Archive for the ‘Ensinamentos’ Category

São grandes os dons de Deus

Quarta-feira, Julho 1st, 2020

Na nossa sociedade, onde a maioria das famílias vivem bem, se alguém oferecer algo a um pobre, por exemplo, um pedaço de pão, ele recebe-o e quase nem agradece. Se agradecer, fá-lo-ia com pouca convicção. Seria diferente se alguém lhe oferecesse uma nota de cem euros.

Se alguém oferecesse um cheque a quem não sabe ler, este agradeceria sim, mas com pouca convicção, como se tivesse recebido um pedaço de pão. Só mais tarde, ao trocar aquele cheque no banco, ele se aperceberia do seu valor real e talvez, voltaria atrás para agradecer com maior entusiasmo.

Nós somos como esse pobre que não sabe ler. Não agradecemos a Deus porque não sabemos reconhecer a beleza e grandeza dos Seus dons. Muitas vezes só os reconhecemos e apreciamos quando os perdemos e, assim, apreciamos o dom da saúde só quando a perdemos e o valor das pessoas queridas só quando morrem.

Oração:
Ensina-me, ó Pai, a reconhecer a beleza a a grandeza dos Teus dons. É verdade, os recebo todos os dias, gratuitamente, sem me aperceber e, infelizmente, poucas vezes me lembro de Te agradecer. Vivo tão distraído e fechado no meu egoísmo que nem sequer os reconheço, ignoro-os completamente. Espírito Santo, abre os meus olhos, ilumina a minha mente, dissipa todas as trevas que me impedem de reconhecer que tudo na minha vida é dom Deus: a família, os amigos, os colegas e todas as pessoas que me ajudaram a crescer; as minhas capacidades, o meu trabalho e tudo o que consigo fazer ou ganhar, tudo é dom de Deus. Envia, Senhor, os Santos Anjos que sem cessar Te louvam a no Céu, e que eu aprenda com eles a louvar-Te e a agradecer-Te, tal como Tu mereces. Senhor Jesus Cristo, manso e humilde, que louvaste o Pai, pelas flores do campo e pelos passarinhos do céu, cura o meu coração para que se encha de amor e gratidão. Amén.

Uma pequena história

Quinta-feira, Junho 25th, 2020

Um dia, uma professora de uma turma da primeira classe de uma escola primária, pediu aos alunos que desenhassem alguma coisa pela qual se sentiam agradecidos. Ela não imaginava que aquelas crianças, de um bairro degradado, pudessem ter alguma coisa para agradecer. Um menino, com grande dificuldade, desenhou uma mão e todos ficaram atraídos e curiosos: o que significa aquela mão? De quem é? Os alunos, deram muitas respostas. Um deles disse: «aquela mão é a mão de Deus porque Deus com as Suas mãos sustenta muitas pessoas». No fim, a professora perguntou àquele menino: «de quem é aquela mão?». A resposta foi a seguinte: «aquela mão é a sua mão, porque a professora me tem ajudado tantas vezes, segurando-me com suas mãos e tem feito a mesma coisa com outras crianças».

A palavra «obrigado» deve entrar e fazer parte do nosso dicionário, deve passar a fazer parte da nossa vida diária. Infelizmente, estamos habituados a enfatizar só as coisas negativas e, por isso, ficamos tantas vezes desconfiados, desanimados e até desesperados. Não conseguimos ver o bem, por isso não agradecemos.

Podemos até ter algum sentimento de gratidão, mas só quando acontece algo de extraordinário e, mesmo assim, o nosso entusiasmo pouco tempo dura. O que prova que quanto mais temos, mais queremos ter e ficamos continuamos sempre insatisfeitos. Por isso não devemos estranhar: os melhores exemplos de gratidão encontram-se precisamente nos pobres, nas pessoas simples e com maior dificuldade.

