Mãe, apreendeu a meditar com ela que “guardava” a Palavra de Deus e a “meditava” no seu coração (Lc 2, 19); com ela também aprendeu a louvar a Deus que faz «maravilhas» (Lc 1, 49)

Com Maria e José, Jesu frequentava a sinagoga e o Templo de Deus e apreendeu a seguir o ritmo da oração do seu povo, mas a sua oração brotava duma fonte muito mais secreta, como Ele mesmo o deixa pressentir quando, aos doze anos, dizia: «Eu devo ocupar-me das coisas do meu Pai» (Lc 2, 49). Aqui, Jesus começa a revelar a novidade da oração cristã: a intimidade filial, uma oração cheia de amor e confiança ao Pai. A mesma intimidade filial que o próprio Jesus, o Filho Único de Deus, viveu ao longo da sua vida terrena e ensinou aos seus discípulos com a oração do Pai Nosso. (Cf. CIC 2599)

A oração é vida

Junho 15th, 2020

A oração toca o mistério íntimo de cada ser humano. Em todos os cantos da terra há homens e mulheres que se recolhem para a oração. Existem diversas forma de oração. Muitos rezam o Terço Mariano, o Terço da Misericórdia ou outras orações, é o que chamamos de oração vocal (CIC 2700); outros procuram compreender como viver melhor a sua vida cristã, por isso escutam e Palavra de Deus, dando atenção aos movimentos interiores do coração, é o que chamamos de meditação (CIC 2705); outros, em fim, procuram um encontro íntimo e mais profundo com o Senhor, cultivando o silêncio interior do coração, é o que chamamos de contemplação (CIC 2709).

Em cada orante há sentimentos de adoração, de agradecimento, de louvor, de súplica e de arrependimento; há pedidos de misericórdia, apelos para a fraternidade e esperança dum mundo de bondade, de justiça e de paz.

A oração é uma necessidade vital. Como o nosso corpo precisa de alimento para viver, assim é também para a nossa alma. A oração é o respiro da alma, se não respiramos, morremos. Não é Deus que precisa da nossa oração, somos nós que precisamos de Deus para viver. Quando oramos, alimentamos a nossa alma. A oração liberta-nos da escravidão do mundo e do pecado. Quando não oramos, nos afastamos de Deus e recaímos na escravidão do pecado. Como pode o Espírito Santo ser a “nossa vida” se o nosso coração estiver longe d’Ele. A oração é o alimento da vida cristã, torna possível o impossível, fácil o que é difícil, mantém viva e graça de Deus em nós (cf. CIC 2744).

Amar Jesus é confiar n’Ele

Junho 14th, 2020

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23) É pelo amor que Jesus se aproxima de nós e é pelo amor que nós nos aproximamos d’Ele. É pelo amor que Deus vem habitar em nós. A oração é amor.

Devemos amar Jesus porque Ele é o Filho de Deus: “Por Ele tudo começou a existir e sem Ele nada veio a existência”, porque “Ele é a vida e luz dos Homens” (Jo 1, 3-4), por Ele fomos criados “a Sua própria imagem e semelhança” (Gn 3,13).

Devemos amar Jesus porque Ele é o Salvador, porque o Pai o enviou ao mundo e Ele se entregou por nós “a fim de que ninguém se perca mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16); porque Ele nos amou quando quando ainda éramos pecadores e muitos mais nos ama agora que acreditamos Nele (Cf. Rom 5, 6-11).

Devemos amá-lo porque “deu-nos o “poder de nos tornarmos filhos de Deus” (Jo 1,12): “Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, ao ponto de nos podermos chamar filhos de Deus” (1Jo 3, 1).

Devemos amar Jesus com sentimentos de imensa gratidão por tudo o que Ele fez por nós e pela Sua infinita paciência porque não nos castiga segundo as nossas culpas, mas se compadece e perdoa. Se Ele tivesse sido menos bom e mais severo para connosco, talvez, teríamos pecado muito menos!…

No entanto continuamos a pecar e, mesmo depois de anos e anos, caímos sempre nos mesmos pecados. É uma constatação que nos revela a nossa grande fragilidade, mas não devemos desanimar! Os santos também eram como nós, limitados, frágeis e pecadores como nós. São santos, não porque deixaram de pecar, mas porque nunca desistiram na luta contra o mal; porque a consciência dos seus pecados tornava-os mais humildes e, arrependidos e confiantes, voltavam ao Senhor que os sustentava com o Seu Amor Divino. Os santos são pecadores que não desistem.

