Amar Jesus é confiar n’Ele

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23) É pelo amor que Jesus se aproxima de nós e é pelo amor que nós nos aproximamos d’Ele. É pelo amor que Deus vem habitar em nós. A oração é amor.

Devemos amar Jesus porque Ele é o Filho de Deus: “Por Ele tudo começou a existir e sem Ele nada veio a existência”, porque “Ele é a vida e luz dos Homens” (Jo 1, 3-4), por Ele fomos criados “a Sua própria imagem e semelhança” (Gn 3,13).

Devemos amar Jesus porque Ele é o Salvador, porque o Pai o enviou ao mundo e Ele se entregou por nós “a fim de que ninguém se perca mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16); porque Ele nos amou quando quando ainda éramos pecadores e muitos mais nos ama agora que acreditamos Nele (Cf. Rom 5, 6-11).

Devemos amá-lo porque “deu-nos o “poder de nos tornarmos filhos de Deus” (Jo 1,12): “Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, ao ponto de nos podermos chamar filhos de Deus” (1Jo 3, 1).

Devemos amar Jesus com sentimentos de imensa gratidão por tudo o que Ele fez por nós e pela Sua infinita paciência porque não nos castiga segundo as nossas culpas, mas se compadece e perdoa. Se Ele tivesse sido menos bom e mais severo para connosco, talvez, teríamos pecado muito menos!…

No entanto continuamos a pecar e, mesmo depois de anos e anos, caímos sempre nos mesmos pecados. É uma constatação que nos revela a nossa grande fragilidade, mas não devemos desanimar! Os santos também eram como nós, limitados, frágeis e pecadores como nós. São santos, não porque deixaram de pecar, mas porque nunca desistiram na luta contra o mal; porque a consciência dos seus pecados tornava-os mais humildes e, arrependidos e confiantes, voltavam ao Senhor que os sustentava com o Seu Amor Divino. Os santos são pecadores que não desistem.

Nós também somos pecadores, experimentamos continuamente as nossas fraquezas, mas, seguindo o exemplo dos santos, não devemos desistir. Se depois do pecado voltamos a Deus com sincero arrependimento, com o propósito de nos emendarmos, Ele sempre nos acolhe e nos perdoa. A experiência da nossa fraqueza torna-nos mais humildes, fortalece a vontade e faz crescer em nós o amor de Deus. Desta forma, também os nossos pecados nos aproximam de Deus. Muitas vezes, Ele permite que pequemos, a fim de termos uma maior consciência da nossa fraqueza e da Sua infinita bondade.

Dizia São Pio de Pietralcina: “Quando sentimos dilaceradas as fibras mais duras do nosso coração, a ponto de chorarmos lágrimas de arrependimento e de amor, o próprio pecado, meu filho, transforma-se num verdadeiro degrau que mais nos aproxima ao Senhor; que fortalece a nossa vontade no caminho do bem, deste forma, também o pecado nos conduz a Deus”.
 
É importante não desistir: “colocar a nossa vida nas mãos de Deus” é uma aprendizagem continua que nos ajuda a crescer. Os santos eram pessoas frágeis como nós, mas confiaram em Deus e venceram. Deus que nos conhece profundamente e que nos ama serve-se das nossas misérias para nos ajudar a crescer no Seu Amor. Ele ama-nos, não desiste! As nossas misérias, as nossas quedas e pecados não conseguem mudar o Coração do Pai, o Seu Amor é incondicional. É Ele que conduz à nossa vida!   
 
Se confiarmos em Deus, as nossas preocupações perdem a sua intensidade e crescemos no Amor de Deus. Damos menos importância ao nosso “eu” e começamos a ver os outros com olhos diferentes. Com mais facilidade os aceitamos e amamos, dissolvendo qualquer sentimentos de ódio, de intolerância, todas as mágoas e reclamações.   
A confiança em Deus torna-nos mais tolerantes para com os outros, porque Deus é tolerante para connosco. Ele nos ama e nunca deixa de nos amar por causa dos nossos erros. Ninguém é perfeito, mas Deus ama-nos. O Seu amor transforma a nossa vida e nos ajuda a aceitar os outros como são, faz-nos crescer, viver em paz com todos e perseverar no caminho da santidade.

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