4 – JESUS, ÚNICO SALVADOR

24 de Abril de 2019 Não Por Pe Leo Orlando

JESUS, O ÚNICO SALVADOR
Abrindo o Evangelho, encontramos um anjo que anuncia aos pastores uma grande alegria: «hoje, na cidade de David, nas-ceu um Salvador, que é o Messias, Senhor» (Lc 2, 10-11). Hoje também nós temos que anunciar esta grande alegria ao «mundo inteiro que está sob o poder do Maligno» (1Jo 5,19). Temos de proclamar que Jesus Cristo é o Salvador: «Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devemos ser salvos» (At 4,12); que Ele veio ao mundo para «destruir as obras do diabo» (1Jo 3,8); e que «Não foi através de bens perecíveis, como prata e ouro, que fomos salvos, mas pelo precioso sangue de Cristo, Cordeiro imolado» (1Pe 1,18); pois, Jesus “carregou os nossos pecados em Seu Corpo sobre o madeiro, para que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça. Por fim, por Suas chagas, fomos curados» (1Pe 2,24).
«Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder a Jesus de Na-zaré, o qual andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com Ele.» (Actos 10, 38) «Foi Ele que nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o Reino do seu amado Filho, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados.» (Col 1, 13-14).
São Tomás de Aquino afirma «graças à Paixão de Cristo, os homens dispõem de um remédio para se protegerem das insí-dias do demónio e, se alguns são negligentes em empregar este remédio, isso não diminui em nada a eficácia da Paixão de Cristo». (Suma Teológica III, q. 49, a. 2, ad 3)
Imaginemos que uma equipa de sábios tivesse descoberto um medicamento eficaz contra as doenças cancerígenas. Será que esta descoberta vai libertar toda humanidade desse flagelo? Sim e não. Sim, porque oferece a todos os cancerosos esta possibili-dade. Não, porque, de fato, inúmeros pacientes nem sequer chegarão a conhecê-la, ou, mesmo conhecendo-a, não conseguirão adquiri-la. O mesmo acontece com a graça divina, esse remédio soberanamente eficaz existe, está ao dispor de todos, mas, nem todos conseguem beneficiar dele, porque não o conhecem, ou, mesmo conhecendo-o, não o aproveitam.
Só em Jesus podemos chegar a uma libertação completa. Ele continua a convidar a humanidade sofredora: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados de carregar vossas cargas pesa-das, e Eu vos darei descanso» (Lc 11, 28). É pela Sua paixão, morte e ressurreição que Jesus nos salvou e é na Igreja que se realiza a Sua promessa: «E Eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32)

