A Oração vocal

A oração é caminho, é amizade com Deus, uma amizade que se torna cada vez mais profunda. É orando que apreendemos a orar. Jesus também apreendeu a orar e crescia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. Assim também nós crescemos, é caminhando que se abre o caminho.

A Igreja, recolhendo a experiência comum de todos os cristãos, apresenta três forma de oração, isto é, três maneiras diferentes de se relacionar com Deus: a primeira etapa é a oração vocal (CIC 2700); a segunda etapa é a meditação (CIC 2705); a terceira etapa é a contemplação (CIC 2709).

1. A ORAÇÃO VOCÁLICA (CIC 2700-2704)
Deus fala-nos pela Sua Palavra e pelos acontecimentos da vida. Quando escutamos a Palavra de Deus é Deus que fala connosco, quando oramos somos nós que falamos com Deus. Ele fala também pelos acontecimento da vida, por exemplo, este tempo de pandemia pode ser interpretado com uma Palavra de Deus a qual somos chamados a responder. Nós respondemos pela oração.

A primeira forma de oração, comum a todos os cristãos, é a oração vocal. Por esta forma de oração é que apreendemos a orar. Podemos orar lendo algumas orações, que podem ser rezadas mentalmente ou pronunciadas a voz baixa ou em alta voz. O que é importante é dar atenção a Deus, Àquele com quem falamos, como também dar atenção às palavras que Lhe dirigimos.

Jesus ensinou a orar com sinceridade, com o coração: Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza a teu Pai no segredo, pois Ele, que vê o oculto, recompensar-te-á. Nas vossas orações não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que é por muito falarem que serão atendidos. Não façais como eles porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós Lho pedirdes» Rezai pois assim: «Pai nosso…» (Mt 6,9-13).

A verdadeira oração não depende da quantidade de palavras, mas do fervor das nossas almas. Deus procura adoradores em “espírito e verdade”, isto é, pessoas que oram com sinceridade, a partir do coração. Uma oração distraída, que não dá atenção a Deus nem ás palavras que lhes são dirigidas, não é verdadeira oração.

Jesus orou a voz alta, como por exemplo na grande oração sacerdotal da Última Ceia, a oração no Jardim das Oliveiras e no alto da cruz e em muitos outros momentos da Sua vida. Jesus ensinou a orar sobretudo com o Seu exemplo. Um dia Jesus estava recolhido em oração. Os discípulos respeitaram o recolhimento do Mestre, mas quando acabou de orar lhe pediram “ensina-nos a orar”. Nesta altura, Jesus podia ter respondido: “falem com Deus, abram o vosso coração a Ele” mas não, Ele ensinou uma oração vocal: o Pai Nosso.

A oração vocal era importante para Jesus como também é importante para nós, é a oração das multidões. É rezando as orações mais conhecidas, como o Pai Nosso, a Ave Maria, o Glória, o Anjo da Guarda que oramos e apreendemos a orar.

Jesus, rezou como os salmos. O Livro dos Salmos que se encontra na Bíblia encontramos 150 orações que ainda hoje são rezadas pelo povo de Israel e pela Igreja. Há pessoas e grupos que oram rezando e meditando um Salmo. Há pessoas e grupos que oram rezando o Terço Mariano ou o Terço da Misericordia, entre outros. A oração vocal é muito importante e nunca a devemos deixar porque por ela entramos na oração mais profunda, a meditação e a contemplação. Temos que perseverar na oração vocal, sozinhos ou em grupo, mas sempre com o coração, dando atenção a Deus e às palavras que lhe dirigimos.

É pela oração vocal que aprendemos a orar. Muitas pessoas têm um livrinho de orações e todos os dias oram lendo baixinho ou a voz alta, algumas orações. É um método simples e eficaz. Outras procuram um encontro com Deus na meditação, mas nunca deixam a oração vocal, muito pelo contrário, a ela recorrem, sobretudo nos momentos de aridez. Por exemplo, Santa Teresa do Menino Jesus dizia que nos períodos de aridez recorria à oração vocal: “Algumas vezes, quando o meu espírito se encontra numa aridez tal que não me é possível tirar um só pensamento para me unir a Deus, rezo, devagar, um “Pai nosso” e depois o “Angelus”; estas orações prendem-me, nutrem a minha alma, mais ainda do que rezadas uma centena de vezes”. Rezar devagar uma fórmula, meditando nas palavras que dirigimos a Deus, nos ajuda a evitar as distrações e é uma forma valiosa de oração. Por ela elevamos o nosso espírito a Deus e crescemos na intimidade filial.

É com o coração que devemos rezar. A oração é Amor. A oração pode ser silenciosa, mas com o canto dos nossos lábios, torna-a ainda melhor. Por isso, nunca devemos ter pressa e abandonar a oração vocal. A língua serve para louvar o Senhor. Dizia a tal propósito um famoso autor: “Oração quotidiana, oração da fidelidade e da segurança, oração do serviço desinteressado e sem recompensa, a tua maneira de proceder, por vezes aparece cansada, contudo avanças. Por vezes parece que só os lábios rezem e não o coração. Mas é melhor que, pelo menos, os lábios rezem, do que o homem fique calado totalmente”.

As palavras de uma fórmula, como por exemplo o Pai Nosso, a Ave Maria, o Acto de Contrição, os Salmos … dizem os sentimentos da nossa alma, ou simplesmente, a atitude que desejamos assumir. Por isso, as fórmulas nos introduzem ao diálogo com Deus: ajudam-nos a pedir perdão, a pedir ajuda, a louvar e a agradecer o Senhor. As fórmulas, se rezadas com atenção, conduzem a uma oração segura e espontânea.

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