9 – Os sacramentais

22 de Maio de 2018 Não Por Pe Leo Orlando

Precisamos de Deus, tal como precisamos da comida, da água e do ar que respiramos. Por isso, O procuramos na Sua Palavra, na oração e nos sacramentos. Os fracassos, as doenças e as contrariedades da vida, tudo nos impele a procurar a Deus. Tudo nos impele a procurar os verdadeiros valores da vida. A oração e os sacramentos alimentam a nossa alma. Orar, confessar-se e ir à Santa Missa não é um dever, é uma necessidade. Se os encaramos como um dever, bem depressa os deixaremos, mas quando compreendemos que são uma necessidade para alimentar a nossa alma, mesmo que custem sacrifício, nunca os deixaremos.

Hoje falamos dos Sacramentais.

Pedimos ao sacerdote a bênção dos terços, crucifixos, medalhas e outros objectos religiosos. Pedimos a bênção de imagens ou estatuas de Nossa Senhora, do Sagrado Coração de Jesus e dos Santos. Pedimos a bênção das nossas famílias, das nossas casas, dos lugares de trabalho, dos carros, de alimentos, dos medicamentos e até dos nossos próprios corpos. Por que é que pedimos essas bênçãos? Porque acreditamos que onde existe a bênção de Deus o demónio não pode tocar.
• As bênçãos do Papa, dos Bispos e dos sacerdotes; as inúmeras bênção a pessoas, casas, objectos devem ser entendidas como gestos sacramentais.

Fazemos gestos sacramentais com grande simplicidade e espontaneidade, mas sem saber que são gestos sacramentais. Por exemplo:
– Ao entrarmos numa igreja, movidos pela nossa fé, fazemos o sinal da cruz, nos persignamos molhando os dedos na água benta, ajoelhamos diante do Sacrário, rezamos algumas orações, como o Pai-Nosso, a Ave Maria e o Glória. Fazemos tudo isso com muita espontaneidade sem termos a noção de que são gestos sacramentais.
– Iniciamos a nossa oração da manhã e da noite com o sinal da cruz, nos persignamos com água benta, aspergimos a água benta em casa, ungimo-nos com óleo abençoado. Mesmo sem o saber, estamos a realizar gestos sacramentais.
– O exorcismo, a oração de cura e libertação são sacramentais, mas disso falaremos noutra ocasião.
– Os Sacramentais são gestos simples, concretos, próximos de nós, sempre ao nosso alcance, acompanham todas as circunstâncias da nossa vida. São gestos simples, de fé, que nos colocam à presença de Deus, em comunhão com o Deus; sentimos que Ele nos ama, nos abençoa, nos ajuda e fortalece.

São gestos de fé que produzem grandes benefícios espirituais.
O Concílio afirma: «A Santa mãe Igreja instituiu também os sacramentais. Estes são, a imitação dos sacramentos, sinais sagrados … Por meio deles dispõem-se os homens para a recepção do principal efeito dos sacramentos e santifica-se as várias circunstâncias da vida» (Sacrosantum Concilum n. 60) 

Com eles levamos a bênção de Deus em todos os lugares e circunstancias da nossa vida. “Não há uso honesto das coisas materiais que não possa ser santificação para que os homens dêem louvor a Deus.”(Sacrosanctum Concilium, 61)

A palavra Sacramental significa “semelhante a um Sacramento”,
mas há grandes diferenças entre uma coisa e outra:

