UMA PERGUNTA ANGUSTIANTE

24 de Abril de 2019 Não Por Pe Leo Orlando

Vamos começar com uma pergunta.
Acontece muitas vezes que a pessoa que precisa de cura espiritual não está disposta a colaborar: recusa a fé e a oração. Os familiares estão dispostos a tudo, mas ele recusa, não só a oração, mas também tudo o que tem relação com o sagrado. O que se pode fazer nestes casos?

Respondemos. Esta pergunta é muito importante porque nos permite esclarecer qual é o único comportamento necessário e correcto em situações tão difíceis e complicadas. Além disso, ajuda-nos a compreender a eficácia libertadora dos meios que Jesus Cristo confiou à Sua Igreja.

Uma primeira observação é a seguinte: a aversão ao sagrado é o sintoma recorrente que permite reconhecer a presença de distúrbios maléficos. Quanto mais é intensa a aversão ao sagrado, tanto mais forte é a força do mal.

O erro mais recorrente dos familiares é impor à pessoa afectada actos de religiosidade, isto é, obrigá-la a orar, ir à igreja, a usar água benta, ter o crucifixo, etc. É uma atitude contraproducente. Quanto mais forte é a repulsa, tanto mais se deve deixar em paz a pessoa. O inimigo pode servir-se dessa inoportuna insistência para provocar nele um isolamento total e, neste estado de extrema fragilidade, aumentar nele a sua opressão e o seu domínio.

Mas, então não se pode fazer nada?
Esta expressão parece lógica, mas nunca se deve dizer que não podemos fazer nada. Seria uma ofensa à santidade de Deus e à Sua omnipotência. Seria uma grande falta de fé em Deus, Senhor e Criador de todas as coisas. Não estamos diante de uma doença incurável, mas sim, diante de uma opressão que aumenta e se consolida na medida que falta uma fé sólida.

O que é possível fazer?
Para responder, é necessário recordar algumas verdades da nossa fé. Sabemos que temos irmãos santos no Céu que intercedem por nós, que nos ajudam e protegem. Conhecemos a intercessão poderosa de Nossa Senhora e a sua maternal protecção. Sabemos que podemos orar pelas almas do Purgatório, para que, quando chegarem ao Céu, intercedam por nós.

A pessoa oprimida por Satanás não consegue orar, nem deve ser obrigada a orar, mas pode ser sustentada pela incessante oração dos familiares e de outras pessoas. Ela deve ser circundada de um amor discreto e respeitoso para a ajudar a sair da prisão do seu isolamento e para não agravar a sua situação; ao mesmo tempo pode ser acompanhada com uma oração forte e persistente. Muitas pessoas podem juntar-se nesta oração, mas é muito importante a oração dos familiares: a esposa, o marido, os pais, os filhos, os avós, os netinhos. Este cerco de oração reduz gradualmente a opressão das forças do mal e produz efeitos benéficos, não só sobre a pessoa atingida, mas para toda a família. Muitas famílias que acolheram este convite para a oração, são hoje testemunhas dos efeitos benéficos que ela produz sobre a pessoa atingida também sobre toda a família.

A dificuldade é sempre a mesma: o condicionamento da nossa cultura materialista que domina a sociedade e obstaculiza a vivência de uma fé realmente sentida. A oração não deve ser vista como uma “taxa” a pagar para se libertar do maligno para depois voltar à vida anterior de pecado. A verdadeira oração exige uma mudança de vida, isto é, uma sincera conversação, que é o único e verdeiro caminho a seguir.
(Raul Salvucci, Indicazioni pastorali de um esorcista, pp. 253-255)