17 – A acção ordinária do demónio

22 de Maio de 2018 Não Por Pe Leo Orlando

“Não podemos super-valorizar, tampouco subestimar ou ignorar a ação do Diabo”.

São Paulo alerta-nos: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra seres humanos, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas que dominam o mundo, contra os espíritos do mal que estão no céu.” (Efésios 6,11-12) São Paulo, depois de ter exortado os cristãos a levarem uma vida cristã coerente, acrescenta uma consideração surpreendente e iluminada: não tendes de lutar contra homens, mas contra as potestades do inferno. Isto significa que para os cristãos, não é suficiente lutar contra as tendências que estão dentro de cada ser humano, não é suficiente lutar contra os desvios do ambiente e da cultura, mas também deverão lutar contra inimigos invisíveis que são os demónios.

Este alerta de São Paulo válida para os primeiros cristãos é válida também pra nós hoje, como também será válida para os cristão de todos os tempos. Nada mudou e nada mudará sobre esta dupla realidade: a fragilidade humana e os ataques do inimigo. O perigo é sempre actual e a luta deve ser constante. O Apóstolo São Pedro dizia: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão raivoso, buscando a quem devorar; resisti-lhes firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições acontecem aos vossos irmãos em todo o mundo”. (1Pedro 5,8-9)
O Apóstolo São Pedro quando compara o inimigo a um leão raivoso, quer sublinhar que se trata de um grande perigo, por isso, ele insiste sobre a necessidade de vigiar e resistir. A vida eterna depende em grande parte dessa vigilância e resistência. Nessa luta, os recursos humanos são insuficientes, é necessário recorrer as armas sobrenaturais no arsenal da fé sobrenatural: resisti-lhe firmes na fé.

O diabo é também chamado “príncipe da mentira” porque ele entra disfarçadamente, escondendo-se, como se não existisse, mexendo com nossos sentimentos e nos tirando da comunhão com Deus.
Neste mundo decorre desde a origem e durará até ao fim do mundo uma batalha entre o bem e o mal. Os bons se subtraem ao poder do Inimigo e vivem segundo os mandamentos de Deus. Sabem que vivem neste mundo mas não lhe pertencem.
O mundo vive nas trevas dominado pelo diabo. Por isso, a batalha entre o bem e o mal consiste em estar do lado de Deus ou do Inimigo. Enquanto Deus é luz e nos ilumina com a verdade os Seus fieis, o diabo confunde os homens com as suas mentiras.

Na nossa sociedade em os homens vivem imergidos nos bens materiais e cada vez mais cegos às realidades sobrenaturais, falar de batalha espiritual pode parecer loucura. Mas não podemos deixar enganar: há um inimigo que deseja nos levar à perdição eterna… Trata-se do próprio Satanás”.
 
Como identificar o diabo e suas ações?
O Diabo age sutilmente. Gosta de passar despercebido, até fica contente quando os homens pensam que ele não existe, que não há pecado nem inferno porque assim tem maior liberdade e menos obstáculos em realizar os seus planos.
Podemos identificá-lo sempre que coloca em nosso coração e nossa mente a dúvida sobre a bondade e a justiça de Deus. Sua ação ordinária é a tentação, ele é o tentador por excelência. Todos os homens são sujeitos a essa sua ação, durante toda vida. Conhecemos as clássicas tentações.
Nem Jesus escapou às tentações, Ele também foi tentado com o ter, o prazer e o poder. E muitas são hoje as tentações que o Diabo usa para nos afastar e minar nossa comunhão com Deus. Ele faz parecer bom o que é mau. Causa em nossa mente confusão e isso gera sentimentos de vanglória, inveja, mentiras e discórdias.
As possessões diabólicas que são ações extraordinárias do demónio, são casos mais raros e, mais difíceis de identificar. É preciso um grande discernimento para reconhecer se é ação do diabo, por isso, temos de levar sempre em consideração o que nos ensina a doutrina tradicional da Igreja.
A Igreja ensina que o mal pode vir de três fontes:
1º. A “carne”: nossa inclinação ao mal, nosso ‘eu” egoísta.
2º. O “mundo” e suas seduções, os apelos exteriores para o mal (pornografia, maus exemplos e conselhos, prazeres da carne, etc).
3º. O “Diabo” especificamente (possessões), somente quando os focos acima forem descartados e não se explicar a origem para o mal em questão.

Não podemos super-valorizar, tampouco subestimar ou ignorar a ação do Diabo. Temos que pedir sempre a sabedoria e a luz do Espírito Santo para discernirmos entre o bem e o mal, o que vem de Deus e o que vem do Inimigo. Actualíssimo é o ensinamento de Jesus: “Vigiai e orai, para não caírem na tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt 26,41)

Como se colocar ao lado de Deus na luta entre o bem e o mal?
– Evitando as ocasiões de pecar, lembremos que o Diabo tenta nos vencer nos pontos que somos mais vulneráveis.
– Renunciando as falsas doutrinas e conhecendo Deus através das Sagradas Escrituras, foi como Jesus derrotou o Diabo no deserto. Não se trata de conhecer na ponta da língua a Palavra de Deus, pois até o próprio Diabo conhece, mas traze-la no coração e vive-la como Jesus e através dela estabelecer uma comunhão de amor com o nosso Pai do céu.
– A fé é determinante na batalha espiritual, aliada a ela está a oração e o jejum. Jesus pontuou esses três elementos: fé, oração e jejum para combater certos tipos de demónios (cf. Mt 17, 19-21).
– Não relaxar na vida sacramental, buscar com frequência o sacramento da confissão e receber, se possível diariamente a Sagrada Eucaristia. Isso nos dará a força na luta contra o mal, e é claro podemos contar com os sacramentais e as armaduras de combate que Deus nos dá e que São Paulo na Carta aos Efésios, capítulo 6, versículos 11 a 17, explica como e porque usá-las para a eficácia na luta contra as forças do mal.

Como conquistar em minha vida a vitória de Cristo sobre o mal?
– Abraçando a cruz, não existe vitória sem cruz. Façamos uso daquilo que o Senhor nos quer dar, e não me refiro a coisas materiais, mas à paz e à serenidade para carregarmos a cruz de cada dia. As vezes a gente quer as coisas por vias mais fáceis, mesmo que coloque em risco a salvação de nossa alma. Mas, o Senhor não nos prometeu que não teríamos problemas, sofrimentos e sim que estaria ao nosso lado no momento de enfrentá-los.
– A vitória conquistada por Jesus, tem que ser conquistada por cada um de nós na individualidade de nossa existência. Só conseguimos viver a vida nova que Cristo nos oferece quando nos tornamos mais que seus imitadores, nos tornamos seus seguidores, pisando em suas pegadas, vigilantes sobre nós mesmos, conscientes de nossa fragilidade e convictos da necessidade que temos da graça de Deus. Estamos no tempo da redenção, da libertação, sejamos fortes para travar a batalha espiritual, pois a vitória já está garantida em Cristo.

Mais informações em: http://www.petraeditora.com.br
http://www.padrereginaldomanzotti.org.br