Escutar o coração

O Senhor Jesus ensinou a dar atenção ao coração porque
“O que sai da boca, procede do coração e contamina o homem. Porque é do coração que procedem os maus pensamentos … (Mt 15,18-19)

1. Escutar o coração
Escutando o coração percebemos se estamos a viver recolhidos ou isolados. Vivemos recolhidos quando o coração está em paz. A paz é o dom de Jesus: “dou-vos, a paz, dou-vos a minha paz”. Vivemos isolados quando os nossos pensamentos são maus, rancorosos, revoltados. Quando vivemos fechados nas amarguras do passado ou preocupados pelo futuro. Sobre isto já falamos.

Jesus ensina a dar atenção ao coração, a escutar o coração, porque o coração nos revela o estado interior da nossa alma. O comportamento depende do coração.
– Quem não presta atenção ao coração não avança na vida espiritual, ficará sempre escravo dos seus sentimentos contraditórios.
– Quem presta atenção ao coração, aos poucos, consegue perceber os dois polos opostos entre os quais oscila a nossa vida interior: se está a viver num doloroso isolamento e se está a viver um sereno recolhimento.

2. Eu posso viver recolhido ou isolado.
A minha vida interior oscila continuamente estes este dois estados interiores. Posso estas sozinho em casa o no escritório, numa sala de espera, na rua, numa loja, em qualquer outro lugar; posso viver situações diferentes, mudar de lugar, encontrar pessoas e ao mesmo tempo, o meu coração está a viver uma sensação dolorosa do isolamento ou também está a gozar de serenidade e da paz de um profundo recolhimento interior. Se escutar o coração, posso tomar consciência da minha vida interior.

Para dar-se conta disso, basta observar as pessoas que nos rodeiam. Algumas vezes, basta um olhar par reconhecermos o estado interior do seu coração. Logo, mesmo sem falar, podemos reconhecer se seu coração está inquieto e perturbado ou se está calmo e tranquilo. Logo percebemos uma pessoa está livre, á vontade naquele lugar e se está constrangida. Se está perturbada ou em paz. Basta olhar ao nosso redor.

Ao mesmo podemos fazer com a nossa própria pessoa. Olhar para dentro de nós e distinguir o estado do nosso coração. Se estamos em paz, no recolhimento interior ou se estamos perturbado num doloroso isolamento.

3. A nossa vida oscila entre isolamento e recolhimento.
O mundo, no entanto, não está dividido em recolhidos e isolados. Cada um balanceia entre estes dois pólos interiores continuamente. Mudamos em cada instante, de hora em hora de um dia para o outro, da uma semana para outra e de um ano para o outro. Há tempos em que recuperamos a paz interior com facilidade, outras vez passam por desertos, que podem durar minutos, horas, dias ou anos. Mas se reconhecermos o nosso estado interior, saberemos também para onde devemos conduzir a nossa vida, e lutaremos para reconquista a nossa paz.

Devemos admitir que não temos o controle sobre todas as nossas oscilações interiores. Existem muitos fatores, conhecidos e desconhecidos, que condicionam o nosso equilíbrio interior. Mas quando desenvolvemos a capacidade de distinguir os pólos entre os quais oscila a nossa mente; quando nos tornamos conscientes do isolamento ou do recolhimento, deixaremos de nos sentirmos perdidos, logo sabemos para onde queremos conduzir a nossa vida.

4. O início da vida espiritual
A capacidade de distinguir entre estar agitado e estar em paz representa o início da vida espiritual. A pessoa que não desenvolve esta capacidade interior não avança na vida espiritual. A pessoa que está atenta e reconhece os movimentos do seu coração, avançará rapidamente no caminho da sua maturidade humana e espiritual.

Qualquer que seja o nosso estado interior podemos elevar a nossa alma para Deus para lhe pedir ajuda, confiar Nele e encontrar a paz.

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