1 – A partir do Interior

Maio 22nd, 2018

Há gente que pensa que a libertação acontece por intervenção de alguém: magos, bruxas, curandeiras,… mas vamos ver o que diz Jesus, o Mestre dos Mestres. Ele diz: “O Reino de Deus chegou, convertei-vos e acreditai na Boa Nova”; “Vigiai e orai, para não cair na tentação”; “há certos demónios que só se vencem com o jejum e a oração”. Jesus fala de conversão, de mudança de mente e de coração. Convida a despertar, perseverar na oração, fazer penitência.

Se estás doente ou tens distúrbios de ordem espiritual não procures remedio no ocultismo: bruxas , curandeiros … se fostes nesses lugares, se tens confiado nos poderes ocultos, se tens contigo objetos supersticiosos, sê valente, faz um corte: deita tudo fora, para o lixo, desliga-te disso, e segue o caminho de Jesus. Ele é o único que tem poder de te curar e libertar! 
 
Foi por ignorância que seguistes caminhos errados, mas agora, confia em Jesus. Que seja Ele o Teu Senhor, o Teu Deus e Salvador. Se ainda não a tens, compra uma Bíblia. Ela contém a  Palavra de Deus. Nela encontrarás as palavras da verdade, as palavras que te libertam, as palavras de vida e de vida eterna, as palavras que te darão a vitória contra os ataques de Satanás. Não é possível agora explicar-te a importância da Bíblia, mas aceita a seguinte afirmação: se não combateres as palavras do mundo com a Palavra de Deus, não conseguirás vencer esta batalha. 

Toda a Bíblia fala de conversão: O Profeta Ezequiel (18, 27-28) diz claramente: “Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal e vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido. Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida. Se abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há-de viver e não morrerá”. (Ez 18,27-28)

O Salmo 24 (4-5.6-7.8-9) é a oração de um fiel que procura a Deus e a Sua Vontade: Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador: em Vós espero noite e dia. 

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não recordeis as minhas faltas e os pecados da minha juventude. Lembrai-Vos de mim segundo a vossa misericórdia, tratai-me segundo a vossa bondade, Senhor. 
O Senhor é bom e reto, ensina o caminho aos pecadores. 
Orienta os humildes na justiça e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

Por isso, se queres ficar curado, converte-te, cuida da tua vida interior, da oração, corrige os maus hábito, põe em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça e tudo o resto te será concedido como um dom de amor. Estás atento, desperta, persevera na oração, não permitas ao maligno que deturpe a tua tua identidade de filho de Deus e de herdeiro da vida eterna. 

2 – Conversão Interior

Maio 22nd, 2018

A partir do interior. 
Há pessoas que pensam que a libertação acontece por intervenção de alguém: magos, bruxas, curandeiras,… mas vamos ver o que diz Jesus, o Mestre dos Mestres. Ele diz: “O Reino de Deus chegou, convertei-vos e acreditai na Boa Nova”; “Vigiai e orai, para não cair na tentação”; “há certos demónios que só se vencem com o jejum e a oração”. Jesus fala de conversão interior: de mudança de mente e de coração. Convida a despertar, perseverar na oração e fazer penitência. Convida-nos a dar atenção aos nossos pensamentos, aos sentimentos e desejos para que sejam conformes à Vontade de Deus.

* Os distúrbios espirituais, os fracassos, as doenças e as dificuldades da vida são providenciais porque é mesmo nesses momentos que as pessoas procuram ajuda e retomam o caminho da fé. Não é fácil compreender os sofrimentos e os tormentos espirituais, só os conhece quem passa por eles, mas alguns só querem resolver o problema, isto é, ser curados e continuar a viver no pecado, longe de Deus. O Reino de Deus exige conversão. Jesus não propões simplesmente a cura de algumas doenças mas sim a salvação eterna. Satanás quer afastar os homens de Deus, quer levá-los para o Inferno. Jesus quer salva-los, leva-los para o Céu. Jesus não propões soluções fáceis, chama à conversão: “O Reino de Deus chegou”, portanto, “convertei-vos e acreditai na Boa Nova”; “Vigiai e orai, para não cairdes na tentação”; “há certos demónios que só se vencem com o jejum e a oração”. Jesus fala de conversão interior, de mudança de mente e de coração. Convida a despertar, perseverar na oração e a fazer penitência.

Se estás doente ou tens distúrbios de ordem espiritual não procures remédio longe de Jesus, fora da Igreja, no ocultismo: bruxas , curandeiros … se foste num desses lugares, se tens confiado nos poderes ocultos, se tens contigo objetos supersticiosos, sê valente, faz um corte: deita tudo fora, para o lixo, desliga-te disso, e segue o caminho de Jesus. Ele é o único que tem poder de te curar e libertar!

