11 – Alguns sinais sacramentais

24 de Abril de 2019 Não Por Pe Leo Orlando

Estamos a falar dos sacramentos e dos sacramentais. Os sacramentos são sete e foram instituídos por Jesus Cristo. Os sacramentais são inúmeros e foram instituídos pela Igreja. Os sacramentos conferem a Graça Santificante; os sacramentais as graças actuais. Os sacramentos operam “ex opera aperato”, isto é pelo facto de serem celebrados. O sacramentais “ex opera operantis, isto é pela fé.

O sinal sacramental mais conhecido é certamente o sinal da cruz. Com ele, afirmamos pelo menos três verdades fundamentais de nossa fé:a Santíssima Trindade, o Mistério da Encarnação e declaramos a nossa pertença a Cristo que nos salvou por Sua cruz (Catecismo, n.1235).
* O sinal da cruz é uma maneira rápida de se conectar profundamente com Deus. Com o sinal da cruz iniciamos todas as nossas orações, por isso temos de o fazer bem, sem pressa, com a maior devoção e respeito.
* A medalha ou cruz de São Bento é um sinal sacramental. É considerada poderosa porque contém uma oração de libertação ou de exorcismo: “A cruz sagrada seja a minha Luz. Não seja o dragão o meu guia. Retira-te Satanás. Nunca me aconselhas coisas vãs. É mal o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo o teu veneno.

Se observarmos os elementos e os objetos que a Igreja costuma abençoar reparamos que têm um alto significado simbólico. É importante conhecer este significado simbólico porque os sacramentais, tal como os sacramentos realizam o que significam. A agua, o sal e o azeite são os três sinais sacramentais que são geralmente usados no exorcismo e na oração de cura e libertação. São elementos poderosos porque têm um alto significado simbólico.

1. A água está profundamente ligada ao Sacramento do Batismo, o sacramento da Vida Nova. A água é sinal de vida, onde há água há vida. Sem água morremos. A água lava e purifica, sinal de purificação interior, da passagem do pecado para a vida da graça. Jesus dá-nos a Água Viva do Espírito. Pela água batismal somos lavados, purificados e renascemos pela água e pelo Espírito Santo. A água benta é sinal do batismo, sinal de purificação e de renascimento espiritual.
– Uso específico da água. No ritual dos exorcismos (41-42) encontramos duas orações de benção da água.
– A primeira pede ao Senhor: “infundi sobre este elemento natural, a água, o poder da Vossa Bênção para que esta Vossa criatura receba a eficácia da graça divina para repelir os demónios e afastar as doenças … os lugares onde for aspergida sejam livres de toda a adversidade e das ciladas do inimigo … os vossos fieis sejam protegidos de todos os perigos”. A água serve para repelir os demónios, afastar as doenças, purificar os ambientes, proteger os fiéis.
– A segunda pede ao Senhor que a aspersão desta água nos traga os três grandes benefícios: o perdão dos pecados, a proteção divina sobre todos os males e defesa contra as ciladas do Maligno.
– Quanto a eficácia da água benta ou exorcizada, a sabedoria popular, para indicar que duas coisas absolutamente opostas, diz que são como o diabo e a água benta.

Grande deve ser a virtude da água benta; para mim, é particular e muito notória a consolação que experimenta a minha alma quando a tomo. É muito comum sentir um recreio espiritual que não saberia exprimir; é como que um deleite interior que me conforta toda a alma. Isto não é imaginação nem coisa que me tenha acontecido só uma vez: aconteceu-me muitíssimas vezes, e tenho-o verificado com grande advertência». (Livro da vida, 31,4)
Um dia em que Santa Teresa foi cruelmente atormentada pelo diabo e conseguiu libertar-se usando a água benta:
«Como o tormento não cessava, disse às que me rodeavam: «Se não se rissem, pediria água benta. Trouxeram-na e aspergiram-me com ela, mas sem resultado. Tomei-a eu e lancei-a para o lugar onde estava o demónio, e imediatamente fugiu, e desapareceu-me todo o mal, como se mo tivessem tirado com a mão. Apenas fiquei cansada, como se me tivessem dado muitas pau-ladas» (Livro da vida, 31,5)
A irmã Ana de Jesus, secretária de Santa Teresa, deixou o seguinte testemunho: «A Santa não empreendia nunca uma viagem sem levar consigo água benta. Sofria muito se se esquecia. Por isso, todas nós levávamos um pequeno frasco de água benta pendurado à cintura e ela queria levar o seu». (George Huber, p. 91)
Haverá quem sorria diante deste costume desta mulher extra-ordinária, como é Santa Teresa de Ávila, elevada pelo Papa Paulo VI à dignidade de Doutora da Igreja universal, mas os seus conselhos são válidos também para nós, hoje.

