Oração e tempo presente “Kairos”

2 de Janeiro de 2018 0 Por Pe Leo Orlando

Viver o presente

  • Jesus desafia-nos a viver o tempo presente, pois só o presente está ao nosso alcance. O presente é “Kairos” o tempo onde Ele actua e salva. A vida acontece «aqui e agora». Se estamos distraídos com o nosso passado ou preocupados com o que pode acontecer no futuro, é mais difícil concentrar-se e viver o tempo presente. A oração é o exercício que te ajuda a ficar bem assente no tempo presente, o “Kairos” de Deus.

  • A nossa mente trabalha sempre e requer uma certa disciplina para a controlar, pois ela continua a empurrar-nos pra longe, fora da realidade do presente.

Oração: disciplina do tempo tempo presente

  • Jesus ensinou-nos a ficarmos vigilantes em oração. A oração é a disciplina do tempo presente. Em oração, entramos na presença do Deus cujo nome é «Deus-connosco». Em oração, podemos escutar com mais atenção a Sua voz que se dirige a nós aqui e agora.

  • A oração é comunhão com Aquele que está sempre connosco, é saber que nunca estamos sozinhos, que Deus está sempre ao nosso lado.

Oração: Comunhão com Aquele que nos Ama

  • O oração é comunhão com Aquele que nos chama «Amado», com Aquele  que Se preocupa e fala sempre connosco.

  • Deus é a nossa Paz: então seremos capazes de, gradualmente, nos libertarmos das vozes que nos desviam, deixaremos de nos sentir preocupados e ansiosos e viver intensamente o presente.

Confiar em Deus que nos ama

  • Confiar em Deus não é coisa óbvia, é um desafio constante, pois com tanta facilidade desconfiamos Dele, temos medo Dele, como se fosse uma autoridade pronta a punir, ou então pensamos Nele como um nada, vazio e sem poder.

  • A mensagem central de Jesus é que Deus não é nem um fraco sem poder nem um patrão poderoso, mas um «amante», cujo único desejo é dar-nos aquilo pelo qual os nossos corações mais anseiam.

Sem oração caímos no absurdo

  • Quando deixamos de orar, quando deixamos de escutar a Sua voz, a Voz do amor que nos fala neste momento, a nossa vida torna-se uma vida absurda e ficamos presos no nosso passado ou preocupados com o futuro.

  • Se pudéssemos estar, nem que fosse só alguns minutos por dia, completamente onde estamos, descobriríamos com certeza que não estamos sós e que Aquele que está connosco quer apenas uma coisa: dar-nos amor.

O eixo da vida

Orar é dirigir‑se para o centro da vida e do amor. Como numa roda, quanto mais perto eu estiver do eixo da vida tanto mais estarei próximo da Fonte da Vida.

A minha tendência é distrair‑me com a diversidade dos inúmeros raios da vida. Os raios têm sentido porque ligam o centro com a periferia, da mesma forma a minha tem sentido quando esta ligada a Deus e se estende na doação; Se olhar para os inúmeros raios e me distrais com eles, estou em toda a parte mas não estou centrado em parte nenhuma. O centro é o eixo que me dá sentido.

  • Ao dirigir a minha atenção para centro o movimento é mais lento, mas estou no eixo, isto é na fonte de todo o movimento. Assim é a oração. Com ele estou no eixo da vida, no centro do meu próprio coração, no coração de Deus e no coração do mundo.

  • É neste lugar que entro na profundeza do meu próprio coração. É neste lugar que encontro o coração de Deus, que me fala de amor. Neste lugar se realiza a comunhão com Deus, e é precisamente neste lugar que todas as minhas irmãs e irmãos estão em comunhão uns com os outros.

  • O grande paradoxo da vida espiritual é, de facto, que o que é mais pessoal é mais universal, o mais íntimo é o mais comum a todos, e o mais contemplativo é o mais ativo.

  • A roda de vagão mostra que o eixo é o centro de toda a energia e movimento, mesmo quando frequentemente dá a impressão de que não se move. Em Deus, toda a ação e todo o descanso são uma e a mesma coisa. Assim também acontece na oração.