A vida: dar e receber

2 de Janeiro de 2018 0 Por Pe Leo Orlando

Meu irmão:

«Deus é Amor, nós amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro»

  • Recebeste amor, fostes amado, Deus manifestou o seu amor de diversas formas na tua vida: os teus pais, a tua família, os amigos, os professores, os colegas e muitos outros conhecidos e desconhecidos te fizeram sentir a voz do Pai que te chama “amado”.

  • Tantas vezes foste acolhido e tratado com gentileza e ternura. Tantas pessoas queridas te acompanharam com paciência e sem desistir, acreditaram em ti mesmo diante da rebeldia e ingratidão. Em momentos difíceis, não te abandonaram, te encorajaram a não desistir, foste bem aconselhado para evitar caminhos errados e escolher o bem.

A recusa do Amor e a auto-rejeição

«A Luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a receberam» (Jo 1,5)

  • Não destes importância ao amor porque foi imperfeito, os te amaram como puderam, mas fostes amado. Recusaste o amor. Mas há ainda mais, no fundo não te achaste digno de tanto amor, com isso, recusaste de ouvir a voz do Pai, que te chamava: “meu filho amado”.

  • Por isso, estás ainda a espera que aconteça alguma coisa ou apareça alguém que finalmente te ame de verdade. Estás a espera de um novo amigo, de um emprego, de uma viagem, … De um momento mágico … e afundas cada vez mais no desánimo, na procura ansiosa de algo que preencha teu vaziu interior. Esta força compulsiva te mantem sempre ocupado, em movimento numa actividade frenetica, em continua agitação.

O que procuras longe está dentro de ti

«Estarei covosco todos os dias, até ao fim do mundo».

  • Queria dizer-te que o que tu procuras para longe, fora de ti, está bem perto, dentro de ti, no teu próprio coração. Neste lugar íntimo habita Aquele que te amou muito antes do que os teus pais, irmãos, amigos, colegas …

  • Nesse lugar íntimo encontrarás o Pai que te chama: “Filho Amado”. Sim, Ele te amou e te ama assim como tu és, sem o ter merecido, sem condições, simplesmente porque existes.

Escutastes outras vozes

  • Tantas vezes o Pai falou suavemente em teu coração: “Tu és o meu fiho que muito amo”, mas não quisestes ouvir a Sua voz, estavas ocupado em ouvir outras vozes, mais persistentes que falavam mais alto e te diziam: “Se quer ser amado demostra-me o que vales, faz algo de relavante, demostra-me que és capaz, faz algo de expectacular, poderoso, então ganharás o amor que tanto anseias”.

  • Acabaste por acreditar nelas e perdeste a confiança em ti próprio, afundastes no abismo. Basta uma pequena crítica e logo te sentes rejeitado, abandonado, e dizes a ti mesmo: «eis mais uma prova de que não sirvo para nada, que não sou capaz, não sou ninguém.»

  • Se alguém apreciar o teu trabalho, te louva, ficas incrédulo e dizes a ti próprio: «fala assim porque não me conhece de verdade»; e, mais uma vez recusas o amor.

Reconhece que fostes amado

Sim, fostes amado de tantas formas e em diversas circunstancias, mas agora queria dizer-te: «não só fostes amado, mas que foste amado gratuitamente, sem condições, desde sempre e para sempre».

  • Queria dizer-te que «ser amado» é a verdade central da nossa vida. É importante que tu compreendas que fostes realmente amado.

  • O Amor está na origem e no fim da tua vida. Deus amou-te muito antes do teus pais, parentes, amigos, do marido, da mulher. Vieste ao mundo porque Deus te amou. Vives porque Ele te ama. O amor é eterno, nunca acabará.

  • Sim, foste amado, porque o Pai do Céu por amor te criou, por amor, em Jesus fez de ti um seu filho. O Pai esteve sempre contigo, e amou-te através da tua família, dos amigos, professores e de tantas outras pessoas, um amor limitado, defetuoso, mas recebeste amor.

  • Agora chegou o tempo de agradecer o amor recebido e perdoar os momentos mal amados.

  • Neste momento escuta a Voz do Pai que te chama «Filho Amado», que te revela a verdade mais importante da tua vida e diz: «Sou o Teu Deus e Criador, Sou o teu Pai, desejei a tua existencia. Amo-te. És precioso aos meus olhos. Tu és meu e eu sou teu. Pertence-me. Tu és o meu amado, objecto do meu encanto. Moldeite nas en­tranhas da terra e tecite no selo da tua mãe. Es­culpite nas palmas das minhas mãos e abrigueite na sombra do meu abraço. Olho para ti com ter­nura infinita e preocupome contigo com uma atenção mais íntima que a da mãe para com o seu filho. Onde quer que estejas, aí estou eu. Nada nos se­parará jamais. Nós somos UM».

A vida é dom a dar e receber

  • Recebeste a vida das maõs de Deus, gratuitamente, um dom de amor, não para a viver egoisticamente, mas para a dar generosamente: «gratuitamente recebestes, gratuitamente deveis dar», diz o Senhor.

  • Em dar e receber consiste o amor. Em dar e receber sobrará sempre alguma coisa, quando Jesus multiplicou os pães todos comeram e sobraram doze cestas, assim é o amor: multiplica-se ao infinito porque, no acto de dar, Deus manifesta a sua infinita generosidade.

  • O amor de Deus é vida, vida em abundância, vida eterna. Se tivéssemos a consciência de quanto Deus nos ama, dançaríamos de alegria. Somos pequenos seres humano, mas profundamente amados, escolhidos, abençoados e enviados ao mundo. Cada um de nós é como o pão oferecido, pão que se multiplica no mesmo acto de ser distribuído.

  • Se conhecêssemos o Amor de Deus, não teriamos medo do futuro, porque Ele está sempre ao nosso lado; nunca mais teríamos medo da morte porque é a completa realização do nosso ser «filho de Deus» e viveríamos pensando nela como o ponto mais alto do desejo de fazer de nós mesmos um dom para os outros.

  • O medos demonstram apenas que somos simples principiantes na vida espiritual porque ainda não estamos convencidos de que somos filhos amados e que a nossa vocação é amar.

Somos peregrinos da eternidade

  • Somos peregrinos. Caminhamos à luz da fé e não da visão clara, nem sempre é fácil avançar,  mas podemos agradecer a Deus pelo dom da fé que ilumina o nosso caminho e nos conduz ao Pai.

  • Dentro de poucos anos, deixaremos este mundo, seremos enterrados ou cremados. As nossas casas continuarão no mesmo sítio, mas serão habitadas por outras pessoas, que não nos conheceram e nada saberão a nosso respeito.

  • Mas temos a certeza de que, se acreditamos em Deus e espalhamos o Seu Amor neste mundo, a nossa breve jornada terrena, facilmente esquecida pelos homens, continuará a produzir, a dar frutos, a dar vida em todos os tempos e lugares.

  • A nossa alma, uma vez liberta dos nossos corpos mortais, continuará a soprar e espalhar amor, a deitar sementes de vida fecunda,  em todo o tempo e lugar, mesmo que poucos oiçam os sinais da sua passagem.