O Apóstolo São Paulo, na Carta aos Filipenses, diz-nos:
“Não vos inquieteis com coisa alguma, mas em todas as circuntâncias apresentai a Deus as vossas preocupações com orações, súplicas e agradecimentos. E a Paz de Deus guardará os vossos corações e pensamentos em Jesus Cristo”. E continua: “Tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e digno de louvor, é o que deveis pensar”. (Fil 4,6-7)

“Não façais nada por rivalidade nem por vanglória; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros. Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio.” (Fil 2,1-4)

E na Carta aos Romanos,lemos:
“Assim como entregastes os vossos membros como escravos da impureza e da desordem que conduzem à revolta contra Deus; colocai agora os vossos membros ao serviço da justiça que conduz à santidade; de facto, o pecado leva à morte. Mas agora, livres do pecado, vos tornastes servos de Deus, porque deveis dar frutos de santidade, cujo fim é a vida eterna. O pecado produz morte, mas a graça, que é dom gratuito de Deus, leva à vida eterna”. (Rom 6,19-23)

E na Carta aos Colossenses, São Paulo exorta-nos:
Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes para o mundo e a vossa vida agora está escondida com Cristo em Deus. E quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos manifestareis com Ele na glória. Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza, que é uma idolatria. Por causa destes vícios é que vem a ira de Deus sobre os rebeldes. Vós também vos comportáveis da mesma forma, quando vivíeis entre eles. Mas agora, afastai de vós tudo o que é cólera, irritação, malícia, insulto, linguagem torpe. Não mintais uns aos outros, vós que vos despojastes do homem velho com as suas acções e vos revestistes do homem novo, que, para alcançar a verdadeira sabedoria, assim a vossa vida se vai renovando à imagem do seu Criador. (Col 3,1-11)

* Converter-se é seguir os Seus ensinamentos, a Sua Palavra que é Palavra de Vida e de vida eterna. É imitar Jesus, a sua maneira de viver. Ele, passou por este mundo fazendo o bem a todos, curando e libertando todos aqueles que eram oprimidos pelo demónio.

* A converter-se é uma grande mudança de vida. É amar como Jesus amou, tornando-se servidor de todos e deixou-nos o mandamento do amor: ”Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Disto conhecerão que sois Meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”. (Jo 13,34-35)  

* A converter-se é deixar de viver segundo o mundo e viver segundo Deus. Deus é Pai, ama-te, em Jesus fez de ti um Seu filho. Deixa de viver segundo o mundo, começa a viver segundo Deus, como Seu filho, um filho muito amado. Deixa a vida materialista e começa a viver guiado pelo Espírito Santo, a partir do interior: “Sois filhos de Deus, pois Deus enviou aos nossos corações o Espírito do Seu Filho, que clama: Abbá, Pai”. (Gal 3,6) 

«É preciso renascer do Alto» 
* São as palavras que Jesus disse a Nicodemos.  O homem quando nasce é “carne”, isto é, uma criatura humana; por ele deve  “renascer”, isto é, nascer de novo, nascer pela água e pelo Espírito Santo, uma geração espiritual. Se fostes Baptizado, este renascimento espiritual aconteceu também para ti: és filho de Deus. Recebestes uma vida nova, mas por descuido deixaste-a murchar, mas agora, abandona a vida de pecado, começa a viver uma vida nova de filho de Deus.   
 
«Permanecei no Meu Amor» 
* Jesus dirigiu muitas vezes este convite aos seus discípulos e ilustrou-o com luminosas expressões:”Eu sou a videira e vós sois os ramos”; “Como o pai me amou, assim Eu vos amei”.
* Apóstolo São João exclamou:  «Qual grande amor o Pai nos tem em nos chamar Seus Filhos, e somo-lo de facto»  (1Jo 3,1). Os Padres da Igreja diziam: «Reconhece, cristão, a tua dignidade!». Jesus propõe uma “vida nova”, uma vida renovada pelo Espírito Santo, uma vida que acolhe e contempla o Amor de Deus. 

3 – A fé da Igreja

Maio 22nd, 2018

A Igreja ensina que a fé é dom de Deus. É a virtude (teologal) que nos leva a crer em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer. Pela fé, “o homem livremente se entrega todo a Deus”. O cristão procura conhecer e fazer a vontade de Deus, já que “o justo viverá da fé” (Rm 1,17) e “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6). A fé em Deus, nos leva a voltar só para Ele, como nossa origem e nosso fim, e a nada preferir a Ele e nem a substituí-Lo por nada.

* Muitas pessoas dizem: “eu tenho a minha fé”. Sem por em dúvida a sinceridade e boa vontade dessas pessoas, devemos afirmar que não é suficiente “ter fé”, é necessário ter a fé da Igreja, isto é, uma fé pessoal que se alimenta com a PALAVRA DE DEUS, OS SACRAMENTOS E A ORAÇÃO. Uma fé que não se alimenta com a Palavra de Deus, com a oração e os sacramentos não é uma fé verdadeira.

