Archive for the ‘Ensinamentos’ Category

Orai continuamente, sem cessar

Quinta-feira, Junho 11th, 2020

A seguir, contou uma parábola – a do juiz iníquo e da pobre viúva – sobre a necessidade de orar continuamente, sem desfalecer ou sem desistir.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) ao n. 2742 fala precisamente da necessidade de orar continuamente. São Paulo exortava aos cristãos “Orai sem cessar” (1Tess 5,7), «dai sempre graças por tudo a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo» (Ef 5, 20), «servindo-vos de toda a espécie de orações e súplicas, orai em todo o tempo no Espírito Santo; e, para isso, vigiai com toda a perseverança e orando por todos os santos» (Ef 6, 18). «O que nos foi mandado é que trabalhemos, velemos e jejuemos constantemente, mas temos a lei de orar sem cessar» (30)

A oração perseverante é sinal de que amamos a Deus. O fervor incansável da oração só pode vir do amor. Este amor que alimenta a nossa oração leva-nos a vencer a nossa lentidão e preguiça. O combate da oração é o combate do amor. O combate para nos mantermos humildes, confiantes e perseverantes.

Jesus disse aos seus discípulos “Digo-vos, pedi, e recebereis, procurai e encontrareis, batei e a porta abrir-se-à, porque todos aquele que pedem recebem; aqueles que procuram encontrarão, e aqueles que batem abrir-se-á porta. Pois se vós, mesmo sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, muitos o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem. (Lc 11, 9-13)

2744. Orar é uma necessidade vital porque se não nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, recairemos na escravidão do pecado (33). Ora, como pode o Espírito Santo ser a «nossa vida» se o nosso coração estiver longe d’Ele? A oração é uma necessidade vital porque «Quem reza salva-se, de certeza; quem não reza condena-se, de certeza»».

Jesus ensina a orar com confiança

Quinta-feira, Junho 11th, 2020

O Evangelho de São Lucas ao capítulo 11 resume o ensinamento de Jesus sobre a oração: “Sucedeu que que Jesus estava em oração num lugar isolado. Quando acabou, um dos seus discípulos disse-lhe: “Ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos” (Lc 11,1-2). Jesus respondeu ensinando a oração do Pai Nosso.

A seguir, contou uma parábola – a do juiz iníquo e da pobre viúva – sobre a necessidade de orar continuamente, sem desfalecer ou sem desistir.

O juiz iníquo não temia a Deus nem respeitava os homens. Por muito tempo recusou de atender uma viúva que lhe pedia justiça contra o seu adversário. Mas, um dia, diante da sua insistência, resolveu atendê-la, para que não voltasse mais a importuná-lo. O Senhor Jesus continuou: “Reparai nas palavras do juiz iníquo. E Deus não fará justiça aos seus eleitos que clamam para Ele dia e noite? Será que os deixará esperar? Eu vos digo que vai fazer justiça prontamente” (Lc 18, 1,-7).

Jesus ensinou a orar com insistência, também com a parábola do amigo inoportuno, escutemos: “Disse-lhes também: Sem algum de vós tiver um amigo, e for ter com no meio da noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois chegou de viagem um amigo em minha casa e eu não tenho nada para lhe oferecer. Se ele lhe responder lá de dentro: “Não me incomodes, a porta já está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados, não posso levantar-me para tos dar”. Eu vos digo que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, devido à sua insistência” (Lc 11, 5-8)

Jesus diz que o juiz, mesmos sendo mau, atendeu aquela viuva devido a sua insistência; como também o amigo atendeu o seu amigo pela sua insistência. Jesus faz notar que muito mais o Pai que é bom e misericordioso atende a suplica dos seus filhos.

Se por um lado, Jesus ensina a imitar a insistência da viuva e do amigo inoportuno, por outro lado, também ensina a pedir ao Pai com grande confiança. Escutemos: “Eu digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei e a porta abrir-se-á para vós. Porque quem pede recebe; quem procura, encontra; e a quem bate a porta abrir-se-á.Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, muito mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!” (Lc 11, 9-13).

