OS ALIADOS DE SATANÁS: A CARNE E O MUNDO

24 de Abril de 2019 Não Por Pe Leo Orlando

OS ALIADOS DE SATANÁS: A CARNE E O MUNDO.
São Paulo alerta-nos:
«despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Se vos irardes, não pequeis; que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento, nem deis espaço algum ao diabo». (Ef 4, 25)

E convida à conversão:
«Aquele que roubava deixe de roubar; antes se esforce por trabalhar com as suas próprias mãos, fazendo o bem, para que tenha o que partilhar com quem passa necessidade. Nenhuma palavra desagradável saia da vossa boca, mas apenas a que for boa, que edifique, sempre que necessário, para que seja uma graça para aqueles que a escutam. Não ofendais o Espírito Santo de Deus, com o qual fostes marcados para o dia da redenção. Toda a espécie de azedume, raiva, ira, gritaria e injúria desapareça de vós, juntamente com toda a maldade. Sede, antes, bondosos, uns para com os outros, com-passivos; perdoai-vos mutuamente, como também Deus vos perdoou em Cristo». (Ef 4, 25-32)

A nossa natureza humana decaída é «carne», «homem velho», inclinada ao pecado (Rom 8,3) e, por isso, chamada também de “carne do pecado” (Rom 8, 3). A carne é fácil instrumento de Satanás que, através do pecado, domina o homem (Ef 2, 5), produzindo nele os frutos da carne «que estão à vista de todos: fornicação, impureza, devassidão, idolatria, feitiçaria, inimizades, contenda, ciúme, fúrias, ambições, discórdias, partidarismos, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas. Sobre elas vos previno, como já preveni: os que praticarem tais coisas não herdarão o Reino de Deus» (Gál 5, 17-21).

Através destes vícios Satanás infiltra-e no coração do homem, vive quase em simbiose com ele, camuflando a sua presença e ocultando a sua influência. O homem «carnal», seguindo os seus próprios instintos, na realidade satisfaz os desejos de Satanás. O homem, fazendo-se árbitro de si próprio, do justo e do injusto, do verdadeiro e do falso, coloca-se no mesmo caminho de Satanás. O homem «carnal» pode ter a ilusão de ter algum poder, de dominar os outros, mas, na verdade vive nas «trevas», fechado na prisão do seu egoísmo, sob o domínio do maligno; a sua pessoa vai-se desintegrando gradualmente, e perde-se.

O mundo é a sociedade que pretende ser «laica», organizar-se de forma autónoma, como se Deus não existisse, isto é, segundo a sabedoria do mundo, que é “loucura” aos olhos de Deus (1 Cor 3, 19). Trata-se de um sistema de relações, de valores, de ideias e comportamentos opostos ao Reino de Deus, tanto que, São João afirma: «Todo o mundo está sob o poder do maligno» (1Jo 5, 21).

Mas em Jesus recebemos uma vida nova, para não vivermos segundo a «carne», mas segundo «o Espírito»: «é este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio. Contra tais coisas não há lei. Mas os que são de Cristo Jesus, crucificaram a carne com as suas paixões e desejos. Se vivemos no Espírito, sigamos também o Espírito». (Gal 5, 22-25)

O mundo e o Reino de Deus coexistem, vivem lado a lado, no mesmo ambiente. O cristão sofre com a sua influência prejudicial, mas Cristo rezou pelos seus amigos que ainda estão «no mundo» mas não «pertencem ao mundo», para que «sejam guardados do maligno» (Jo 17, 15).
São Paulo adverte-nos: «não vos conformeis à mentalidade deste mundo» (Rm 12, 2). E São João diz-nos: «Não ameis o mundo nem as coisas do mundo» (1Jo 2, 15). De facto, existe o perigo de que a nossa mentalidade adira à mentalidade do mundo e, aos poucos, quase sem dar-se conta, o nosso coração fique enredado nas coisas desta terra.

O cristão, iluminado pela Palavra de Deus, tem a sabedoria de Deus, reconhece a influência do mundo na sua vida e na vida dos outros, distingue as pegadas do maligno. Ele sabe distinguir entre «valores cristãos» e «valores mundanos», entre «ideias cristãs» e «ideias mundanas», entre «comportamentos cristãos» e «comportamentos mundanos».
Assim como as forças que guiam o mundo são como três formas de concupiscência, «tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas do mundo» (1Jo 2,16); é preciso manter os olhos bem abertos para constatar a sua eventual presença e proteger-se do maligno.