Anjos e demónios

28 de Janeiro de 2009 0 Por Pe Leo Orlando

O Catecismo da Igreja Católica, ao nº 325 diz que Deus é o o Criador do céu e da terra, de todas as coisas, visíveis e invisíveis, tal como professamos no Credo. Os anjos são criaturas espirituais, não corporais (328), que habitam no “céu” (326). A existência de seres espirituais, que a Sagrada Escritura, chama de anjos, é uma verdade de fé (328). Os-anjos-no-catecismo-da-igreja-catolica

A Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos, se associa aos anjos para adorar a Deus três vezes santo, invoca a assistência deles (334) e na liturgia celebra particularmente a memória dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, juntamente com os Anjos da Guarda (335). Afirma que cada fiel tem ao seu lado um anjos protector, que o conduz na terra até alcançar a vida eterna (336). No blogue, http://sites.google.com/site/inicteol/biblia, encontrei uma breve apresentação pps cateq 07-deus-criou-os-anjos

Os anjos foram criados bons, no entanto, uma parte deles se rebelaram contra Deus e se tornaram maus, Satanás e outros demónios (391). A Escritura fala dum pecado destes anjos, porque quiseram ser iguais a Deus e recusaram a Deus e ao Seu Reino. O diabo é pecador desde o princípio (1Jo 3,8) e pai da mentira (Jo 8,44). O Apóstolo Pedro afirma: «Com efeito, Deus não poupou os anjos que pecaram mas, precipitando-os no Inferno, entregou-os a um fosso de trevas, onde estão reservados para o Juízo» (2Pt 2,4). Esta opção dos anjos caídos é irrevogável: «Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte». (393)

A vinda de Jesus ao mundo tem como objectivo, assim como o afirma São João: «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus» (1Jo 3,8). Jesus veio para destruir o poder de Satanás, de facto, este por quanto poderoso possa ser, seu poder não é infinito, é uma simples criatura, incapaz de impedir a edificação do Reino de Deus (394-395).

Na oração do Pai Nosso, as palavras «livrai-nos do mal», no seu significado original é «livrai-nos do maligno» (2850-2854). A vitória sobre o «príncipe deste mundo» (Jo 14,30) foi alcançada de uma vez para sempre com a morte de Jesus na cruz, nesse momento o «príncipe deste mundo» foi julgado e «lançado fora» (Jo 12,31). Poderás aprofundar, lendo o seguinte artigo do Prof. Filipe Aquino, clica aqui

O Catecismo da Igreja Católica fala diversas vezes do demónio. A sua intenção é apresentar a doutrina da Bíblia e da tradição, sem entrar nunca em qualquer tipo de especulação teológica. Convido as pessoas interessadas a consultar o índice analítico do Catecismo da Igreja Católica, na voz «Demónio/Diabo» a pag. 783, da edição portuguesa, da Gráfica de Coimbra.

A fé é celebrada na liturgia. No rito do Sacramento do Baptismo, o sacerdote pronuncia uma breve oração de exorcismo: «Deus todo-poderoso e eterno, que enviastes ao mundo o vosso Filho para expulsar de nós o poder de Satanás, espírito do mal, e transferir o homem, arrebatado às trevas, para o reino admirável da vossa luz, humildemente vos pedimos que esta criança, libertada da mancha original, se torne morada do Espírito Santo e templo da vossa glória». Nesta oração, breve e claramente é afirmado que o Pai enviou Seu Filho ao mundo para expulsar de nós o poder de Satanás e transferir-nos no Reino de Deus, tornando-nos morada do Espírito Santo. Mais, antes do rito da água, há uma oração de renúncia nestes termos: «Renunciais a Satanás, e a todas as suas obras, e a todas as suas seduções» Há também uma segunda formulação, que é a seguinte: «Renunciais a Satanás, que é o autor do mal e pai da mentira?». Devemos portanto concluir que a Igreja acredita na existência de Satanás, como sendo um ser angélico, pessoal, e não simbólico, e não pode ser reduzido simplesmente ao egoísmo, orgulho, inclinação para o mal existente no ser humano. Com este propósito, estimado amigo visitante, poderás ler o seguinte artigo de Filipe Coelho: A-heresia-da-negaçao-do-demonio

Poderão encontrar um bom aprofundamento no seguinte livro: José António Sayes, O demónio, realidade ou mito?, Paulus, 1999, pp. 185. Este autor, com simplicidade e sabedoria, apresenta a doutrina do Antigo e do Novo Testamento, a doutrina dos Padres da Igreja e do Magistério da Igreja até ao Concílio Vaticano II. Fala também das intervenções do Papa Paulo VI e de João Paulo II. Falando da liturgia, apresenta o pequeno exorcismo que existe no novo ritual do Baptismo (1972); fala depois do Novo Missal e do testemunho de alguns santos. Fala, enfim, da actividade ordinária e extraordinária do demónio e do exorcismo.

No ano 2000 foi publicado o novo ritual romano da Celebração dos exorcismos. Poderás encontrar aqui a introdução do mesmo ritual e ficar mais esclarecidos sobre a doutrina da Igreja. Introduçao-ritual-exorcismos