Jesus, Filho de Deus, por Vós foram criadas todas as coisas. Fostes formado no seio materno de Maria, fizeste-Vos parte da nossa terra e contemplastes o mundo com olhos humanos. Hoje estais vivo em cada criatura com a vossa glória de ressuscitado. Louvado sejais! Espírito Santo, que, com a vossa luz, guiais este mundo para o amor do Pai e acompanhais o gemido da criação, Vós viveis também nos nossos

Agradecer: uma virtude rara

Quarta-feira, Junho 24th, 2020

O Catecismo da Igreja Católica diz que o agradecimento caracteriza a oração da Igreja (2637) porque a Eucaristia é essencialmente acção de graças. Com oração de súplica podemos pedir ao Senhor que nos ajude em qualquer acontecimento ou necessidade, a mesma cosa acontece com a acção de graças. Podemos transformar tudo em acção de graças. São Paulo quase sempre inicia e termina as suas cartas com um agradecendo ao Senhor e convidando os cristãos a agradecer «em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus, em Cristo Jesus» (1 Ts 5, 18); «perseverai na oração; sede, por meio dela, vigilantes em acções de graças» (Cl 4,2)

A gratidão é uma virtude rara. Temos que apreender a agradecer, pois nosso egoísmo e orgulho obscurecem a nossa consciência, vivemos como se tudo nos é devido, ficamos presos na mentalidade consumista que domina a nossa sociedade, queremos cada vez mais, nunca ficamos satisfeitos e, por isso, nunca agradecemos. Recebemos muito e há sempre alguma coisa que nos falta. Vivemos fechados dentro das paredes da nossa autos suficiência e nunca agradecemos.

Esquecemos que recebemos tudo recebemos, nada é nosso! Tudo o que somos e temos, tudo recebemos das Suas mãos. Tudo recebemos, através das mãos dos nossos pais, da nossa família, e de tantas outras pessoas que se sacrificaram por nós. A ingratidão mantém-nos fechados dentro das paredes do nosso egoísmo e nunca ficamos satisfeitos.

Reflictamos agora, basta só um simples exemplo: como é que pagamos aos nossos pais por nos terem dado a vida, por nos terem alimentado, por terem providenciado os nossos estudos e por se terem sacrificado por nós para que nada nos faltasse? O senso do direito e da posse faz-nos perder a consciência dos bens recebidos e da necessidade de agradecer.

Lutamos pelos nossos direitos e nos esquecemos dos nossos deveres e, particularmente da necessidade de agradecer. Será que agradecemos às pessoas que nos ajudaram, que nos fizeram o bem? Será que nos colocamos de joelhos diante do Senhor para lhe agradecer o dom da vida, da saúde, da família e de todos os bens que recebem continuamente das Suas mãos?

Jesus ensinou a agradecer com a história dos dez leprosos que Ele curou. E nós ficamos indignados porque todos foram curados, mas só um deles voltou atrás para Lhe agradecer. E nós, que fomos tantas vezes abençoados por Deus, porque é que não voltamos para Lhe agradecer?

Tudo é dom de Deus. Tudo recebemos das Suas mãos, mesmo aquilo que ganhamos com o nosso trabalho ou que compramos com o nosso dinheiro. Esquecemos que foi Deus que lhe deu saúde, a inteligência e força para o conseguir. Esquecemos de que tudo é dom de Deus. A vida é dom de Deus. Tudo o que temos é dom de Deus, mesmo quando o ganhamos com o nosso trabalho. Quando reconhecemos tudo isso, a nossa vida muda, tornamo-nos humildes e solidários.