Nós também somos pecadores, experimentamos continuamente as nossas fraquezas, mas, seguindo o exemplo dos santos, não devemos desistir. Se depois do pecado voltamos a Deus com sincero arrependimento, com o propósito de nos emendarmos, Ele sempre nos acolhe e nos perdoa. A experiência da nossa fraqueza torna-nos mais humildes, fortalece a vontade e faz crescer em nós o amor de Deus. Desta forma, também os nossos pecados nos aproximam de Deus. Muitas vezes, Ele permite que pequemos, a fim de termos uma maior consciência da nossa fraqueza e da Sua infinita bondade.

Dizia São Pio de Pietralcina: “Quando sentimos dilaceradas as fibras mais duras do nosso coração, a ponto de chorarmos lágrimas de arrependimento e de amor, o próprio pecado, meu filho, transforma-se num verdadeiro degrau que mais nos aproxima ao Senhor; que fortalece a nossa vontade no caminho do bem, deste forma, também o pecado nos conduz a Deus”.
 
É importante não desistir: “colocar a nossa vida nas mãos de Deus” é uma aprendizagem continua que nos ajuda a crescer. Os santos eram pessoas frágeis como nós, mas confiaram em Deus e venceram. Deus que nos conhece profundamente e que nos ama serve-se das nossas misérias para nos ajudar a crescer no Seu Amor. Ele ama-nos, não desiste! As nossas misérias, as nossas quedas e pecados não conseguem mudar o Coração do Pai, o Seu Amor é incondicional. É Ele que conduz à nossa vida!   
 
Se confiarmos em Deus, as nossas preocupações perdem a sua intensidade e crescemos no Amor de Deus. Damos menos importância ao nosso “eu” e começamos a ver os outros com olhos diferentes. Com mais facilidade os aceitamos e amamos, dissolvendo qualquer sentimentos de ódio, de intolerância, todas as mágoas e reclamações.   
A confiança em Deus torna-nos mais tolerantes para com os outros, porque Deus é tolerante para connosco. Ele nos ama e nunca deixa de nos amar por causa dos nossos erros. Ninguém é perfeito, mas Deus ama-nos. O Seu amor transforma a nossa vida e nos ajuda a aceitar os outros como são, faz-nos crescer, viver em paz com todos e perseverar no caminho da santidade.

Orar unidos a Jesus, unidos à Igreja

Junho 11th, 2020

O Catecismo da Igreja Católica ao n. 2741 fala de Jesus que, como Sacerdote Eterno intercede continua por nós junto do Pai. Quando oramos, juntamos a nossa oração à oração de Jesus.

Todos os pedidos de Jesus foram atendidos lá no alto da cruz. Jesu pediu: “Pai perdoa, porque não sabem o que estão a fazer” e foi atendido pelo Pai, porque pela Sua morte recebemos o perdão dos pecados e com a sua ressurreição temos como herança a vida eterna.

Jesus é o nosso grande intercessor junto do Pai, uma oração incessante, tal como fez durante toda a sua vida sobre a terra, diz a Carta aos Hebreus: “O nos dias da Sua vida terrena, Jesus apresentou orações e súplica, com grande clamor e lágrimas, Àquele que o podia salvar da morte e foi atendido pela Sua piedade (Heb 5, 7-9).

Jesus, mesmo sendo o Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que Ele mesmo sofreu. Ofereceu a Sua vida com um sacrifício agradável ao Pai, e assim tornou-se, Sacerdote de uma Aliança Eterna, causa de salvação para todos aqueles que lhe obedecem.

Jesus não cessa de interceder por nós junto do Pai. Ele orou durante a sua vida terrena e continua a orar no Céu como Sacerdote Eterno.

Jesus orou com confiança filial, e nos convida a ter a mesma confiança filial. Quando oramos, juntamos as nossas orações à Sua incessante intercessão, oramos com a mesma confiança filial que Ele nos ensinou.

Se a nossa oração estiver unida à oração de Jesus com aquela confiança e audácia filial, que Ele ensinou, obteremos do Pai tudo o que pedirmos em seu nome, em nome de Jesus, e o Pai nos dará mais, muito mais: o Pai nos dará o Espírito Santo que inclui todos os dons.

A nossa oração pessoal está sempre unida a oração da Igreja, é a oração do Corpo Místico de Cristo. Cada cristão ora sempre unido à Igreja. Assim tudo quanto pedirmos ao Pai em nome de Jesus nos será concedido.

