19 – Religião e superstição

12 de Julho de 2018 Não Por Pe Leo Orlando

Voltamos a falar da atitude religiosa autentica.
Há uma atitude religiosa, quando uma pessoa crê em Deus, o adora, o louva, o bendiz, lhe agradece, lhe pede perdão dos seus pecados e lhos confessa, humildemente, entregando-Lhe, total e e incondicionalmente a sua vida, e se abandona, com plena e serena confiança, à Sua Providência divina; e sempre que o invoca e lhe ora, não está a pensar em obriga-Lo ou em querer dobra-Lo à sua vontade, mas apenas pretende obter a graça necessária para adequar-se àquilo que Deus quer, porque sabe que o seu verdadeiro bem é fazer a vontade de Deus (os santos dizem: “a vontade de Deus é o meu paraíso).

Há também uma atitude mágico-supersticiosa, quando uma pessoa, por meio de determinadas fórmulas, ritos, gestos, filtros, amuletos ou talismã, pensa proteger-se da má sorte e atrair a boa sorte e a riqueza ou adquirir um poder ou um domínio extrordinários sobre a realidade que o circunda, sujeitando misteriosas forças ocultas aos seus objetivos, para dirigir o curso dos acontecimentos e para influir nos outros para o seu próprio bem ou de quem se dirige a ela.

O exemplo prático, apresentado pelo conhecido estudioso do fenómeno mágico, Massimo Introvigne, ajudar-nos-á a compreender melhor esta situação.

“Se eu, ao precisar chuva, me dirigir a Deus com uma oração, sabendo que Ele, de algum modo, responderá de maneira soberana e livre à minha invocação (concedendo-me a chuva ou, ao invés, não ma concedendo) e permanecer firme na minha fé Nele, e sereno diante da Sua livre decisão, então a minha atitude será perfeitamente religiosa. Mas se, pelo contrário, eu tiver necessidade de chuva, e estiver convencido de que me bastará recitar uma fórmula para obrigar Deus ou uma divindade ou um espírito, ou, até talvez, o diabo, a fazer chover, então, assumo uma atitude verdadeiramente mágico-supersticiosa”

Portanto. distinção fundamental está no facto de o homem religioso se dirigir humildemente a Deus e Lhe dizer: “Seja feita a Tua Vontade”; enquanto o homem, a partir da atitude mágico-supersticiosa, completamente dobrado sobre se mesmo, dizer: “seja feita a minha vontade”.

(texto tirado de Francesco Bamonte, Bruxos, adivinhos, quiromantes, cartomantes. Como livrar-se dos charlatães, Paulinas 2012, pp. 71-72)

O Catecismo da Igreja Católica fala da superstição no contexto do pecado contra o primeiro mandamento: “Não terás outros deuses perante Mim”.

2110 O primeiro mandamento proíbe honrar outros deuses, além do único Senhor que Se revelou ao seu povo; e proíbe a superstição e a irreligião. A superstição representa, de certo modo, um excesso perverso de religião; a irreligião é um vício oposto por defeito à virtude de religião.

2111. A superstição é um desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Também pode afectar o culto que prestamos ao verdadeiro Deus: por exemplo, quando atribuímos uma importância de algum modo mágica a certas práticas, aliás legítimas ou necessárias. Atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição (Mt 23, 16-22).