Nós Vos louvamos, Pai, com todas as Vossas criaturas, que saíram da Vossa mão poderosa. São vossas e estão repletas da Vossa presença e da Vossa ternura. Louvado sejais! (Papa Francisco)

Jesus ensinou a agradecer

Quarta-feira, Junho 24th, 2020

Um dia, Jesus ia caminho de Jerusalém e curou dez leprosos, mas só um deles voltou atrás para Lhe agradecer. «Então, Jesus observou: “Não eram dez que foram curados? Onde estão os outros nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» (Lc 17,11-19) Agradecer não é uma obrigação, contudo, o bom senso e a boa educação dizem que se deve agradecer. Jesus esperava que os dez leprosos, uma vez curados, voltassem atrás para Lhe agradecer. Jesus esperava o agradecimento.
Jesus ensinou a necessidade de agradecer e Ele próprio viveu nesta terra numa atitude de constante agradecimento e louvor. Estava consciente de que tudo recebeu do Pai e tantas vezes manifestou a Sua alegria e gratidão: «Eu Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar». (Mt 4,25-27)
Na Última Ceia encontramos em resumo a atitude de constante agradecimento que marcou toda a vida de Jesus: «Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória». Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» (Lc 22,17-20). Jesus deu a Sua vida por nós, agradecendo ao Pai.
O apóstolo São Paulo repreendeu a comunidade de Corinto com estas palavras: «Pois, quem faz superior aos outros? Que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias, como se não o tivesses recebido?» Desta forma, ele ensinava a sermos humildes diante de Deus e reconhecermos que tudo o que temos e somos, tudo, mesmo tudo, é dom de Deus. Não podemos viver fechados na ingratidão, mas temos que abrir o nosso coração e agradecer a Deus, pois tudo é dom do Seu Amor.
A Igreja reúne-se para celebrar a Santa Missa, a “Eucaristia”. A palavra “Eucaristia” significa “Ação de graças”, “Agradecimento”. A Igreja, seguindo os ensinamentos de Jesus, convida-nos a viver a nossa fé com humildade numa atitude constante de agradecimento a Deus. Vamos à Santa Missa para agradecer ao Senhor, pois tudo recebemos Dele. Desta forma a “acção de graças da Igreja participa da acção de Cristo, sua Cabeça (CIC 2637)
Senhor Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, Santíssima Trindade, Único e Eterno Deus, obrigado por me teres criado, por me teres dado a inteligência para Te conhecer, o coração para Te amar, as mãos para Te servir, os pés para Te levar sempre comigo e a voz para cantar os Teus louvores. Obrigado pelos meus pais que me deram a vida e me ajudaram a crescer. Obrigado pela Tua Igreja e por todos aqueles que me ajudaram a conhecer-Te ao longo da minha vida. Obrigado Senhor.

Humildade na Oração

Domingo, Junho 21st, 2020

Estamos a falar da meditação, que é uma procura humilde e confiante da vontade de Deus. Meditar é pedir a Deus que nos manifeste a Sua vontade. A Ele entregamos os nossos problemas pessoais, as nossas dúvidas, as nossas angústias, para que tudo seja iluminado pela Sua sabedoria. Meditar é procurar a verdade, é deixar que Deus nos diga a verdade.

Jesus ensinou a orar “seja feita a Vossa Vontade”, por isso, se amamos a Deus, procuramos conhecer a Sua vontade. Cada dia tem a sua preocupação (Mt 6,24-34), tem um problema que prevalece, ao qual devemos dar uma resposta à luz da vontade de Deus. É dali que devemos partir, com uma atitude de profunda humildade.

“Deus resiste aos soberbos e dá a Sua graça aos humildes” (Tiago 4,6). Os soberbos, aqueles que pretendem saber tudo e que não precisam de ninguém, não têm o coração aberto para escutar o que Deus tem para lhe dizer. Os humildes, àqueles que se julgam pecadores, que confiam em Deus e procuram a Sua vontade, recebem também a Sua Sabedoria. Meditar é aproximar o nosso coração ao coração de Deus: quanto mais somos humildes e receptivos, tanto mais profunda será a nossa comunhão com Deus.