Orai continuamente, sem cessar

Junho 11th, 2020

A seguir, contou uma parábola – a do juiz iníquo e da pobre viúva – sobre a necessidade de orar continuamente, sem desfalecer ou sem desistir.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) ao n. 2742 fala precisamente da necessidade de orar continuamente. São Paulo exortava aos cristãos “Orai sem cessar” (1Tess 5,7), «dai sempre graças por tudo a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo» (Ef 5, 20), «servindo-vos de toda a espécie de orações e súplicas, orai em todo o tempo no Espírito Santo; e, para isso, vigiai com toda a perseverança e orando por todos os santos» (Ef 6, 18). «O que nos foi mandado é que trabalhemos, velemos e jejuemos constantemente, mas temos a lei de orar sem cessar» (30)

A oração perseverante é sinal de que amamos a Deus. O fervor incansável da oração só pode vir do amor. Este amor que alimenta a nossa oração leva-nos a vencer a nossa lentidão e preguiça. O combate da oração é o combate do amor. O combate para nos mantermos humildes, confiantes e perseverantes.

Jesus disse aos seus discípulos “Digo-vos, pedi, e recebereis, procurai e encontrareis, batei e a porta abrir-se-à, porque todos aquele que pedem recebem; aqueles que procuram encontrarão, e aqueles que batem abrir-se-á porta. Pois se vós, mesmo sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, muitos o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem. (Lc 11, 9-13)

2744. Orar é uma necessidade vital porque se não nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, recairemos na escravidão do pecado (33). Ora, como pode o Espírito Santo ser a «nossa vida» se o nosso coração estiver longe d’Ele? A oração é uma necessidade vital porque «Quem reza salva-se, de certeza; quem não reza condena-se, de certeza»».

Jesus ensina a orar com confiança

Junho 11th, 2020

O Evangelho de São Lucas ao capítulo 11 resume o ensinamento de Jesus sobre a oração: “Sucedeu que que Jesus estava em oração num lugar isolado. Quando acabou, um dos seus discípulos disse-lhe: “Ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos” (Lc 11,1-2). Jesus respondeu ensinando a oração do Pai Nosso.

A seguir, contou uma parábola – a do juiz iníquo e da pobre viúva – sobre a necessidade de orar continuamente, sem desfalecer ou sem desistir.

O juiz iníquo não temia a Deus nem respeitava os homens. Por muito tempo recusou de atender uma viúva que lhe pedia justiça contra o seu adversário. Mas, um dia, diante da sua insistência, resolveu atendê-la, para que não voltasse mais a importuná-lo. O Senhor Jesus continuou: “Reparai nas palavras do juiz iníquo. E Deus não fará justiça aos seus eleitos que clamam para Ele dia e noite? Será que os deixará esperar? Eu vos digo que vai fazer justiça prontamente” (Lc 18, 1,-7).

Jesus ensinou a orar com insistência, também com a parábola do amigo inoportuno, escutemos: “Disse-lhes também: Sem algum de vós tiver um amigo, e for ter com no meio da noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois chegou de viagem um amigo em minha casa e eu não tenho nada para lhe oferecer. Se ele lhe responder lá de dentro: “Não me incomodes, a porta já está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados, não posso levantar-me para tos dar”. Eu vos digo que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, devido à sua insistência” (Lc 11, 5-8)

Jesus diz que o juiz, mesmos sendo mau, atendeu aquela viuva devido a sua insistência; como também o amigo atendeu o seu amigo pela sua insistência. Jesus faz notar que muito mais o Pai que é bom e misericordioso atende a suplica dos seus filhos.

Se por um lado, Jesus ensina a imitar a insistência da viuva e do amigo inoportuno, por outro lado, também ensina a pedir ao Pai com grande confiança. Escutemos: “Eu digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei e a porta abrir-se-á para vós. Porque quem pede recebe; quem procura, encontra; e a quem bate a porta abrir-se-á.Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, muito mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!” (Lc 11, 9-13).

Confiar no Pai

Junho 9th, 2020

Quando Jesus falou de Deus, falou do Pai que ama os seus filhos, e convidou a confiar Nele. Ele próprio é a Presença de Deus: «Quem me vê a Mim, vê a Deus. Quem Me ouve a Mim, ouve a Deus». Deus Aquele que foi e que será, mas sobretudo é «Aquele-que-é»; Aquele que Presente, Aquele que está comigo aqui, agora, neste momento.

Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber … Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as.
Não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração da suas  vida? 

Não vos preocupeis, olhai para os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnifi­cência, se vestiu como qualquer deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? O vosso Pai celeste bem sabe que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Seu Reino e a sua justiça e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos inquieteis, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Bem basta a cada dia o seu trabalho» (Mt 6,24-34). 