Confiar no Pai

Terça-feira, Junho 9th, 2020

Quando Jesus falou de Deus, falou do Pai que ama os seus filhos, e convidou a confiar Nele. Ele próprio é a Presença de Deus: «Quem me vê a Mim, vê a Deus. Quem Me ouve a Mim, ouve a Deus». Deus Aquele que foi e que será, mas sobretudo é «Aquele-que-é»; Aquele que Presente, Aquele que está comigo aqui, agora, neste momento.

Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber … Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as.
Não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração da suas  vida? 

Não vos preocupeis, olhai para os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnifi­cência, se vestiu como qualquer deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? O vosso Pai celeste bem sabe que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Seu Reino e a sua justiça e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos inquieteis, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Bem basta a cada dia o seu trabalho» (Mt 6,24-34). 

O Jesus, meu Senhor,
Eu estou tão preocupado e ansioso,
que não não tenho tempo para os amigos,
para a família, nem para ajudar os outros.
Tu queres que eu seja simples como uma criança,
Que confie em Ti, que não me preocupe para o dia de amanhã.

Neste momento, Jesus aqui à Tua frente,
deixo todas as minhas preocupações
Todas as minhas ansiedades,
todos os meus medos e desconfianças.
Entrego-te toda a minha,
tudo o que me preocupa,
toda a minha ansiedade.

A confiança filial

Terça-feira, Junho 9th, 2020

O Catecismo da Igreja da Católica (CIC) ao n. 2734, fala da confiança filial que devemos ter na oração, uma confiança cheia de amor, porque, em Jesus, somos Seus filhos.

“O Pai tanto amou o mundo que enviou o Seu Filho Unigénito para que todos aqueles que acreditam Nele não se percam, mas tenham a vida eterna (Jo 3, 13). O Pai enviou o Seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida” (1ªJo 4,9) e nos tornemos Seus filhos: “Vede como é grande o amor que o Pai nos concedeu, ao nos podermos chamar filhos de Deus, o que de fato somos! Caríssimos, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois o veremos como ele é” (1ª Jo 3,1.2)
– A confiança é uma abertura de coração que só é dada a quem a merece. Assim a “confiança filial” é posta à prova – e prova-se a si mesma – nos momentos de tribulação (CIC 2734). A confiança filial é posta à prova pelas tribulações da vida.

O Apóstolo São Paulo diz que é pela fé que alcançamos a salvação e a paz. Neste mundo passamos por muitas tribulações, mas não desfalecemos, estamos firmes na nossa fé, até nos gloriamos nas tribulações tendo a esperança da esperança da glória de Deus, porque a tribulação produz perseverança e a perseverança fortalece o nosso caracter. A esperança que temos em Jesus não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que Ele nos concedeu (cf. Rom 5, 1-5)

O CIC afirma que a principal dificuldade da oração aparece quando pedimos alguma coisa a Deus por nós ou pelos outros e temos a impressão de não sermos atendidos. Por este motivo, muitas pessoas abandonam a oração. E continua: aqui, duas questões se põem: Por que é que pensamos que o nosso pedido não é atendido? E como é que a nossa oração é atendida, e «eficaz»?
– É interessante notar que quando louvamos o Senhor ou Lhe agradecemos não nos preocupamos em saber se nossa oração Lhe foi agradável, mas quando Lhe pedimos alguma coisa, queremos ver rapidamente os resultados (Cf. CIC, 2735).
– Santo Agostinho, dava o seguinte conselho: “Não te aflija se não recebes imediatamente de Deus, o que lhe pedes: é que Ele quer beneficiar-te com um bem ainda maior, em permanecer com Ele na oração. Ele não atende logo o teu pedido porque quer criar um espaço maior em teu coração, de forma que tu estejas preparado a receber o que Ele te quer dar” (nota 26)

2743. Orar é sempre possível. O tempo para nós, os cristão é tempo de graça, é tempo oportuno que que podemos fazer o bem, é o tempo de Cristo Ressuscitado, em que Ele está «connosco todos os dias» (Mt 28, 20), sejam quais forem as tempestades.