A meditação é fundamentalmente “escutar” interiormente, coisa que “exige uma atenção difícil de disciplinar” (CIC 2705) A meditação é exercicio de “boa vontade”, é querer escutar, é preciso criar um espaço interior receptivo, capaz de escutar. Sem esta “boa vontade” não podemos meditar. Acontece facilidade que interrogamos a Deus, mas não estamos dispostos a escuta-Lo. Com a nossa mente, recorremos a muitos subterfúgios a fim de evitar o encontro com a verdade. Deus, que é tão discreto e humilde e respeita a nossa liberdade não nos incomoda. Por isso, meditar é também confessar a nossa dureza de coração e pedir a Deus nos ajude, que fortaleça a vontade, que abra os nossos ouvidos para O escutar. Quando nos dirigimos a Deus com humildade não deixará de atender a nossa súplica.

A ORAÇÃO DE ESCUTA INTERIOR – A MEDITAÇÃO

Sábado, Junho 20th, 2020

O Catecismo da Igreja Católica (2705) diz que “A meditação é sobretudo uma reflexão em vista de compreender melhor “porquê sou cristão” e “como posso viver a minha vida cristã”. Muitas pessoas dizem que têm dúvidas, mas estas dúvidas nos impelem a procurar a verdade e aprofundar as motivações da nossa fé e como podemos aderir ao Senhor.

Pela oração vocal apreendemos a orar, entramos no caminho da oração e por ela perseveramos neste caminho. Uma das maiores dificuldades da oração vocal são as distrações, mas também elas nos ajudam a orar quando as entregamos ao Senhor e pedimos que nos ajude. Podemos vencé-las praticando mais a oração espontânea, isto é, orar com dita o coração. Podemos vence-las, rezando as fórmulas mais devagar, pausadamente, dando atenção ao que dizemos. De vez em quando é bom reflectir sobre as fórmulas que usamos na oração, particularmente, ao Pai Nosso e à Ave Maria. As fórmula que apreendemos na Igreja, contêm um significado que precisamos de conhecer e aprofundar. O Senhor Jesus ensinou que a oração é amor, é confiança filial, não pode ser reduzida “a uma vã repetição de palavras”. Amar é dar atenção a Deus e às palavras que Lhe dirigimos.

Com a meditação nasce o cristão autêntico, porque escutamos a voz de Deus que fala no íntimo da nossa consciência. Ele nos fala pela Bíblia e de muitas outras formas, mas é no intimo do coração que a Sua palavra ecoa e transforma a nossa vida.

Meditar é dar atenção aos nossos pensamentos, as nossas lembranças, desejos e aspirações e discernir a voz de Deus que nos fala a partir do coração. Somos templos de Deus, pelo Espírito Santo que habita em nós, por isso, meditar é dar atenção a Deus que nos fala a partir do coração. É neste lugar íntimo que descobrimos a vontade de Deus e lhe podemos responder com amor. A oração que mais define a meditação é a seguinte: “Senhor, o que queres de mim, o que queres que eu faça?”

Para meditar é preciso ser pessoas humildes que confiam no Senhor, porque Deus se revela aos humildes. Só os humildes são capazes de dar atenção aos movimentos interiores que agitam o coração compreende-los à luz da fé. Meditar é estabelecer a verdade dentro de nós para chegar a pedir: “Senhor, que quereis que eu faça?” (cfr. CIC 2706).

A meditação é um trabalho de discernimento interior. Quando nos recolhemos, podemos escutar os nossos pensamentos, as imaginações, as emoções e os desejos do nosso coração para ver onde está o nosso tesouro. Meditação é um trabalho interior a fim de aprofundar as convicções da nossa fé, suscitar a conversão do coração e fortalecer a vontade de seguir a Cristo (cfr. CIC 2708).

A meditação é uma oração silenciosa de ESCUTA, onde escutamos a nós mesmos e escutamos a Deus que nos fala, a exemplo de Maria, que guarda a Palavra de Deus e a meditava em seu coração. A oração de meditação tem com certeza um grande valor, mas a oração cristã deve chegar mais longe: até ao conhecimento amoroso do Senhor Jesus, até à união com Ele, o que chamamos de contemplação.

