8 – Os sete sacramentos

Abril 22nd, 2018

* Estamos a falar do caminho da libertação. Nos últimos encontros falamos da oração do coração ou oração contínua, que é a oração que o Espírito Santo faz em nós e por nós, segundo a vontade de Deus. O Senhor Jesus ensinou a orar sempre, dia e noite, sem cessar. São Paulo exortava aos cristãos: “Sede sempre alegres, rezai sem cessar, e, em todas as circunstâncias, daí graças a Deus” (1 Tes 5,16-18). A oração é como o ar que respiramos. É um acto de amor e acontece sempre que nos lembramos Daquele que é a fonte da nossa vida, o nosso tudo.
* Dissemos também que a oração não é um dever, é uma necessidade. Precisamos da oração tal como precisamos da comida, da água e ar que respiramos. Se encaramos a oração como um dever, bem depressa ficaremos cansados e a abandonaremos. Mas quando compreendem que a oração é uma necessidade, mesmo que exija esforço, nunca desistimos, sempre voltaremos a procurar este o encontro pessoal com Deus que nos dá força, que nos enche de amor e de paz. Para entrarmos na oração temos que ser verdadeiros e sinceros, estarmos diante do Senhor, assim como somos, fracos e pecadores. A oração é fazer “abastecimento” de boa vontade. Se paramos numa bomba de gasolina é para abastecer, não é para estacionar o carro e ficarmos parados. Se abastecemos é porque queremos viajar. Se viajamos, gastamos a gasolina, por isso, será necessário parar e abastecer mais uma vez. A oração é uma paragem para fazermos abastecimento de boa vontade, por isso, habituemo-nos a terminar a nossa oração com uma decisão generosa de amor concreto. O bem conseguido dar-nos-á força para alcançarmos uma nova vitória. A oração prepara para acção e termina na acção.

Hoje falamos dos SACRAMENTOS, sem ter a pretensão de dizer tudo, mas simplesmente o que é necessário para a nossa caminhada.

* Os sacramentos são os 7 sinais sagrados instituídos por Jesus, através dos quais Ele continua a actuar, a perdoar, curar, libertar e salvar a humanidade. A Igreja celebra os sacramentos, que continuam a ação salvadora de Jesus Cristo até ao fim do mundo. 

* Pelo Batismo renascemos pela água e pelo Espírito Santo, tornamo-nos cristãos, isto é filhos de Deus, irmãos de Jesus, templos do Espírito Santo e membros da família de Deus, a Igreja; pela Confirmação recebemos o Espírito Santo como no dia de Pentecostes que nos torna testemunhas da Ressurreição de Jesus; pela Confissão recebemos o perdão dos pecados; pela Santa Unção somos confortados e curados; e pela Eucaristia recebemos o próprio Jesus, como alimento de vida eterna. Há dois sacramentos determinam um estado de vida: a Ordem sacra e o Matrimonio. 

* O Batismo é a porta de entrada na grande família que é a Igreja, com ele nos tornamos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros da Vida eterna, mas a vida cristã deve crescer, deve ser alimentada e defendida. Como?
* Pela Confissão e pela Eucaristia, os dois sacramentos que marcam o ritmo da vida cristã. Pelo baptismo recebemos o perdão de todos o pecados, mas continuamos a ser pecadores. Por isso, todos os dias pedimos perdão a Deus na nossa oração, mas também vamos ao sacerdote para nos confessarmos. O perdão de Deus renova em nós a graça do Batismo.
* A Eucaristia é o Sacramento da Presença do Senhor: é o Pão vivo descido do Céu. A família de Deus reune-se com Jesus vivo, ressuscitado, celebra a presença do Senhor, alimenta-se na Mesa Santa da Palavra de Deus e da Eucaristia. A Confissão e Comunhão alimentam a nossa vida, a nossa amizade com Deus, até chegarmos ao Paraíso. Estes dois sacramentos renovam e alimentam a nossa dignidade de filhos de Deus.  

* A Confissão e a Comunhão frequentes são dois meios indispensáveis na luta contra Satanás, porque alimentam a nossa comunhão com Deus, nos ajudam a crescer na consciência de que somos filhos de Deus, pertencemos a Cristo e a Sua Igreja, a família de Deus peregrina em terra e triunfante no Céu.
*  A Confissão  é necessária porque somos pecadores e o pecado abre as portas ao inimigo. O bom lembrar para todos, mas particularmente àqueles que sofrem doenças espirituais, que a Confissão é mais poderosa do que exorcismo e de qualquer oração de libertação, porque com a confissão rompemos com o pecado, cortamos com Satanás e renovamos a nossa união com Cristo. Para nos libertarmos das influências maléficas precisamos, em primeiro lugar, de uma boa confissão e depois voltar a confessar-se regular e periodicamente. 
* Se a Confissão é necessária, ainda mais necessária é a Eucaristia. A Eucaristia é o «Mistério da fé», isto é a presença sacramental do Senhor. Nela é o próprio Jesus que vem ao nosso encontro para nos curar e libertar. O Domingo é o dia do Senhor, o dia que o Senhor fez, o dia em que Ele ressuscitou, em que venceu a morte. O é dia em que a Comunidade se reúne para celebrar o Mistério da Última Ceia, a dia da Eucaristia, tal como Ele mandou: “fazei isto em memória de Mim”.
* A Missa dominical é o mandamento do Senhor: “fazei isto em memória de Mim”. É um dever para todos os cristãos. O que dizemos para a oração, vale também para a Santa Missa e para a confissão: se os encaramos como uma obrigação, bem depressa os abandonaremos. Mas quando compreendemos que confessar-se e comungar é uma necessidade, tal como a água que bebemos e o ar que respiramos, então voltaremos sempre, com o desejo ardente de receber o perdão de Deus e próprio Jesus na Eucaristia, com amor, em nossas almas e viver sempre unidos a Ele.   
* Comungamos não porque merecemos ou porque somo dignos de receber o Senhor, ninguém o merece e ninguém é digno. É o Senhor que nos convida e deseja ardentemente entrar em nossas almas e nós queremos recebé-Lo porque Ele é o nosso melhor amigo.
* O Domingo é o nosso encontro com o Senhor Jesus. É importante “participar bem na Santa Missa e comungar com humildade e gratidão. Jesus disse: «quem comer a minha carne e beber o meu sangue, permanece em Mim e Eu nele». 