O Evangelho de Luca fala da tempestade que Jesus acalmou. Os discípulos estavam no meio do mar em tempestade e, Jesus não se mostrou nada preocupado com isso, até adormeceu. O barco estava a ser inundado e os discípulos corriam grande perigo. Acordaram Jesus clamando: “Mestre, Mestre, vamos morrer! ” Ele levantou-se e repreendeu o vento e a violência das águas; tudo se acalmou e ficou tranquilo. Depois repreendeu-os, dizendo ”Onde está a vossa fé?” (Cf. Lc 8, 22-25). É nos momentos de dificuldade que manifestamos a firmeza da nossa fé.

Não é Deus que precisa da nossa oração, somos nós que precisamos da Sua ajuda, sem a ajuda de Deus, nada podemos fazer, ou melhor, podemos fazer muitas coisas, mas será sempre uma actividade frenética que não dará frutos. Como o nosso corpo precisa de alimento para viver, assim, a nossa alma precisa de Deus.
2744. A oração é uma necessidade vital porque se não orarmos, se não nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, recaímos na escravidão do pecado. Ora, como é que o Espírito Santo pode ser a «nossa vida» se o nosso coração estiver longe d’Ele?
– A oração é uma necessidade vital porque «Quem reza salva-se, de certeza; quem não reza condena-se, de certeza».

Viver o presente

Domingo, Junho 7th, 2020

É difícil viver no tempo presente. Para nos darmos conta disso, basta darmos um pouco de atenção aos nossos pensamentos e notar como as lembranças dolorosas do passado, as preocupações do futuro e outros pensamento e imaginações nos distraem continuamente. Revivemos, os desgostos da vida passada, lembranças dolorosas, rancores e sentimentos de culpa, faltas de perdão, rejeições e abandonos e muitas outras coisas.

As feridas abertas do nosso passado doloroso. Os sentimentos de culpa por tudo aquilo que deveriam ter feito e não o fizemos ou por tudo aquilo que fizemos e que não deveriam ter feito. E até ficamos envergonhados. Tudo isso é muitas outra lembranças nos mantêm presos no passado nos impedem de viver com atenção o presente. Depois, as nossas preocupações do futuro. Com a imaginação antecipamos o futuro com pergunta deste género: «O que será de mi se acontecer isto? se eu ficar desempregado? se a economia enfraquecer? se eu não conseguir pagar as dívidas? se a pandemia não acabar? E se eu adoecer? E se desabar uma guerra?».

Muito tempo e energias perdemos revivendo o passado e imaginando o futuro. Já experimentamos muitas vezes quanto a nossa imaginação é enganadora. Tais pensamento ocupam de tal forma a nossa mente que ficamos, por assim dizer, cegos e surdos. Uma cegueira e uma surdez espiritual que nos impede de viver o presente.
– Ficamos cegos porque não reparamos na beleza da vida, não contemplamos nem apreciamos a beleza da natureza, não valorizamos os amigos, não acolhemos a vida como um presente, como um dom precioso.
– Ficamos cegos porque perdemos a capacidade de nos maravilhar, de nos surpreender diante do sorriso das crianças, das pessoas, da convivência familiar.
– Ficamos como surdos porque não ouvimos as vozes que anunciam a esperança, não ouvimos gritos dos irmãos que precisam de ajuda, não reparamos na voz agradecida dos amigos, dos colegas, das pessoas que nos amam. Ficamos presos nas amarguras do passado e nas preocupações do futuro e não vivemos com intensidade o tempo presente, a vida real, aquela vida que está a acontecer aqui e agora, o único tempo que está ao nosso alcance. O passado já passou e não pode ser modificado. O futuro há de vir, e é sempre diferente daquilo que podemos prever ou imaginar. Não vivemos a nossa vida como um presente, como um dom precioso que Deus renova continuamente, em cada instante, em cada hora, em cada por cada um de nós.

