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Curados de que

Terça-feira, Janeiro 2nd, 2018

Curados de que? De todas as doenças.

Existem doenças das quais não temos nenhuma culpa: limitações físicas congénitas ou adquiridas, mau funcionamentos de um ou mais órgãos do nosso corpo, taras hereditárias, traumas de infância ou até do ceio materno, doença devidas às circunstancias da vida, trabalho, alimentação … Outras doenças foram provocadas e somos culpados: dependência do álcool, da droga, fumo, excesso de comida, sexualidade desordenada. Outras doenças são enraizadas ao nível inconsciente e incidem na nossa vida física: medos de vário género, perturbações devidos a relacionamentos conflituosos, pai autoritário, mãe possessiva, complexos de culpa, agressividade, insegurança, falta de auto-estima, falta de aceitação positiva de si mesmos e dos outros, medo e falta de coragem de enfrentar a vida, falta de perdão, rancores, ressentimentos, tristeza, angustia.

Querer ficar curados.

  • Há uma dimensão importante que vem da psicologia. Há pessoas que vivem apegados a sua própria doença. É possível que uma pessoa encontre na sua doença uma espécie de refúgio para fugir à realidade e atrair a compaixão dos outros. Assim, se torna incapaz de conceber a sua vida de outra forma e renunciar à comiseração dos outros.

  • Jesus perguntou ao paralítico da piscina de Betsatá: «Queres ficar curado?», uma pergunta aparentemente estranha, mas não está tão fora da realidade.

A Palavra de Deus cura

«E nem a erva nem pomada serviu de alivio, mas a Tua Palavra, Senhor, que tudo cura» (Sl 16,12)

Podemos pedir ao Senhor.

Não podemos exigir que Deus nos cure, mas podemos pedir-lhe, com humildade e insistência que nos cure, como fez aquela mulher siro-fenicia (Mc 7,24), o cego de Betsaida (Mc 8,22-26) ou epiléptico possuído por um espírito mudo (Mc 9,14-29).

O carisma da cura na Igreja

Terça-feira, Janeiro 2nd, 2018

Curai os Enfermos

  • “Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes o poder de expulsar os espíritos malignos e curar todas as enfermidades e doenças … Pelo caminho, proclamai que o Reino de Deus está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça.” (Mt 10,1-9)

  • A cura dos enfermos e a expulsão dos demónios são os sinais que acompanham o anuncio do Evangelho, isto é são a confirmação da autenticidade do anuncio da Palavra: “Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com sinais que a acompanhavam” (Mc 16,20)

  • O Padre Emiliano Tardif afirma que não podemos dissociar o ministério da cura do contexto que lhe é próprio: o Anúncio do Evangelho. As duas coisas estão sempre ligadas. Os milagres e as curas se multiplicam quando anunciamos Jesus. Um dia lhe perguntaram: “Padre, está seguro de que tem o dom de curar?”. Ele respondeu: “estou seguro de que a minha missão é evangelizar, os sinais e as curas acompanham a pregação” (p. 109)

  • Jesus é o Médico Divino e tem poder de curar a toda a gente de qualquer doença. Até cura pessoas que nem sequer têm fé. Contudo a fé é um elemento importantíssimo que favorece a Accão de Deus.

  • Uma fé viva, expectante. É pela fé que entramos em comunhão com Deus e participamos da Sua Salvação, incluindo a cura, interior e física. Ter fé é confiar em Jesus, entregar a Ele a nossa vida, renunciar aos nossos planos e meios de salvação. Há pessoas que procuram a cura e não ao Senhor. Ter fé é confiar em Jesus, dizemos, uma fé expectante, uma confiança tal de que Ele vai com certeza cumprir Sua promessa e que quer curar-nos e libertar-nos.

A Assembleia orante: o lugar da cura

Ao longo dos séculos, este dom das curas foi cada vez relacionado à santidade: pessoas ou lugares santos. Esta relação é compreensível, de facto as curas acontecem com mais força onde a caridade é mais viva, contudo esta ligação entre curas e santidade não é exclusiva. De facto, o Espírito Santo «distribui todos estes dons como lhe apraz», em vista do crescimento da comunidade (1Cor 12,11). Os carismas são expressão da Misericórdia divina.

  • Santo Afonso Maria de Ligório dizia que «nenhum pecador se converte sem ter feito uma profunda experiencia do Amor divino». Jesus é o Médico divino que dá vida em abundância.

  • Jesus está particularmente presente na comunidade reunida em oração, pois «onde dois ou mais estão reunidos em seu nome, Ele também está presente». A comunidade reunida em oração, que louva e agradece, cheia de fé é o lugar privilegiado onde Jesus actua com poder. Era assim na igreja primitiva.

  • A comunidade orante sentia-se tão envolvida, impregnada pela presença do Espírito Santo (1Cor 14,26), que cada um exercia o seu carisma, inclusive o da cura. Aos pouco, com o arrefecer desta expressão comunitária de fé expectante, veio a faltar o seu ambiente natural.

Institucionalização do carisma

  • A expansão do cristianismo deve-se em grande parte e justamente à sua preocupação com a saúde dos corpos, além de salvar as almas. Jesus foi e continua a ser o Médico divino da carne e do espírito.

  • A ordem de Cristo «curai os enfermos» nunca foi esquecida. Ao longo dos séculos, os cristãos criaram todas as espécies de instituições de beneficência para aliviar os sofrimentos dos doentes: hospitais, leprosarias, até surgiram movimentos e congregações religiosas dedicados a este serviço. Podemos dizer que o carisma da cura foi “institucionalizado”.

  • A Igreja nunca desprezou os meios naturais: os médicos e os medicamentos. Como também nunca deixou de recorrer a oração, a fé viva, pedindo a Deus a cura, sendo esgotados os meios humanos. O que sempre excluiu foi o recurso ao ocultismo, sendo um pecado de idolatria, de falta de fé e de amor a Deus.

Renovada consciência do carisma especifico

Aos nossos tempos, o Estado garante a assistência médica, mas a Igreja não renuncia ao poder que lhe foi dado por Cristo: «de curar toda a espécie de doenças e enfermidades».

  • Mesmo pondo a esperança na ciência, a Igreja continua a orar pela cura dos doentes, a valorizá-los como membros activos do Corpo Místico de Cristo, se renunciasse ao poder de cura da oração, dos sacramentos e dos Sacramentais, não seria fiel à sua missão, seria um pecado grave de omissão.

Com Concilio Vaticano II, assistimos na Igreja uma renovada consciência deste poder: o Sacramento dos Enfermos deixou de ser administrado aos moribundos, e voltou a ser concedidos aos doentes para serem curados. Além disso, o Renovamento Carismático e outros movimentos religiosos descobriram a beleza do oração de cura e libertação.