A fé da Igreja é uma fé que se alimenta
com a ORAÇÃO, PALAVRA DE DEUS e SACRAMENTOS

A fé, é como uma chama que precisa de combustível para se manter acesa. É como uma plantinha que precisa de água todos dias, que precisa do calor do sol e de adubo, para se alimentar e crescer a cada dia.
A fé cresce com a oração diária, com a intimidade com Deus, com a amizade com Jesus, o “divino Amigo”, partilhando com Ele todos os momentos da nossa vida, as alegrias e os sofrimentos. A fé torna-se forte quando meditamos a Palavra de Deus. Quando obedecemos, quando cumprimos o que Ele ordena, sem medo e sem dissimulação. “Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumidor da nossa fé, Jesus” (Hb 12,1).
A nossa fé cresce, torna-se forte e segura quando nos alimentamos com o Pão da Vida, quando recebemos Jesus na Eucaristia, o sacramento da Sua Presença. Quando participamos regularmente na Santa Missa, estamos a alimentar a nossa alma na mesa da Palavra de Deus e do Pão da Vida. Na Santa Missa encontramos “o alimento da nossa vida e o remédio de todos os nossos males”. Jesus disse que, quem come a Sua carne e bebe o Seu Sangue “permanece Nele”, “viverá por Ele” e Ele o ressuscitará no último dia.
“Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.” (Jo 6,54-58)

Amar a Deus e ao próximo
A fé cresce e se fortalece quando amamos a Deus e ao próximo, pois, a fé viva “age pela caridade” (Gl 5,6). “A fé é morta sem obras” (Tg 2,26); a fé viva faz-nos crescer na esperança e no amor. A fé viva une-nos plenamente a Cristo, faz-nos membros vivo do seu Corpo.

A fé não é apenas algo individual, mas coletivo, é da Igreja. Muitos fraquejam na fé porque vivem na “sua” fé, pobre e fraca. Temos de viver na fé “da Igreja”, tudo o que ela recebeu de Cristo e nos ensina. Jesus disse à Igreja: “Quem vos ouve a Mim ouve, quem vos rejeita a Mim rejeita…” (Lc 10,16). Só tem fé inabalável aquele que crê e vive o que ensina a Santa Igreja, Esposa do Senhor, pois ela é o Seu “braço estendido em nossa história”. A Igreja nunca teve crise de fé.

Quando a fé não se alimenta
com a ORAÇÃO, PALAVRA DE DEUS e SACRAMENTOS
arrefece e morre

O que pode apagar a nossa fé?
Os nossos pecados. Lutar contra os pecados é o meio de manter acesa a fé. Uma vida de tibieza (relaxamento espiritual), mata a fé. Por é necessário recorrer à Confissão, sem demora, sempre que o pecado assaltar a nossa alma. Nada de auto piedade e de falso orgulho, vamos depressa ao sacerdote! Jesus derramou seu Sangue para nos perdoar os pecador. Não permita que, a erva daninha do pecado vá matando a planta da fé no jardim da sua alma.

Para manter viva a luz da fé, recorremos à oração e renovamos a cada dia a nossa confiança em Deus. Pela fé colocamos tudo nas Suas Mãos. Pela fé, como crianças, abandonamos tudo no colo da mãe e ficamos seguros, serenos sem preocupações. Quando confiamos em Deus, conhecemos a Sua infinita grandeza e majestade, por isso, a nossa boca abre-se para Lhe agradecer por tudo o que somos e que Dele continuamente recebemos. “Que é que possuís que não tenhais recebido?” (1 Cor 4,7). “Como retribuirei ao Senhor todo o bem que me fez?” (Sl 116,12)

Viver na fé significa, confiar sempre em Deus, em qualquer circunstância, mesmo na adversidade. Como dizia Santa Teresa: “Nada te perturbe, nada te assuste, Deus não muda, a paciência tudo alcança, quem a Deus tem nada falta. Só Deus basta!”. “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rom 8,28).

A fé exige também dar testemunho de Cristo.
“Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10,32-33).

Quanto mais se exercita a fé, mais ela cresce em nós e se fortalece; quanto menos a exercitamos, mais se torna raquítica.

4 – Jesus, único Salvador

Maio 22nd, 2018

O que diferencia o Cristianismo das demais religiões é a vida eterna, que não é uma simples sobrevivência da alma, mas a plenitude da vida, comunhão perfeita com Deus Trindade. Por isso falamos de salvação, de vida eterna, por cada pessoa, uma salvação que Jesus conquistou pela Sua Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição.