A página do Evangelho que nos fala desta forma de oração é a do encontro de Jesus com Marta e Maria na casa de Betânia. Marta trabalhava, enquanto Maria ficava em silêncio aos pés de Jesus e escutava a Sua palavra. Jesus, com certeza apreciava o trabalho de Marta, mas louvou o silêncio de Maria (Lc 11, 38-42). Com certeza, que Maria, depois de ter escutado Jesus, se levantou e começou a trabalhar, mas não é um trabalhar frenético, é trabalhar com amor e paz. Por isso, Deus não despreciou o trabalho de Marta, no entanto disse que maria escolheu “a melhor parte” porque escutou o que Jesus tinha para lhe dizer.

– A oração cristã dedica-se, de preferência, a meditar nos «mistérios de Cristo», como acontece no Rosário. Podemos meditar na Palavra de Deus, como acontece na “Lectio Divina”, que é uma reflexão orante da Palavra de Deus.

Existem diversos métodos de meditação, mas nenhum deles é obrigatório, são guias que nos podem ajudar, importante é cultivar o habito de meditar e procurar o recolhimento interior, deixar-se conduzir pelo Espírito Santo, o Mestre interior da oração (cf. 2707)

Também esta forma de oração é para todos, porque todos precisamos de que Deus que nos manifeste Sua vontade. Muitas pessoas preferem ficar nos meandros da primeira etapa, a oração vocal, mais fácil e cómoda. Ficam por aí, talvez, porque ninguém lhes ensinou que é possível avançar, ir além.

A meditação exige uma certa concentração mas leva directamente ao cume do monte. Nela é o coração que reza e o verdadeiro protagonista é Deus. (Padre Leo)

A Oração vocal

Quinta-feira, Junho 18th, 2020

A oração é caminho, é amizade com Deus, uma amizade que se torna cada vez mais profunda. É orando que apreendemos a orar. Jesus também apreendeu a orar e crescia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. Assim também nós crescemos, é caminhando que se abre o caminho.

A Igreja, recolhendo a experiência comum de todos os cristãos, apresenta três forma de oração, isto é, três maneiras diferentes de se relacionar com Deus: a primeira etapa é a oração vocal (CIC 2700); a segunda etapa é a meditação (CIC 2705); a terceira etapa é a contemplação (CIC 2709).

1. A ORAÇÃO VOCÁLICA (CIC 2700-2704)
Deus fala-nos pela Sua Palavra e pelos acontecimentos da vida. Quando escutamos a Palavra de Deus é Deus que fala connosco, quando oramos somos nós que falamos com Deus. Ele fala também pelos acontecimento da vida, por exemplo, este tempo de pandemia pode ser interpretado com uma Palavra de Deus a qual somos chamados a responder. Nós respondemos pela oração.

A primeira forma de oração, comum a todos os cristãos, é a oração vocal. Por esta forma de oração é que apreendemos a orar. Podemos orar lendo algumas orações, que podem ser rezadas mentalmente ou pronunciadas a voz baixa ou em alta voz. O que é importante é dar atenção a Deus, Àquele com quem falamos, como também dar atenção às palavras que Lhe dirigimos.

Jesus ensinou a orar com sinceridade, com o coração: Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza a teu Pai no segredo, pois Ele, que vê o oculto, recompensar-te-á. Nas vossas orações não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que é por muito falarem que serão atendidos. Não façais como eles porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós Lho pedirdes» Rezai pois assim: «Pai nosso…» (Mt 6,9-13).

A verdadeira oração não depende da quantidade de palavras, mas do fervor das nossas almas. Deus procura adoradores em “espírito e verdade”, isto é, pessoas que oram com sinceridade, a partir do coração. Uma oração distraída, que não dá atenção a Deus nem ás palavras que lhes são dirigidas, não é verdadeira oração.