7 – O que é a oração

Abril 22nd, 2018

* Estamos a falar do Caminho da Libertação. Começamos por dizer que Jesus para nos libertar convida-nos a entrar num caminho de conversão, a partir do interior. Depois falamos da virtude da fé e dissemos que a verdadeira fé é a fé da Igreja, isto é uma fé pessoal que se alimenta com a PALAVRA DE DEUS e OS SACRAMENTOS E A ORAÇÃO. Depois falamos da necessidade de abandonar o ocultismo e a superstição e escolher a JESUS CRISTO COMO ÚNICO SALVADOR.
* Depois, quase espontaneamente, começamos a falar da oração. Desde pequenos, aprendemos a oferecer a Deus as obras do dia e pedir a Sua ajuda, agradecer-Lhe. Os cristão são habituados a fazer esta oferenda diária ao Senhor, mesmo nos momentos de sofrimento.
* Jesus ensinou a orar sempre, em todos os momentos da nossa vida. Dissemos que esta oração continua é a oração do coração, isto é, a oração que Espírito Santo suscita em nós. A Igreja, desde sempre, ensina que a oração tem o seu ritmo. Um ritmo quotidiano: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das horas. Um ritmo semanal: a celebração eucarística. Um ritmo anual: as grandes festas litúrgicas. (Catecismo da Igreja católica, 2698)

Hoje nos perguntamos: O QUE É A ORAÇÃO?
– A oração é um acto de amor.
– A oração é reconhecer que Deus me ama.
– A oração é procurar a verdade.
– A oração é fazer abastecimento de boa vontade

1. A oração é um acto de amor
O que é a oração? Podemos encontrar diferentes definições.
A oração é “falar com Deus”; “pensar em Deus”; “elevar a mente e o coração a Deus”, etc … mas, a oração é sempre “um encontro pessoal com Deus”, um encontro do filho com o Pai. Por isso, a oração é, essencialmente, um acto de amor. Quando nos for dado compreender isto, já estamos no centro da oração. Amo, então rezo. Se progredir no amor, progrido também na oração. Jesus ensinou que a oração é amor, quando nos deixou a oração do “Pai nosso”. Cada um dos oito pedidos desta oração, é um acto de amor:
* Pai nosso: a oração é uma relação afectuosa de um filho com o seu Pai; Seja santificado o Vosso nome: Pai, quero que sejais acolhido e amado por todos; Venha a nós o Vosso Reino: Pai, quero que Tu vivais no coração de cada homem; Seja feita a Vossa vontade: Pai, que o nosso amor seja mostrado com actos inspirados no amor de Cristo – “não a minha mas a Tua vontade seja feita”; Dai-nos o nosso pão de cada dia; Dai-me a mim e a todos o alimento material e espiritual, para que Vos possamos continuar a amar; Perdoai-nos como nós perdoamos: Pai, perdoai-nos, pelo Vosso amor, e ajudai-nos a amar, perdoando; Não nos deixeis cair em tentação: Pai, salvai-nos do perigo de Vos atraiçoarmos; queremos amar-Vos com todas as nossas forças; Livrai-nos do mal: Pai, livrai-nos de tudo o que nos afasta do Vosso amor.

* A oração do Pai Nosso, a oração que o Senhor ensinou, é o modelo que deve inspirar todas as nossas orações. Segundo a oração o Pai Nosso, não há dúvida: a oração é amor. Orar é amar. Amo a Deus, por isso rezo. A oração é amor: esta é a primeira e a mais importante definição da oração.
* A oração é amor porque é a resposta ao primeiro mandamento de Deus: “amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças” (Dt 6,5). Amar a Deus não é só uma opção, isto é algo proposto à nossa escolha, é uma necessidade: o amor, ”este é o maior e o primeiro mandamento”, disse Jesus (Mt 22,38). Como é que nós podemos cumprir o mandamento do amor? A resposta é simples: fazer deste mandamento o conteúdo fundamental da nossa oração.
* A oração é uma relação de amizade com Deus e, tal como a amizade, não tem regras. Não podemos dizer que já aprendemos a orar, porque mal acabamos de o afirmar abre-se um novo horizonte inexplorado diante de nós. A oração é rica como a vida: é uma caminhada na qual há sempre algo a aprender. Como a vida não tem um dia igual a outro, assim é a oração, não existe uma experiência igual a outra. A oração é rica como a vida.

2. A Oração é reconhecer que Deus me ama
A primeira verdade da oração é a seguinte: que eu reconheça que “Deus me ama”.
Quando esta convicção atingir o profundo do meu ser, a oração parte sozinha, sem esforço. A convicção de que “Deus me ama” constitui o fundamento da oração. Não é fácil chegar a esta convicção, mas vale a pena lutar para a construir dentro de nós porque, com ela, entramos diretamente no coração de Deus.

3. O oração é procurar sempre a “verdade”.
* Jesus disse que a verdade nos libertará. Deus é a Verdade, Ele não suporta a mentira. Diante Dele, devemos ser verdadeiros. Por isso, nos apresentamos diante Dele, assim como somos: preguiçosos, fracos, distraídos, pobres … A procura da verdade é sinal de abertura a Deus, uma abertura que requer sinceridade e humildade.
* A oração é procura de verdade porque exige coerência: a oração não termina com a oração, mas com a acção, isto é com uma demonstração prática. O amor prova-se com os factos. A oração, se for verdadeira, transforma a nossa vida, por isso, é um meio eficaz para enfrentarmos responsavelmente os nosso problemas.

4. A oração é fazer abastecimento de boa vontade
Se paramos numa bomba de gasolina é para abastecer, não é para estacionar o carro. Se abastecemos é porque tencionamos viajar. Se viajamos, gastamos a gasolina, por será abastece mais uma vez. A oração é uma paragem para fazermos abastecimento de boa vontade, por isso, habituemo-nos a terminar a nossa oração com uma decisão generosa de amor concreto. O bem conseguido dar-nos-á força para alcançarmos uma nova vitória. A oração prepara para acção e termina na acção.

Vós, Senhor, sois o meu Deus, anseio por Vós. A minha alma está sedenta de Vós, como terra árida, sem água. Desejo contemplar-Vos no santuário para ver o Vosso poder e a Vossa glória. O Vosso amor é mais precioso do que a vida e os meus lábios hão-de cantar os Vossos louvores. Quero bendizer-Vos toda a minha vida, levantar as minhas mãos em Vosso Nome. (do Salmo 63).

6 – A oração do coração

Abril 22nd, 2018

Estamos a falar do Caminho da Libertação.
* Começamos por dizer que Jesus nos convida a entrar num caminho de conversão a partir do interior. Em muitos casos, os distúrbios espirituais, os fracassos, as doenças, as dificuldades da vida se revelam providenciais porque é mesmo nesses momentos que as pessoas procuram ajuda e retomam o caminho da fé. Não é fácil compreender os sofrimentos e os tormentos espirituais, só os conhece quem passa por eles. Há pessoas que só querem resolver o seu problema, isto é querem ficar curados e depois continuar a viver no pecado, longe de Deus; mas Deus quer não só cura-los e liberta-los, quer também a sua felicidade eterna no Céu. Satanás quer afasta-los de Deus e levá-los para a perdição eterna do Inferno. Não existem soluções fáceis. Jesus ensina que é necessário converter-se: “O Reino de Deus chegou”, portanto, “convertei-vos e acreditai na Boa Nova”; “Vigiai e orai, para não cairdes na tentação”; “há certos demónios que só se vencem com o jejum e a oração”. Jesus fala de conversão interior, de mudança de mente e de coração. Convida a despertar, perseverar na oração e a fazer penitência.

* Depois falamos da virtude da fé. Dizemos que não é suficiente “ter fé”, é necessário ter a fé da Igreja, isto é, uma fé que se alimenta com a PALAVRA DE DEUS, OS SACRAMENTOS E A ORAÇÃO. Falamos também da necessidade de abandonar o ocultismo e a superstição e escolher a JESUS CRISTO COMO ÚNICO SALVADOR, pois, como dizia São Pedro no dia de Pentecostes: “Em nenhum outro há salvação”, pois “não temos outro nome pelo qual podemos ser salvos”.