Por isso, é necessário acolher a Jesus como único Salvador. Os Apóstolos pregavam com todo o ardor: Cristo morto e ressuscitado, a nossa salvação!

São Pedro, em Jerusalém, deixa bem claro aos judeus:
“Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devemos ser salvos” (At 4,12). As palavra de São Pedro, o príncipe dos Apóstolos, dever ser repetidas hoje, com profunda convicção para que ninguém seja enganado: “Em nenhum outro há salvação”. Jesus é o único Salvador, pois “nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devemos ser salvos”.

Jesus conquistou a salvação eterna “não por bens perecíveis, como a prata e o ouro… mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imolado” (1Pe 1,18). Jesus “Carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados” (1 Pe 2,24).

Jesus é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo porque Ele deu a Sua vida como sacrifício da nossa salvação. Era necessário um sacrifício de valor infinito para reparar as ofensas infinitas dos nossos pecado contra a Majestade (infinita) de Deus e a Sua justiça. Jesus ofereceu-Se como vitima de expiação, como oblação pura e santa, para satisfazer a justiça divina.

Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador, ofereceu a Sua Vida (humana e divina), o Sacrifício da Nova e Eterna Aliança, ao Pai para nos salvar. Fez de nós Seus irmãos. Lá na cruz, deu-nos a maior prova de amor. Esta verdade levou São Paulo a exclamar, quando escreveu aos romanos: “Eis uma prova maravilhosa do amor de Deus para conosco: quando ainda éramos pecadores Cristo morreu por nós” (Rom 5,8).

Em 1933, a Irmã Faustina teve uma impressionante visão sobre a Misericórdia Divina: o Pai olha para a humanidade através das Santas Chagas de Jesus.
Eis as palavras de Santa Faustina: “Vi uma grande luz, e nela Deus Pai. Entre esta luz e a Terra vi Jesus pregado na Cruz de tal maneira que Deus, querendo olhar para a Terra, tinha que olhar através das chagas de Jesus. E compreendi que somente por causa de Jesus, Deus está abençoando a Terra.”

Como é que a salvação de Jesus Cristo chega até nós? É pela fé em Jesus Cristo, vivida e celebrada na Igreja que Ele fundou. É pela fé que vivemos a vida nova da graça aqui e na eternidade. A nossa conta com a justiça divina foi paga por Jesus: “Se confessares bem alto com a tua boca que Jesus é o Senhor, e se creres em teu coração que Deus o ressuscitou entre os mortos, serás salvo. Porque é crendo com o coração que se obtém a justiça, e é professando com palavras que se chega à salvação” (Rom 10,9-10).

Somos salvos pela fé em Jesus Cristo que recebemos da Santa Igreja Católica, o seu Corpo Místico, “Sacramento universal da salvação da humanidade” (LG, 5). Jesus, ao despedir-se dos discípulos, antes da Sua Ascensão ao Céu, colocou as condições para a salvação: “Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado” (Mc 16,16).

* Como o corpo cresce com os alimentos, os cuidados médicos … assim também a alma precisa de alimentos e de cuidados: a Palavra de Deus, com a oração pessoal e comunitária, com os sacramentos…  
* Se confiares em Jesus, Ele cuida de ti. Com Ele, Satanás nada pode fazer contra ti: “Nós bem sabemos que quem nasceu de Deus não peca, o Filho de Deus o guarda, e o Maligno não o apanha” (1Jo 5,18). 
 
Podemos então resumir citando as palavras de São Pedro: Jesus é o único Salvador, «Não temos outro nome em baixo do céu em que podemos ser salvos» (Actos 4,12). Quem invocar  o nome de Jesus será salvo: o nome de Jesus “está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus se dobrem todos os joelhos, no céu, na terra e nos abismos” (Fl 2,9-10).  

* O nome de Jesus é poderoso porque é o nome do Filho de Deus. São Pedro curou o paralítico à porta do templo dizendo:  «Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho te dou: em nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda»  (Actos 3,1-8). Foi o nome de Jesus que o curou.  
* O poder do nome de Jesus pode também libertar os homens do demónio. Jesus disse aos seus discípulos:  «Eis os sinais que acompanharão os que acreditam em Mim: em meu nome expulsarão os demónios»  (Mc 16,17).  

Não procurar a salvação fora de Jesus Cristo
Infelizmente há batizados que, mesmo conhecendo a grande prova de Amor de Deus em Jesus Cristo, renegam a sua fé e vão buscar a salvação onde ela não existe. Assim abandonam a Jesus Cristo, o verdadeiro e único Salvador, abandonam a verdadeira e única Igreja que Ele fundou, e vão buscar refúgio espiritual em tudo o que é abominável a Deus (Deut 18,10-13). Quem busca a salvação fora de Cristo e da Sua Igreja, trai a sua fé, abandona Jesus Cristo, despreza a Sua Santa Cruz, despreza as Suas Santas Chagas, os méritos infinitos do Seu imenso amor.