Jesus orou a voz alta, como por exemplo na grande oração sacerdotal da Última Ceia, a oração no Jardim das Oliveiras e no alto da cruz e em muitos outros momentos da Sua vida. Jesus ensinou a orar sobretudo com o Seu exemplo. Um dia Jesus estava recolhido em oração. Os discípulos respeitaram o recolhimento do Mestre, mas quando acabou de orar lhe pediram “ensina-nos a orar”. Nesta altura, Jesus podia ter respondido: “falem com Deus, abram o vosso coração a Ele” mas não, Ele ensinou uma oração vocal: o Pai Nosso.

A oração vocal era importante para Jesus como também é importante para nós, é a oração das multidões. É rezando as orações mais conhecidas, como o Pai Nosso, a Ave Maria, o Glória, o Anjo da Guarda que oramos e apreendemos a orar.

Jesus, rezou como os salmos. O Livro dos Salmos que se encontra na Bíblia encontramos 150 orações que ainda hoje são rezadas pelo povo de Israel e pela Igreja. Há pessoas e grupos que oram rezando e meditando um Salmo. Há pessoas e grupos que oram rezando o Terço Mariano ou o Terço da Misericordia, entre outros. A oração vocal é muito importante e nunca a devemos deixar porque por ela entramos na oração mais profunda, a meditação e a contemplação. Temos que perseverar na oração vocal, sozinhos ou em grupo, mas sempre com o coração, dando atenção a Deus e às palavras que lhe dirigimos.

É pela oração vocal que aprendemos a orar. Muitas pessoas têm um livrinho de orações e todos os dias oram lendo baixinho ou a voz alta, algumas orações. É um método simples e eficaz. Outras procuram um encontro com Deus na meditação, mas nunca deixam a oração vocal, muito pelo contrário, a ela recorrem, sobretudo nos momentos de aridez. Por exemplo, Santa Teresa do Menino Jesus dizia que nos períodos de aridez recorria à oração vocal: “Algumas vezes, quando o meu espírito se encontra numa aridez tal que não me é possível tirar um só pensamento para me unir a Deus, rezo, devagar, um “Pai nosso” e depois o “Angelus”; estas orações prendem-me, nutrem a minha alma, mais ainda do que rezadas uma centena de vezes”. Rezar devagar uma fórmula, meditando nas palavras que dirigimos a Deus, nos ajuda a evitar as distrações e é uma forma valiosa de oração. Por ela elevamos o nosso espírito a Deus e crescemos na intimidade filial.

É com o coração que devemos rezar. A oração é Amor. A oração pode ser silenciosa, mas com o canto dos nossos lábios, torna-a ainda melhor. Por isso, nunca devemos ter pressa e abandonar a oração vocal. A língua serve para louvar o Senhor. Dizia a tal propósito um famoso autor: “Oração quotidiana, oração da fidelidade e da segurança, oração do serviço desinteressado e sem recompensa, a tua maneira de proceder, por vezes aparece cansada, contudo avanças. Por vezes parece que só os lábios rezem e não o coração. Mas é melhor que, pelo menos, os lábios rezem, do que o homem fique calado totalmente”.

As palavras de uma fórmula, como por exemplo o Pai Nosso, a Ave Maria, o Acto de Contrição, os Salmos … dizem os sentimentos da nossa alma, ou simplesmente, a atitude que desejamos assumir. Por isso, as fórmulas nos introduzem ao diálogo com Deus: ajudam-nos a pedir perdão, a pedir ajuda, a louvar e a agradecer o Senhor. As fórmulas, se rezadas com atenção, conduzem a uma oração segura e espontânea.

