Os Novíssimos

«Em todas as tuas obras, lembra-te do teu fim, e jamais haverás de pecar.» (Sir 7,36) O sábio Bem Sirá ensina a fazer o bem durante a vida terrena e meditar sobre a brevidade da vida terrena: «Em todas as tuas obras, lembra-te do teu fim e jamais haverás de pecar» (Sir 7,36). Podemos traduzi-la de forma atualizada: «Em todas as tuas obras, lembra-te dos novíssimos e deixarás de pecar».

A Igreja intercede continuamente pelas almas do Purgatório e dedica o mês Novembro as almas purgantes. O Catecismo da Igreja Católica assinala que o purgatório é uma «purificação final que devem fazer para chegar ao céu todos os que “morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna» (CIC 1030). As almas que estão no Purgatório se purificam, com a ajuda dos nossos sufrágios, na feliz esperança de participar das alegrias eternas do Paraíso.

Os quatro «Novíssimos» são os seguintes: morte, juízo, Inferno e Paraíso. As almas do Purgatório são destinadas ao Paraíso, embora precisam de se purificar. Ninguém poderá evitar esta realidade ao fim da sua vida terrena, pois, é para todos os seres humanos. Enfrentar a morte, suportar o juízo, ser precipitados no abismo do Inferno ou ser elevados à felicidade eterna do Céu representam a realidade final da nossa vida terrena. Deixar este mundo e entrar eternidade, isto é, deixar o que é transeunte e passar à vida definitiva, significa entrar na eternidade do Inferno ou na eternidade do Paraíso.

Vamos ler os números 1021-1022 do Catecismo da Igreja Católica:
1021. A morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo (Cf. 2 Tm 1, 9-10). O Novo Testamento fala do juízo, principalmente na perspetiva do encontro final com Cristo na sua segunda vinda. Mas também afirma, reiteradamente, a retribuição imediata depois da morte de cada qual, em função das suas obras e da sua fé. A parábola do pobre Lázaro (Cf. Lc 16, 22.) e a palavra de Cristo crucificado ao bom ladrão (Cf. Lc 23, 43), assim como outros textos do Novo Testamento (Cf. 2 Cor 5, 5: Fl 1, 23; Heb 9, 27: 12, 23), falam dum destino final da alma (Cf. Mt 16, 26), o qual pode ser diferente para umas e para outras.

1022. Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação (Concílio de Trento, Decretum de purgatorio: DS 1820.), quer para entrar imediatamente na felicidade do céu (612), quer para se condenar imediatamente para sempre (613).

Ninguém pode evitar a escolha fundamental entre salvação ou perdição eterna, como também, ninguém pode ser substituído, nesta escolha final, a mais decisiva de todas as escolhas humanas. Tal escolha é feita ao longo da vida terrena. «Quem vive bem, morre bem, quem vive mal, morre mal» diz a sabedoria popular. Quem escolhe viver bem, segundo a Vontade de Deus, caminha para o Paraíso, mesmo se precisar um tempo de purificação no Purgatório. Quem não faz uma escolha decidida para entrar no Paraíso, é sinal que quer arriscar a eternidade do Inferno.

«A duração da nossa vida poderá ser de setenta anos e, para os mais fortes, de oitenta; mas a maior parte deles é trabalho e miséria, passam depressa e nós partimos. Mesmo temendo-te e respeitando-te (Senhor), quem poderá compreender a tua ira e indignação? Ensina-nos a contar assim os nossos dias, para podermos chegar ao coração da sabedoria» (Salmo 90, 10-12)

Os Novíssimos são e esperança dos justos. Só metem medo aos injustos, aos que vivem uma vida «morna», «medíocre», acumulando o peso de muitas culpas, as quias, podem ser espiadas no Purgatório, mas também, precipitar no Inferno.

O justo sabe que a vida é breve, «sessenta anos ou oitenta para os mais robustos, mas passam depressa e nós partimos», mas pede ao Senhor «ensina-me a contar os meus dias e chegar à sabedoria do coração». O cristão que quer deixar este mundo para ir ao encontro do Senhor, procura fazer o bem, segundo a Vontade de Deus. Ele bem sabe que é peregrino neste mundo, e que está a preparar-se para a felicidade eterna do Céu.

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