É verdade que fazem isso por ignorância … mas chegou a hora de acordar desse sono de morte! Chegou a hora de abrir os olhos para a luz. A palavra de Deus adverte-nos severamente: “Não vos voltareis para os necromantes (consulta aos mortos) nem consultareis os adivinhos; pois eles vos contaminariam” (Lev 19,31). O ocultismo provoca uma contaminação espiritual perigosa para a nossa alma: é pedir ajuda ao demónio, “fora” de Deus e contra as suas Leis e contra a Sua vontade. “Se alguém se dirigir aos necromantes ou aos adivinhos para fornicar com eles, voltarei o meu rosto contra esse homem…” (Lev 20,6).

São palavras severas do Senhor sobre esta questão. Só há uma salvação e um único salvador: Jesus Cristo! Só há uma Igreja, a qual Jesus incumbiu de levar a salvação, através dos sete Sacramentos, a Igreja Católica. “Fora da Igreja não há salvação”, ensina-nos o Catecismo da Igreja; isto é, “toda a salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo” (n. 846).

Aqueles que, conscientemente rejeitarem a Igreja, rejeitarão a Cristo e também a salvação. São Paulo alertou os Coríntios: “As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas aos demónios e não a Deus. Não quero que tenhais comunhão com os demónios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demónios” (1 Cor 10,20-22).

Todo culto prestado a qualquer Entidade, que não seja Deus, é dirigido ao demónio. Quem recorre ao ocultismo presta culto ao demónio, faz comunhão com ele. Aí está o perigo das práticas esotéricas e supersticiosas.

São Paulo chama a Igreja de “Casa de Deus” e diz que ela é “a coluna e o sustentáculo da verdade” (1Tm3,15). Falando a S. Timóteo, ele diz que: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm2,4). É importante notar que o Apóstolo relaciona diretamente a salvação com o “conhecimento da verdade”. Essa verdade, Jesus confiou-a à sua Igreja, para que a levasse a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares. “Quem vos ouve, a Mim ouve, quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que Me enviou” (Lc10,16). “Não temas pequeno rebanho, foi do agrado do Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32).

Só a eles o Senhor confiou o encargo de ensinar, sem erro, com a assistência do Espírito Santo: “Ide pelo mundo inteiro, pregai o Evangelho a todas as nações, ensinando-as a observar tudo o que eu prescrevi” (Mt28,18).

Não arrisques a tua salvação eterna. Salva a tua alma!

5 – Oferecer o sofrimento

Maio 22nd, 2018

JESUS CRISTO COMO ÚNICO SALVADOR.
No dia de Pentecostes, São Pedro afirmou: “Em nenhum outro há salvação”. Jesus é o único Salvador, pois “não temos outro nome em baixo do céu pelo qual devemos ser salvos”. Jesus conquistou a salvação eterna “não por bens perecíveis, como a prata e o ouro… mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imolado” (1Pe 1,18). Jesus “Carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos os nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados” (1 Pe 2,24).

Hoje falamos da OFERTA VOLUNTÁRIA DO PRÓPRIO SOFRIMENTO 

* A intimidade com o Senhor, acaba por transformar o sofrimento em oferta de amor. O homem que ama o Senhor, só deseja cumprir a Sua vontade. Mesmo quando está doente, pela fé, compreende que o seu sofrimento, tal como o sofrimento de Jesus tem valor de salvação, não só para ele, mas para muitos, através dele. Assim é também o nosso sofrimento, quando o oferecemos a Deus por amor, torna-se sacrifico de salvação, não só para nós, mas também para os outros.
* Mesmo as pessoas que sofrem doenças espirituais, podem oferecer os seus sofrimentos ao Senhor e, pela fé, chegar à feliz descoberta de que unindo-se à Cruz de Jesus, os seus sofrimentos são fecundos, produzem frutos de conversão para muitas pessoas. O sofrimento oferecido por amor pode-os aliviar, consolar e fortalecer na luta contra os demónios.  
* É difícil falar dos sofrimentos de origem maléfica, só os conhece quem passa por eles, contudo estes nossos irmãos, pela fé, podem chegar à feliz descoberta de que o sofrimento oferecido por amor é fecundo e é uma grande fonte de libertação. À luz da fé, o sofrimento oferecido a Deus é um grande ato de amor e confiança Nele, por isso mesmo, uma arma poderosíssima contra os demónios. 

