O poder da LÍNGUA

A língua tem poder. O livro dos Provérbio afirma: “A morte e a vida estão à mercê da língua; os que a amam comerão dos seus frutos” (Pv 18,21)

Na Carta de São Tiago (3,2) lemos: “Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo”.

Veja a importância das nossas palavras, pois se alguém não tropeça no falar, é perfeito.

O homem pode domar toda espécie de feras, aves, répteis e seres marinhos, mas nenhum dos homens é capaz de domar a língua. Na língua é contido um veneno mortífero, por isso, é importante reflectir e orar para não pecarmos com a lingua.

São Tiago dedica os capítulos 3 e 4 e da sua carta para falar dos males que podem causar as nossas palavras. As palavras ferem, matam, magoam, semeiam dúvidas, fazem pecar e geram ódio. Uma palavra faz doer mais dos que qualquer dor física.

Ele diz: “Se alguém não peca pela palavra, esse é um homem perfeito, capaz também de dominar todo o seu corpo. Quando pomos um freio na boca do cavalo para que nos obedeça, dirigimos todo o seu corpo.

Vede também os barcos: por grandes que sejam e fustigados por ventos impetuosos, são dirigidos com um pequeno leme para onde quer a vontade do piloto. Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas.

Vede como um pequeno fogo pode incendiar uma grande floresta! Assim também a língua é fogo, é um mundo de iniquidade; entre os nossos membros, é ela que contamina todo o corpo e, inflamada pelo Inferno, incendeia o curso da nossa existência.

Todas as espécies de animais selvagens, de aves, de répteis e de animais do mar se podem domar e têm sido domadas pelo homem.
– A língua, pelo contrário, ninguém a pode dominar: é um mal incontrolável, carregado de veneno mortal.
– Com ela bendizemos quem é Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procedem a bênção e a maldição. (Tiago 3, 2-10)

Se acolhemos a sabedoria de Deus e nos consideramos pessoas entendidas – diz São Tiago – devemos manifestá-lo com o nosso bom comportamento. A boca fala daquilo que temos no coração: “se tendes no vosso coração inveja, amargura e espírito de contendas, estamos a pensar segundo o mundo e não segundo Deus. (cf. v. 13-15)

Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é pensamento terreno, da natureza corrompida e diabólica. Pois, onde há inveja e espírito faccioso também há perturbação e todo o género de obras más. (cf. v. 16)
– Mas a sabedoria que vem do alto é, em primeiro lugar, pura; depois, é pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia; e é com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da paz.

Cap. 4 – A Origem das discórdias
De onde vêm as guerras e as lutas que há entre vós? Não vêm precisamente das vossas paixões que se servem dos vossos membros para fazer a guerra? (v. 1)
4Não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Portanto, quem quiser ser amigo deste mundo torna-se inimigo de Deus! 5Ou pensais que a Escritura diz em vão: O Espírito que habita em nós ama-nos com ciúme? 6No entanto, a graça que Ele dá é mais abundante, pelo que diz:
Deus opõe-se aos soberbos,
mas dá a sua graça aos humildes.
7Submetei-vos, portanto, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. 8Aproximai-vos de Deus e Ele aproximar-se-á de vós. Lavai as mãos, pecadores, e purificai os vossos corações, ó gente de alma dividida. 9Reconhecei a vossa miséria, lamentai-vos e chorai; que o vosso riso se converta em pranto e a vossa alegria em tristeza. 10Humilhai-vos na presença do Senhor, e Ele vos exaltará.
11Não faleis mal uns dos outros, irmãos. Quem fala mal de um irmão e o julga, está a falar mal da lei e a julgá-la. Ora, se tu julgas a lei, já não és cumpridor da lei, mas seu juiz. 12Há um só legislador e juiz, aquele que pode salvar e condenar. Mas quem és tu, para julgar o teu próximo?

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