O engano do ocultismo

21 de Julho de 2018 Não Por Pe Leo Orlando

Permito-me aqui transcrever algumas anotações do Padre Raul Salvucci, conhecido exorcista italiano.

Aqui devemos colocar uma pergunta fundamental: mágicos, feiticeiros, cartomantes, adivinhos, parapsicólogos, médiuns, curandeiros, etc., têm de verdade poderes paranormais, mas não têm autoridade nem a investidura da Igreja, a única que possui a salvação de Cristo; de quem e de onde tiram esses poderes extraordinários? Não há dúvida: os atingem do contato com os espíritos do mal. Jesus disse: «Quem não está comigo é contra mim, quem não recolhe comigo, dispersa».

Para aprofundar o discurso, lançamos um olhar indiscreto sobre o mundo do ocultismo, para ver claramente como funciona o engano colossal daqueles que dizem que quebram as facturas.

3. O ENGANO DAQUELES QUE QUEBRAM AS FACTURAS

Tendo explicado a primeira verdade fundamental de que «somente Jesus nos salva», passamos agora à segunda verdade, também fundamental: os “magos e semelhantes” não quebram, mas confirmam o mal das presenças maléficas.

PERGUNTA – Sabemos que muitos recorrem a mágicos, adivinhos e a outros mestres do ocultismo. Quando alguém sofre por distúrbios estranhos procura soluções recorrendo a estas pessoas. Eles explicam que lhe foi feito algum mal e lhe garantem de que são capazes de o libertar. Sabemos também que cobram grande somas de dinheiro, mas asseguram que irão quebrar os malefícios. Com esta finalidade dão também água ou sal abençoado, santinhos ou medalhas e outras coisas. É verdade que eles têm o poder de libertar de qualquer influência maligna ou é uma fraude?

R. – Sim, na verdade, é uma fraude colossal que produz bilhões de bilhões, sempre fugindo a qualquer controle fiscal, e os infelizes que a eles recorrem ficam pior do que antes. Pode servir de ajuda para entendermos melhor essa situação uma pequena composição encenada.

Estamos numa bela praça com colunas laterais: à direita, há dois jovens apaixonados. Para ajudar a memória, damos-lhes dois nomes que começam com a primeira letra do alfabeto: Armando e Ana. Eles amam-se e estão bem juntos. Do outro lado da praça há um jovem solitário, o Zeno, que está triste, sem amor, e olha com inveja para o Armando e a Ana. Um dia o Zeno tenta de se aproximar da Ana, depois tenta novamente e com insistência. A Ana entra em crise, declara ao Armando que precisa dalgum tempo para refletir, a seguir, um dia o Armando a vê serena e feliz com o Zeno.
O Armando fica desesperado, mas vai ao encontro dele uma amiga a quem revelou o acontecido. Na rua lateral da praça está o Mago do Oriente: «Vai ter com ele – sugere ela – tem poderes mágicos e é capaz trazer de volta a Ana para ti. Ele fez este trabalho para muitos outros, poderá faze-lo também para ti». O Mago do Oriente pede-lhe um milhão para a operação: «Eu espero – diz-lhe ele – que para trazer Ana de volta para ti, farei pelo menos que ela fique doente para ela não ir mais com o Zeno, depois com o tempo voltará para ti.» Na verdade, a Ana começa a sofrer fenómenos muito estranhos, tanto que os médicos não entendem nada e os medicamentos se revelam inúteis.

Um amigo da Ana dá-lhe uma sugestão: «Na esquina da praça está a feiticeira Sibila. Podem ter-te feito algo de mal, mas ela é capaz de te livrar disso». A feiticeira Sibila recebe a Ana e explica imediatamente: «Armando, o teu ex-namorado, fez-te uma factura porque o deixaste. Eu sou uma pessoa que não faz as facturas, mas que as quebra. Dá-me um milhão e meio, põe este saquinho de plástico e leva-o contigo nas tuas roupas íntimas, depois com isso eu farei alguns feitiços e serás libertada».

Deixamos agora os namorados e colocamos a questão fundamental: será que a maga Sibila é capaz de libertar a Ana?
Vamos tentar raciocinar: os poderes da Sibila vêm da mesma fonte do que o Mago do Oriente, isto é, do comércio com os espíritos do mal. O mesmo Jesus no Evangelho disse que todo reino que está dividido acaba em ruína. Não é possível que os que obtiveram poderes pelas forças do mal possam fazer o bem, prejudicando outro que está ao serviço do mesmo patrão.