Jesus apreendeu a orar

Terça-feira, Junho 16th, 2020

O Catecismo da Igreja Católica 2598 diz que Jesus apreendeu a orar por Maria e José, seus pais. Com eles frequentava a sinagoga e o Templo de Deus. Jesus, o Verbo de Deus, que se faz carne e habitou entre nós (Jo 1,14) é que nos revela o poder, a força e o sentido da oração. Jesus ensina-nos, em primeiro lugar, com o Seu exemplo (Lc 3,2; 9,8) “Naqueles dias, Jesus foi para o monte e passou a noite inteira em oração” (Lc 6,12)
Compreender a oração de Jesus faz-nos aproximar de Deus como Moisés da sarça ardente, por isso, temos que
– contemplar Jesus em oração;
– escutar como Ele nos ensina a rezar,
– e como Ele atende a nossa oração.

Jesus, o Filho de Deus e da Virgem Maria, na sua humanidade “crescia em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens”. Ele aprendeu a orar segundo o seu coração de homem. Aprendeu as fórmulas de oração do seu povo com Maria sua Mãe, apreendeu a meditar com ela que “guardava” a Palavra de Deus e a “meditava” no seu coração (Lc 2, 19); com ela também aprendeu a louvar a Deus que faz «maravilhas» (Lc 1, 49)

Com Maria e José, Jesu frequentava a sinagoga e o Templo de Deus e apreendeu a seguir o ritmo da oração do seu povo, mas a sua oração brotava duma fonte muito mais secreta, como Ele mesmo o deixa pressentir quando, aos doze anos, dizia: «Eu devo ocupar-me das coisas do meu Pai» (Lc 2, 49). Aqui, Jesus começa a revelar a novidade da oração cristã: a intimidade filial, uma oração cheia de amor e confiança ao Pai. A mesma intimidade filial que o próprio Jesus, o Filho Único de Deus, viveu ao longo da sua vida terrena e ensinou aos seus discípulos com a oração do Pai Nosso. (Cf. CIC 2599)

A oração é vida

Segunda-feira, Junho 15th, 2020

A oração toca o mistério íntimo de cada ser humano. Em todos os cantos da terra há homens e mulheres que se recolhem para a oração. Existem diversas forma de oração. Muitos rezam o Terço Mariano, o Terço da Misericórdia ou outras orações, é o que chamamos de oração vocal (CIC 2700); outros procuram compreender como viver melhor a sua vida cristã, por isso escutam e Palavra de Deus, dando atenção aos movimentos interiores do coração, é o que chamamos de meditação (CIC 2705); outros, em fim, procuram um encontro íntimo e mais profundo com o Senhor, cultivando o silêncio interior do coração, é o que chamamos de contemplação (CIC 2709).

Em cada orante há sentimentos de adoração, de agradecimento, de louvor, de súplica e de arrependimento; há pedidos de misericórdia, apelos para a fraternidade e esperança dum mundo de bondade, de justiça e de paz.

A oração é uma necessidade vital. Como o nosso corpo precisa de alimento para viver, assim é também para a nossa alma. A oração é o respiro da alma, se não respiramos, morremos. Não é Deus que precisa da nossa oração, somos nós que precisamos de Deus para viver. Quando oramos, alimentamos a nossa alma. A oração liberta-nos da escravidão do mundo e do pecado. Quando não oramos, nos afastamos de Deus e recaímos na escravidão do pecado. Como pode o Espírito Santo ser a “nossa vida” se o nosso coração estiver longe d’Ele. A oração é o alimento da vida cristã, torna possível o impossível, fácil o que é difícil, mantém viva e graça de Deus em nós (cf. CIC 2744).

Amar Jesus é confiar n’Ele

Domingo, Junho 14th, 2020

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23) É pelo amor que Jesus se aproxima de nós e é pelo amor que nós nos aproximamos d’Ele. É pelo amor que Deus vem habitar em nós. A oração é amor.

