A confiança filial

O Catecismo da Igreja da Católica (CIC) ao n. 2734, fala da confiança filial que devemos ter na oração, uma confiança cheia de amor, porque, em Jesus, somos Seus filhos.

“O Pai tanto amou o mundo que enviou o Seu Filho Unigénito para que todos aqueles que acreditam Nele não se percam, mas tenham a vida eterna (Jo 3, 13). O Pai enviou o Seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida” (1ªJo 4,9) e nos tornemos Seus filhos: “Vede como é grande o amor que o Pai nos concedeu, ao nos podermos chamar filhos de Deus, o que de fato somos! Caríssimos, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois o veremos como ele é” (1ª Jo 3,1.2)
– A confiança é uma abertura de coração que só é dada a quem a merece. Assim a “confiança filial” é posta à prova – e prova-se a si mesma – nos momentos de tribulação (CIC 2734). A confiança filial é posta à prova pelas tribulações da vida.

O Apóstolo São Paulo diz que é pela fé que alcançamos a salvação e a paz. Neste mundo passamos por muitas tribulações, mas não desfalecemos, estamos firmes na nossa fé, até nos gloriamos nas tribulações tendo a esperança da esperança da glória de Deus, porque a tribulação produz perseverança e a perseverança fortalece o nosso caracter. A esperança que temos em Jesus não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que Ele nos concedeu (cf. Rom 5, 1-5)

O CIC afirma que a principal dificuldade da oração aparece quando pedimos alguma coisa a Deus por nós ou pelos outros e temos a impressão de não sermos atendidos. Por este motivo, muitas pessoas abandonam a oração. E continua: aqui, duas questões se põem: Por que é que pensamos que o nosso pedido não é atendido? E como é que a nossa oração é atendida, e «eficaz»?
– É interessante notar que quando louvamos o Senhor ou Lhe agradecemos não nos preocupamos em saber se nossa oração Lhe foi agradável, mas quando Lhe pedimos alguma coisa, queremos ver rapidamente os resultados (Cf. CIC, 2735).
– Santo Agostinho, dava o seguinte conselho: “Não te aflija se não recebes imediatamente de Deus, o que lhe pedes: é que Ele quer beneficiar-te com um bem ainda maior, em permanecer com Ele na oração. Ele não atende logo o teu pedido porque quer criar um espaço maior em teu coração, de forma que tu estejas preparado a receber o que Ele te quer dar” (nota 26)

2743. Orar é sempre possível. O tempo para nós, os cristão é tempo de graça, é tempo oportuno que que podemos fazer o bem, é o tempo de Cristo Ressuscitado, em que Ele está «connosco todos os dias» (Mt 28, 20), sejam quais forem as tempestades.

O Evangelho de Luca fala da tempestade que Jesus acalmou. Os discípulos estavam no meio do mar em tempestade e, Jesus não se mostrou nada preocupado com isso, até adormeceu. O barco estava a ser inundado e os discípulos corriam grande perigo. Acordaram Jesus clamando: “Mestre, Mestre, vamos morrer! ” Ele levantou-se e repreendeu o vento e a violência das águas; tudo se acalmou e ficou tranquilo. Depois repreendeu-os, dizendo ”Onde está a vossa fé?” (Cf. Lc 8, 22-25). É nos momentos de dificuldade que manifestamos a firmeza da nossa fé.

Não é Deus que precisa da nossa oração, somos nós que precisamos da Sua ajuda, sem a ajuda de Deus, nada podemos fazer, ou melhor, podemos fazer muitas coisas, mas será sempre uma actividade frenética que não dará frutos. Como o nosso corpo precisa de alimento para viver, assim, a nossa alma precisa de Deus.
2744. A oração é uma necessidade vital porque se não orarmos, se não nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, recaímos na escravidão do pecado. Ora, como é que o Espírito Santo pode ser a «nossa vida» se o nosso coração estiver longe d’Ele?
– A oração é uma necessidade vital porque «Quem reza salva-se, de certeza; quem não reza condena-se, de certeza».

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