Vigiai e orai

Jesus disse: «Vigiai e orai, para não cairdes na tentação. O espírito está pronto, mas a carne é débil.» (Mt 26,41)

Jesus insiste sobre a vigilância. É necessário vigiar porque não sabemos o dia e a hora da Sua vinda, no último dia e em cada dia: o «hoje» da salvação. O Esposo pode chegar no meio da noite, mas não se deve extinguir a luz da fé: «Diz-me o coração: “Procura a sua face”» (Sl 27, 8). (CIC 2730)

A tentação mais comum, mais oculta, é nossa falta de fé, que se exprime não tanto por uma incredulidade declarada quanto por uma opção de fato. Quando começamos a orar, mil trabalhos ou cuidados, julgados urgentes, se apresentam à nossa atenção como prioritários; de novo, é o momento da verdade do coração e de seu amor preferencial. De facto, voltamo-nos para o Senhor como o último recurso: mas será que acreditamos Nele? As vezes tomamos o Senhor como aliado, mas o nosso coração ainda está na presunção. Em todos os casos, a nossa falta de fé (confiança) revela que ainda não temos a disposição interior do coração humilde: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). (CIC 2732)

Outra tentação que abre a porta à presunção, é a acídia (chamada também “preguiça”). Os Padres espirituais entendem esta palavra como uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração. Jesus disse: “O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41). É preciso vigiar e orar, pois quanto mais alto se sobe, tanto maior será a queda.

Outra tentação é “o desânimo doloroso” que é o inverso da presunção. É preciso pedir ao Senhor um coração humilde, porque os humildes não se surpreendem com sua miséria. A humildade não leva ao desânimo, mas a ter mais confiança em Deus e a perseverar constantemente. (cf. CIC 2733)

A oração faz parte da vigilância, pressupõe sempre um esforço e uma luta constante contra nós mesmos e contra as ciladas do Tentador. O combate da oração é inseparável do «combate espiritual» necessário para agir habitualmente segundo o Espírito de Cristo: ora-se como se vive, porque se vive como se ora. (CIC 2752)

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