Olhamos agora para Deus. Ele é o Deus connosco, o Deus que vive com o seu povo. Que fez do coração do homem a Sua morada. Ele está presente em cada momento da nossa vida, com suas alegrias e tristezas. Quando Jesus falou de Deus, falou do Pai que ama os seus filhos, e convidou a confiar Nele.

Ele próprio é a Presença de Deus: «Quem me vê a Mim, vê a Deus. Quem Me ouve a Mim, ouve a Deus». Deus Aquele que foi e que será, mas sobretudo é «Aquele-que-é»; e Eterno Presente, Aquele que está connosco, aqui, agora, neste momento. É Ele que formou o coração de cada homem e a nossa espera o Senhor: Ele é o nosso amparo e protector. N’Ele se alegra o nosso coração:  em seu nome santo pomos a nossa confiança (cf. Salmo 132)

Jesus veio para nos libertar do peso do passado e das preocupações do futuro. “Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber …
Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração da suas  vida? Olhai para os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnifi­cência, se vestiu como qualquer deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis, dizendo: que comeremos, que beberemos ou que vestiremos? O vosso Pai celeste bem sabe que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Seu Reino e a sua justiça e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos inquieteis, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Bem basta a cada dia o seu trabalho» (Mt 6, 24-34). 

O Jesus, meu Senhor,
Eu estou tão preocupado e ansioso,
que não não tenho tempo para os amigos,
para a família, nem para ajudar os outros.
Tu queres que eu seja simples como uma criança,
Que confie em Ti, que não me preocupe para o dia de amanhã.

Neste momento, Jesus aqui à Tua frente,
deixo todas as minhas preocupações
Todas as minhas ansiedades,
todos os meus medos e desconfianças.
Entrego-te toda a minha,
tudo o que me preocupa.

Tu, Senhor, me ofereces o Teu amor, a Tua Paz
e liberdade dos pássaros e a beleza dos lírios.

A nossa sala interior

Domingo, Junho 7th, 2020

Meus irmãos, a oração é um recolhimento interior que exige concentração. Podemos dizer que a oração é descer da mente ao coração.

A mente é um turbilhão de lembranças e de imaginações que continuamente nos desviam. Queremos entrar no recolhimento da oração, mas constatamos que estamos continuamente distraídos por diversos pensamentos e imaginações. Vir‑nos‑á a mente o que nos aconteceu ontem ou que acontecerá amanhã. Teremos longas e imaginárias conversações interiores com os nossos amigos ou com os nossos inimigos. Vir-nos-á à mente o que devemos fazer, as coisas que esquecemos, teremos a sensação de que estamos a perder tempo e, por fim, a tentação de deixarmos a oração porque há coisas mais urgentes a fazer. As distrações e as lembranças das coisas que devemos fazer, estão lá para nos convencer que é melhor deixar a oração e voltar ao trabalho.

Devemos estar bem conscientes de que a oração exige um recolhimento interior que não é fácil conseguir, pois, quando nos recolhemos, a primeira coisa que experimentamos é a nossa confusão mental. Temos a certeza de que o Senhor está próximo, bem perto de nós, mas o experimentamos com uma Ausência que, em certos momentos, pode tornar-se dolorosa, por isso, como as 10 virgens prudentes devemos manter acesas as nossas lâmpadas, porque, de repente vai chegar o esposo que nos faz entrar na sala da festa. As virgens imprudentes, levaram as lâmpadas, mas não levaram o óleo para as manterem acesas.