Ser santos: o caminho da cruz.
A oferta dos nossos sofrimentos é caminho de santidade. É um caminho árduo, mas não estamos sozinhos, contamos com a graça de Deus. Santo Agostinho ensinava que “O que é impossível à natureza, é possível à graça de Deus”. A graça não anula e nem dispensa a natureza, mas a enriquece. Como Deus nos vocacionou para sermos santos, Ele dirige a nossa vida e os nossos passos sempre nessa direção. Na medida que a nossa liberdade o consente Ele dirige os nossos passos para esse fim. É por isso que nos acontecimentos de nossa vida muitas vezes não entendemos o que nos sucede. Na verdade é a mão de Deus a nos conduzir.

O médico não prescreve o medicamento que agrada ao paciente, mas aquele que o cura. Assim também, como o Médico das almas, Deus nos apresenta muitas vezes remédios amargos, mas é para a nossa santificação. Assim, as provações e as tentações que Deus permite que nos atinjam são para o nosso bem espiritual.

A Bíblia dá-nos essa certeza. Àqueles que querem ser seus discípulos o Senhor exige: “Tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Lc 9,23). Após a disposição interior de “renunciar a si mesmo”, é preciso a mesma disposição para “tomar a cruz cada dia”. Foi com a cruz que o Cordeiro de Deus tirou o pecado do mundo, e é também com a cruz que Ele tira o pecado enraizado em cada um de nós. Sabemos que o sofrimento não é obra de Deus, é a consequência do pecado.

Luta contra o pecado
“O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Para dar um sentido ao sofrimento, Jesus o transformou em “matéria prima” da nossa salvação. Quem quer chegar à santidade não deve ter medo da cruz e deve toma-la, resolutamente, “a cada dia”, como disse Jesus, porque é ela que nos santificará. Para entender esta pedagogia divina vamos examinar o que nos ensina a Carta aos Hebreus, no capítulo 12, sobre as provações. Começa por dizer que assim como fizeram os santos, devemos-nos “desvencilhar das cadeias do pecado” (v.1), enfrentando o “combate que nos é proposto”, como Jesus, que “suportou a cruz” (v.2), sem se deixar “abater pelo desânimo” (v 3). Em seguida mostra-nos que tudo é válido na luta contra o pecado. “Ainda não tendes resistido até ao sangue, na luta contra o pecado” (v.4).

Não despreciar a correção do Senhor
Nesta luta vale a pena derramar até o próprio sangue, a própria vida. Em seguida a Carta recorda a citação dos Provérbios que diz: “Filho meu, não desprezes a correção do Senhor. Não desanimes, quando repreendido por ele, pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho” (Prov. 3,11). Assim como nós, pais terrenos, corrigimos os nossos filhos, porque os amamos, Deus também o faz connosco. Quantas vezes eu precisei de segurar no colo os meus filhos, quando ainda pequenos, para que o farmacêutico lhes aplicasse uma injeção. Só o amor por eles me obrigaria a tal ato, mesmo com o seu choro nos meus ouvidos. Assim também Deus faz connosco; por amor, permite que as provações arranquem as ervas daninhas do jardim precioso da nossa alma.

A palavra de Deus diz: “não desprezes a correção do Senhor” (v.5), portanto devemos acolhe-la, amá-la, mesmo que nos incomode. E ela continua: “Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige?” (v. 7). Somos filhos legítimos de Deus, e não bastardos, por isso Ele nos corrige (V.8). E a palavra de Deus nos diz que, Ele nos corrige “para nos comunicar a sua santidade” (v.10). Aí está a razão pela qual Jesus nos manda abraçar a cruz de cada dia. É pelas pequenas e numerosas cruzinhas de cada dia que o Artista Divino vai moldando a nossa alma, à sua própria imagem. A nós cabe ter paciência e aceitar cada sofrimento, cada revés, cada humilhação, cada doença, enfim, cada golpe do Artista, com resignação e ação de graças.

A nossa natureza sempre se revolta, se impacienta e se agita desesperada, e com isso, só faz aumentar ainda mais o sofrimento e agravar a situação. O segredo para se sofrer com paciência é não olhar nem para o passado e nem para o futuro, mas viver, na fé, o presente. Um dos grandes conselhos que Jesus nos deixou no Sermão da Montanha foi este: “Não vos preocupeis pois com o dia de amanhã (…). A cada dia basta o seu mal” (Mt 6,34). Deus sempre nos dará a graça necessária para carregar, com determinação, a cruz de cada dia que nos santifica.

Cada um de nós têm a sua própria cruz, única e exclusiva, pois para cada tipo de doença há um remédio próprio. A nossa cruz “de cada dia” é formada de tudo o que fazemos e sofremos: o trabalho diário, as preocupações, a falta de dinheiro, a doença, os acidentes, as contrariedades, as calúnias, os mal entendidos, enfim, tudo, o que nos desagrada. Tudo isto se torna sagrado quando abraçado na fé e colocado no cálice do sangue do Senhor celebrado a cada dia no altar.