Eu explico aos meus pacientes: se tu recebes a Comunhão do teu pároco, Jesus te faz um dom de amor, se tu a receber de mim, mesmo que eu não conheça o teu pároco, Jesus repete o seu dom de amor, se vai ao Santuário de Santo António de Pádua e lá uma religiosa que não conhecemos te dá a comunhão, Jesus ainda te dá o seu dom de vida e de amor: porque nós, sacerdotes, somos todos ministros do amor de Cristo onde quer que nos encontremos. Assim é para os operadores do mal: onde quer que estejam e em qualquer caso operem, eles são sempre ministros de satanás, por isso não podem fazer nada além do mal.

Mas se este discurso fosse teológico demais, fazemos agora outro exemplo mais concreto e mais acessível para esta sociedade materialista.
Se Maga Sibila tivesse libertado a Ana, teria posto nas dificuldades o Mago do Oriente, que recebeu um milhão (e sem nenhum recibo fiscal) e quem paga quer ver os efeitos prometidos.
Além disso, a pessoa que for atingida por este tipo de mal nunca se contenta de consultar um só mágico. Já vieram ter comigo pessoas que foram a dez, quinze, vinte e até mais. Ora, se a Ana, ficasse curada seria quebrado este negócio infernal de tantos desgraçados que percorrem o caminho perverso dos magos e feiticeiros.

Armando para atacar a Ana deu um milhão para o Mago do Oriente, mas Ana provavelmente após de ter dado um milhão e meio à Sibila, voltou outras vezes e, talvez chegou a dar-lhe mais dez milhões, somando às diversas consultas. De pessoas que globalmente pagaram enormes somas eu conheço muitas. Armando, o mandatário, deu um milhão, Ana, pode ter dado dez milhões. A verdadeira riqueza desses especuladores não vem daqueles que encomendam o malefício, mas sim das pobres vitimas que querem ser libertadas. O 70% deste rio de dinheiro que corre nesses ambientes vem das pessoas afectadas: se fosse verdade que um mago quebra o que eu outro fez, esta categoria de pessoas em breve deixaria de existir.

Consideramos, por exemplo, as facturas de morte para as quais se chega a pagar 20 milhões, dos quais a metade imediatamente, a outra metade quando a morte ocorreu. Como é possível que outro mago faça perder 10 milhões ao seu colega?

Só quem desconhece completamente esta mundo perverso pode ter a ilusão que existem magos que quebram os malefícios. Todo mundo faz e todo mundo finge de quebrar, é desta forma que se mantém o seu domínio comercial.

PERGUNTA – Sabemos que os magos e os bruxos têm muito trabalho, muitas vezes as
suas salas de espera estão superlotadas de pessoas. É possível que todas essas pessoas que vão ter com eles, pagam somas avultadas para não conseguir nada, antes, para piorar a sua situação, como você diz?

R. – Essa questão é realmente de grande interesse e eu respondo com três esclarecimentos.

1 – Essas pessoas têm realmente poderes paranormais, portanto conseguem ver o que normalmente não podemos ver; quando são consultadas, dizem coisas que impressionam: tu estás assim e assim, isto começou há dois anos e meio, porque tal pessoa te fez uma factura, por este motivo e assim por diante … O que dizem corresponde à verdade e a pessoa fica completamente desorientada e assustada, mas sente-se compreendida em tudo e este é já a primeira razão para um forte envolvimento.

2 – Faz parte deste sistema um fenómeno chamado “efeito suspensão”. Por um certo tempo, geralmente por alguns meses, suspendem completamente todos os efeitos negativos da maldição, de acordo com as forças do mal. Desta forma, se tornam confiáveis e têm sempre clientes que pagam.

3 – Ao mesmo tempo, dão pequenos objectos para o uso pessoal ou para manter em casa ou também algo para beber ou de muitas outras maneiras semelhantes, com isto, confirmam o que o primeiro mago fez, para que depois, passado o efeito “suspensão” fiquem pior do que antes. Não contei quantas pessoas recebi, que, depois de passar por tantos bruxos, vieram ter comigo. Refletindo juntos sobre este mecanismo diabólico, confessaram: «É verdade, depois de estarmos com eles parecia que estávamos melhores, mas na realidade a nossa situação foi gradualmente para o pior».

Raul Salvucci, Cosa face con questi diavoli, Ed. Áncora, 2002, 2ª Ed. pp. 81-85