Viver o presente

É difícil viver no tempo presente. Para nos darmos conta disso, basta darmos um pouco de atenção aos nossos pensamentos e notar como as lembranças dolorosas do passado, as preocupações do futuro e outros pensamento e imaginações nos distraem continuamente. Revivemos, os desgostos da vida passada, lembranças dolorosas, rancores e sentimentos de culpa, faltas de perdão, rejeições e abandonos e muitas outras coisas.

As feridas abertas do nosso passado doloroso. Os sentimentos de culpa por tudo aquilo que deveriam ter feito e não o fizemos ou por tudo aquilo que fizemos e que não deveriam ter feito. E até ficamos envergonhados. Tudo isso é muitas outra lembranças nos mantêm presos no passado nos impedem de viver com atenção o presente. Depois, as nossas preocupações do futuro. Com a imaginação antecipamos o futuro com pergunta deste género: «O que será de mi se acontecer isto? se eu ficar desempregado? se a economia enfraquecer? se eu não conseguir pagar as dívidas? se a pandemia não acabar? E se eu adoecer? E se desabar uma guerra?».

Muito tempo e energias perdemos revivendo o passado e imaginando o futuro. Já experimentamos muitas vezes quanto a nossa imaginação é enganadora. Tais pensamento ocupam de tal forma a nossa mente que ficamos, por assim dizer, cegos e surdos. Uma cegueira e uma surdez espiritual que nos impede de viver o presente.
– Ficamos cegos porque não reparamos na beleza da vida, não contemplamos nem apreciamos a beleza da natureza, não valorizamos os amigos, não acolhemos a vida como um presente, como um dom precioso.
– Ficamos cegos porque perdemos a capacidade de nos maravilhar, de nos surpreender diante do sorriso das crianças, das pessoas, da convivência familiar.
– Ficamos como surdos porque não ouvimos as vozes que anunciam a esperança, não ouvimos gritos dos irmãos que precisam de ajuda, não reparamos na voz agradecida dos amigos, dos colegas, das pessoas que nos amam. Ficamos presos nas amarguras do passado e nas preocupações do futuro e não vivemos com intensidade o tempo presente, a vida real, aquela vida que está a acontecer aqui e agora, o único tempo que está ao nosso alcance. O passado já passou e não pode ser modificado. O futuro há de vir, e é sempre diferente daquilo que podemos prever ou imaginar. Não vivemos a nossa vida como um presente, como um dom precioso que Deus renova continuamente, em cada instante, em cada hora, em cada por cada um de nós.

Olhamos agora para Deus. Ele é o Deus connosco, o Deus que vive com o seu povo. Que fez do coração do homem a Sua morada. Ele está presente em cada momento da nossa vida, com suas alegrias e tristezas. Quando Jesus falou de Deus, falou do Pai que ama os seus filhos, e convidou a confiar Nele.

Ele próprio é a Presença de Deus: «Quem me vê a Mim, vê a Deus. Quem Me ouve a Mim, ouve a Deus». Deus Aquele que foi e que será, mas sobretudo é «Aquele-que-é»; e Eterno Presente, Aquele que está connosco, aqui, agora, neste momento. É Ele que formou o coração de cada homem e a nossa espera o Senhor: Ele é o nosso amparo e protector. N’Ele se alegra o nosso coração:  em seu nome santo pomos a nossa confiança (cf. Salmo 132)

Jesus veio para nos libertar do peso do passado e das preocupações do futuro. “Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber …
Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração da suas  vida? Olhai para os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnifi­cência, se vestiu como qualquer deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis, dizendo: que comeremos, que beberemos ou que vestiremos? O vosso Pai celeste bem sabe que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Seu Reino e a sua justiça e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos inquieteis, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Bem basta a cada dia o seu trabalho» (Mt 6, 24-34). 

O Jesus, meu Senhor,
Eu estou tão preocupado e ansioso,
que não não tenho tempo para os amigos,
para a família, nem para ajudar os outros.
Tu queres que eu seja simples como uma criança,
Que confie em Ti, que não me preocupe para o dia de amanhã.

Neste momento, Jesus aqui à Tua frente,
deixo todas as minhas preocupações
Todas as minhas ansiedades,
todos os meus medos e desconfianças.
Entrego-te toda a minha,
tudo o que me preocupa.

Tu, Senhor, me ofereces o Teu amor, a Tua Paz
e liberdade dos pássaros e a beleza dos lírios.

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