Depois falamos da oferta voluntária do sofrimento. 
* Dissemos que, desde pequenos, aprendemos a oferecer a Deus as obras do dia e a pedir a Sua ajuda. Como cristãos fomos habituado a fazer esta oferenda diária ao Senhor. Quem ama o Senhor, deseja cumprir a Sua vontade, mesmo quando está doente. A oferta voluntária do sofrimento é um acto de amor que muito agrada a Deus. Como Jesus entregou a sua vida por nós, para a nossa salvação, também nós podemos entregar a Ele o nosso sofrimento, por amor, para reparar os nossos pecador e pela salvação das almas. 
* Mesmo as pessoas que sofrem doenças espirituais podem fazer esta oferenda de amor e assim chegar à feliz descoberta de que, os seus sofrimentos são fecundos, produzem frutos de conversão para si próprios, para a sua família e para muitas pessoas. Além disso, ficam aliviados nos seus sofrimentos, consolados e fortalecidos na luta contra os demónios. O Inimigo ataca-os para os afastar de Deus, mas Deus dá-lhes força para O vencer. O sofrimento oferecido por amor é uma grande fonte de libertação, uma arma poderosíssima contra os demónios. 

Hoje falamos da ORAÇÃO DO CORAÇÃO.

O Senhor Jesus ensinou a orar sempre, dia e noite, sem cessar. Por isso, a nossa oração deve ser constante, sempre, mesmo quando estamos a dormir: “Eu durmo mas o meu coração esta desperto” exclama a esposa do Cântico dos Cânticos. Jesus ensina a oração contínua que Cristo: “É preciso orar sempre” (Lc 18,1); São Paulo exortava aos cristãos: “Sede sempre alegres, rezai sem cessar, e, em todas as circunstâncias, daí graças a Deus” (1 Tes 5,16-18). A oração é como o ar que respiramos e acontece quando nos lembramos continuamente Daquele que é a fonte da nossa vida, o nosso tudo.

O Catecismo da Igreja católica (2698) ensina:
A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a nutrir a oração contínua. Alguns são cotidianos: a oração da manhã e da tarde, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos. Depois fala da oração vocal (2700), da meditação (2705), da contemplação (2709).

O habito de orar todos os dias, produz a oração continua. O Espírito Santo é o Mestre interior da oração, Ele ora em nós e por nós. É Ele quem inspira a oração.

Jesus respondeu à samaritana, e disse-lhe: “Quem beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede, porque a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.” (Jo 4,13-14)

O que é esta “água viva”?
Jesus estava a falar do Espírito Santo. O Espírito Santo é “a fonte água viva que jorra para a Vida eterna” (Cf. Jo 4,14). Jesus ensina-nos a atingir dessa fonte INESGOTÁVEL, dessa ÁGUA VIVA que jorra para sempre, para a vida eterna. A Samaritana era uma pessoa sedenta e as fontes mundanas a deixavam sempre insatisfeita, mas quando Jesus lhe falou da FONTE DE ÁGUA VIVA, da Água do Espírito Santo, ela, mesmo sem compreender, pediu-Lhe: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não mais tenha sede” (Jo 4,15).

Como chega à oração continua? (Teófane o Recluso)

Os Padres do desertos praticavam “a oração de Jesus”, isto é, repetiam uma frase breve usando o nome de Jesus, por exemplo: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador tem piedade de mim, pecador.” Ou: “Senhor Jesus tem piedade de mim.”

Os grande mestres espirituais ensinavam a repeti-la sem cessar. E até mesmo seguindo o ritmo da respiração. Inspirando diziam: “Senhor Jesus” e expirando: “Tem piedade de mim.” Ensinavam a repetir esta oração seguindo o ritmo da respiração.

O nome de Jesus é poderoso, significa “Deus salva”. É o nome de Jesus torna eficaz esta oração. Quando invocamos o nome de Jesus falamos com Jesus mas, também, invocamos o Seu poder de salvação: “Não existe sob o céu qualquer outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Act 4,12).

O Catecismo da Igreja Católica fala do COMBATE DA ORAÇÃO.
A oração é ao mesmo tempo dom de Deus e resposta fiel e decidida da nossa parte. Pressupões sempre um esforço: ela é um combate contra o Tentador que faz de tudo para nos desviar, isto é, impedir a nossa união com Deus. Por isso, se quisermos entrar na oração, devemos primeiro tomar a decisão de sermos fieis a Deus, de cumprir a Sua vontade, de seguir Jesus Cristo. Oramos como vivemos. Se uma pessoa não está decidida a procurar em tudo a vontade de Deus também não entra na verdadeira oração. (2725)

Intimidade filial, confiança em Deus
A eficácia da oração, não depende da quantidade de palavras, mas sim da confiança filial em Deus, Pai bondoso, que nos conhece e nos ama. Jesus disse: “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto, fecha a tua porta, ora a teu Pai na intimidade do teu coração, e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” Jesus continua dizendo: “Na vossa oração, não sejais como os pagãos, que usam vãs repetições, porque pensam que serão atendidos por muito falarem. O vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso … (Mt 6,5-17)

5 – Oferecer o sofrimento

Abril 22nd, 2018

JESUS CRISTO COMO ÚNICO SALVADOR.
No dia de Pentecostes, São Pedro afirmou: “Em nenhum outro há salvação”. Jesus é o único Salvador, pois “não temos outro nome em baixo do céu pelo qual devemos ser salvos”. Jesus conquistou a salvação eterna “não por bens perecíveis, como a prata e o ouro… mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imolado” (1Pe 1,18). Jesus “Carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados” (1 Pe 2,24).

Hoje falamos da OFERTA VOLUNTÁRIA DO PRÓPRIO SOFRIMENTO 

* A intimidade com o Senhor, acaba por transformar o sofrimento em oferta de amor. O homem que ama o Senhor, só deseja cumprir a Sua vontade. Mesmo quando está doente, pela fé, compreende que o seu sofrimento, tal como o sofrimento de Jesus tem valor de salvação, não só para ele, mas para muitos, através dele. Assim é também do nosso sofrimento, quando o oferecemos a Deus por amor, torna-se sacrifico de salvação, não só para nós, também para os outros.
* Mesmo as pessoas que sofrem doenças espirituais, podem oferecer seus sofrimentos ao Senhor e, pela fé, chegar à feliz descoberta de que unindo-se à Cruz de Jesus, os seus sofrimentos são fecundos, produzem frutos de conversão para muitas pessoas. O sofrimento oferecido por amor os pode aliviar, consolar e fortalecer na luta contra os demónios.  
* É difícil falar dos sofrimentos de origem maléfica, só os conhece quem passa por eles, contudo estes nossos irmãos, pela fé, podem chegar à feliz descoberta de que o sofrimento oferecido por amor é fecundo e é uma grande fonte de libertação. À luz da fé, o sofrimento oferecido a Deus é um grande acto de amor e confiança Nele, por isso mesmo, uma arma poderosíssima contra os demónios. 

Ser santos: o caminho da cruz.
A oferta dos nossos sofrimentos é caminho de santidade. É um caminho árduo, mas não estamos sozinhos, contamos com a graça de Deus. Santo Agostinho ensinava que “O que é impossível à natureza, é possível à graça de Deus”. A graça não anula e nem dispensa a natureza, mas a enriquece. Como Deus nos vocacionou para sermos santos, Ele dirige a nossa vida e os nossos passos sempre nessa direção. Na medida que a nossa liberdade o consente Ele dirige os nossos passos para esse fim. É por isso que nos acontecimentos de nossa vida muitas vezes não entendemos o que nos sucede. Na verdade é a mão de Deus a nos conduzir.

