COMO FUNCIONA O MALEFÍCIO

25 de Abril de 2019 Não Por Pe Leo Orlando

Vamos agora, conhecer melhor como funciona o malefício, fa-zendo uma breve reflexão sobre os seus quatro aspectos fun-damentais:
– o pedido,
– o objecto,
– a preparação do objecto,
– o objecto em contacto com a vítima.

1 – O Pedido. O malefício é feito só quando é pedido. Há uma pessoa, de vontade perversa, que quer fazer mal a outra pessoa e se dirige a um bruxo e, pagando uma soma respeitá-vel, encomenda o malefício. Ele diz: «quero que tal pessoa não tenha paz», «que fique doente ou que morra», «que não tenha sorte nos negócios», «que deixe a sua esposa para ela se juntar a mim», «que a sua família seja destruída», «que acabe aquele namoro», «que aquela rapariga ou rapaz case comigo» e outros pedidos semelhantes.
A vítima, na maioria dos casos, é atingida sem se dar conta e sem ter a possibilidade de o impedir. Mas a libertação é sempre possível, sobretudo para os crentes e praticantes, devido ao Amor infinito de Deus, que cuida dos Seus filhos e de todas as Suas criaturas. Deus tem infinitos caminhos para os levar à salvação
Nota. A pessoa que encomenda o malefício fica contaminada. Não é possível entrar na loja de satanás, encomendar o mal e ficar incólume. Há pessoas completamente fracassadas porque recorreram ao ocultismo, para fazer mal aos outros, os espíritos adquirem uma espécie de direito crescente de possessão sobre eles, na medida que avançam nesta prática. Na maioria das vezes, acabam por estabelecer ligações espirituais tão fortes com satanás, que mesmo quando decidem cortar, não encontram as forças necessárias. Surgem sempre muitos obstáculos, quando estas pessoas procuram os ministros da Igreja que poderiam ajudá-los na sua libertação.
Há diversos tipos de malefício. Chama-se «amatório» se atinge a afectividade, «venenoso» se provoca doenças ou prejuízos materiais e morais, «de amarração» se impede os movimentos, a acção, ou o trabalho.
– O Malefício amatório provoca uma intensa atracção amorosa ou um ódio inexplicável, conforme se pretenda ligar duas pessoas no amor, ou se pelo contrário se pretende desfazer uma ligação existente entre esposos ou namorados.
– O Malefício venenoso tem a finalidade de envenenar psico-logicamente a vida de uma pessoa com uma cadeia de doenças físicas, de prejuízos morais e materiais.
– O Malefício de amarração actua fazendo ligações, amarrando as pessoas para que não consigam mexer-se, actuar, trabalha ou cumprir os seus deveres.

É surpreendente notar como esta linguagem se encontra também no Evangelho de São Lucas: «Naquele tempo, Jesus estava a en-sinar numa sinagoga no dia de sábado. Estava lá uma mulher que havia dezoito anos UM ESPIRITO A MANTINHA ENFERMA; andava curvada e não podia endireitar-se de forma nenhuma. Jesus olhou para ela, chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade e impôs as mãos sobre ela. Imediatamente endireitou-se e glorificava a Deus» (Lc 13, 10-13).
Tudo isto aconteceu ao sábado, o dia reservado ao descanso. Por este motivo, o chefe da sinagoga protestou energicamente, mas Jesus respondeu: «Hipócritas, não desliga (solta), cada um de vós, o boi ou o burro para o levar a comer e beber? E esta filha de Abraão, que SATANÁS MANTINHA LIGADA (PRESA) há dezoito anos, não devia SER DESLIGADA DESSA LIGAÇÃO no dia de sábado?» (Lc 13, 15-16). O texto parece tão claro, que podemos supor que Jesus desfez uma «factura de ligação». (Raul Salvucci, p. 100)

O Padre Gabriel Amorth diz que o maleficio de amarração «merece uma explicação à parte». Neste caso, o objecto utilizado (por exemplo um boneco) recebe amarração especial com cabelos ou tiras de tecidos de diferentes cores (essencialmente branco, negro, azul ou vermelho, consoante o tipo de mal que se quer causar). Este tipo de malefício exerce uma acção especial sobre as várias partes do corpo humano. A parte mental é normalmente a mais atingida. As vítimas sentem-se incapacitadas nos estudos ou no trabalho e não conseguem adoptar um comportamento normal, porque receberam a influência de amarrações a nível do cérebro. Os médicos tentam em vão identificar e curar esta doença.» (Um exorcista conta-nos, pag. 140)
Quanto ao método pode haver:
– Malefício de «transferência»
– Malefício de «apodrecimento»

