18 – Atitude religiosa e atitude mágico-supersticiosa

21 de Julho de 2018 Não Por Pe Leo Orlando

O Catecismo da Igreja Católica diz que o primeiro mandamento proíbe a superstição: A superstição representa, de certo modo, um excesso perverso da virtude de religião. (2110)

2111. A superstição é um desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Também pode afectar o culto que prestamos ao verdadeiro Deus: por exemplo, quando atribuímos uma importância de algum modo mágica a certas práticas, aliás legítimas ou necessárias. Atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição (Mt 23, 16-22).

A magia é incompatível com a fé cristã.
Muitas pessoas, mesmo entre os baptizados, nem sempre de forma consciente, mas por ignorância ou falta de fé, procuram curas e remédios na magia e nem se apercebem que é um pecado de idolatria contra o primeiro mandamento. Abandonam assim o verdadeiro Deus e – como diz a Bíblia – procuram ajuda espiritual em práticas mágicas, abomináveis aos olhos de Deus: “adivinhação, astrologia, agou­ros, feiticismo, magia, espiritismo, superstições, evoca­ção dos mortos” (Dt 18,10-13). 
 
A palavra de Deus adverte severamente de que tais práticas produzem uma perigosa “contaminação” espiritual: “Não vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos: não os consulteis para que não sejais contaminados por eles.” (Lv 9,31). A magia atrai a influência negativa do demónio sobre a pessoa que procura conheci­mento e poder, etc., “fora” de Deus e contra as suas Leis.  

Gravidade do fenómeno
O fenómeno da magia apresenta-se notavelmente diversificado e complexo: vai desde as formas genéricas da superstição até as praticas magicas mais especificas, a partir das vária formas de adivinhação até ao espiritismo, até a grupos de verdadeiras setas satânicas que organizam reuniões e missas negras. A sua actual propagação constitui um sinal alarmante pera o nosso tempo. Assim coma justamente tinha observado o card. J. Ratzinger:

“A cultura ateia do Ocidente moderno ainda vive gozando da liberdade do medo dos demónios trazida pelo cristianismo. Mas se esta luz redentora de Cristo se devesse apagar, embora contando com toda a sua sabedoria e toda a sua tecnologia, o mondo voltaria a cair no terror e no desespero. Já podemos ver os sinais deste regresso dessas força obscuras, no crescimento, neste mundo secularizado, dos cultos satânicos.”

Distinção entre religião e magia
A magia é a perversão do sentimento religioso do homem que pretende dominar as circunstâncias e as pessoas a sua própria vantagem, utilizando forças ocultas.

A distinção entre atitude religiosa e atitude supersticiosa encontra-se na maneira diferente de se relacionar com o transcendente:

Assim diz o Padre Francesco Bamonte:
“Quer que se proponha o bem ou o mal, quer que se pretenda servir-se de forças ocultas benéficas (magia branca) ou de espíritos ou forças ocultas maléficas (magia negra), a magia está sempre em antítese absoluta com a fé cristã. Não há duvida de que a magia e a religião têm em comum a crença de que existe “alguma coisa”, além do mundo sensivelmente experimentável. Mas divergem claramente na conceição desta “alguma coisa” e das relações dela com os homens”

– a religião fala do relacionamento livre e pessoal com Deus, cuja atitude fundamental é a confiança. Deus é Amor, por isso, cuida das suas criaturas. O homem religioso dirige-se a Deus e confiante reza como Jesus ensinou: “Pai, faz-se a Tua Vontade e não a minha.“

– a magia fala da manipulação de forças ou energias ocultas, benéficas ou maléficas, através de rituais mágicos, cuja atitude fundamental é o orgulho. O homem pretende modificar os acontecimentos e dominar sobre os outros a sua própria vantagem. O homem ergue-se como dono do bem e do mal e diz: “seja feita a minha vontade”.

– Na magia, o recurso à divindade – quando existe – é meramente funcional. O mágico, no decurso dos seus ritos, pode até usar orações cristãs e fazer o sinal da cruz mas, na realidade, não está a orar, simplesmente repete fórmulas dessacralizadas, isto é totalmente vazias de fé cristã. (60)
– Até pode enviar as pessoas a rezar na igreja, a usar água benta, até ira à Missa, mas a atitude não é a da verdadeira confiança em Deus, pois tudo é funcional ao objectivo que se pretende atingir, isto é, “os meus desejos”.
– Fica claro que na atitude mágica-superticiosa não existe nenhuma relação pessoal com Deus, de facto, o que se pretende é manipular (ou canalizar) energias ocultas que dominam o cosmo, em vista dos meus desejos, bons ou maus que sejam.

Os sacramentos não são ritos mágicos:
a sua eficácia depende das disposições interiores de quem os recebe.

– A mentalidade mágico-mágico-superticiosa pode afetar certos fieis que, a partir da convicção de que os sacramentos são eficazes por virtude própria, cheguem à uma conclusão errada de que as disposições interiores da pessoa não contem absolutamente nada. Podem pensar que basta receber a água batismal para a graça entrar na alma; basta receber a Eucaristia para a graça crescer na alma; basta receber a absolvição para os pecados serem perdoados; e assim por diante.
– Quando os fieis ignoram ou não dão a devida importância as suas disposições interiores, podem reduzir os sacramentos a ritos mágicos, o que não está de acordo com a verdadeira fé cristã.
– As disposições subjetivos da pessoa não são certamente a causa da graça divina mas são, com certeza, a condição necessária e indispensável para que ela possa actuar nos corações. A graça do sacramento torna-se mais eficaz ou menos eficaz, conforme a disposição interior da pessoa.