O médico não prescreve o medicamento que agrada ao paciente, mas aquele que o cura. Assim também, como o Médico das almas, Deus nos apresenta muitas vezes remédios amargos, mas é para a nossa santificação. Assim, as provações e as tentações que Deus permite que nos atinjam são para o nosso bem espiritual.

A Bíblia nos dá essa certeza. Àqueles que querem ser seus discípulos o Senhor exige: “Tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Lc 9,23). Após a disposição interior de “renunciar a si mesmo”, é preciso a mesma disposição para “tomar a cruz cada dia”. Foi com a cruz que o Cordeiro de Deus tirou o pecado do mundo, e é também com a cruz que Ele tira o pecado enraizado em cada um de nós. Sabemos que o sofrimento não é obra de Deus, é a consequência do pecado.

Luta contra o pecado
“O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Para dar um sentido ao sofrimento, Jesus o transformou em “matéria prima” da nossa salvação. Quem quer chegar à santidade não deve ter medo da cruz e deve toma-la, resolutamente, “a cada dia”, como disse Jesus, porque é ela que nos santificará. Para entender essa pedagogia divina vamos examinar o que nos ensina a Carta aos hebreus, no capítulo 12, sobre as provações. Começa dizendo que assim como fizeram os santos, devemos nos “desvencilhar das cadeias do pecado” (v.1), enfrentando o “combate que nos é proposto”, como Jesus, que “suportou a cruz” (v.2), sem se deixar “abater pelo desânimo”(v 3). Em seguida mostra”nos que tudo é válido na luta contra o pecado. “Ainda não tendes resistido até ao sangue, na luta contra o pecado” (v.4).

Não despreciar a correção do Senhor
Nesta luta vale a pena derramar até o próprio sangue, a própria vida. Em seguida a Carta recorda a citação dos Provérbios que diz: “Filho meu, não desprezes a correção do Senhor. Não desanimes, quando repreendido por ele, pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho” (Prov. 3,11). Assim como nós pais terrenos, corrigimos os nossos filhos, porque os amamos, Deus também o faz connosco. Quantas vezes eu precisei segurar no colo os meus filhos, quando ainda pequenos, para que o farmacêutico os aplicasse uma injeção. Só o amor por eles me obrigaria a tal ato, mesmo com o seu choro nos meus ouvidos. Assim também Deus faz connosco; por amor, permite que as provações arranquem as ervas daninhas do jardim precioso de nossa alma.

A palavra de Deus diz: “não desprezes a correção do Senhor” (v.5), portanto devemos acolhe-la, amá-la, mesmo que nos incomode. E ela continua: “Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige ?” (v. 7). Somos filhos legítimos de Deus, e não bastardos, por isso Ele nos corrige (V.8). E a palavra de Deus nos diz que Ele nos corrige “para nos comunicar a sua santidade” (v.10). Aí está a razão pela qual Jesus nos manda abraçar a cruz de cada dia. É pelas pequenas e numerosas cruzinhas de cada dia que o Artista Divino vai moldando a nossa alma, à sua própria imagem. A nós cabe ter paciência e aceitar cada sofrimento, cada revés, cada humilhação, cada doença, enfim, cada golpe do Artista, com resignação e ação de graças.

A nossa natureza sempre se revolta, se impacienta e se agita desesperada, e com isso, só faz aumentar ainda mais o sofrimento e agrava a situação. O segredo para se sofrer com paciência é não olhar nem para o passado e nem para o futuro, mas viver, na fé, o presente. Um dos grandes conselhos que Jesus nos deixou no Sermão da Montanha foi este: “Não vos preocupeis pois com o dia de amanhã (…). A cada dia basta o seu mal” (Mt 6,34). Deus sempre nos dará a graça necessária para carregar, com determinação, a cruz de cada dia que nos santifica.

Cada um de nós têm a sua própria cruz, única e exclusiva, pois para cada tipo de doença há um remédio próprio. A nossa cruz “de cada dia” é formada de tudo o que fazemos e sofremos: o trabalho diário, as preocupações, a falta de dinheiro, a doença, o acidente, a contrariedade, as calúnias, os mal entendidos, enfim, tudo, o que nos desagrada. Tudo isto se torna sagrado quando abraçado na fé e colocado no cálice do sangue do Senhor celebrado a cada dia no altar.

Certa vez, andando no Cemitério, por entre as sepulturas, em dado momento deparei-me com essa frase em uma delas: “A melhor oração é o sofrimento”. É verdade, pensei, mas desde que seja abraçado na fé e na paciência, e oferecido ao Pai junto com o sangue de Jesus.

A cruz se torna mais suave quando é aceite por amor a Deus. Jesus mesmo ensinou à confidente do seu Coração, Soror Benigna Consolata, como se deve sofrer: “Quando sofres, quer interna quer externamente, não percas o merecimento da dor. Sofre unicamente por Mim”.

Sofrer tudo por amor a Jesus, eis o segredo de sofrer bem.
Santo Agostinho tem uma frase que nos ensina bem tudo isso: “Quando se ama não se sofre, e se sofre, ama-se o sofrimento”. Quanto mais calados sofrermos, sem ficarmos buscando o consolo das pessoas que nos cercam, choramingando as nossas dores, tanto mais cresceremos na santidade, e tanto mais teremos méritos diante de Deus. A maior vitória sobre o sofrimento, qualquer que ele seja, será sempre o nosso silêncio e aceitação.

Muitas vezes nos impomos uma série de mortificações, mas os santos ensinam que as melhores cruzes são aquelas que Deus permite que cheguem a nós. “São Francisco de Sales dizia que: “As cruzes que encontramos pelas ruas são excelentes, e que mais o são ainda” e tanto mais quanto mais importunas ” as que se nos deparam em casa”.

Valem mais as cruzes do que as disciplinas e os jejuns. De que adianta a penitência que voluntariamente nos impomos, se não aceitamos aquelas que diariamente Deus nos impõe, na medida exata da nossa correção? De nada valeria o sacrifício de um enfermo que quisesse tomar muitos remédios amargos que não fosse aquele receitado pelo médico. De forma alguma devemos desprezar as mortificações que nos impomos, contudo, mais importante do que elas são as que a divina providência nos manda.

São Paulo dizia aos romanos que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rom 8,28). Deus sabe aproveitar todos os acontecimentos da nossa vida para o nosso bem. Aceitar isso é ter fé, é saber abandonar-se nas mãos divinas, como o enfermo se entrega nas mãos do médico em que confia.

Tudo o que podemos passar nesta vida é pouco em vista da grande obra de santificação que Deus quer fazer em nós. Não podemos perder de vista o objetivo de Deus Pai que nos “predestinou para sermos conforme à imagem de seu Filho” (Rom 8,29). São Paulo tinha isto tão certo que disse aos romanos:

“Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18).
É grande demais a obra que Deus está fazendo em nós. Santo Agostinho nos ensina que Deus “não permitiria o mal se não soubesse tirar dele um bem maior”. E que muitas vezes Deus permite que o mal nos atinja para evitar um mal maior.

As provações nos fortalecem para o combate espiritual; por isso, os Apóstolos sempre estimularam os fiéis a enfrentá-las com coragem. São Pedro diz: “Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai”vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo…” (1 Pe 4,12).

E ele ensina que a provação nos levará à perfeição:
“O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará” (1Pe 5,10).

A humilde aceitação do sofrimento
É importante notar que o Apóstolo ensina-nos que a provação nos “aperfeiçoará-e nos tornará “inabaláveis”. É importante não se deixar perturbar no fogo da provação. Não se exasperar, não perder a paz e a calma, pois é exatamente isto que o tentador deseja.

