O carisma da cura na Igreja

2 de Janeiro de 2014 0 Por Pe Leo Orlando

Curai os Enfermos

  • “Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes o poder de expulsar os espíritos malignos e curar todas as enfermidades e doenças … Pelo caminho, proclamai que o Reino de Deus está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça.” (Mt 10,1-9)

  • A cura dos enfermos e a expulsão dos demónios são os sinais que acompanham o anuncio do Evangelho, isto é são a confirmação da autenticidade do anuncio da Palavra: “Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com sinais que a acompanhavam” (Mc 16,20)

  • O Padre Emiliano Tardif afirma que não podemos dissociar o ministério da cura do contexto que lhe é próprio: o Anúncio do Evangelho. As duas coisas estão sempre ligadas. Os milagres e as curas se multiplicam quando anunciamos Jesus. Um dia lhe perguntaram: “Padre, está seguro de que tem o dom de curar?”. Ele respondeu: “estou seguro de que a minha missão é evangelizar, os sinais e as curas acompanham a pregação” (p. 109)

  • Jesus é o Médico Divino e tem poder de curar a toda a gente de qualquer doença. Até cura pessoas que nem sequer têm fé. Contudo a fé é um elemento importantíssimo que favorece a Accão de Deus.

  • Uma fé viva, expectante. É pela fé que entramos em comunhão com Deus e participamos da Sua Salvação, incluindo a cura, interior e física. Ter fé é confiar em Jesus, entregar a Ele a nossa vida, renunciar aos nossos planos e meios de salvação. Há pessoas que procuram a cura e não ao Senhor. Ter fé é confiar em Jesus, dizemos, uma fé expectante, uma confiança tal de que Ele vai com certeza cumprir Sua promessa e que quer curar-nos e libertar-nos.

A Assembleia orante: o lugar da cura

Ao longo dos séculos, este dom das curas foi cada vez relacionado à santidade: pessoas ou lugares santos. Esta relação é compreensível, de facto as curas acontecem com mais força onde a caridade é mais viva, contudo esta ligação entre curas e santidade não é exclusiva. De facto, o Espírito Santo «distribui todos estes dons como lhe apraz», em vista do crescimento da comunidade (1Cor 12,11). Os carismas são expressão da Misericórdia divina.

  • Santo Afonso Maria de Ligório dizia que «nenhum pecador se converte sem ter feito uma profunda experiencia do Amor divino». Jesus é o Médico divino que dá vida em abundância.

  • Jesus está particularmente presente na comunidade reunida em oração, pois «onde dois ou mais estão reunidos em seu nome, Ele também está presente». A comunidade reunida em oração, que louva e agradece, cheia de fé é o lugar privilegiado onde Jesus actua com poder. Era assim na igreja primitiva.

  • A comunidade orante sentia-se tão envolvida, impregnada pela presença do Espírito Santo (1Cor 14,26), que cada um exercia o seu carisma, inclusive o da cura. Aos pouco, com o arrefecer desta expressão comunitária de fé expectante, veio a faltar o seu ambiente natural.

Institucionalização do carisma

  • A expansão do cristianismo deve-se em grande parte e justamente à sua preocupação com a saúde dos corpos, além de salvar as almas. Jesus foi e continua a ser o Médico divino da carne e do espírito.

  • A ordem de Cristo «curai os enfermos» nunca foi esquecida. Ao longo dos séculos, os cristãos criaram todas as espécies de instituições de beneficência para aliviar os sofrimentos dos doentes: hospitais, leprosarias, até surgiram movimentos e congregações religiosas dedicados a este serviço. Podemos dizer que o carisma da cura foi “institucionalizado”.

  • A Igreja nunca desprezou os meios naturais: os médicos e os medicamentos. Como também nunca deixou de recorrer a oração, a fé viva, pedindo a Deus a cura, sendo esgotados os meios humanos. O que sempre excluiu foi o recurso ao ocultismo, sendo um pecado de idolatria, de falta de fé e de amor a Deus.

Renovada consciência do carisma especifico

Aos nossos tempos, o Estado garante a assistência médica, mas a Igreja não renuncia ao poder que lhe foi dado por Cristo: «de curar toda a espécie de doenças e enfermidades».

  • Mesmo pondo a esperança na ciência, a Igreja continua a orar pela cura dos doentes, a valorizá-los como membros activos do Corpo Místico de Cristo, se renunciasse ao poder de cura da oração, dos sacramentos e dos Sacramentais, não seria fiel à sua missão, seria um pecado grave de omissão.

Com Concilio Vaticano II, assistimos na Igreja uma renovada consciência deste poder: o Sacramento dos Enfermos deixou de ser administrado aos moribundos, e voltou a ser concedidos aos doentes para serem curados. Além disso, o Renovamento Carismático e outros movimentos religiosos descobriram a beleza do oração de cura e libertação.