16 – Como o Inimigo ataca

22 de Maio de 2018 Não Por Pe Leo Orlando

Jà falamos dos “exorcismos menores” (pequenos exorcismos) que sempre existiram e que ainda hoje são realizados no baptismo das crianças e nos escrutínio dos catecúmenos (terceiro, quarto e quinto domingo da quaresma). Tudo isso confirma que a Igreja está bem consciente de que o diabo actua, nos separa de Deus e quer deitar as nossas almas no inferno.
* Também falamos da importância da oração de cura interior, pois o inimigo entra pelas fendas das nossas fraquezas e feridas interiores do coração. Na medida que crescemos, amadurecemos, estamos a fechar as fendas que permitem ao inimigo de entrar.

Como é que o demónio ataca?
A forma mais comum é a tentação. Todos somos tentados, mas não podemos dizer que toda a tentação vem do demónio. São Tiago diz: “Cada um é tentado pela sua concupiscência, que o alicia e seduz.”(Tiago 1,14) E é verdade que na grande maioria dos casos, as tentações vêm das nossas más inclinações: “De onde vêm as guerras e as lutas que há entre vós? Não vêm precisamente das vossas paixões que se servem dos vossos membros para fazer a guerra?” (Tiago 4,1) Contudo não devemos desanimar porque: “Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas com a tentação vos dará a força para a vencer e para a suportar” (1Cor 10,13)
– Somos tentados nos pontos fracos: na sexualidade, na gula, na preguiça, nos maus pensamentos, na inveja, no desejo de vingança, pelo nosso egoísmo e orgulho, pelos nossos apegos desordenados às coisas e às pessoas, pelas nossas carências afetivas e feridas interiores.
– As tentações nem sempre são ruins, são positivas porque também elas nos ajudam a crescer: são como sinos de alarmes que nos avisam de um perigo. São alertas! Então podemos resistir, recorrendo a oração, renunciando ao mal e escolhendo a fidelidade ao Senhor, aos nossos compromissos e aos valores que orientam a nossas vida.
– Não podemos ignorar que as tentações pode vir também do demónio. Ele é chamado “o tentador” (Mt 4,3). Tentou o próprio Jesus (Mt 4,1), tentou os Apóstolos (Lc 22,31) e continua a tentar todos os discípulos de Jesus (Ap 2,10).
– O demónio actua aproveitando as nossas fraquezas pois tem mais possibilidade de nos vencer onde as nossas defesas são mais fracas.
– As tentações fazem parte da vida de todas as pessoas, mas o demónio pode entrar na nossa psicologia suscitando fantasias, lembranças, desejos e até distúrbios corporais que nos empurram para o pecado.
– Atrás das tentações esconde-se a astucia do inimigo e a sua persistência. Ele tenta e esconde-se para não o reconhecermos. Está escondido na avareza, nos desejos desordenados, nos ataques de raiva, nas ambições escondidas, nos nossos comportamentos estranhos.
– Seu objectivo é sempre o mesmo: obstácular ou interromper a nossa amizade para com Deus. Por isso é que pedimos sempre ao Pai: “não nos deixeis cair na tentação, mas livrai-nos do Maligno”. Jesus com a Parábola do juiz e da viúva a obrigação de orar sempre, sem desfalecer afim de vencermos as tentações.