O Jesus, meu Senhor,
Eu estou tão preocupado e ansioso,
que não não tenho tempo para os amigos,
para a família, nem para ajudar os outros.
Tu queres que eu seja simples como uma criança,
Que confie em Ti, que não me preocupe para o dia de amanhã.

Neste momento, Jesus aqui à Tua frente,
deixo todas as minhas preocupações
Todas as minhas ansiedades,
todos os meus medos e desconfianças.
Entrego-te toda a minha,
tudo o que me preocupa,
toda a minha ansiedade.

A confiança filial

Junho 9th, 2020

O Catecismo da Igreja da Católica (CIC) ao n. 2734, fala da confiança filial que devemos ter na oração, uma confiança cheia de amor, porque, em Jesus, somos Seus filhos.

“O Pai tanto amou o mundo que enviou o Seu Filho Unigénito para que todos aqueles que acreditam Nele não se percam, mas tenham a vida eterna (Jo 3, 13). O Pai enviou o Seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida” (1ªJo 4,9) e nos tornemos Seus filhos: “Vede como é grande o amor que o Pai nos concedeu, ao nos podermos chamar filhos de Deus, o que de fato somos! Caríssimos, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois o veremos como ele é” (1ª Jo 3,1.2)
– A confiança é uma abertura de coração que só é dada a quem a merece. Assim a “confiança filial” é posta à prova – e prova-se a si mesma – nos momentos de tribulação (CIC 2734). A confiança filial é posta à prova pelas tribulações da vida.

O Apóstolo São Paulo diz que é pela fé que alcançamos a salvação e a paz. Neste mundo passamos por muitas tribulações, mas não desfalecemos, estamos firmes na nossa fé, até nos gloriamos nas tribulações tendo a esperança da esperança da glória de Deus, porque a tribulação produz perseverança e a perseverança fortalece o nosso caracter. A esperança que temos em Jesus não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que Ele nos concedeu (cf. Rom 5, 1-5)

O CIC afirma que a principal dificuldade da oração aparece quando pedimos alguma coisa a Deus por nós ou pelos outros e temos a impressão de não sermos atendidos. Por este motivo, muitas pessoas abandonam a oração. E continua: aqui, duas questões se põem: Por que é que pensamos que o nosso pedido não é atendido? E como é que a nossa oração é atendida, e «eficaz»?
– É interessante notar que quando louvamos o Senhor ou Lhe agradecemos não nos preocupamos em saber se nossa oração Lhe foi agradável, mas quando Lhe pedimos alguma coisa, queremos ver rapidamente os resultados (Cf. CIC, 2735).
– Santo Agostinho, dava o seguinte conselho: “Não te aflija se não recebes imediatamente de Deus, o que lhe pedes: é que Ele quer beneficiar-te com um bem ainda maior, em permanecer com Ele na oração. Ele não atende logo o teu pedido porque quer criar um espaço maior em teu coração, de forma que tu estejas preparado a receber o que Ele te quer dar” (nota 26)

2743. Orar é sempre possível. O tempo para nós, os cristão é tempo de graça, é tempo oportuno que que podemos fazer o bem, é o tempo de Cristo Ressuscitado, em que Ele está «connosco todos os dias» (Mt 28, 20), sejam quais forem as tempestades.

O Evangelho de Luca fala da tempestade que Jesus acalmou. Os discípulos estavam no meio do mar em tempestade e, Jesus não se mostrou nada preocupado com isso, até adormeceu. O barco estava a ser inundado e os discípulos corriam grande perigo. Acordaram Jesus clamando: “Mestre, Mestre, vamos morrer! ” Ele levantou-se e repreendeu o vento e a violência das águas; tudo se acalmou e ficou tranquilo. Depois repreendeu-os, dizendo ”Onde está a vossa fé?” (Cf. Lc 8, 22-25). É nos momentos de dificuldade que manifestamos a firmeza da nossa fé.

Não é Deus que precisa da nossa oração, somos nós que precisamos da Sua ajuda, sem a ajuda de Deus, nada podemos fazer, ou melhor, podemos fazer muitas coisas, mas será sempre uma actividade frenética que não dará frutos. Como o nosso corpo precisa de alimento para viver, assim, a nossa alma precisa de Deus.
2744. A oração é uma necessidade vital porque se não orarmos, se não nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, recaímos na escravidão do pecado. Ora, como é que o Espírito Santo pode ser a «nossa vida» se o nosso coração estiver longe d’Ele?
– A oração é uma necessidade vital porque «Quem reza salva-se, de certeza; quem não reza condena-se, de certeza».