Uma alma agitada fica a seu bel-prazer. Não consegue rezar, fica irritada, mal humorada, triste, indelicada com os outros, etc. O antídoto contra tudo isso é a humilde aceitação da vontade de Deus no exato momento em que algo desagradável nos ocorre, dando, de imediato, glória a Deus, como São Paulo ensina: “Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1 Tes 5,16).

É preciso fazer esse grande e difícil exercício de dar glória a Deus na adversidade. Nesses momentos gosto de ficar glorificando a Deus, rezando muitas vezes o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo …” até que minha alma se acalme e se abandone aos cuidados de Deus. Essa atitude muito agrada a Deus, pois é a expressão da fé pura de quem se abandona aos seus cuidados. É como a fé de Maria e de Abraão que “esperaram contra toda a esperança” (Hb 11,17-19), e assim, agradaram a Deus sobremaneira.

O exemplo de Job
Jób agradou muito a Deus porque no meio de todas as provações, tendo perdido todos os seus bens e todos os seus filhos, ainda assim soube dizer com fé: “Nu sai do ventre da minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor!” (Job 1,21).
Afirmam os santos que vale mais um “bendito seja Deus!” pronunciado com o coração, no meio do fogo da provação, do que mil atos de ação de graças quando tudo vai bem.

O pecado original corrompeu tão intensamente o estado de santidade e de justiça original, em que Deus nos criou que, só mesmo com as provações Ele retira as “ervas daninhas” que se entranharam no jardim da nossa alma, que é propriedade de Deus. O Jardineiro divino da nossa alma sabe os métodos que deve empregar para limpar cada alma.

Santa Teresa diz que sentiu Jesus dizer-lhe: “Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos”. E por isso afirmava que não trocaria os seus sofrimentos por todos os tesouros do mundo. Tinha a certeza de que Deus a santificava pelas provações. A santa chega a dizer que “quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz”. Para nós essas palavras parecem até um absurdo, mas não para os santos, que conheceram todo o poder salvífico e santificador do sofrimento.

São Paulo ensina que: “As nossas tribulações de momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna” (2Cor 4,17).

Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

Só aceitaremos e amaremos o sofrimento quando enterdermos, como os santos, que por meio dele, Deus destrói em nós as más inclinações interiores e exteriores, que impedem a nossa santificação. As ofensas, as injúrias, os desprezos, os cinismos irritantes, as doenças, as dores, as lágrimas, as tentações, a humilhação do pecado próprio, etc., nos são necessários pois dão-nos a oportunidade de lutarmos contra as nossas misérias. Isto não quer dizer que Deus seja o autor do mal, ou que Ele se alegre com o nosso sofrimento, não.

O que Deus faz, de maneira até amável, é transformar o sofrimento, que é o salário do próprio pecado do homem, em matéria prima de sua própria salvação, dando assim, um sentido à dor. A partir daí, sob à luz da fé, podemos sofrer com esperança. É o enorme abismo que nos separa dos ateus, para quem a dor e a morte, continuam a ser o mais terrível dos absurdos da vida humana.

A paciência na dor é a grande arma dos santos.
São Tiago afirma que a paciência produz uma obra perfeita. Veja o que ele diz: “Meus irmãos, tende por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações, pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à perseverança, mas é preciso que a perseverança produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência” (Tg 1,2″4).

A provação produz a perseverança, e por ela, passo a passo, chegaremos à perfeição, é o que nos ensina com essas palavras São Tiago.

O capítulo dois do Livro do Eclesiástico é o “hino da paciência”. Deveríamos decorar suas palavras: “Meu filho, se entrares para o serviço de Deus (…) prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência (…) não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência” (Eclo 2,1-3).

“Aceita tudo o que te acontecer; na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação” (4-6).

Essas palavras precisam ser muito bem assimiladas, amadas e vividas. É a paciência que nos levará ao céu. São Gregório Magno afirma que todos os santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência. São Paulo gloriava-se nas provações: “Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança…” (Rom 5,3-5).

Sofrer com paciência é sabedoria, pois assim se vive com paz. Quem sofre sem paciência e sem fé, revolta”se, desespera”se, e sofre em dobro, além de fazer os outros sofrerem também. Santo Afonso diz que “neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”.

É preciso aqui, ressaltar ainda uma vez mais, que as mortificações que aparecem contra a nossa vontade são as mais agradáveis a Deus, quando as abraçamos com fé e paciência. Diz o livro dos Provérbios que: “Mais vale o homem paciente do que corajoso” (Pr 16,32).

Quando eu tinha vinte e dois anos de idade, recém formado na Faculdade, fui aprovado em concurso para Professor de uma Faculdade Federal de Engenharia. Casei-me no mesmo ano e nosso primeiro filho nasceu no ano seguinte. Sentia-me como um rei; tudo estava perfeito na minha vida. De repente, em poucos dias comecei a sentir a minha vista enfraquecer. Fui ao médico e ele constatou uma doença incurável, ceratrocone, deformação da córnea. Eu teria que usar lentes de contato, de vidro, para sempre, até quem sabe, me submeter um dia a transplante das córneas.

Tudo aquilo, tão rápido, despencou sobre a minha cabeça como uma tempestade; e eu fiquei perguntando a Deus o que tudo aquilo significava. Isto já faz vinte e quatro anos. Lembro-me que naqueles dias, perguntei ao Pe Jonas Abib, que era o nosso diretor espiritual, sobre aquilo que eu sofria. Ele me disse: “Eu não sei o que Deus quer com isso, mas certamente ele tem um plano atrás desses acontecimentos”.
Hoje, 24 anos depois, posso avaliar o quanto esta enfermidade ajudou-me a crescer espiritualmente. Talvez eu não estivesse hoje escrevendo essas páginas sobre o valor do sofrimento, se tudo isso não tivesse ocorrido. Aprendi a ser mais paciente comigo, com a doença, com os outros. Tive que fazer três transplantes das córneas, e atrás de tudo isto sempre vi a vontade de Deus na minha vida.

O homem de fé é aquele que está pronto a dizer sempre, em qualquer circunstância da vida: “Bendito seja Deus!”

4 – Jesus, único Salvador

Abril 22nd, 2018

Estamos a falar do Caminho da Libertação. Começamos por dizer que é num caminho de conversão, a partir do interior. Ele anuncia que “O Reino de Deus chegou”, portanto é necessário “converter-se e acreditai na Boa Nova”; Ensina: “Vigiai e orai, para não cair na tentação”; “há certos demónios que só se vencem com o jejum e a oração”. Jesus fala de conversão, de mudança de mente e de coração. Convida a despertar, perseverar na oração, fazer penitência. Depois falamos da virtude da fé e dissemos que a verdadeira fé é a fé da Igreja, isto é isto é uma fé que alimenta-se com a PALAVRA DE DEUS, OS SACRAMENTOS E A ORAÇÃO.

HOJE AVANÇAMOS MAIS UM PASSO:
ACOLHER JESUS CRISTO COMO ÚNICO SALVADOR.

O que diferencia o Cristianismo das demais religiões é a vida eterna, que não é uma simples sovrevivencia da alma, mas a plenitude da vida, comunhão perfeita com Deus, Trindade. Por isso falamos da salvação eterna, da vida eterna, destinada a cada pessoa, uma salvação que Jesus conquistou pela Sua Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição.