O que é este óleo? Este óleo é a fé, a confiança em Deus. Um produto precioso que só se encontra na Igreja, a Palavra de Deus e os Sacramentos. O Senhor Senhor Jesus prometeu rios de Água Viva que brotarão dos corações daqueles que acreditarem Nele.

A Igreja é depositária deste fonte milagrosa, porque a Igreja alimenta a fé de toda a gente. A oração pessoal nunca é uma oração isolada, é sempre “comunhão” com milhares e milhares de crentes que procuram a Deus. Na Igreja encontramos o alimento da Palavra de Deus e dos Sacramentos, encontramos o testemunho dos irmãos que alimenta a esperança. A comunidade cristã nos apoia e encoraja, nos dá a certeza da presença do Senhor.

Esta experiência da oração não é sempre gratificante. Com frequência, somos tão impacientes e incapazes de encontrar calma interior que, quando menos o esperamos, já estamos ocupados de novo, evitando assim o confronto doloroso com a nossa confusão mental.

Os mestres da vida espiritual ensinam que o aspecto mais importante da oração é a fidelidade ao nosso tempo de oração, mesmo que sejam só dez minutos por dia. A escolha do tempo e da duração da oração depende duma vontade determinada. Não se entra em oração quando se tem tempo, mas se arranja tempo para a oração. (CIC 2710)

Esta fidelidade nos levará à sala interior, ao sacrário íntimo do coração, onde Deus habita, onde Jesus, o Esposo da nossa alma, nos convida a entrar e a viver com Ele.

É este o lugar íntimo, o lugar sagrado, o lugar mais belo e precioso onde se realiza o encontro com Jesus. Quando apreendemos este recolhimento interior, podemos estar numa sala cheia de gente, num escritório, podem estar de viagem, mas sempre sentiremos o convide do Mestre que nos convida a entrar nesta sala interior, onde flui este Rio de Água Viva que jorra para a vida eterna.

Escutar o coração

Sábado, Junho 6th, 2020

O Senhor Jesus ensinou a dar atenção ao coração porque
“O que sai da boca, procede do coração e contamina o homem. Porque é do coração que procedem os maus pensamentos … (Mt 15,18-19)

1. Escutar o coração
Escutando o coração percebemos se estamos a viver recolhidos ou isolados. Vivemos recolhidos quando o coração está em paz. A paz é o dom de Jesus: “dou-vos, a paz, dou-vos a minha paz”. Vivemos isolados quando os nossos pensamentos são maus, rancorosos, revoltados. Quando vivemos fechados nas amarguras do passado ou preocupados pelo futuro. Sobre isto já falamos.

Jesus ensina a dar atenção ao coração, a escutar o coração, porque o coração nos revela o estado interior da nossa alma. O comportamento depende do coração.
– Quem não presta atenção ao coração não avança na vida espiritual, ficará sempre escravo dos seus sentimentos contraditórios.
– Quem presta atenção ao coração, aos poucos, consegue perceber os dois polos opostos entre os quais oscila a nossa vida interior: se está a viver num doloroso isolamento e se está a viver um sereno recolhimento.

2. Eu posso viver recolhido ou isolado.
A minha vida interior oscila continuamente estes este dois estados interiores. Posso estas sozinho em casa o no escritório, numa sala de espera, na rua, numa loja, em qualquer outro lugar; posso viver situações diferentes, mudar de lugar, encontrar pessoas e ao mesmo tempo, o meu coração está a viver uma sensação dolorosa do isolamento ou também está a gozar de serenidade e da paz de um profundo recolhimento interior. Se escutar o coração, posso tomar consciência da minha vida interior.

Para dar-se conta disso, basta observar as pessoas que nos rodeiam. Algumas vezes, basta um olhar par reconhecermos o estado interior do seu coração. Logo, mesmo sem falar, podemos reconhecer se seu coração está inquieto e perturbado ou se está calmo e tranquilo. Logo percebemos uma pessoa está livre, á vontade naquele lugar e se está constrangida. Se está perturbada ou em paz. Basta olhar ao nosso redor.

