19 – O ENGANO DO OCULTISMO

24 de Abril de 2019 Não Por Pe Leo Orlando

O ENGANO DE QUEM QUEBRA OS MALEFÍCIOS
Vamos agora responder à segunda questão fundamental: mágicos, feiticeiros, cartomantes, adivinhos, médiuns, espiritas, curandeiros, etc., têm de verdade poderes paranormais?
A resposta é afirmativa: sim, têm poderes paranormais, mas não têm a autoridade nem a investidura da Igreja, a única que possui a salvação de Cristo. Então, de quem, ou de onde eles tiram esses poderes extraordinários? Não há dúvida: conseguem-no pelo contacto com os espíritos do mal. Jesus disse: «Quem não está comigo é contra mim, quem não recolhe comigo, dispersa» (Mt 12,30). Mas, vamos lançar um olhar indiscreto sobre o mundo do ocultismo, para ver claramente como ele funciona e desmascarar o engano colossal daqueles que se dizem capazes de quebrar os malefícios.
Quando uma pessoa procura ajuda no ocultismo, o mágico explica-lhe que lhe foi feito um malefício e garantem-lhe que são capazes de o libertar e cobram por isso somas avultadas de dinheiro. Mas, é verdade que eles têm esse poder de libertar de qualquer influência maligna ou é uma fraude?
Respondemos: é uma fraude, uma grande fraude, uma fraude colossal que produz bilhões de bilhões de euros, quase sempre fugindo a qualquer controle fiscal e explorando a ignorância dos infelizes que a eles recorrem, os quais não melhoram, mas ficam pior do que antes. Pare entendermos como isto acontece, deixemo-nos ajudar por uma breve composição encenada.
Estamos numa bela praça com colunadas laterais: à direita, encontramos dois jovens apaixonados. Para ajudar a memória, damos-lhes dois nomes que começam com a primeira letra do alfabeto: Armando e Ana. Namoram, estão bem juntos. Do outro lado da praça, encontramos um jovem triste e solitário: o Zeno; ele tem inveja para com o Armando e a Ana que são felizes juntos. Um dia, o Zeno aproximar-se inutilmente da Ana, mas não se dá por vencido, tenta novamente e com insistência. Ana entra em crise, declara ao Ar-mando que precisa dalgum tempo para reflectir e, a seguir, um dia, o Armando vê a Ana serena e feliz com o Zeno.
O Armando fica desesperado, mas vem ao seu encontro uma amiga, à qual ele lhe revela o acontecido. Na rua lateral da praça está o Mago do Oriente: “Vai ter com ele – sugere ela – tem poderes mágicos e é capaz de te trazer de volta a Ana, fez este trabalho para muitos outros, poderá fazê-lo também para ti”. O Mago do Oriente pede-lhe mil euros para a operação: “Eu acho que – diz-lhe ele – para te trazer de volta a Ana, terei, ao menos fazer que ela fique do-ente para ela deixar de encontrar-se com o Zeno; depois com o tempo voltará para ti.” Na verdade, a Ana adoece, começa a sofrer fenómenos muito estranhos, tanto que os médicos não entendem nada disso e os medicamentos revelam-se inúteis.
A Ana encontra um amigo que lhe dá uma sugestão: “Na esquina da praça, está a feiticeira Sibila. Alguém te fez algo de mal, mas ela é capaz de te livrar disso.” A feiticeira Sibila recebe a Ana e explica-lhe imediatamente: “o Armando, o teu ex-namorado, fez-te um malefício porque tu o deixaste. Eu não faço malefícios, eu só os quebro. Dá-me mil e quinhentos euros, põe este saquinho de plástico nas tuas roupas íntimas e leva-o sempre contigo, depois, com isso, eu farei alguns feitiços e serás libertada “.
Deixamos agora os namorados e colocamos aqui a questão fundamental: será que, a maga Sibila, é capaz de libertar a Ana?
Serve uma breve reflexão que vamos fazer entre nós: os poderes de Sibila vêm da mesma fonte do Mago do Oriente, isto é, do comércio com os espíritos do mal. O mesmo Jesus disse que todo reino que está dividido em si mesmo acaba em ruína (Lc 11, 17). Não é possível que os que obtiveram poderes pelas forças do mal possam fazer o bem, prejudicando um outro que está ao serviço do mesmo patrão.