Por isso, acolher Jesus como único Salvador é o “essencial”; é o que os Apóstolos pregavam com todo ardor: Cristo morto e ressuscitado, a nossa salvação!

São Pedro, em Jerusalém, deixa bem claro aos judeus:
“Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devemos ser salvos” (At 4,12). As palavra de São Pedro, o príncipe dos Apóstolos, dever ser repetidas hoje, com profunda convicção para que ninguém seja enganado: “Em nenhum outro há salvação”. Jesus é o único Salvador, pois “nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devemos ser salvos”.

Jesus conquistou a salvação eterna “não por bens perecíveis, como a prata e o ouro… mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imolado” (1Pe 1,18). Jesus “Carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados” (1 Pe 2,24).

Jesus é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo porque Ele deu a Sua vida como sacrifício da nossa salvação. Era necessário um sacrifício de valor infinito para reparar as ofensas infinitas dos nossos pecado contra a Majestade (infinita) de Deus e a Sua justiça. Jesus ofereceu-se como vitima de expiação, como oblação pura e santa, para satisfazer a justiça divina.

Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador, ofereceu a Sua Vida (humana e divina), o Sacrifício da Nova e Eterna Aliança, ao Pai para nos salvar. Fez de nós Seus irmãos. Lá na cruz, deu-nos a maior prova de amor. Esta verdade levou São Paulo a exclamar, quando escreveu aos romanos: “Eis uma prova maravilhosa do amor de Deus para conosco: quando ainda éramos pecadores Cristo morreu por nós” (Rom 5,8).

Em 1933, Irmã Faustina teve uma impressionante visão sobre a Misericórdia Divina: o Pai olha para a humanidade através das Santas Chagas de Jesus.
Eis as palavras de Santa Faustina: “Vi uma grande luz, e nela Deus Pai. Entre esta luz e a Terra vi Jesus pregado na Cruz de tal maneira que Deus, querendo olhar para a Terra, tinha que olhar através das chagas de Jesus. E compreendi que somente por causa de Jesus Deus está abençoando a Terra.”

Como é que a salvação de Jesus Cristo chega até nós? É pela fé em Jesus Cristo, vivida e celebrada na Igreja que Ele fundou. É pela fé que vivemos a vida nova da graça aqui e na eternidade. A nossa conta com a justiça divina foi paga por Jesus: “Se confessares bem alto com tua boca que Jesus é o Senhor, e se creres em teu coração que Deus o ressuscitou entre os mortos, serás salvo. Porque é crendo com o coração que se obtém a justiça, e é professando com palavras que se chega à salvação” (Rom 10,9-10).

Somos salvos pela fé em Jesus Cristo que recebemos da Santa Igreja Católica, o seu Corpo Místico, “Sacramento universal da salvação da humanidade” (LG, 5). Jesus, ao despedir-se dos discípulos, antes da Sua Ascensão ao Céu, Jesus colocou as condições para a salvação: “Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado” (Mc 16,16).

* Como o corpo cresce com os alimentos, os cuidados médicos … assim também a alma precisa de alimentos e de cuidados: a Palavra de Deus, com a oração pessoal e comunitária, com os sacramentos…  
* Se confiares em Jesus, Ele cuida de ti. Com Ele, Satanás nada pode fazer contra ti: “Nós bem sabemos que quem nasceu de Deus não peca, o Filho de Deus o guarda, e o Maligno não o apanha” (1Jo 5,18). 
 
Podemos então resumir com as palavras de São Pedro: Jesus é o único Salvador, «Não temos outro nome em baixo do céu em que podemos ser salvos» (Actos 4,12). Quem invocar  o nome de Jesus será salvo: o nome de Jesus “está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus se dobrem todos os joelhos, no céu, na terra e nos abismos” (Fl 2,9-10)  

* O nome de Jesus é poderoso porque é o nome do Filho de Deus. São Pedro curou o paralítico à porta do templo dizendo:  «Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho te dou: em nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda»  (Actos 3,1-8). Foi o nome de Jesus que o curou.  
* O poder do nome de Jesus pode também libertar os homens do demónio. Jesus disse aos seus discípulos:  «Eis os sinais que acompanharão os que acreditam em Mim: em meu nome expulsarão os demónios»  (Mc 16,17).  

Não procurar salvação fora de Jesus Cristo
Infelizmente muitos batizados, mesmo conhecendo a grande prova de Amor de Deus em Jesus Cristo, renegam essa fé e vão buscar a salvação onde ela não existe. Assim abandonam o verdadeiro e único Salvador, a verdadeira e única Igreja, e vão buscar refúgio espiritual em tudo que é abominável a Deus, como nos ensina a Bíblia (Deut 18,10-13). Quem busca a salvação fora de Cristo e da Sua Igreja, trai a sua fé, abandona Jesus Cristo, despreza a sua santa Cruz, despreza as suas santas chagas, os seus méritos e o seu imenso amor por nós.

É verdade que muitos o fazem por ignorância… Mas chegou a hora de acordar desse sono de morte! Chegou a hora de abrir os olhos para a luz. A palavra de Deus adverte-nos severamente: “Não vos voltareis para os necromantes (consulta aos mortos) nem consultareis os adivinhos; pois eles vos contaminariam” (Lev 19,31). O ocultismo é uma contaminação espiritual perigosa porque através dele o demónio tem numa certa influência sobre a pessoa que vai buscar conhecimento, poder, etc, “fora” de Deus e contra as suas Leis e Sua vontade. “Se alguém se dirigir aos necromantes ou aos adivinhos para fornicar com eles, voltarei o meu rosto contra esse homem…” (Lev 20,6).

São palavras severas do Senhor sobre esta questão. Só há uma salvação e um único salvador: Jesus Cristo! Só há uma Igreja, a qual Jesus incumbiu de levar a salvação, através dos sete Sacramentos, a Igreja Católica. “Fora da Igreja não há salvação”, nos ensina o Catecismo da Igreja; isto é, “toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo” (n. 846).

Aqueles que, conscientemente rejeitarem a Igreja, rejeitarão a Cristo e também a salvação. São Paulo alertou os Coríntios: “As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas aos demónios e não a Deus. Não quero que tenhais comunhão com os demónios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demónios” (1 Cor 10,20-22).

Todo culto prestado a qualquer Entidade, que não seja Deus, é dirigido ao demónio. Quem recorre ao ocultismo presta culto ao demónio, faz comunhão com ele. Aí está o perigo das práticas esotéricas e supersticiosas.

São Paulo chama a Igreja de “Casa de Deus” e diz que ela é “a coluna e o sustentáculo da verdade” (1Tm3,15).

Falando a S. Timóteo, ele diz que: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm2,4). É importante notar que o Apóstolo relaciona diretamente a salvação com o “conhecimento da verdade”. Essa verdade, Jesus confiou à sua Igreja, para que levasse a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares. “Quem vos ouve, a Mim ouve, quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que Me enviou” (Lc10,16). “Não temas pequeno rebanho, foi do agrado do Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32).

Só a eles o Senhor confiou o encargo de ensinar, sem erro, com a assistência do Espírito Santo: “Ide pelo mundo inteiro, pregai o Evangelho a todas as nações, ensinando-as a observar tudo o que eu prescrevi” (Mt28,18).

Não arrisque a tua salvação eterna. Salva a tua alma!

3 – A fé da Igreja

Abril 22nd, 2018

A Igreja ensina que a fé é dom de Deus. É a virtude (teólogal) que nos leva a crer em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer.