– Malefício de «transferência». Consiste em, através de um objecto, (por exemplo um boneco de barro, de cera, ou de tecido), operar sobre ele, inserindo alfinetes ou facas nos pontos onde se pretende atingir a vítima. O princípio deste tipo de maleficio é o seguinte: «o que faço neste boneco aconteça na tua pessoa». As pessoas atingidas, de forma geral, sentem bem no seu próprio corpo a presença destes alfinetes ou destas facas invisíveis. A pessoa é atingida nas partes mais delicadas e sensíveis à dor, como a cabeça e a coluna. As mulheres são atingidas também nos genitais e nas mamas.
O objecto assume um significado simbólico: a vontade de fazer mal aos outros através do demónio. Vontade, que se exprime nas fórmulas ocultas pronunciadas durante a preparação. De facto, o efeito maléfico não depende tanto dos materiais utilizados, mas sim da vontade humana de prejudicar os outros. A vítima do malefício quase sempre sofre com dores de estômago, sintomas bem conhecidos pelos exorcistas, e só fica curada depois de se ter libertado o estômago por meio de vómitos repetidos ou de muita evacuação, em que são expelidas as coisas estranhas.» (Um exorcista conta-nos, p. 139)

– Malefício de apodrecimento. Neste caso o objecto é enterrado para que, aos poucos, apodreça. A pessoa a quem se destina este maleficio acaba por ficar doente e através de um enfraquecimento progressivo, conduzida à morte. As técnicas utilizadas para este fim são muito variadas, mas seguem sempre o mesmo procedimento. Há sempre alguém que faz a encomenda, é acordado o preço e o trabalho maléfico começa.

2 – O objecto. A acção espiritual e invisível do demónio só consegue chegar à vítima através de um objecto material. Este ponto é de fundamental importância.
O malefício normalmente chega à sua vítima através de um objecto carregado de maldição.

Jesus estabeleceu transmitir-nos a graça, isto é, uma realidade espiritual invisível que nos transforma e salva pelos sacramentos. Cada um dos sacramentos tem um sinal visível, como por exemplo, o Baptismo que é celebrado com água, elemento material, instrumento visível da graça invisível que nos torna filhos de Deus.

«Os demónios percorrem por imitação os mesmos caminhos do Reino de Deus. «Da mesma forma que Deus quis ligar a distribuição da graça e, portanto, da nossa salvação, a alguns sinais sensíveis, os sacramentos, assim o demónio, tendo uma atitude parecida à divindade, utiliza o mesmo sistema: liga a determinados sinais sensíveis a sua intervenção para a ruína do homem» (Corrado Balducci, Il diavolo, p. 312).

Quais são os materiais usados para este fim? É quase impossível fazer um elenco completo, seria uma lista interminável. Podem ser usados, sangue seco de animais, sangue de menstruação, pó de ossos humanos ou de animais, pó de terra de cemitério, pequenos recortes de estola litúrgica, ervas, folhas, raminhos secos, plumas, fios de diferente espessura, pedacinhos de madeira, pequenos recortes de papel de fotocópias (onde estão escritas fórmulas mágicas antigas), recortes de fotografias, bonecos, caixas mortuárias de cera, de pano, ou de barro; poeiras, uma grande variedade de poeiras, geralmente de cor cinzenta espalhadas em almofadas, tapetes, bonecos, animais, peluches ou que são colocadas nas traves das portas ou nas portas de entrada das casas. Acontece também aparecerem manchas de sangue sobre os vestidos das noivas, nos lençóis ou nos cobertores. Peço desculpa se me esqueci de alguma coisa! (Raul Salvucci, Indicazioni pastorali … pp. 101-102)

3 – A preparação do objecto. O malefício actua através de um objecto carregado de «energia» maléfica, que pode ser chamado «feitiço» ou «talismã». Tais objectos são preparados através de ritos. Existem, de facto, verdadeiros ritos, para este fim. Ritos parecidos aos ritos litúrgicos da igreja, mas que, em vez de invocar o único Deus verdadeiro, são invocados os espíritos malignos, os demónios. São ritos demorados, que podem durar muitas horas ou dias seguidos, até que os objectos fiquem completamente carregados de «energia» negativa, uma espécie de «radioactividade maléfica» que irá actuar sobre o destinatário do malefício.