Ao mesmo podemos fazer com a nossa própria pessoa. Olhar para dentro de nós e distinguir o estado do nosso coração. Se estamos em paz, no recolhimento interior ou se estamos perturbado num doloroso isolamento.

3. A nossa vida oscila entre isolamento e recolhimento.
O mundo, no entanto, não está dividido em recolhidos e isolados. Cada um balanceia entre estes dois pólos interiores continuamente. Mudamos em cada instante, de hora em hora de um dia para o outro, da uma semana para outra e de um ano para o outro. Há tempos em que recuperamos a paz interior com facilidade, outras vez passam por desertos, que podem durar minutos, horas, dias ou anos. Mas se reconhecermos o nosso estado interior, saberemos também para onde devemos conduzir a nossa vida, e lutaremos para reconquista a nossa paz.

Devemos admitir que não temos o controle sobre todas as nossas oscilações interiores. Existem muitos fatores, conhecidos e desconhecidos, que condicionam o nosso equilíbrio interior. Mas quando desenvolvemos a capacidade de distinguir os pólos entre os quais oscila a nossa mente; quando nos tornamos conscientes do isolamento ou do recolhimento, deixaremos de nos sentirmos perdidos, logo sabemos para onde queremos conduzir a nossa vida.

4. O início da vida espiritual
A capacidade de distinguir entre estar agitado e estar em paz representa o início da vida espiritual. A pessoa que não desenvolve esta capacidade interior não avança na vida espiritual. A pessoa que está atenta e reconhece os movimentos do seu coração, avançará rapidamente no caminho da sua maturidade humana e espiritual.

Qualquer que seja o nosso estado interior podemos elevar a nossa alma para Deus para lhe pedir ajuda, confiar Nele e encontrar a paz.

Humildade e oração

Sábado, Junho 6th, 2020

O Catecismos da Igreja Católica (CIC) dedica acerca de 80 páginas à oração (números de 2559 a 2865)

O Que é a oração? “Para mim a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o Céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria. (Santa Teresinha do Menino Jesus, Manuscrito C, 25r)

Jesus ensinou a humildade na oração com a parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14).
– O fariseu falou a Deus a partir do seu coração orgulhoso: “Ó Deus, eu te agradeço-te porque não sou como os outros, ladrões, injustos e adúlteros, nem tão pecador como este cobrador de impostos”
– O publicano falou a Deus a partir de um coração humilde: “ficou à distância e nem sequer se atrevia a levantar os olhos para o céu; apenas batia com a mão no peito e dizia: “Ó meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!”

«A oração é a elevação da alma para Deus ou um pedido feito a Deus». O Senhor ensina a pedir ajuda a Deus em todas as nossas necessidades. Mas, de onde é que falamos a Deus quando oramos? – Falamos das alturas do nosso orgulho e da nossa própria vontade ou das «profundezas» do (Sl 130, 1) do nosso coração humilde?
– A oração é sempre humilde, Aquele que se humilha é que é elevado (Lc 18,14). A humildade é o fundamento da oração. «Não sabemos oque havemos de pedir para rezarmos como deve ser» (Rm 8, 26). A humildade é a disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração. Ser humilde é reconhecer que a nossa vida depende de Deus, que não podemos viver sem Ele, como dizia Santo Agostinho “o homem é um mendigo de Deus (cf. CIC 2559).

O recolhimento interior

Sexta-feira, Junho 5th, 2020

Quando se fala do recolhimento interior da oração, muitas pessoas pensam que é necessário retirar-e num convento. A sua mente evoca imagens de monges e de eremitas, que deixaram tudo, o ruído e o ritmo frenético do mundo, para se dedicarem à oração.
Em todos os tempos e lugares – como acontece ainda hoje – encontramos homens e mulheres que querendo viver uma intensa vida espiritual se retiraram em conventos, mosteiros ou até no deserto. É porque respondem a um chamamento especial do Senhor.

