6 – A oração do coração

22 de Maio de 2018 Não Por Pe Leo Orlando

* Desde pequenos na catequese aprendemos a oferecer a Deus as obras do dia e a pedir a Sua ajuda. Como cristãos fomos habituados, a fazer esta oferenda diária ao Senhor. Quem ama o Senhor, deseja cumprir a Sua vontade sempre, mesmo quando está doente. A oferta voluntária do sofrimento é um ato de amor que muito agrada a Deus. Como Jesus entregou a sua vida por nós, para a nossa salvação, também nós podemos entregar a Ele a nossa vida. Podemos entregar tudo, mesmo o nosso sofrimento, oferecé-lo por amor, para reparar os nossos pecados e pela salvação das almas. 
* As pessoas que sofrem doenças espirituais podem fazer esta oferenda de amor e assim chegar à feliz descoberta de que, os seus sofrimentos são fecundos, produzem frutos de conversão para si próprios, para a sua família e para muitas pessoas. Além disso, ficam aliviados nos seus sofrimentos, consolados e fortalecidos na luta contra os demónios. O Inimigo ataca-os para os afastar de Deus, mas Deus dá-lhes força para O vencer. O sofrimento oferecido por amor é uma grande fonte de libertação, uma arma poderosíssima contra os demónios. 

Hoje falamos da ORAÇÃO DO CORAÇÃO.

O Senhor Jesus ensinou a orar sempre, dia e noite, sem cessar. Por isso, a nossa oração deve ser constante. Devemos orar sempre, mesmo quando estamos a dormir: “Eu durmo mas o meu coração esta desperto” exclama a esposa do Cântico dos Cânticos. Jesus ensina que a oração tem de ser contínua: “É preciso orar sempre” (Lc 18,1); São Paulo exortava aos cristãos: “Sede sempre alegres, rezai sem cessar, e, em todas as circunstâncias, daí graças a Deus” (1 Tes 5,16-18). A oração é como o ar que respiramos e acontece quando nos lembramos continuamente Daquele que é a fonte da nossa vida, o nosso tudo.

O Catecismo da Igreja católica (2698) ensina:
A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a nutrir a oração contínua. Alguns são cotidianos: a oração da manhã e da tarde, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos. Depois fala da oração vocal (2700), da meditação (2705), e da contemplação (2709).

O hábito de orar todos os dias, produz a oração contínua. O Espírito Santo é o Mestre interior da oração, Ele ora em nós e por nós. É Ele quem inspira a oração.

Jesus respondeu à Samaritana, e disse-lhe: “Quem beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede, porque a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.” (Jo 4,13-14)

O que é esta “água viva”?
Jesus estava a falar do Espírito Santo. O Espírito Santo é “a fonte de água viva que jorra para a Vida eterna” (Cf. Jo 4,14). Jesus ensina-nos a atingir essa fonte INESGOTÁVEL, dessa ÁGUA VIVA que jorra para sempre, para a vida eterna. A Samaritana era uma pessoa sedenta e as fontes mundanas a deixavam sempre insatisfeita, mas quando Jesus lhe falou da FONTE DE ÁGUA VIVA, da Água do Espírito Santo, ela, mesmo sem compreender, pediu-Lhe: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não mais tenha sede” (Jo 4,15).

Como se chega à oração contínua? (Teófane o Recluso)

Os Padres do desertos praticavam “a oração de Jesus”, isto é, repetiam uma frase breve usando o nome de Jesus, por exemplo: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador tem piedade de mim, pecador.” Ou: “Senhor Jesus tem piedade de mim.”

Os grandes mestres espirituais ensinavam a repeti-la sem cessar. Até mesmo seguindo o ritmo da respiração. Inspirando diziam: “Senhor Jesus” e expirando: “Tem piedade de mim.” Ensinavam a repetir esta oração seguindo o ritmo da nossa respiração.

O nome de Jesus é poderoso, significa “Deus salva”. É o nome de Jesus que torna eficaz esta oração. Quando invocamos o nome de Jesus falamos com Jesus mas, também, invocamos o Seu poder de salvação: “Não existe sob o céu qualquer outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Act 4,12).

O Catecismo da Igreja Católica fala do COMBATE DA ORAÇÃO.
A oração é ao mesmo tempo dom de Deus e resposta fiel e decidida da nossa parte. Pressupõe sempre um esforço: ela é um combate contra o Tentador que faz de tudo para nos desviar, isto é, impedir a nossa união com Deus. Por isso, se quisermos entrar na oração, devemos primeiro tomar a decisão de sermos fiéis a Deus, de cumprir a Sua vontade, de seguir Jesus Cristo. Oramos como vivemos. Se uma pessoa não está decidida a procurar em tudo a vontade de Deus também não entra na verdadeira oração. (2725)

Intimidade filial, confiança em Deus
A eficácia da oração, não depende da quantidade de palavras, mas sim da confiança filial em Deus, Pai bondoso, que nos conhece e nos ama. Jesus disse: “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto, fecha a tua porta, ora a teu Pai na intimidade do teu coração, e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” Jesus continua dizendo: “Na vossa oração, não sejais como os pagãos, que usam vãs repetições, porque pensam que serão atendidos por muito falarem. O vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso … (Mt 6,5-17)