Pela fé, “o homem livremente se entrega todo a Deus”. O cristão procura conhecer e fazer a vontade de Deus, já que “o justo viverá da fé” (Rm 1,17) e “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6). A fé em Deus nos leva a voltar só para Ele como nossa origem e nosso fim, e a nada preferir a Ele e nem substituí-lo por nada.

Muitas pessoas dizem: “eu tenho a minha fé”.
Não queremos por em dúvida a sinceridade e boa vontade dessas pessoas, contudo devemos afirmar que não é suficiente “ter fé” é necessário acreditar na fé da Igreja, isto é uma fé pessoal que se alimenta com a PALAVRA DE DEUS, OS SACRAMENTOS E A ORAÇÃO. Uma fé que não se alimenta com Palavra de Deus, com a oração e os sacramentos não é uma fé verdadeira.

A fé da Igreja é uma fé que se alimenta
com a ORAÇÃO, PALAVRA DE DEUS e SACRAMENTOS

A fé é como uma chama que precisa de combustível para se manter acesa. É como uma plantinha que precisa de água todos dias, que precisa do calor do sol e de adubo, para se alimentar e crescer a cada dia.

Para a fé cresce com a oração diária, com a intimidade com Deus, com a amizade com Jesus, o “divino Amigo”, partilhando com Ele todos os momentos da nossa vida, as alegrias e os sofrimentos. A fé torna-se forte quando meditamos a Palavra de Deus. Quando obedecemos, quando cumprimos o que Ele ordena, sem medo e sem dissimulação. “Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumidor de nossa fé, Jesus” (Hb 12,1).

Nossa fé cresce, torna-se forte e segura quando nos alimentamos com o Pão da Vida, quando recebemos Jesus na Eucaristia, o sacramento da Sua Presença. Quando participamos regularmente na Santa Missa, estamos a alimentar a nossa alma na mesa da Palavra de Deus e do Pão da Vida. Na Santa Missa encontramos “o alimento da nossa vida e o remédio de todos os nossos males” Jesus disse que quem come a Sua carne e bebe o Seu Sangue “permanece Nele”, “viverá por Ele” e Ele o ressuscitará no último dia.

“Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.” (Jo 6,54-58)

Amar a Deus e ao próximo
A fé cresce e se fortalece quando amamos a Deus e ao próximo, pois, a fé viva “age pela caridade” (Gl 5,6). “A fé é morta sem obras” (Tg 2,26); a fé viva faz-nos crescer na esperança e no amor. A fé viva une-no plenamente a Cristo, faz-nos membros vivo de seu Corpo.

A fé não é apenas algo individual, mas coletivo, é da Igreja. Muitos fraquejam na fé porque vivem na “sua” fé; pobre e fraca. Temos de viver na fé “da Igreja”, tudo o que ela recebeu de Cristo e nos ensina. Jesus disse a Igreja: “Quem vos ouve a Mim ouve, quem vos rejeita a Mim rejeita…”(Lc 10,16). Só tem fé inabalável aquele que crê e vive o que ensina a Santa Igreja, Esposa do Senhor, pois ela é o Seu “braço estendido em nossa história”. A Igreja nunca teve crise de fé.

O que pode apagar a nossa fé?
Os nossos pecados. Então, lutar contra os pecados é o melhor meio de manter acesa a fé. Uma vida de tibieza (relaxamento espiritual), mata a fé. Dai a importância da Confissão, sem demora, sempre que o pecado assaltar nossa alma. Nada de auto piedade e de falso orgulho, corramos depressa ao sacerdote. Daquele que derramou seu Sangue para nos perdoar em qualquer momento. Não permita que a erva daninha do pecado vá matando a planta da fé no jardim da sua alma.

Para manter viva a luz da fé, recorremos a oração e renovamos a cada dia a nossa confiança em Deus. Pela fé colocamos tudo nas Suas Mãos. Pela fé, como crianças, abandonamos tudo no colo da mãe e ficamos seguros, seremos sem preocupações. Quando confiamos em Deus, conhecemos a Sua infinita grandeza e majestade, por isso, a nossa boca abre-se para Lhe agradecer por tudo o que somos e que Dele continuamente recebemos. “Que é que possuís que não tenhas recebido?” (1 Cor 4,7). “Como retribuirei ao Senhor todo o bem que me fez?” (Sl 116,12)

Viver na fé significa confiar em Deus sempre, em qualquer circunstância, mesmo na adversidade. Como dizia Santa Teresa: “Nada te perturbe, nada te assuste, Deus não muda, a paciência tudo alcança, quem a Deus tem nada falta. Só Deus basta!” “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rom 8,28).

A fé exige também dar testemunho de Cristo.
“Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10,32-33).

Quanto mais se exercita a fé, mais ela cresce em nós e se fortalece; quanto menos a exercitamos, mais se torna raquítica.

1 – A partir do Interior

Abril 22nd, 2018

Há gente que pensa que a libertação acontece por intervenção de alguém: magos, bruxas, curandeiras,… mas vamos ver o que diz Jesus, o Mestre dos Mestres. Ele diz: “O Reino de Deus chegou, convertei-vos e acreditai na Boa Nova”; “Vigiai e orai, para não cair na tentação”; “há certos demónios que só se vencem com o jejum e a oração”. Jesus fala de conversão, de mudança de mente e de coração. Convida a despertar, perseverar na oração, fazer penitência.

Se estás doente ou tens distúrbios de ordem espiritual não procurar remedio no ocultismo: bruxas , curandeiros … se fostes nesses lugares, se tens confiado nos poderes ocultos, se tens contigo objetos supersticiosos, sejas valente, faz um corte: deita tudo fora, para o lixo, desliga-te disso, e segue o caminho de Jesus. Ele é o único que tem poder de te curar e libertar! 
 
Foi por ignorância que seguistes caminhos errados, mas agora, confia em Jesus. Que seja Ele o Teu Senhor, o Teu Deus e Salvador. Se ainda não a tens, compra-te uma Bíblia. Ela contém a  Palavra de Deus. Nela encontrarás as palavras da verdade, as palavras que te libertam, as palavras de vida e de vida eterna, as palavras que te darão a vitória contra os ataques de Satanás. Não é possível agora explicar-te a importância da Bíblia, mas aceita a seguinte afirmação: se não combateres as palavras do mundo com a Palavra de Deus, não conseguirás vencer esta batalha. 

Toda a Bíblia fala de conversão: O Profeta Ezequiel (18, 27-28) diz claramente: “Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal e vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido. Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida. Se abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há-de viver e não morrerá”. (Ez 18,27-28)

O Salmo 24 (4-5.6-7.8-9) é a oração de um fiel que procura a Deus e a Sua Vontade: Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador: em vós espero noite e dia. 

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não recordeis as minhas faltas e os pecados da minha juventude. Lembrai-Vos de mim segundo a vossa misericórdia, tratai-me segundo a vossa bondade, Senhor. 
O Senhor é bom e recto, ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

Por isso, se quer ficar curado, converte-te, cuida tua da vida interior, da oração, corrige os maus hábito, põe em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça e tudo o resto te será concedido como um dom de amor.

Estejas atento, desperta, persevera na oração, não permitas ao maligno deturpe a tua tua identidade de filho de Deus e de herdeiro da vida eterna. 

