O QUE É O «MALEFÍCIO»

20 de Maio de 2019 Não Por Pe Leo Orlando

O malefício é uma prática antiquíssima que entra no quadro da acção extraordinária do demónio. Trata-se, como já dissemos, de perturbações que simulam uma doença incurável ou uma má sorte persistente, para os quais, os recursos humanos se revelam ineficazes, por isso, as pessoas começam a pensar em causas «preternaturais» ou maléficas.

Os livros de teologia dão a seguinte definição: «O malefício é a arte de fazer mal aos outros pela intervenção de Satanás». É vulgarmente chamado «trabalho» ou «despacho» porque opera através de um objecto chamado «feitiço», oportunamente preparado para este fim, através de ritos mágicos.

O feitiço ou bruxedo é de longe o meio mais usado para fazer os malefícios. Consiste em confeccionar um objecto com a ajuda dos mais estranhos e variados materiais e assume um valor simbólico: é um sinal sensível da vontade de prejudicar alguém; um meio oferecido a Satanás através de rituais para que imprima nele a sua força maléfica. Diz-se muitas vezes que satanás é o macaqueador de Deus; é tão verdade que podemos estabelecer uma analogia com os sacramentos, que também são caracterizados por uma matéria tangível (como por exemplo a água do Baptismo) como instrumento de graça, para fazer o bem. O material utilizado nos bruxedos tem finalidade de fazer o mal. (Gabriele Amorth, Um exorcista conta-nos, p. 138)

O malefício é, portanto, prejudicar os outros pela intervenção de Satanás. Os mágicos invocam forças «preternaturais», ocultas ou diabólicas e conseguem, mais ou menos, induzir o mal, em detrimento de uma vítima designada, de acordo com a vontade de quem lhes encomendou o malefício.
Usamos os termos «forças preternaturais» para indicar um poder que supera as capacidades naturais para o distinguir do «poder sobrenatural» que só pertence a Deus. Só Deus «cria» algo de novo; os demónios não criam, servem-se de quanto já existe no homem e o ampliam.

A magia, como sabemos, vai muito além dos malefícios. De facto, muitas pessoas recorrem aos mágicos para pedir benefícios, o sucesso nos negócios, no amor, na saúde e na fortuna. As pessoas que se julgam vítimas de um malefício vão para serem libertados. Outras pessoas consultam-nos para conhecer o futuro através das mais variadas práticas de adivinhação nas quais todo o bom mágico é perito. A tudo isso, acrescenta-se o uso tão difundido de objectos «mágicos», como amuletos, talismãs, fitas, figas e outras «protecções», que os mágicos carregam de «energia» que chamam «positiva», para produzir efeitos benéficos nos seus clientes, de acordo com as suas necessidades.

O Padre Francesco Bamonte recolheu o seguinte testemunho de um ex-mágico/bruxo que renegou o seu passado e procurou um trabalho honesto: «Sabeis porque é que um talismã custava 150 euro e, outro, 450 euros? Porque no primeiro, eu blasfemava 150 vezes, contra Nossa Senhora, e, no segundo, 450 vezes, contra a Virgem ou Jesus Cristo». Ninguém poderia imaginar que estes objectos considerados de «boa sorte» fossem carregados de «energia» através de blasfémias, coisa que só pode agradar ao diabo. E pensar que existem pessoas que se julgam protegidas da má sorte porque levam consigo um destes «talismãs» caríssimos! Tem havido famílias inteiras que se arruinaram por culpa destes charlatães. (Francesco Bamonte, Como livrar-se da su-perstição, p. 78)