Para nós é importante lembrar que o recolhimento interior do coração é para todos, não está reservado apenas aos monges e aos eremitas, por isso, ainda hoje, homens e mulheres de todas as idades e condição social procuram o encontro pessoal com Deus no silêncio no recolhimento interior do coração.
Pessoas que escolhem um tempo e um lugar adequados para a oração que favorecem a concentração, geralmente de manhã cedo ou a noite, antes de se deitar. Um tempo reservado a Deus e que pode durar apenas 10 minutos ou mais. O que é importante é a fidelidade. O Senhor Jesus não faltará, com certeza realizará entre encontro. É Ele que convida: “Vinde a Mim todos vós que andais cansados e oprimidos e encontrareis o descanso para a vossa alma”.

A oração, de facto, é escutar a Deus e falar com Ele. É um diálogo de amor que se realiza na intimidade do coração. A oração é retirar-se, estar a sós com Deus, num lugar adequado, longe das distrações do mundo.

Cultivar o recolhimento interior do coração
Como já dissemos, não é fácil concentrar-se para a oração, as memórias do passado e as preocupações do futuro e muitas outra fantasias e imaginações nos distraem continuamente. A oração Temos de perseverar neste luta árdua até acalmar o nosso coração e encontrar a paz. A oração exige sempre um esforço, é um combate contra nós mesmos e contra as astúcias do Tentador que faz de tudo para nos desviar e impedir o nosso encontro com Deus, pode convencer-nos a desistir, com a sensação de que a oração é tempo perdido, tempo inútil. A paciente espera, a perseverança e a luta, fazem parte da oração. O Senhor virá com certeza virá, Ele é fiel, não faltará ao encontro. Pode consultar o Catecismo da Igreja Católica sobre este tema (CIC 2725-2728).

O habito do recolhimento interior do coração.
As pessoas que cultivam o recolhimento interior do coração, aos poucos adquirem o hábito de se recolher interiormente, torna-se uma atitude interior constante, que subiste em todas as circunstancias, mesmo numa numa vida ocupada, cheia de trabalho. O recolhimento interior do coração é uma dimensão interior do coração, um dom precioso que o Senhor concede aos seus amigos, as almas simples que o procuram.

O recolhimento interior do coração não um privilégio reservado aos monges ou aos eremitas, é uma capacidade humana, um dom de Deus que subsiste e se desenvolve, mesmo em pessoas que têm uma intensa vida ativa, no ritmo frenético das grandes cidades. Uma pessoa “recolhida” pode estar numa sala cheia de gente, num comboio, no meio da agitação do mundo e, ao mesmo tempo, saborear a beleza e a doçura da presença do Senhor. O mundo corre, agita-se ao seu redor, mas ele esta recolhido. O mundo atrai e tenta com os seus estímulos divergentes, ma a pessoa recolhida sabe onde se encontra a verdadeira paz, não se deixam enganar, rapidamente voltam ao recolhimento, à morada interior, ao encontro com o Senhor.
Padre Leone Orlando cs

Beato João Batista Scalabrini, Pai dos Migrantes

Segunda-feira, Junho 1st, 2020

Nasceu em Fino Mornasco (Italia), um singelo povoado do Norte da Itália, em 8 de Julho de 1839. Terceiro filho de Luís e Colomba Scalabrini, João Baptista recebeu de seus pais una profunda e sólida educação cristã. Particularmente foi a mãe, naquelas terras marcadas pela espiritualidade de São Carlos Borromeu, que, pela palavra e pelo exemplo, infundiu nele o amor pela Eucaristia, sacramento da presença do Senhor, e uma profunda devoção à virgem Maria e aos santos. Elementos que marcaram a sua vida espiritual para sempre. JOÃO BATISTA SCALABRINI