2 – Conversão Interior

Abril 22nd, 2018

A partir do interior. 
Há pessoas que pensam que a libertação acontece por intervenção de alguém: magos, bruxas, curandeiras,… mas vamos ver o que diz Jesus, o Mestre dos Mestres. Ele diz: “O Reino de Deus chegou, convertei-vos e acreditai na Boa Nova”; “Vigiai e orai, para não cair na tentação”; “há certos demónios que só se vencem com o jejum e a oração”. Jesus fala de conversão interior: de mudança de mente e de coração. Convida a despertar, perseverar na oração e fazer penitência. Convida-nos a dar atenção aos nossos pensamentos, aos sentimentos e desejos para sejam conformes à Vontade de Deus.

Se estás doente ou tens distúrbios de ordem espiritual não procurar remedio no ocultismo: bruxas , curandeiros … se fostes nesses lugares, se tens confiado nos poderes ocultos, se tens contigo objetos supersticiosos, sejas valente, faz um corte: deita tudo fora, para o lixo, desliga-te disso, e segue o caminho de Jesus. Ele é o único que tem poder de te curar e libertar!

O Apóstolo São Paulo, na Carta aos Filipenses, diz-nos:
“Não vos inquieteis com coisa alguma, mas em todas as circuntâncias apresentai a Deus as vossas preocupações com orações, súplicas e agradecimentos. E Paz de Deus guardará os vossos corações e pensamentos em Jesus Cristo”. E continua: “Tudo o que verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e digno de louvor, é o que deveis pensar”. (Fil 4,6-7)

“Não façais nada por rivalidade nem por vanglória; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros. Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio.” (Fil 2,1-4)

E na Carta aos Romanos, lemos:
“Assim como entregastes os vossos membros como escravos da impureza e da desordem que conduzem à revolta contra Deus; colocai agora os vossos membros ao serviço da justiça que conduz à santidade; de facto, o pecado leva à morte. Mas agora, livres do pecado, vos tornastes servos de Deus, por deveis dar frutos de santidade, cujo fim é a vida eterna. O pecado produz morte, mas a graça, que é dom gratuito de Deus, leva a vida eterna” ((Rom 6,19-23)

E na Carta aos Colossenses, São Paulo exorta-nos:
Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes para o mundo e a vossa vida agora está escondida com Cristo em Deus. E quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos manifestareis com Ele na glória. Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza, que é uma idolatria. Por causa destes vícios é que vem a ira de Deus sobre os rebeldes. Vós também vos comportáveis da mesma forma, quando vivíeis entre eles. Mas agora, afastai de vós tudo o que é cólera, irritação, malícia, insulto, linguagem torpe. Não mintais uns aos outros, vós que vos despojastes do homem velho com as suas acções e vos revestistes do homem novo, que, para alcançar a verdadeira sabedoria, assim a vossa vida se vai renovando à imagem do seu Criador. (Col 3,1-11)

* Converter-se é acolher Jesus como único Senhor e Salvador da nossa vida.
É seguir os Seus ensinamentos, a Sua Palavra que é Palavra de Vida e de vida eterna. É imitar Jesus, a sua maneira de viver. Ele, passou por este mundo fazendo o bem todos, curando e libertando todos aqueles que eram oprimidos pelo demónio.

* A conversão é uma grande mudança de vida.
É amar como Jesus amou, tornando-se servidor de todos e deixou para nós o mandamento do amor: ”Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Disto conhecerão que sois Meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,34-35)  

* A conversão é deixar de viver segundo o mundo e viver segundo Deus.
Deus é Pai, ama-te, em Jesus fez de ti um Seu filho. Deixa de viver segundo o mundo, começa a viver segundo Deus, como Seu filho, um filho muito amado. Deixa a vida materialista e começa a viver guiado pelo Espírito Santo, a partir do interior: “Sois filhos de Deus, pois Deus enviou aos nossos corações o Espírito do Seus Filho, que clama: Abbá, Pai” (Gal 3,6) 

«É preciso renascer do Alto» 
* São as palavras que Jesus disse a Nicodemos.  O homem quando nasce é “carne”, isto é uma criatura humana. É preciso  “renascer”, isto é nascer de novo, nascer pela água e pelo Espírito Santo, uma geração espiritual. Se fostes Baptizado, este renascimento espiritual aconteceu também para ti: és filho de Deus. Recebestes uma vida nova, mas por descuido deixaste-a murchar, mas agora, abandona a vida de pecado, começa a viver uma vida nova de filho de Deus.   
 
«Permanecei no Meu Amor» 
* Jesus dirigiu muitas vezes este convite aos seus discípulos e ilustrou-o com luminosas expressões: «Eu sou a videira e vós sois os ramos»; «Como o Pai me amou, assim Eu vos amei».  
* Apóstolo São João exclamou: «Qual grande amor o Pai nos tem em nos chamar Seus Filhos, e somo-lo de facto» (1Jo 3,1). Os Padres da Igreja diziam: «Reconhece, cristão, a tua dignidade!». Jesus propõe uma “vida nova”, uma vida renovada pelo Espírito Santo, uma vida que acolhe e contempla o Amor de Deus. 

Dinheiro

Março 28th, 2018

O DINHEIRO E A FELICIDADE
O dinheiro pode nos dar conforto e segurança,
mas ele não compra uma vida feliz.
O dinheiro compra a cama, mas não o descanso.
Compra bajuladores, mas não amigos.
Compra presentes para uma mulher, mas não o seu amor.
Compra o bilhete da festa, mas não a alegria.
Paga a mensalidade da escola, mas não produz a arte de pensar.
Você precisa conquistar aquilo que o dinheiro não compra.
Caso contrário, será um miserável, ainda que seja um milionário.

«Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. (Mt 6,19-21)

“A piedade é, realmente, uma grande fonte de lucro para quem se contenta com o que tem. Pois nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele. Tendo alimento e vestuário, contentemo-nos com isso. Mas os que querem enriquecer caem na tentação, na armadilha e em múltiplos desejos insensatos e nocivos que precipitam os homens na ruína e na perdição. Porque a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro. Arrastados por ele, muitos se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições.” (1 Carta de São Paulo a Timóteo 6,6-16)

Pedras vivas

Março 23rd, 2018

Somos pedras vivas do Templo do Senhor.

“Aproximando-vos dele (Jesus) pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus, vós também, como pedras vivas, entrai na construção de um edifício espiritual” (1Pd 2, 4-5)

Cada um de nós é uma pedra viva do templo do Senhor. Numa construção, nenhuma pedra, mesmo a mais pequena, é inútil. Cada pedra mesmo a mais pequena e escondida nas mãos de Jesus a ela torna-se preciosa, porque Jesus a recolhe, a guarda com grande ternura, a trabalha com o seu Espírito, e a coloca no seu lugar certo.

Deus desde sempre pensou nela
e deu-lhe o lugar certo para ser mais útil no conjunto de toda a construção. 

Cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus participa da construção da Igreja”.

Assim, como pedras trabalhadas por Jesus, “todos nós, por menores que sejamos, nos tornamos “pedras vivas” do Templo Santo de Deus.

Somos pedra vivas porque livremente trabalhamos; somos pedras viva porque em cada um de nós habita Deus, Espírito Santo que recebemos; somos pedras vivas porque nascemos para uma vida nova repleta do Amor de Deus; somos pedras vivas porque temos um lugar e uma missão na Igreja.

Somos pedras vivas da Igreja, família de Deus, comunidade viva, feita de tantas pedras preciosas, todas diferentes, que cada uma no seu lugar, formamos o Corpo Místico de Cristo, onde Ele actua, sinal da fraternidade e da comunhão”.

Papa Francisco