1. Os sacramentos foram instituídos por Jesus Cristo. Os sacramentais foram instituídos pela igreja.
2. Os sacramento são sete: batismo, crisma, eucaristia, confissão, unção dos enfermos, ordem e matrimónio. O sacramentais e não tem um número definido.
3. Os Sacramentais conferem a Graça divina “ex-opere operato”, isto é, pelo facto de serem celebrados. Os Sacramentais produzem seu efeito “Ex opere operantis”, isto é, pela fé daquele que o dá e daquele que os recebe.
4. Os sacramentos conferem a Graça divina, ou graça santificante: o batismo torna-nos filhos de Deus; o crisma dá o dom do Espírito Santo como no dia de Pentecostes; a confissão perdoa os pecados; a Eucaristia é o próprio Jesus. Os sacramentais conferem as graças actuais de que precisamos para vivermos a nossa fé:, mas as graças atuais que fortalecem a nossa fé e nos ajudam a viver com a força de Deus os momentos de dificuldade que encontramos na vida.
5. Para recebermos com fruto as graças dos sinais Sacramentais, é necessário confiar em Deus, com humildade, sinceridade e amor. É importante ter uma consciência recta, uma boa disposição interior de respeito, reverência e adoração, o desejo de fazer o bem segundo a vontade de Deus e aceitar a Sua divina vontade.
6. Os sacramentais, não conferem a graça dos sacramentos, mas são de grande ajuda para recebermos o renovarmos a Graça dos Sacramentos.
7. Não nos santificam como os sacramentos, mas ajudam a santificar as mais diversas circunstâncias da vida humana.
8. A sua eficácia deriva sempre do Mistério Pascal, isto é da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.
9. Os Sacramentais despertam no cristão sentimentos de amor santo e de fé (Catecismo da Igreja Católica, 1670-1667). Os sacramentais nos preparam para receber as graças de Deus e cooperar com as graças que Deus nos concede. São, por si mesmos, – como o próprio nome indica, – atos fugazes e transitórios e, não permanentes, como no caso dos Sacramentos.

Os Sacramentais
– são Orações que rezamos sozinhos ou em conjunto em casa ou na igreja (terços, ladainhas, invocação dos santos).
– a renuncia e a profissão de fé: renuncias a Satanás e fé na Santíssima Trindade, na Igreja, na Vida eterna.
– são gestos: o uso da água benta e certas unções que se usam na administração de alguns Sacramentos e que não pertencem à sua essência.
– são Alimentos: indica o uso do pão bento, medicamentos ou outros alimentos santificados pela bênção de um Sacerdote.
– podem ser Dadivas: esmolas ou doações, espirituais ou corporais, bem como os atos de misericórdia prescritos pela Igreja. Sabemos que com as esmolas, os sacrifícios e as penitencias podemos fazer o bem ao próximo: a conversão dos pecadores, ajudar as almas do Purgatorio, pedir a cura dos doentes. A caridade fraterna expia os pecados e fortalece as virtudes que a acompanham.

Quanto as bênção dos objetos devoção, como medalhas, velas e escapulários, também são considerados Sacramentais: o Crucifixo, a Medalha de Nossa Senhora das Graças e a Medalha de São Bento estão entre os maiores exemplos
Nota: É importante saber que para nós os objectos religiosos não são “talismãs” nem “amuletos da sorte”, mas sim, sinais visíveis de nossa fé. Não têm poderes mágicos, mas nos ajudam a confiar em Deus, neste sentido confirmam e alimentam a nossa fé.

Efeitos dos Sacramentais
Perdoam os pecados veniais por via de impetração, enquanto que, pelas boas obras que fazem praticar e pela virtude das orações da Igreja, excitam-nos aos sentimentos de contrição e atos de caridade.
Às vezes, perdoam toda pena temporal dos pecados passados, em virtude das indulgências que costumam acompanhar o uso dos Sacramentais.
Obtêm-nos graças temporais, se convenientes para nossa salvação. Por exemplo, a restauração da saúde corporal, a proteção numa viagem perigosa, etc.

No caso do crucifixo, em sua forma clássica ou na versão de São Damião, representam nossa fé na palavra do Cristo, que diz que todo aquele que quiser segui-lo deve carregar a sua própria cruz. Sabemos muito bem que a cruz que devemos carregar não é esta pequena peça que trazemos ao pescoço, pendendo de um cordão ou de uma correntinha, mas é uma maneira de nos lembrarmos sempre disso, além de funcionar como uma espécie de testemunho de nossa fé.

Quantas graças, quantas dádivas da Santa Igreja à nossa disposição!