Archive for the ‘Família’ Category

Preguiça

Sábado, Outubro 28th, 2017

Após o pecado ter entrado na nossa história, Deus impôs ao homem “a lei severa e redentora do trabalho”, como disse  o Papa Paulo VI. “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado …” (Gen 3,19).
Todo trabalho é uma continuação da atividade criadora de Deus. E Deus derrama a sua graça sobre aquele que trabalha com diligência. O trabalho é a sentinela da virtude. Se com humildade oferecemos a Deus o nosso trabalho, este adquire um valor eterno. Assim, o temporal se transforma em eterno.

A preguiça joga por terra toda esta riqueza. Querer viver sem trabalhar é como desejar a própria maldição nesta vida. São Paulo disse aos Tessalonicenses: “Procurai viver com serenidade, trabalhando com vossas mãos, como vo-lo temos recomendado. É assim que vivereis honrosamente em presença dos de fora e não sereis pesados a ninguém”. (1Tes 4,11-12).

O Talmud dos judeus diz que: “Não ensinar ao filho a trabalhar, é como ensinar-lhe a roubar”. Trabalhando, como homem, Jesus tornou sagrado o trabalho humano e fonte de santificação. Por isso, o lema de vida de São Bento de Nurcia, nos mosteiros, era: “Ora et Labora!” (Reza e Trabalha!). Um mau trabalhador é um mau cristão. Um operário displicente é um mau cristão. Um professor cristão e relapso é um contra testemunho cristão…
O pecado da omissão é fruto da preguiça.

É por preguiça que o filho não obedece a seus pais, e muitas vezes se torna um transviado. É por preguiça que os pais muitas vezes não educam bem os seus filhos. É por preguiça de algumas mulheres que o trabalho do lar é às vezes mal feito, prejudicando os seus filhos, o esposo e a alegria do lar.

É por preguiça de muitos maridos que a casa fica com as lâmpadas queimadas, o chuveiro estragado, a torneira vazando… É por preguiça que o trabalhador faz o seu serviço de maneira desleixada, prejudicando os outros que dependem dele. É por preguiça que o estudante não estuda as suas lições e se arrasta na sua caminhada e prejudica a sua formação.

É por preguiça que o cristão deixa de ir à missa, de rezar, de conhecer a doutrina da Igreja, de trabalhar na sua comunidade.  Há um provérbio chinês que afirma que “não é a erva daninha que mata a planta, mas a preguiça  do agricultor”.

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/

O olhar que cura

Terça-feira, Outubro 17th, 2017

O olhar é uma forma de falar sem dizer palavras. As crianças querem atrair os olhares dos outros, amam os olhos, particularmente os dos pais. Uma criança orava dizendo: “Senhor Jesus, faz que eu seja uma televisão, assim meus pais olharão para mim”.

Sim, as criança pedem o nosso olhar: mãe, olha como caminho, como vou de bicicleta, olha como sei jogar, olha que belo o desenho que fiz … Todas pedem os nossos olhos, mesmo os adolescentes que parecem tão seguros e independentes. O que são as tatuagens, os percings, os penteados, a maneira estranha de vestir, senão uma invocação: “alheai para nós!”.

Por isso, queridos pais, olhai para os vossos filhos! Com o olhar comunica-se amor. Bem o sabem os namorados que se comem com os olhos. O olhar diz: “tu és importante para mim, entrastes non meus pensamentos, estás no meu coração, conto contigo”.

Olhar é apreciar, dar atenção. É muito mais do que dar prendas, dinheiro, coisas! É dar amor, certeza, confiança.

Se olhássemos para os filhos tal como olhamos para a casa de banho, o carro, a televisão, o computador, com certeza que não haveria crianças tristes, infelizes, desiludidas com a vida.

A gente fala com os olhos, muito antes de dizer alguma palavra. O olhar comunica atenção, tristeza, aprovação … mensagens que as crianças recebem com facilidade, imediatamente. Por isso, olhamos para os filhos, olhamos para as crianças!

Faz falta, tanta falta, este contacto humano. Infelizmente está quase a desaparecer! Em seu lugar entram outros contactos frios, impessoais: o telemóvel, o tablete, os jogos electrónicos … É verdade, negamos aos nossos filhos os dons mais preciosos: os nossos olhos! Esquecemos que os olhos falam mais forte do que as palavras.

padreleo.org

Momento mágico

Terça-feira, Outubro 17th, 2017

Não é fácil educar os filhos, mas também não é impossível. Tantas vezes basta um pouco de astúcia para fazer o melhor que podemos. Uma dessas “astúcias” e falar com eles à noite, antes de adormecerem.

O anoitecer é o tempo dos pensamentos delicados e pacificadores. É uma hora bondosa, discreta, terna, é o momento do diálogo íntimo. São João Bosco, que era um bom educador, nunca deixava de dar um breve discurso de boa noite ao fim do dia.

Ao fim do dia os filhos querem sentir o calor da lar, o afeito e a bondade do coração; querem adormecer com a certeza de que são queridos, acolhidos e amados. A noite chega, por isso desejam que alguém lhes dê a mão.