Satanás está ávido destes ritos. O facto de que muitos homens o invoquem, que lhe peçam «favores», que confiem nele, no seu poder e supliquem a sua intervenção, dá-lhe a sensação, por alguns instantes, de ser um autêntico concorrente de Deus. Satanás, com a sua rebelião, queria substituir-se ao próprio Deus, mas foi por Ele lançado fora, caindo num estado de profundo e total desespero. Por isso, a maior satisfação que ele pode ter é precisamente atrair para si próprio, através do engano, a adoração devida só a Deus. Foi tão ousado nisso, que até a pediu a Jesus: «Tudo isto te darei se prostrado me adorar» (Mt 4, 9). Dar-lhe culto, recorrer a ele, pedir-lhe ajuda, é como esbofetear o verdadeiro Deus. É precisamente o que fazem os operadores do ocultismo e todos aqueles que procuram os seus serviços, que cegos, se entregam ao demónio, voltando as costas «Àquele» que «tanto amou o mundo que deu o Seu Filho Unigénito para os salvar» (Jo 3, 16). (Raul Salvucci, Indicazioni pastorali … p. 103)

4 – O objecto em contacto com a vítima. Os objectos amaldiçoados, para poderem actuar, devem estar perto, fisicamente, ou em contacto com a vítima designada. Os bruxos, ao darem estes objectos às pessoas, enganam-nas, dizendo-lhes que servem para as proteger ou livrar do mal. Aos homens aconselham-nos a que os levem tais objectos na carteira ou no bolso das calças. Às senhoras, sugerem-lhes que os fixem bem, com um alfinete, no vestuário íntimo. Se os levassem na carteira não teria o mesmo efeito, porque muitas das vezes, as senhoras não andam com elas. Os objectos devem estar sempre em contacto com o corpo.

O Padre Raul Salvucci afirma que «Uma imensa variedades de objectos estranhos encontram-se com frequência nas almofadas do leito, onde as pessoas apoiam pesadamente a cabeça durante as horas da noite. Desta forma, durante o sono, a cabeça recebe um constante martelamento de influxos maléficos. Além disso, alimentos maléficos, sólidos ou líquidos, chegam ao estômago das pessoas e lá se instalam de forma permanente, com a finalidade de atingir o organismo todo.

Como é que isto acontece?

Sabe-se que, as mesmas pessoas que encomendam o malefício colaboram directamente com os mágicos e se encarregam de os entregar aos destinatários. Há também pessoas, bem pagas, que fazem este trabalho. É fácil, por exemplo, fazer chegar alguma coisa no estômago de uma pessoa, basta convidá-la para uma refeição e dar-lhe bebidas e bolinhos ou oferecer-lhe pasteis que poderá comer em casa. Mas quando isso não é possível, a operação acontece por via “preternatural”, isto é por meio dos mesmos espíritos.
Uma grande quantidade de alimentos passa todos os dias pelo estômago e intestinos e são evacuados normalmente. Os alimentos maléficos não, uma vez ingeridos, se fixam nas paredes do estômago ou dos intestinos e lá permanecem activos, mesmo durante muitos anos. É um fenómeno inexplicável que ultrapassa as leis da natureza, mas é facto real, confirmado pelas pessoas atingidas, baseando-se sobre os seus próprios sofrimentos. (Raul Salvucci, Indicazioni pastorali de um esorcista, pp. 104-105)

O Padre Gabriele Amorth recomenda de não acreditar ingenuamente nos malefícios. São sempre casos raros. Muitas vezes, causas psíquicas, sugestões e falsos medos estão na origem de inconvenientes lamentáveis.
Seria um erro gravíssimo – continua ele – viver no terror de ser vítima de um maleficio. A Bíblia ensina que o demónio existe, mas em nenhum lugar se diz que devemos ter medo dele, mas sim que devemos resistir-lhe através de uma oração vigilante e que, com certeza, ele fugirá de nós. Como seres humanos, somos mais fracos do que o diabo, mas, quando estamos unidos a Cristo somos mais fortes do que o diabo. Cristo venceu-o definitivamente com a Sua Cruz. Podemos recorrer à intercessão de Maria Santíssima, A MAIOR INIMIGA de satanás; temos, depois, o apoio dos anjos e dos santos. Sobretudo, pelo Baptismo, somos filhos de Deus, portanto, se vivermos em comunhão com Deus, o demónio e o inferno inteiro é que tremem diante de nós. Basta que nos coloquemos sob a protecção da Igreja, pela oração e pe-los sacramentos, com uma sincera conversão ao Senhor. (Um exorcista conta-nos, p. 142)