Um momento receptivo

Não é fácil educar os filhos, mas também não é impossível. Tantas vezes basta um pouco de astúcia para fazer o melhor que podemos. Uma dessas “astúcias” e falar com eles à noite, antes de adormecerem.

O anoitecer é o tempo dos pensamentos delicados e pacificadores. É uma hora bondosa, discreta, terna, é o momento do diálogo íntimo. São João Bosco, que era um bom educador, nunca deixava de dar uma breve meditação aos seus jovens ao fim do dia, antes de dormir.

Ao fim do dia os filhos querem sentir o calor da lar, o afeito e a bondade; querem adormecer com a certeza de ser acolhidos e amados. A noite chega, por isso desejam que alguém lhes dê a mão.

O pai e a mãe não precisam de aprender isso, o fazem espontaneamente. Acompanham os pequenos à cama para se deitarem, ficam sentados ao seu lado e lhes falam com ternura, oram com eles. O bom relacionamento de hoje prepara o relacionamento maravilhoso do amanhã.

É que o calor do anoitecer faz esquecer a frieza do dia, as faltas de paciência, as repreensões. Além disso, As coisas bonitas que o pai e mãe dizem nesses momentos ficam gravadas para sempre em seus corações. São palavras discretas, que ninguém houve, ditas a voz baixa, mas que alimentam a alma.

O que dizemos para os filhos, é também muito importante para os esposos. Dez minutos antes de adormecer é o momento do diálogo, do entendimento para renovar a confiança recíproca. Pode tornar-se também um momento de oração, para pedir a ajuda de Deus.

O que é o diálogo. Quero dar só uma dica, que me parece fundamental. O dialogo não é dizer-se tudo, nos detalhes. Isto, em certos casos pode revelar-se cansativo. Dialogar não é dizer-se tudo, mas sim manifestar a atitude aberta do coração: aconteça o que acontece, podes contar comigo. Para muitos casais, é muito triste o dia em que percebem que já não podem contar um do outro. Sem esta abertura interior do coração, qualquer conversa é como falar com surdos. (Padre Leo)

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