A ORAÇÃO DE ESCUTA INTERIOR – A MEDITAÇÃO

O Catecismo da Igreja Católica (2705) diz que “A meditação é sobretudo uma reflexão em vista de compreender melhor “porquê sou cristão” e “como posso viver a minha vida cristã”. Muitas pessoas dizem que têm dúvidas, mas estas dúvidas nos impelem a procurar a verdade e aprofundar as motivações da nossa fé e como podemos aderir ao Senhor.

Pela oração vocal apreendemos a orar, entramos no caminho da oração e por ela perseveramos neste caminho. Uma das maiores dificuldades da oração vocal são as distrações, mas também elas nos ajudam a orar quando as entregamos ao Senhor e pedimos que nos ajude. Podemos vencé-las praticando mais a oração espontânea, isto é, orar com dita o coração. Podemos vence-las, rezando as fórmulas mais devagar, pausadamente, dando atenção ao que dizemos. De vez em quando é bom reflectir sobre as fórmulas que usamos na oração, particularmente, ao Pai Nosso e à Ave Maria. As fórmula que apreendemos na Igreja, contêm um significado que precisamos de conhecer e aprofundar. O Senhor Jesus ensinou que a oração é amor, é confiança filial, não pode ser reduzida “a uma vã repetição de palavras”. Amar é dar atenção a Deus e às palavras que Lhe dirigimos.

Com a meditação nasce o cristão autêntico, porque escutamos a voz de Deus que fala no íntimo da nossa consciência. Ele nos fala pela Bíblia e de muitas outras formas, mas é no intimo do coração que a Sua palavra ecoa e transforma a nossa vida.

Meditar é dar atenção aos nossos pensamentos, as nossas lembranças, desejos e aspirações e discernir a voz de Deus que nos fala a partir do coração. Somos templos de Deus, pelo Espírito Santo que habita em nós, por isso, meditar é dar atenção a Deus que nos fala a partir do coração. É neste lugar íntimo que descobrimos a vontade de Deus e lhe podemos responder com amor. A oração que mais define a meditação é a seguinte: “Senhor, o que queres de mim, o que queres que eu faça?”

Para meditar é preciso ser pessoas humildes que confiam no Senhor, porque Deus se revela aos humildes. Só os humildes são capazes de dar atenção aos movimentos interiores que agitam o coração compreende-los à luz da fé. Meditar é estabelecer a verdade dentro de nós para chegar a pedir: “Senhor, que quereis que eu faça?” (cfr. CIC 2706).

A meditação é um trabalho de discernimento interior. Quando nos recolhemos, podemos escutar os nossos pensamentos, as imaginações, as emoções e os desejos do nosso coração para ver onde está o nosso tesouro. Meditação é um trabalho interior a fim de aprofundar as convicções da nossa fé, suscitar a conversão do coração e fortalecer a vontade de seguir a Cristo (cfr. CIC 2708).

A meditação é uma oração silenciosa de ESCUTA, onde escutamos a nós mesmos e escutamos a Deus que nos fala, a exemplo de Maria, que guarda a Palavra de Deus e a meditava em seu coração. A oração de meditação tem com certeza um grande valor, mas a oração cristã deve chegar mais longe: até ao conhecimento amoroso do Senhor Jesus, até à união com Ele, o que chamamos de contemplação.

A página do Evangelho que nos fala desta forma de oração é a do encontro de Jesus com Marta e Maria na casa de Betânia. Marta trabalhava, enquanto Maria ficava em silêncio aos pés de Jesus e escutava a Sua palavra. Jesus, com certeza apreciava o trabalho de Marta, mas louvou o silêncio de Maria (Lc 11, 38-42). Com certeza, que Maria, depois de ter escutado Jesus, se levantou e começou a trabalhar, mas não é um trabalhar frenético, é trabalhar com amor e paz. Por isso, Deus não despreciou o trabalho de Marta, no entanto disse que maria escolheu “a melhor parte” porque escutou o que Jesus tinha para lhe dizer.

– A oração cristã dedica-se, de preferência, a meditar nos «mistérios de Cristo», como acontece no Rosário. Podemos meditar na Palavra de Deus, como acontece na “Lectio Divina”, que é uma reflexão orante da Palavra de Deus.

Existem diversos métodos de meditação, mas nenhum deles é obrigatório, são guias que nos podem ajudar, importante é cultivar o habito de meditar e procurar o recolhimento interior, deixar-se conduzir pelo Espírito Santo, o Mestre interior da oração (cf. 2707)

Também esta forma de oração é para todos, porque todos precisamos de que Deus que nos manifeste Sua vontade. Muitas pessoas preferem ficar nos meandros da primeira etapa, a oração vocal, mais fácil e cómoda. Ficam por aí, talvez, porque ninguém lhes ensinou que é possível avançar, ir além.

A meditação exige uma certa concentração mas leva directamente ao cume do monte. Nela é o coração que reza e o verdadeiro protagonista é Deus. (Padre Leo)

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