Além das tentações, há outras formas mais graves com que o inimigo pode atacar, como por exemplo a opressão, que podem produzir cansaço, confusão e bloqueios mentais, faltas de concentração e desmaios. Outras formas prejudicam os relacionamentos familiares e sociais, produzem conflitos, raiva, exaltação, gritos, agressões, desejos de vingança e de morte. Outras formas podem prejudicar o trabalho, a economia, a vida profissional. Mas disso poderemos falar outra vez.
– É Importante por enquanto saber que o demónio pode entrar através das feridas abertas da nossa psicologia. Por isso, antes da oração de libertação, é muito importante a oração de cura interior, sem despreciar o recurso aos médicos e aos medicamentos.
– O demónio entra através da memória: da imaginação, da fantasia, das carências afetivas, dos desejos desordenados ou insatisfeitos. Entra através dos olhos: pornografia, impureza, imoralidade. Entra através dos ouvidos e da língua: conversas indecentes, fofocas, maledicência, inveja …
– Para o demónio entrar deve haver consentimento. Os homens sabem que é mal e não o querem, mas podem ceder por causa do cansaço, da fraqueza, das carências afetivas, das feridas emocionais, dos desejos insatisfeitos, pela falta de fé e de oração. Desta forma consentem, abrem as portas ao diabo, quase sem se se dar conta daquilo que estão a fazer. É por causa da consciência adormecida. Só mais tarde se dão conta de que há algo que os perturba.
– Como é Ele nos engana? O demónio actua sempre ao nível da sensibilidade, cega a ração e a consciência moral, impede quer se recorra a reflexão racional e à recta consciência, isto é, aos valores morais e religiosos que orientam a sua vida.
– Para compreender melhor este ponto é necessário conhecer os três níveis da consciência. O primeiro nível é a sensibilidade, ela vibra, é o primeiro contacto com a realidade. É precisamente a este nível que o diabo actua: pode estimular a fantasia com seduções e atrações, pode produzir imagens e desejos sexuais e outras imagens. Mas não pode produzir nada que não esteja já presente na nossa mente e afetividade. Ele pode propor o pecado mas não constringir a pecar; ele não tem poder sobre o livre arbítrio. A escolha depende sempre do homem, da sua livre vontade. Por exemplo, o diabo pode oferecer dinheiro, mas não pode constringir o homem a recebe-lo; pode estimular a sexualidade, mas não a cometer o acto impuro. Ele pode influenciar a mente, a nossa fantasia, mas não a nossa vontade.
– O segundo nível é a razão: quando entra em acção percebemos que uma coisa pode ser desejável mas não é boa e podemos optar para o bem.
– O terceiro nível, mais profundo, é consciência moral, com a qual percebemos se uma coisa está de acordo com os valores morais e com a nossa fé.
– O demónio não pode impedir o livre arbítrio, mas engana-nos, cega-nos quando não usamos a razão e a consciência moral ou quando estão escurecidas pelo vícios. Ficamos como cegos e caímos.

As presas preferidas.
Satanás tem vítimas preferidas. Não ataca todos os homens com o mesmo furor. Aliás nem precisa: os cristãos medíocres e os pecadores inveterados já lhes pertencem. A sua raiva orienta-se especialmente conta os convertidos, contra aqueles que querem ser fieis ao Senhor. Eles são pecadores mas não desistem, mesmo quando caem se levantam, recomeçam de novo, assim se subtraem continuamente ao seu império. Satanás assalta os cristãos fervorosos, isto é àqueles que com todas as forças assumem a missão de evangelizar, de espalhar o Reino de Deus. Desencadeia todos os seus esforços contra os santos.
Ele procura com todas as suas astúcias de impedir a prática dos sacramentos e da oração porque são os meios privilegiados que alimentam a nossa amizade com Deus. Sobretudo, não quer que se cultive uma verdadeira e filial devoção à Virgem Maria.

As suas estratégias
Satanás quer passar despercebido, até fica contente quando os homens pensam que ele não existe, desta forma pode actuar em plena liberdade e sem encontrar obstáculos. Enquanto os grandes deste mundo são ávidos de publicidade (políticos, comerciantes, artistas) e querem que todos falem deles, o demónio não. Este monstro de orgulho parece ser um modelo de humildade, não quer de forma nenhuma aparecer. Quer ser ignorado, passar despercebido para assim realizar os seus plano de ódio contra Deus, contra a Igreja, contra toda a humanidade. Podemos dizer que o demónio alegra-se com o grande silêncio que exista a seu respeito também na igreja.

João Paulo II numa mensagem de 31 de março de 1985 afirmava: “Não se deve ter medo de chamar por nome o primeiro artífice do mal: o Maligno. A tática que aplicou e que aplica consiste em não se revelar para que o mal difundido por ele desde a origem se desenvolva por acção do próprio homem, entre as classes e as nações … a fim de que o mal se converta cada vez mais num pecado estrutural e cada vez menos se possa identificá-lo como pecado pessoal: numa palavra, a fim de que o homem se sinta num certo sentido “libertado” do pecado, enquanto ao mesmo tempo se afunda cada vez mais nesse pecado”.