Devemos amar Jesus porque Ele é o Filho de Deus: “Por Ele tudo começou a existir e sem Ele nada veio a existência”, porque “Ele é a vida e luz dos Homens” (Jo 1, 3-4), por Ele fomos criados “a Sua própria imagem e semelhança” (Gn 3,13).

Devemos amar Jesus porque Ele é o Salvador, porque o Pai o enviou ao mundo e Ele se entregou por nós “a fim de que ninguém se perca mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16); porque Ele nos amou quando quando ainda éramos pecadores e muitos mais nos ama agora que acreditamos Nele (Cf. Rom 5, 6-11).

Devemos amá-lo porque “deu-nos o “poder de nos tornarmos filhos de Deus” (Jo 1,12): “Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, ao ponto de nos podermos chamar filhos de Deus” (1Jo 3, 1).

Devemos amar Jesus com sentimentos de imensa gratidão por tudo o que Ele fez por nós e pela Sua infinita paciência porque não nos castiga segundo as nossas culpas, mas se compadece e perdoa. Se Ele tivesse sido menos bom e mais severo para connosco, talvez, teríamos pecado muito menos!…

No entanto continuamos a pecar e, mesmo depois de anos e anos, caímos sempre nos mesmos pecados. É uma constatação que nos revela a nossa grande fragilidade, mas não devemos desanimar! Os santos também eram como nós, limitados, frágeis e pecadores como nós. São santos, não porque deixaram de pecar, mas porque nunca desistiram na luta contra o mal; porque a consciência dos seus pecados tornava-os mais humildes e, arrependidos e confiantes, voltavam ao Senhor que os sustentava com o Seu Amor Divino. Os santos são pecadores que não desistem.

Nós também somos pecadores, experimentamos continuamente as nossas fraquezas, mas, seguindo o exemplo dos santos, não devemos desistir. Se depois do pecado voltamos a Deus com sincero arrependimento, com o propósito de nos emendarmos, Ele sempre nos acolhe e nos perdoa. A experiência da nossa fraqueza torna-nos mais humildes, fortalece a vontade e faz crescer em nós o amor de Deus. Desta forma, também os nossos pecados nos aproximam de Deus. Muitas vezes, Ele permite que pequemos, a fim de termos uma maior consciência da nossa fraqueza e da Sua infinita bondade.

Dizia São Pio de Pietralcina: “Quando sentimos dilaceradas as fibras mais duras do nosso coração, a ponto de chorarmos lágrimas de arrependimento e de amor, o próprio pecado, meu filho, transforma-se num verdadeiro degrau que mais nos aproxima ao Senhor; que fortalece a nossa vontade no caminho do bem, deste forma, também o pecado nos conduz a Deus”.
 
É importante não desistir: “colocar a nossa vida nas mãos de Deus” é uma aprendizagem continua que nos ajuda a crescer. Os santos eram pessoas frágeis como nós, mas confiaram em Deus e venceram. Deus que nos conhece profundamente e que nos ama serve-se das nossas misérias para nos ajudar a crescer no Seu Amor. Ele ama-nos, não desiste! As nossas misérias, as nossas quedas e pecados não conseguem mudar o Coração do Pai, o Seu Amor é incondicional. É Ele que conduz à nossa vida!   
 
Se confiarmos em Deus, as nossas preocupações perdem a sua intensidade e crescemos no Amor de Deus. Damos menos importância ao nosso “eu” e começamos a ver os outros com olhos diferentes. Com mais facilidade os aceitamos e amamos, dissolvendo qualquer sentimentos de ódio, de intolerância, todas as mágoas e reclamações.   
A confiança em Deus torna-nos mais tolerantes para com os outros, porque Deus é tolerante para connosco. Ele nos ama e nunca deixa de nos amar por causa dos nossos erros. Ninguém é perfeito, mas Deus ama-nos. O Seu amor transforma a nossa vida e nos ajuda a aceitar os outros como são, faz-nos crescer, viver em paz com todos e perseverar no caminho da santidade.