O Padre Raul Salvucci, continua: «Eu explico aos meus pacientes: se tu recebes a Comunhão do teu pároco, Jesus te faz um dom de amor, se tu a receberes de mim, mesmo que eu não conheça o teu pároco, Jesus repete o seu dom de amor, se vais ao Santuário de Santo António de Pádua e uma religiosa que não conhecemos te dá a comunhão, Jesus ainda te dá o seu dom de vida e de amor: porque nós, sacerdotes, somos todos ministros do amor de Cristo onde quer que nos encontremos. Assim é para os operadores do mal: onde quer que estejam e em qualquer circunstância que operem, são sempre ministros de Satanás, por isso não podem fazer nada além do mal».
Recorremos agora a um exemplo mais concreto e mais acessível para esta sociedade materialista. Se a Maga Sibila tivesse libertado a Ana, teria posto em dificuldades o Mago do Oriente, que recebeu mil euros (e sem nenhum recibo fiscal); e, quem paga quer ver os efeitos prometidos. Além disso, a pessoa que for atingida nunca se contenta em consultar um só mágico; há pessoas conhecidas que foram a dez, quinze, vinte e até mais. Se a Ana ficasse de verdade curada, em breve tempo, acabaria este negócio infernal de tantos desgraçados que percorrem o caminho nefasto dos magos e feiticeiros.
Armando para atacar a Ana gastou mil euros com o Mago do Oriente. A Ana, para se ver livre, gastou mil e quinhentos euros com a Sibila, mas, com certeza, deve ter voltado lá diversas vezes e, talvez, chegou a gastar com ela mais de vinte mil euros. A verdadeira riqueza desses especuladores não vem daqueles que encomendam o malefício, mas sim dos pobres afectados que se querem libertar.
Se fosse verdade que um mago quebra o malefício que outro mago fez, esta categoria de pessoas em breve tempo deixaria de existir. Só quem desconhece completamente a realidade perversa do ocultismo poderá ainda ter a ilusão de que existam magos que quebram os malefícios. Na verdade, todos os fazem e todos fingem de os quebrar, desta forma é que se mantém activo o seu domínio comercial.
Sabemos que os magos e os bruxos têm muito trabalho, as suas salas de espera estão sempre superlotadas. Como é possível que todas essas pessoas paguem somas avultadas de dinheiro para no fim não conseguir nada, antes, para piorar a sua situação? Será mesmo assim?
Essa questão é realmente de grande interesse e eu respondo com três esclarecimentos.
1 – Essas pessoas têm realmente poderes paranormais, portanto conhecem o que normalmente as pessoas não podem saber; quando uma pessoa vai ter com eles, dizem-lhe coisas que as impressionam: «Tu estás assim e assim, isto começou há dois anos e meio, porque tal pessoa te fez uma factura, por este motivo e assim por diante … ». O que eles dizem corresponde à verdade e isto deixa a pessoa completamente desorientada e as-sustada, mas, sente-se compreendida em tudo. É esta a primeira razão para um forte envolvimento.
2 – Faz parte deste sistema um fenómeno chamado “efeito suspensão”. Por um certo tempo, geralmente por alguns meses, os mágicos suspendem completamente todos os efeitos negativos do malefício, de acordo com as forças do mal. Desta forma, se tornam confiáveis e têm sempre clientes que pagam.
3 – Ao mesmo tempo, eles dão às pessoas pequenos objectos para o uso pessoal ou para manter em casa, ou também, dão algo para beber e, de muitas outras maneiras semelhantes, com isto, confirmam o que o primeiro mago fez, para que, depois de ter passado o efeito “suspensão” fiquem piores do que antes. Não contei as pessoas que recebi, que, depois de terem passado por tantos bruxos, vieram ter comigo e, reflectindo juntos sobre este mecanismo diabólico, confessaram: “É verdade, depois de estarmos com eles parecia que estávamos melhores, mas na re-alidade a nossa situação foi gradualmente para o pior”. (Raul Sal-vucci, indicações pastorais de um exorcista, pp. 81-85)