Ex opera operato – A eficácia dos Sacramentos

10 de Julho de 2018 Não Por Pe Leo Orlando

Os Sacramentos, segundo o ensinamento da Igreja, actuam “ex opere operato”. É esta uma expressão latina introduzida por São Tomás de Aquino, que quer dizer, pela força do próprio rito, independentemente da santidade do ministro.

Os sacramentos comunicam a graça santificante, que é a “participação na vida divina” de que falou São Pedro (1Pd 1, 4), que a pessoa recebe sempre que tenha as devidas disposições a recebê-la e não a poderá receber caso lhe ponha obstáculos.

Por isso os frutos dos Sacramentos dependem do esforço de conversão da pessoa; das suas disposições interiores.

Vamos ler o que diz o Catecismo da Igreja Católica:

1127. Celebrados dignamente na fé, os sacramentos conferem a graça que significam (43). Eles são eficazes, porque neles é o próprio Cristo que opera: é Ele que baptiza, é Ele que age nos sacramentos para comunicar a graça que cada sacramento significa. O Pai atende sempre a oração da Igreja do seu Filho, a qual, na epiclese de cada sacramento, exprime a sua fé no poder do Espírito. Tal como o fogo transforma em si tudo quanto atinge, assim o Espírito Santo transforma em vida divina tudo quanto se submete ao seu poder.
– 43 Cf. Concilio de Trento, Canones de sacramentos in genere, can. 5

1128. É esse o sentido da afirmação da Igreja (44): os sacramentos actuam ex opere operato (à letra: «pelo próprio facto de a acção ser executada»), quer dizer, em virtude da obra salvífica de Cristo, realizada uma vez por todas. Segue-se daí que «o sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas pelo poder de Deus» (45). Desde  que um sacramento seja celebrado conforme a intenção da Igreja, o poder de Cristo e do seu Espírito age nele e por ele, independentemente da santidade pessoal do ministro. No entanto, os frutos dos sacramentos dependem também das disposições de quem os recebe.
– 44 Cf. Concilio de Trento, Canones de sacramentos in genere, can. 8
– 45 São Tomás de Aquino, Summa Theologiae, 3, q. 68

1129. A Igreja afirma que, para os crentes, os sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação (46). A «graça sacramental» é a graça do Espírito Santo dada por Cristo e própria de cada sacramento. O Espírito cura e transforma aqueles que O recebem, conformando-os com o Filho de Deus. O fruto da vida sacramental é que o Espírito de adopção deifique ” os fiéis, unindo-os vitalmente ao Filho único, o Salvador.
– 46 Cf. Concilio de Trento, Canones de sacramentos in genere, can. 4

A doutrina católica afirma que o sacramento é eficaz “ex opera operato”, isto é, «pelo próprio facto de a acção ser executada», pôr si mesmo, por sua própria natureza.

No entanto, os frutos dos sacramentos dependem das disposições de quem os recebe.
É preciso tomar a sério esta afirmação afim de evitar uma interpretação errada ou mágica. De facto, certos fieis, a partir da convicção de que os sacramentos são eficazes por virtude própria, podem chegar à uma conclusão errada de que as disposições interiores da pessoa não contem absolutamente nada. Podem pensar que basta receber a água batismal para a graça entrar na alma; basta receber a Eucaristia para a graça crescer na alma; basta receber a absolvição para os pecados serem perdoados; e assim por diante.

Quando se ignoram ou não se dá a devida importância as disposições interiores, o sacramentos podem ser reduzidos a ritos mágicos, o que não está de acordo com a doutrina católica.

As disposições subjetivos não são certamente a causa da graça divina mas são a condição necessária e indispensável para ela poder actuar. A graça do sacramento torna-se mais eficaz ou menos eficaz, conforme a disposição interior da pessoa.

A disposição interior da pessoa não só é necessária, mas é também indispensável, embora opere de forma negativa: remove os obstáculos pessoais que impedem a eficácia da graça dos sacramentos. Não é suficiente por exemplo “ir comungar”, “ir confessar-se”, para receber a graça do sacramento: para comungar ou confessar-se é preciso ter certas disposições interiores.

Notemos que a doutrina católica dos sacramentos está longe dos dois exageros opostos: de um lado que tudo dependa dos sacramentos ou doutro lado que tudo dependa do sujeito. Este último, seria um erro mais fácil num ambiente protestante, que dá grande importância às disposições subjectivas (a fé e a confiança pessoal) e não à própria eficácia do sacramento. O exagero mais fácil em ambiente católico seria o esquecer as disposições interiores do sujeito. Quando a pessoa assume uma atitude meramente passiva, o rito sacramental não poderia não parecer um rito mágico.