2. O sal é sinal da vida nova em Cristo. Como o sal da sabor aos alimentos, os conserva, os preserva da deterioração, da corrupção, assim o sal bento é sinal da presença do Espírito Santo, que com a Sua Sabedoria e Fortaleza, dá sabor a nossa, a preserva do pecado e faz crescer para a vida eterna. Neste sentido Jesus disse: vós sois o sal da terra e a luz do mundo.
– A oração de bênção do sal diz: “Deus eterno e omnipotente abençoai este sal, Vós que ordenastes ao profeta Eliseu que o misturasse na água para remediar a sua esterilidade. Fazei que mediante da aspersão purificadora do sal e da água, sejamos livres do poder do inimigo e sempre protegidos pela presença do Espírito Santo” (Ritual, 43)
– O sal exorcizado, tal como a água, serve para expulsar os demónios e para preservar a saúde da alma e do corpo. Mas uma das suas propriedades específicas consiste em proteger os lugares da influências ou presenças maléficas. Habitualmente, nestes casos, aconselha-se espalhar o sal exorcizado sobre a soleira da porta da casa e nos quatro cantos da divisão ou divisões que se suspeita estarem infestadas.

3. O óleo é símbolo da unção do Espírito Santo. O óleo. tem uma relação especial com o Espírito Santo, tal como a água e o sal. O óleo dá brilho em tudo aquilo que toca; dá gosto aos alimentos e espalha um bom perfume. Por isso o óleo é sinal do Espírito Santo que dá brilho, sentido, perfuma e ilumina a nossa vida.
– O óleo era usado para curar os doentes, por isso é sinal de Jesus que pelo Espírito Santo, nos cura e liberta.
– No Sacramento do Baptismo, fomos ungidos com o óleo dos catecúmenos e com o sacro crisma; a unção do Sacramento da Santa fortalece e cura dos doentes; a unção com o sacro crisma no Sacramento do Crisma dá-nos a força do Espírito Santo para testemunharmos a Ressuscitado do Senhor; e no Sacramento da Ordem consagra os sacerdotes para celebrar os sacramentos.
– Uso do azeite bento ou exorcizado. O óleo é usado no sacramento dos Enfermos é para curar ou fortalecer o doente. Com este mesmo sentido é utilizado na oração de cura e libertação.
– Na oração para a bênção do óleo pede-se ao Senhor que os fieis “por este santo óleo sejam livres do poder do inimigo e fiquem curados de todas as doenças”. O óleo exorcizado, utilizado com fé, enfraquece o poder dos demónios e faz recuperar a saúde da alma e do corpo.

4. As velas acesas, são símbolos luz que vence as trevas, da visa que vence a morte. Onde há fogo há luz e vida. Jesus disse assim: “Quando acendemos uma vela, colocamo-la, não é para a colocarmos debaixo da mesa, mas sobre o castiçal, para que ela ilumine a todos que estão em casa. Assim também deve brilhar vossa luz diante dos homens, para que eles vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,14).
– Jesus comparou a fé a uma vela acesa. Aquele que vive sua fé, é como uma vela acesa que ilumina os outros. Acendemos uma vela no Círio pascal: a nossa fé que nasce em Jesus, Luz do mundo.
– Acendemos as velas na igreja, no altar, aos pés das imagens de Jesus ou de Nossa Senhora para nos lembramos que estamos na presença de Deus.
– Acendemos velas em casa para dizer que velamos, estamos na presença do Senhor. Acendemos uma vela a Fátima para pedir uma graça a Nossa Senhora. Percebemos que acender uma vela não é apenas riscar um fósforo e deixar arder uma vela, mas é sinal da nossa oração e da nossa confiança, do nosso amor filial a Virgem Santa. É sinal dos nossos sacrifícios que oferecemos a Deus.

O Padre Gabriel Amorth explica que:
O óleo exorcizado tem a propriedade específica de libertar o corpo do malefício. Muitas pessoas ficam vítimas de bruxaria ou malefícios comendo ou bebendo qualquer coisa maléfica. Estas pessoas, durante a oração arrotam, têm a tendência de vomitar e até chegam mesmo a vomitar. Os arrotos e a tendência a vomitar podem acontecer também quando estas pessoas vão á igreja ou quando rezam em casa.

Nesses casos, o uso do óleo exorcizado é de grande ajuda para despegar e libertar o corpo dessas impurezas. Pode-se também beber água benta com esta finalidade.

O Vaticano II, retomando os termos do Direito Canônico (Can. 1166), define-os como “os sinais sagrados com os quais por uma certa imitação dos sacramentos têm significado e obtêm efeitos especialmente espirituais, pela intercessão da Igreja”. Quem os utilizar com fé obtém resultados inesperados. Sei de muitos males rebeldes aos medicamentos que desaparecem unicamente porque o interessado tinha feito sobre ele um sinal da cruz com óleo exorcizado.

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