Viver o presente

Junho 7th, 2020

É difícil viver no tempo presente. Para nos darmos conta disso, basta darmos um pouco de atenção aos nossos pensamentos e notar como as lembranças dolorosas do passado, as preocupações do futuro e outros pensamento e imaginações nos distraem continuamente. Revivemos, os desgostos da vida passada, lembranças dolorosas, rancores e sentimentos de culpa, faltas de perdão, rejeições e abandonos e muitas outras coisas.

As feridas abertas do nosso passado doloroso. Os sentimentos de culpa por tudo aquilo que deveriam ter feito e não o fizemos ou por tudo aquilo que fizemos e que não deveriam ter feito. E até ficamos envergonhados. Tudo isso é muitas outra lembranças nos mantêm presos no passado nos impedem de viver com atenção o presente. Depois, as nossas preocupações do futuro. Com a imaginação antecipamos o futuro com pergunta deste género: «O que será de mi se acontecer isto? se eu ficar desempregado? se a economia enfraquecer? se eu não conseguir pagar as dívidas? se a pandemia não acabar? E se eu adoecer? E se desabar uma guerra?».

Muito tempo e energias perdemos revivendo o passado e imaginando o futuro. Já experimentamos muitas vezes quanto a nossa imaginação é enganadora. Tais pensamento ocupam de tal forma a nossa mente que ficamos, por assim dizer, cegos e surdos. Uma cegueira e uma surdez espiritual que nos impede de viver o presente.
– Ficamos cegos porque não reparamos na beleza da vida, não contemplamos nem apreciamos a beleza da natureza, não valorizamos os amigos, não acolhemos a vida como um presente, como um dom precioso.
– Ficamos cegos porque perdemos a capacidade de nos maravilhar, de nos surpreender diante do sorriso das crianças, das pessoas, da convivência familiar.
– Ficamos como surdos porque não ouvimos as vozes que anunciam a esperança, não ouvimos gritos dos irmãos que precisam de ajuda, não reparamos na voz agradecida dos amigos, dos colegas, das pessoas que nos amam. Ficamos presos nas amarguras do passado e nas preocupações do futuro e não vivemos com intensidade o tempo presente, a vida real, aquela vida que está a acontecer aqui e agora, o único tempo que está ao nosso alcance. O passado já passou e não pode ser modificado. O futuro há de vir, e é sempre diferente daquilo que podemos prever ou imaginar. Não vivemos a nossa vida como um presente, como um dom precioso que Deus renova continuamente, em cada instante, em cada hora, em cada por cada um de nós.

Olhamos agora para Deus. Ele é o Deus connosco, o Deus que vive com o seu povo. Que fez do coração do homem a Sua morada. Ele está presente em cada momento da nossa vida, com suas alegrias e tristezas. Quando Jesus falou de Deus, falou do Pai que ama os seus filhos, e convidou a confiar Nele.

Ele próprio é a Presença de Deus: «Quem me vê a Mim, vê a Deus. Quem Me ouve a Mim, ouve a Deus». Deus Aquele que foi e que será, mas sobretudo é «Aquele-que-é»; e Eterno Presente, Aquele que está connosco, aqui, agora, neste momento. É Ele que formou o coração de cada homem e a nossa espera o Senhor: Ele é o nosso amparo e protector. N’Ele se alegra o nosso coração:  em seu nome santo pomos a nossa confiança (cf. Salmo 132)

Jesus veio para nos libertar do peso do passado e das preocupações do futuro. “Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber …
Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração da suas  vida? Olhai para os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnifi­cência, se vestiu como qualquer deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis, dizendo: que comeremos, que beberemos ou que vestiremos? O vosso Pai celeste bem sabe que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Seu Reino e a sua justiça e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos inquieteis, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Bem basta a cada dia o seu trabalho» (Mt 6, 24-34). 

O Jesus, meu Senhor,
Eu estou tão preocupado e ansioso,
que não não tenho tempo para os amigos,
para a família, nem para ajudar os outros.
Tu queres que eu seja simples como uma criança,
Que confie em Ti, que não me preocupe para o dia de amanhã.

Neste momento, Jesus aqui à Tua frente,
deixo todas as minhas preocupações
Todas as minhas ansiedades,
todos os meus medos e desconfianças.
Entrego-te toda a minha,
tudo o que me preocupa.

Tu, Senhor, me ofereces o Teu amor, a Tua Paz
e liberdade dos pássaros e a beleza dos lírios.