A VITÓRIA DEFINITIVA DA CRUZ
Vamos agora afirmar a primeira verdade: Jesus venceu definitivamente Satanás. Nos Evangelhos encontramos al-guns textos significativos que nos dão a firme certeza de que, no Calvário, aconteceu a batalha definitiva entre Cristo e Satanás, com o triunfo completo e definitivo de Jesus sobre as forças do mal, portanto, somente confiando no Senhor Jesus, podemos ser libertos dos ataques do maligno.
O primeiro texto, do Apóstolo São Paulo, é o seguinte:
«Falamos de uma sabedoria divina e misteriosa que permaneceu oculta, e que Deus estabeleceu antes dos séculos para nossa glória. Nenhum dos dominadores deste mundo a poderia conhe-cer, pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Se-nhor da Glória». (1Cor 2, 7-8).
São Paulo fala da sabedoria misteriosa de Deus que os dominadores deste mundo – os demónios – não chegaram a conhecer. Se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da Glória, Jesus Cristo. Temos aqui uma alusão de que a morte de Cristo foi projectada e realizada por forças diabólicas. Esta afirmação de São Paulo encontra diversas confirmações nos relatos evangélicos.
São João afirma-o claramente: «o diabo tinha colocado no cora-ção de Judas Iscariotes, filho de Simão, a decisão de O atraiçoar» (Jo, 13, 2). A nota da Bíblia de Jerusalém sobre esse texto afirma: «A paixão é um drama em que o mundo invisível está empenhado: por trás dos homens age o poder diabólico». Sata-nás serviu-se de Judas, das autoridades romanas e religiosas para realizar a morte a morte de Jesus.
Jesus Cristo, «vencedor» nas tentações: «O diabo, depois de esgotar toda a tentação, afastou-se de Jesus para voltar ao momento oportuno» (Lc 4, 13), isto é, no tempo da paixão.
O Catecismo da Igreja Católica (n. 538) diz que Jesus foi «impe-lido» pelo Espírito Santo ao deserto, onde foi tentado por Sata-nás, procurando pôr em causa a sua atitude filial para com Deus; Jesus repele esses ataques, que recapitulam as tentações de Adão no paraíso e de Israel no deserto; e o Diabo afasta-se d’Ele «até determinada altura» (Lc 4, 13). Jesus é o Novo Adão, que Se mantém fiel naquilo em que o primeiro sucumbiu à ten-tação … Nisto, Jesus vence o Diabo: «amarrou o homem forte», para lhe tirar os despojos (Lc 11,21-22). A vitória de Jesus sobre o tentador, no deserto, antecipa a vitória da paixão, suprema obediência do seu amor filial ao Pai. (n. 539)
Jesus Cristo, «vencedor» nos acontecimentos da paixão. Satanás serviu-se particularmente de Judas. Jesus declarou aos Apóstolos:
«A vós os doze, não fui eu que vos escolhi? Mesmo assim, um de vós é um demónio! – Ele estava a falar de Judas, filho de Simão Iscariotes: de facto estava prestes a traí-lo» (Jo 6,70).
O Evangelista adverte-nos que Judas concordou com os sumos-sacerdotes, impelido pelo próprio Satanás:
«Então Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, que era um dos doze. E foi discutir com os sumos-sacerdotes sobre o modo de entregá-lo em suas mãos» (Lc 22, 3).
O Apostolo São João adverte-nos de que, durante a Última Ceia, Satanás já havia tomado posse de Judas:
«Enquanto estavam a jantar, o diabo já tinha posto no coração de Judas Iscariotes que o traísse, Jesus levantou-se da mesa, ti-rou as vestes, pegou numa toalha, colocou-a à cintura» (Jo 13, 2).
Logo a seguir, Jesus o revelou aos outros apóstolos, oferecendo a Judas um bocado de pão. São João observa: «Depois, tendo a boca cheia, Satanás entrou nele. Tomou o pão e saiu imediatamente. Era noite» (Jo 13, 27.30). O próprio Jesus, na Sua longa conversa durante a Última Ceia, pré-anuncia: «Não falarei mais longamente convosco, porque o príncipe deste mundo está a chegar» (Jo 14, 30); e mesmo, antes de deixar o cenáculo, Jesus advertiu Pedro e os outros apóstolos que estavam a ser atacados pelo diabo: «Pedro, Pedro, eis que Satanás está a vir para vos avaliar como o trigo; mas eu orei por Ti para que não desfaleça a tua fé; e tu, uma vez arrependido, confirma os teus irmãos» (Lc 37, 21-22).
No Jardim das Oliveiras, depois do beijo de Judas, o traidor, Jesus explicou que quanto estava a acontecer era porque já tinha chegado o tempo reservado ao “poder das trevas”: «To-dos os dias eu estava convosco no templo e não me prendes-tes, mas esta é a vossa hora, é o império das trevas» (Lc 22, 53).
Os textos do Evangelho confirmam uma verdade inquestioná-vel: foi Satanás que projectou e realizou a paixão e morte do Senhor Jesus. Serviu-se dos homens. Judas, os sumos sacerdotes, o Sinédrio, Pilatos e a multidão que gritava «crucifica-o», todos eles, agiram como cegos instrumentos nas mãos de Satanás.
A vitória definitiva da cruz. No monte Calvário ocorreu a maior batalha da história, a batalha definitiva: Jesus venceu a Satanás, derrotou-o para sempre e, com a Sua ressurreição, abriu o caminho da salvação para toda a humanidade.
Jesus prometeu: «Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.» (Mt 16,18). Satanás já está vencido, embora continue a lutar para manter os homens na escuridão e sob o seu poder. Pela Igreja a salvação chega a todos os homens.
Neste mundo joga-se a luta entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, entre Cristo e Satanás, entre salvação eterna e per-dição eterna: «Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa, com efeito, toda a história humana; começou no princípio do mundo e, segundo a palavra do Senhor, durará até ao último dia. Inserido nesta luta, o homem deve combater constantemente, se quer ser fiel ao bem; e só com grandes esforços e a ajuda da graça de Deus conseguirá realizar a sua própria unidade.» (Gaudium et Spes, 37)