A nossa sala interior

Meus irmãos, a oração é um recolhimento interior que exige concentração. Podemos dizer que a oração é descer da mente ao coração.

A mente é um turbilhão de lembranças e de imaginações que continuamente nos desviam. Queremos entrar no recolhimento da oração, mas constatamos que estamos continuamente distraídos por diversos pensamentos e imaginações. Vir‑nos‑á a mente o que nos aconteceu ontem ou que acontecerá amanhã. Teremos longas e imaginárias conversações interiores com os nossos amigos ou com os nossos inimigos. Vir-nos-á à mente o que devemos fazer, as coisas que esquecemos, teremos a sensação de que estamos a perder tempo e, por fim, a tentação de deixarmos a oração porque há coisas mais urgentes a fazer. As distrações e as lembranças das coisas que devemos fazer, estão lá para nos convencer que é melhor deixar a oração e voltar ao trabalho.

Devemos estar bem conscientes de que a oração exige um recolhimento interior que não é fácil conseguir, pois, quando nos recolhemos, a primeira coisa que experimentamos é a nossa confusão mental. Temos a certeza de que o Senhor está próximo, bem perto de nós, mas o experimentamos com uma Ausência que, em certos momentos, pode tornar-se dolorosa, por isso, como as 10 virgens prudentes devemos manter acesas as nossas lâmpadas, porque, de repente vai chegar o esposo que nos faz entrar na sala da festa. As virgens imprudentes, levaram as lâmpadas, mas não levaram o óleo para as manterem acesas.

O que é este óleo? Este óleo é a fé, a confiança em Deus. Um produto precioso que só se encontra na Igreja, a Palavra de Deus e os Sacramentos. O Senhor Senhor Jesus prometeu rios de Água Viva que brotarão dos corações daqueles que acreditarem Nele.

A Igreja é depositária deste fonte milagrosa, porque a Igreja alimenta a fé de toda a gente. A oração pessoal nunca é uma oração isolada, é sempre “comunhão” com milhares e milhares de crentes que procuram a Deus. Na Igreja encontramos o alimento da Palavra de Deus e dos Sacramentos, encontramos o testemunho dos irmãos que alimenta a esperança. A comunidade cristã nos apoia e encoraja, nos dá a certeza da presença do Senhor.

Esta experiência da oração não é sempre gratificante. Com frequência, somos tão impacientes e incapazes de encontrar calma interior que, quando menos o esperamos, já estamos ocupados de novo, evitando assim o confronto doloroso com a nossa confusão mental.

Os mestres da vida espiritual ensinam que o aspecto mais importante da oração é a fidelidade ao nosso tempo de oração, mesmo que sejam só dez minutos por dia. A escolha do tempo e da duração da oração depende duma vontade determinada. Não se entra em oração quando se tem tempo, mas se arranja tempo para a oração. (CIC 2710)

Esta fidelidade nos levará à sala interior, ao sacrário íntimo do coração, onde Deus habita, onde Jesus, o Esposo da nossa alma, nos convida a entrar e a viver com Ele.

É este o lugar íntimo, o lugar sagrado, o lugar mais belo e precioso onde se realiza o encontro com Jesus. Quando apreendemos este recolhimento interior, podemos estar numa sala cheia de gente, num escritório, podem estar de viagem, mas sempre sentiremos o convide do Mestre que nos convida a entrar nesta sala interior, onde flui este Rio de Água Viva que jorra para a vida eterna.

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