O pai e a mãe não precisam de aprender isso, o fazem espontaneamente. Acompanham os pequenos à cama para se deitarem, ficam sentados ao seu lado e lhes falam com ternura, oram com eles. O bom relacionamento de hoje prepara o relacionamento maravilhoso do amanhã.

É que o calor do anoitecer faz esquecer a frieza do dia, as faltas de paciência, as repreensões. Além disso, As coisas bonitas que o pai e mãe dizem nesses momentos ficam gravadas para sempre em seus corações. São palavras discretas, que ninguém ouve, mas que alimentam a alma.

Família imperfeita

Sábado, Outubro 14th, 2017

Escuta as palavras linda do Papa Francisco
sobre a família.

A FAMÍLIA, LUGAR DE PERDÃO…

Não existe família perfeita.
Não temos pais perfeitos,
não somos perfeitos,
não nos casamos com uma pessoa perfeita
nem temos filhos perfeitos.

Temos queixas uns dos outros.
Decepcionamos uns aos outros.
Por isso, não há casamento saudável
nem família saudável sem o exercício do perdão.

O perdão é vital para nossa saúde emocional
e para a nossa sobrevivência espiritual.
Sem perdão a família se torna uma arena
de conflitos e um reduto de mágoas.
Sem perdão a família adoece.

O perdão é a proteção da alma,
a harmonia da mente e a liberdade do coração.
Quem não perdoa não tem paz na alma
nem está em comunhão com Deus.

A mágoa é um veneno que intoxica e mata.
Guardar mágoa no coração é um gesto auto-destrutivo.
Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.

E por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento;
palco de perdão e não de culpa.

O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza;
cura, onde a mágoa causou doença.

Papa Francisco.

Morrer no quarto

Domingo, Outubro 8th, 2017

Antes perdíamos filhos nos rios,
nas matas, nos mares, nas discotecas, nas ruas …
hoje os perdemos dentro do quarto!

Antes, víamos as crianças a brincar em casa ou fora de casa:
ouvíamos suas vozes, escutávamos suas fantasias
e, mesmo a distância, sabíamos o que se passava em suas mentes.
Quando entravam em casa ainda não existia
uma TV em cada quarto, nem dispositivos electrónicos em suas mãos.

Hoje não ouvimos suas vozes,
nem conhecemos seus pensamentos e fantasias.
Ficam fechadas em casa, nos seus quartos,
com os fones aos ouvidos,
bem entretidos com jogos electrónico
e nós pensamos que estão em segurança.
Que grande imaturidade é a nossa!

Os filhos ficam fechados em casa, em seus quartos,
diante do écran da televisão, do tablete, ou do telemóvel,
adquirindo conhecimentos que nós completamente ignoramos.
Perdemos a capacidade de lhes tramitarmos os valores da vida,
assim, eles os adquirem noutras fontes que fogem ao nosso controle. Vimos-los crescer, com os fones aos ouvido, trancados nos quartos,
em seus mundos, sem que saibamos o que é…

Os filhos perdem literalmente a vida, estão vivos em seus corpos,
mas mortos em seus relacionamentos com seus pais,
fechados num mundo global virtual,
de onde recebem tanta informação e estímulos,
de modismos passageiros,
que em nada contribuem para formação
de homens e mulheres seguros e fortes, responsáveis,
capazes de tomarem decisões moralmente corretas,
de acordo com os valores familiares.

Sim, é dentro de seus quartos que perdemos os nossos filhos.
Eles não sabem quem são, nem o que pensam suas famílias.
Estão lá, fechados, mortos, pois perderam a sua identidade familiar… Influenciados por conhecimentos virtuais,
já nem sabem o que eles são.
E nós olhamos para eles e não os reconhecemos,
pois se tornam uma mistura daquilo que virtualmente recebem.

Agora tu estás a ler ou ouvir esse texto.
Compreendes que tudo isto é verdade,
podes com certeza envia-lo aos teus amigos.
É bom! Ajuda a refletir! É excelente!

Mas esta realidade é dolorosa.
É dolorosa para as famílias.
É dolorosa para médicos, psicólogos e psiquiatras!
Todos nós sentimos impotentes observando
os nossos filhos vivos no corpo, mas mortos no espírito,
fechados em seus próprios quartos.

Faço para si um convite e, por favor aceite-o!
Tirar o teu filho do seu quarto, afasta-o do tablet,
do celular, do computador, dos fones aos ouvido,
em seu lugar compre jogos de mesa, tabuleiros,
mantém seus filhos na sala, ao seu lado
ao menos dois dias estabelecidos por semana à noite
(além do sábado e domingo).

E jogue, divirta-se com eles, escute as vozes, as falas, os pensamentos
e tenha a grande oportunidades de tê-los vivos, “dando trabalho”
e que eles aprendam a viver em família,
que se sintam pertencentes no lar
que não precisem de se aventurar nessas brincadeiras malucas
para se sentirem alguém ou terem um pouco de adrenalina
que antes tinham com as brincadeiras no quintal!

Reflexão inicial
de Cassiana Tardivo
Psicopedagoga