Certa vez, andando num Cemitério, por entre as sepulturas, num dado momento deparei-me com esta frase numa delas: “A melhor oração é o sofrimento”. É verdade, pensei, mas desde que seja abraçado na fé e na paciência e oferecido ao Pai junto com o sangue de Jesus.

A cruz torna-se mais suave quando é aceite por amor a Deus. Jesus mesmo, o ensinou à confidente do seu Coração, Soror Benigna Consolata, como se deve sofrer: “Quando sofres, quer interna quer externamente, não percas o merecimento da dor. Sofre unicamente por Mim”.

Sofrer tudo por amor a Jesus, eis o segredo de sofrer bem.
Santo Agostinho tem uma frase que nos ensina bem tudo isso: “Quando se ama não se sofre, e se sofre, ama-se o sofrimento”. Quanto mais calados sofrermos, sem ficarmos buscando o consolo das pessoas que nos cercam, choramingando as nossas dores, tanto mais cresceremos na santidade, e tanto mais teremos méritos diante de Deus. A maior vitória sobre o sofrimento, qualquer que ele seja, será sempre o nosso silêncio e aceitação.

Muitas vezes nos impomos uma série de mortificações, mas os santos ensinam que as melhores cruzes são aquelas que Deus permite que cheguem a nós. “São Francisco de Sales dizia que: “As cruzes que encontramos pelas ruas são excelentes, e que mais o são ainda e tanto mais quanto mais importunas as que se nos deparam em casa”.

Valem mais as cruzes do que as disciplinas e os jejuns. De que adianta a penitência que voluntariamente nos impomos, se não aceitamos aquelas que diariamente Deus nos impõe, na medida exata da nossa correção? De nada valeria o sacrifício de um enfermo que quisesse tomar muitos remédios amargos se não fossem receitados pelo médico. De forma alguma devemos desprezar as mortificações que nos impomos, contudo, mais importante do que elas são as que a divina providência nos manda.

São Paulo dizia aos romanos que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rom 8,28). Deus sabe aproveitar todos os acontecimentos da nossa vida para o nosso bem. Aceitar isto é ter fé, é saber abandonar-se nas mãos divinas, como o enfermo se entrega nas mãos do médico em que confia.

Tudo o que podemos passar nesta vida é pouco, em vista da grande obra de santificação que Deus quer fazer em nós. Não podemos perder de vista o objetivo de Deus Pai que nos “predestinou para sermos conforme à imagem de seu Filho” (Rom 8,29). São Paulo tinha isto tão certo que disse aos romanos:

“Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18).
É grande demais a obra que Deus está fazendo em nós. Santo Agostinho nos ensina que Deus “não permitiria o mal se não soubesse tirar dele um bem maior”. E que muitas vezes, Deus permite que o mal nos atinja para evitar um mal maior.

As provações nos fortalecem para o combate espiritual; por isso, os Apóstolos sempre estimularam os fiéis a enfrentá-las com coragem. São Pedro diz: “Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo…” (1 Pe 4,12).

E ele ensina que a provação nos levará à perfeição:
“O Deus de toda a graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará” (1Pe 5,10).

A humilde aceitação do sofrimento
É importante notar que o Apóstolo ensina que, a provação nos “aperfeiçoará e nos tornará “inabaláveis”. É importante não se deixar perturbar no fogo da provação. Não se exasperar, não perder a paz e a calma, pois é exatamente isto que o tentador deseja.

Uma alma agitada fica a seu bel-prazer. Não consegue rezar, fica irritada, mal humorada, triste, indelicada com os outros, etc. O antídoto contra tudo isso é a humilde aceitação da vontade de Deus no exato momento em que algo desagradável nos ocorre, dando, de imediato, glória a Deus, como São Paulo ensina: “Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1 Tes 5,16).

É preciso fazer este grande e difícil exercício de dar glória a Deus na adversidade. Nesses momentos gosto de ficar glorificando a Deus, rezando muitas vezes o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo …” até que a minha alma se acalme e se abandone aos cuidados de Deus. Essa atitude muito agrada a Deus, pois é a expressão da fé pura de quem se abandona aos seus cuidados. É como a fé de Maria e de Abraão que “esperaram contra toda a esperança” (Hb 11,17-19), e assim, agradaram a Deus sobremaneira.

O exemplo de Job
Jób agradou muito a Deus porque no meio de todas as provações, tendo perdido todos os seus bens e todos os seus filhos, ainda assim soube dizer com fé: “Nu saí do ventre da minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor!” (Job 1,21).
Afirmam os santos que vale mais um “bendito seja Deus!” pronunciado com o coração, no meio do fogo da provação, do que mil atos de ação de graças quando tudo vai bem.

