CONFIAR EM DEUS

24 de Abril de 2019 Não Por Pe Leo Orlando

UM EXPEDIENTE RADICAL: CONFIAR EM DEUS
São João da Cruz propõe um expediente radical contra a influência de Satanás na nossa imaginação: «em vez de discutir com o Tentador, convém elevar imediatamente o nosso espírito a Deus, por um acto de fé (confiança) ou de amor. Quando unimos os nossos afectos a Deus, acontece que a alma deixa as coisas da terra, apresenta-se diante de Deus e une-se a Ele. A tentação do inimigo fica assim frustrada e derrotada. A ideia de praticar o mal fica sem objectivo. Nesse momento, o diabo já não pode alcançar nem ferir a alma, porque ela já não se encontra no lugar perigoso, onde ele a esperava para acorrentá-la pelo jogo das imagens.» (Georges Huber, p. 91)

Se confiamos em Deus, estamos a cumprir um acto duplamente meritório: por um lado, resistimos à tentação; por outro, cumprimos um grande acto de amor a Deus. Não é difícil imaginar o “desânimo” do inimigo se, em cada tentação que nos apresente, formos rápidos e enérgicos em lançar-nos nos braços de Deus, como uma criança que corre para o seu pai diante de qualquer perigo que a ameace. Esse gesto interior, fruto do amor e de uma ilimitada confiança, costuma ser muito mais eficaz do que entrar em raciocínios complicados e nervosos para neutralizar as ciladas e as argumentações do maligno, coisa que o maligno pode contra-argumentar com redobrada astúcia.

Esta atitude confiante de refugiar-se nos braços de Deus – ou no regaço da Virgem Santa Maria -, além de encher-nos de paz, fortalece a nossa fé.
Santa Teresa de Avila dizia: «Não tenhas a covardia de ser «valente» contra o demónio, foge dele!» (Caminho de Perfeição, n. 132).

Confiar em Deus é fugir, abrigar-se seguros nos braços de Deus-Pai; é o meio mais positivo e mais eficaz para atenuar a violência dos ataques dos demónios. Não só é o meio mais eficaz para afastar os demónios pela graça divina, como também nos fortalece na fé e na esperança.