14 – O Principe deste mundo

22 de Maio de 2018 Não Por Pe Leo Orlando

* São João chama o diabo “o príncipe deste mundo ou o dominador deste mundo” (Jo 12,31; 14,30) porque ele exerce o seu domínio sobre aqueles que vivem nas trevas tendo recusado Jesus que é a Luz verdadeira (Jo 1,9-10). Ao fim da Última Ceia Jesus disse aos seus discípulos: “Já não falarei muito convosco, pois está a chegar o dominador deste mundo; ele nada pode contra mim, mas o mundo tem de saber que Eu amo o Pai e actuo como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui!» (Jo 14,30).

* O poder do diabo é chamado “domínio das trevas” (Lc 22,53). São Paulo afirma-o claramente, pois Jesus veio a este mundo para nos libertar do poder das trevas: “Foi Ele que nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o Reino do seu amado Filho, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados” (Col 1,13).

Satanás nada pode contra Jesus porque Ele é o Filho Unigénito gerado e não criado por Deus Pai antes da criação do mundo. Tudo quanto existe, o céu e a terra, todas as criaturas visíveis e invisíveis, tudo foi criado por Ele e sem Ele nada foi feito. Jesus é o Rei soberano do Universo sendo Ele mesmo o Criador em profunda Comunhão com o Pai é o Espírito Santo, a Santíssima Trindade, único e eterno Deus.

São Paulo na Carta aos Colossenses (1,15-20) fala do poder absoluto de Cristo em ordem à criação e à redenção:
Em ordem à criação: É Ele (Jesus) a imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criatura; porque foi nele que todas as coisas foram criadas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, os Tronos e as Dominações, os Poderes e as Autoridades, todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. Ele é anterior a todas as coisas e todas elas subsistem nele.
Em ordem à redenção: É Ele (Jesus) a cabeça do Corpo, que é a Igreja. É Ele o princípio, o primogénito de entre os mortos, para ser Ele o primeiro em tudo; porque foi nele que aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e, por Ele e para Ele, reconciliar todas as coisas, pacificando pelo sangue da sua cruz, tanto as que estão na terra como as que estão no céu.

O Evangelho de São Marcos quando fala da Ascensão de Jesus ao Céu, diz: ”Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus.” (Mc 16,19). Sentar-se à direita de Deus é um imagem para dizer que Jesus é Deus e tem o mesmo poder do Pai.

No Evangelho de São Mateus, Jesus aparece como Rei Eterno a julgar os vivos e os mortos: “Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos.” (Mt 25,32-33)

Um duro combate atravessa a História da humanidade
O Concilio Vaticano II na Constituição Pastoral da Igreja no mundo contemporâneo afirma que: Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa, com efeito. toda a história humana; começou no princípio do mundo e, segundo a palavra do Senhor, durará até ao último dia. Inserido nesta luta, o homem deve combater constantemente, se quer ser fiel ao bem; e só com grandes esforços e a ajuda da graça de Deus conseguirá realizar a sua própria unidade. (Gaudium et Spes, 37)

Jesus antes de enfrentar a Sua Paixão, disse: “Eu Sou a Luz do mundo; quem Me segue não caminha nas trevas porque encontrou a Luz da Vida” (Jo 8,12).
Em baixo desse versículo, a Bíblia de Jerusalém tem uma nota muito intensa. Diz o seguinte (omito as citações bíblicas): O dualismo “luz-trevas” carateriza os dois mundos opostos do bem e do mal. Dois “impérios” sob o respectivo domínio de Cristo e de Satanás. Um procura vencer o outro, por isso os homens, se dividem em “filhos da Luz” e “filhos das trevas”, segundo que vivem sob o domínio de Cristo que é Luz ou sob o domínio de Satanás que é trevas. Uns e outros se reconhecem pelas suas obras. Neste mundo vivem juntos num doloroso combate, a separação entre uns e outros só se realiza no fim, quando as trevas serão definitivamente vencidas.
Existe portanto um conflito permanente entre os filhos da Luz e os filhos das trevas. De facto não pode haver conciliação entre o Povo de Deus e os seguidores de Satanás. A oposição Luz-trevas do Evangelho é muito clara e significativa.

Temos agora os elementos suficientes para compreender que o poder do Maligno é limitado, não é comparável de forma nenhuma a poder de Cristo que é absoluto.

O Apóstolo São João afirma: “Nós bem sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca, mas o Filho de Deus o guarda, e o Maligno não o apanha. E bem sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno.” (1Jo 5,18-19)
– Ele diz que “o mundo inteiro” está sob o poder do Maligno: com a palavra “mundo” ele entende os incrédulos, aqueles que “o deus deste século cegou o entendimento” (2Co 4,4). João tem em vista aqui a sociedade [sem Deus] dominada pelo diabo e pelo pecado. É uma constatação. O mundo é o conjunto dos homens que rejeitam a Deus e, por isso, caem sob o domínio do diabo.
– Jesus disse que o diabo é “o príncipe” ou “dominador” deste mundo. As palavra “príncipe ou dominador” devem ser entendidas no sentido figurado. O diabo tem poder mas é um poder limitado sendo ele uma criatura, recebeu a vida e não dá vida a ninguém. Seu poder é limitado, só pode o que Deus lhe permite.
– São Tomás de Aquino explica que o diabo usurpa o poder que só a Deus pertence. Contudo, ele não domina tudo, só domina sobre “o mundo”, isto sobre os homens carnais que desprezam a Deus. Só domina sobre aqueles que vivem nas trevas e se submetem ao seu poder.
– Satanás é chamado “príncipe deste mundo” não por um poder natural, mas sim porque, de alguma forma, há pessoas que o seguem. Ele não governa o mundo inteiro, só Deus é soberano absoluto do universo. O diabo domina apenas sobre os incrédulos (2Tim 2,26). Os crentes fogem ao seu domínio, porque vivem neste mundo mas não lhe pertencem porque Cristo os libertou do domínio de Satanás (Col 1,13).