O pecado original corrompeu tão intensamente o estado de santidade e de justiça original, em que Deus nos criou que, só mesmo com as provações, Ele retira as “ervas daninhas” que se entranharam no jardim da nossa alma, que é propriedade de Deus. O Jardineiro divino da nossa alma sabe os métodos que deve empregar para limpar cada alma.

Santa Teresa diz que sentiu Jesus dizer-lhe: “Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos”. E por isso afirmava que não trocaria os seus sofrimentos por todos os tesouros do mundo. Tinha a certeza de que Deus a santificava pelas provações. A Santa chega a dizer que “quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz”. Para nós essas palavras parecem até um absurdo, mas não para os santos, que conheceram todo o poder salvífico e santificador do sofrimento.

São Paulo ensina que: “As nossas tribulações de momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna” (2Cor 4,17).

Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

Só aceitaremos e amaremos o sofrimento quando enterdermos, como os santos, que por meio dele, Deus destrói em nós as más inclinações interiores e exteriores, que impedem a nossa santificação. As ofensas, as injúrias, os desprezos, os cinismos irritantes, as doenças, as dores, as lágrimas, as tentações, a humilhação do pecado próprio, etc., nos são necessários pois dão-nos a oportunidade de lutarmos contra as nossas misérias. Isto não quer dizer que Deus seja o autor do mal, ou que Ele se alegre com o nosso sofrimento, não.

O que Deus faz, de maneira até amável, é transformar o sofrimento, que é o salário do próprio pecado do homem, em matéria prima de sua própria salvação, dando assim, um sentido à dor. A partir daí, sob a luz da fé, podemos sofrer com esperança. É o enorme abismo que nos separa dos ateus, para quem a dor e a morte, continuam a ser o mais terrível dos absurdos da vida humana.

A paciência na dor é a grande arma dos santos.
São Tiago afirma que, a paciência produz uma obra perfeita. Veja o que ele diz: “Meus irmãos, tende por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações, pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à perseverança, mas é preciso que a perseverança produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência” (Tg 1,2″4).

A provação produz a perseverança, e por ela, passo a passo, chegaremos à perfeição, é o que nos ensina com essas palavras São Tiago.

O capítulo dois do Livro do Eclesiástico é o “hino da paciência”. Deveríamos decorar as suas palavras: “Meu filho, se entrares para o serviço de Deus (…) prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência (…) não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência” (Eclo 2,1-3).

“Aceita tudo o que te acontecer; na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo caminho da humilhação” (4-6).

Estas palavras precisam de ser muito bem assimiladas, amadas e vividas. É a paciência que nos levará ao céu. São Gregório Magno afirma que, todos os santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência. São Paulo gloriava-se nas provações: “Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança…” (Rom 5,3-5).

Sofrer com paciência é sabedoria, pois assim se vive com paz. Quem sofre sem paciência e sem fé, revolta-se, desespera-se, e sofre em dobro, além de fazer os outros sofrerem também. Santo Afonso diz que “neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele, “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”.

É preciso aqui, ressaltar ainda uma vez mais, que as mortificações que aparecem contra a nossa vontade são as mais agradáveis a Deus, quando as abraçamos com fé e paciência. Diz o livro dos Provérbios que: “Mais vale o homem paciente do que corajoso” (Pr 16,32).

Quando eu tinha vinte e dois anos de idade, recém formado na Faculdade, fui aprovado em concurso para Professor de uma Faculdade Federal de Engenharia. Casei-me no mesmo ano e o nosso primeiro filho nasceu no ano seguinte. Sentia-me como um rei; tudo estava perfeito na minha vida. De repente, em poucos dias comecei a sentir a minha vista enfraquecer. Fui ao médico e ele constatou uma doença incurável, ceratrocone, deformação da córnea. Eu teria que usar lentes de contato, de vidro, para sempre, até quem sabe, me submeter um dia a transplante das córneas.

Tudo aquilo, tão rápido, despencou sobre a minha cabeça como uma tempestade; e eu fiquei perguntando a Deus o que tudo aquilo significava. Isto já faz vinte e quatro anos. Lembro-me que naqueles dias, perguntei ao Pe Jonas Abib, que era o nosso diretor espiritual, sobre aquilo que eu sofria. Ele disse-me: “Eu não sei o que Deus quer com isso, mas certamente ele tem um plano atrás desses acontecimentos”.
Hoje, 24 anos depois, posso avaliar o quanto esta enfermidade me ajudou a crescer espiritualmente. Talvez eu não estivesse hoje escrevendo essas páginas sobre o valor do sofrimento, se tudo isso não tivesse ocorrido. Aprendi a ser mais paciente comigo, com a doença, com os outros. Tive que fazer três transplantes das córneas, e atrás de tudo isto sempre vi a vontade de Deus na minha vida.

O homem de fé é aquele que está pronto a dizer sempre, em qualquer circunstância da vida: “Bendito seja Deus!”