Archive for the ‘Vida espiritual’ Category

Confiar no Pai

Terça-feira, Junho 9th, 2020

Quando Jesus falou de Deus, falou do Pai que ama os seus filhos, e convidou a confiar Nele. Ele próprio é a Presença de Deus: «Quem me vê a Mim, vê a Deus. Quem Me ouve a Mim, ouve a Deus». Deus Aquele que foi e que será, mas sobretudo é «Aquele-que-é»; Aquele que Presente, Aquele que está comigo aqui, agora, neste momento.

Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber … Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as.
Não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração da suas  vida? 

Não vos preocupeis, olhai para os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnifi­cência, se vestiu como qualquer deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? O vosso Pai celeste bem sabe que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Seu Reino e a sua justiça e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos inquieteis, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Bem basta a cada dia o seu trabalho» (Mt 6,24-34). 

O Jesus, meu Senhor,
Eu estou tão preocupado e ansioso,
que não não tenho tempo para os amigos,
para a família, nem para ajudar os outros.
Tu queres que eu seja simples como uma criança,
Que confie em Ti, que não me preocupe para o dia de amanhã.

Neste momento, Jesus aqui à Tua frente,
deixo todas as minhas preocupações
Todas as minhas ansiedades,
todos os meus medos e desconfianças.
Entrego-te toda a minha,
tudo o que me preocupa,
toda a minha ansiedade.

A confiança filial

Terça-feira, Junho 9th, 2020

O Catecismo da Igreja da Católica (CIC) ao n. 2734, fala da confiança filial que devemos ter na oração, uma confiança cheia de amor, porque, em Jesus, somos Seus filhos.

“O Pai tanto amou o mundo que enviou o Seu Filho Unigénito para que todos aqueles que acreditam Nele não se percam, mas tenham a vida eterna (Jo 3, 13). O Pai enviou o Seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida” (1ªJo 4,9) e nos tornemos Seus filhos: “Vede como é grande o amor que o Pai nos concedeu, ao nos podermos chamar filhos de Deus, o que de fato somos! Caríssimos, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois o veremos como ele é” (1ª Jo 3,1.2)
– A confiança é uma abertura de coração que só é dada a quem a merece. Assim a “confiança filial” é posta à prova – e prova-se a si mesma – nos momentos de tribulação (CIC 2734). A confiança filial é posta à prova pelas tribulações da vida.

O Apóstolo São Paulo diz que é pela fé que alcançamos a salvação e a paz. Neste mundo passamos por muitas tribulações, mas não desfalecemos, estamos firmes na nossa fé, até nos gloriamos nas tribulações tendo a esperança da esperança da glória de Deus, porque a tribulação produz perseverança e a perseverança fortalece o nosso caracter. A esperança que temos em Jesus não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que Ele nos concedeu (cf. Rom 5, 1-5)

O CIC afirma que a principal dificuldade da oração aparece quando pedimos alguma coisa a Deus por nós ou pelos outros e temos a impressão de não sermos atendidos. Por este motivo, muitas pessoas abandonam a oração. E continua: aqui, duas questões se põem: Por que é que pensamos que o nosso pedido não é atendido? E como é que a nossa oração é atendida, e «eficaz»?
– É interessante notar que quando louvamos o Senhor ou Lhe agradecemos não nos preocupamos em saber se nossa oração Lhe foi agradável, mas quando Lhe pedimos alguma coisa, queremos ver rapidamente os resultados (Cf. CIC, 2735).
– Santo Agostinho, dava o seguinte conselho: “Não te aflija se não recebes imediatamente de Deus, o que lhe pedes: é que Ele quer beneficiar-te com um bem ainda maior, em permanecer com Ele na oração. Ele não atende logo o teu pedido porque quer criar um espaço maior em teu coração, de forma que tu estejas preparado a receber o que Ele te quer dar” (nota 26)

2743. Orar é sempre possível. O tempo para nós, os cristão é tempo de graça, é tempo oportuno que que podemos fazer o bem, é o tempo de Cristo Ressuscitado, em que Ele está «connosco todos os dias» (Mt 28, 20), sejam quais forem as tempestades.

O Evangelho de Luca fala da tempestade que Jesus acalmou. Os discípulos estavam no meio do mar em tempestade e, Jesus não se mostrou nada preocupado com isso, até adormeceu. O barco estava a ser inundado e os discípulos corriam grande perigo. Acordaram Jesus clamando: “Mestre, Mestre, vamos morrer! ” Ele levantou-se e repreendeu o vento e a violência das águas; tudo se acalmou e ficou tranquilo. Depois repreendeu-os, dizendo ”Onde está a vossa fé?” (Cf. Lc 8, 22-25). É nos momentos de dificuldade que manifestamos a firmeza da nossa fé.

Não é Deus que precisa da nossa oração, somos nós que precisamos da Sua ajuda, sem a ajuda de Deus, nada podemos fazer, ou melhor, podemos fazer muitas coisas, mas será sempre uma actividade frenética que não dará frutos. Como o nosso corpo precisa de alimento para viver, assim, a nossa alma precisa de Deus.
2744. A oração é uma necessidade vital porque se não orarmos, se não nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, recaímos na escravidão do pecado. Ora, como é que o Espírito Santo pode ser a «nossa vida» se o nosso coração estiver longe d’Ele?
– A oração é uma necessidade vital porque «Quem reza salva-se, de certeza; quem não reza condena-se, de certeza».

Viver o presente

Domingo, Junho 7th, 2020

É difícil viver no tempo presente. Para nos darmos conta, basta notar como os nossos pensamentos fogem para o passado e para as preocupações do futuro. As nossas lembranças dolorosas e os nossos desejos insatisfeitos antecipam um futuro incerto e nos distraem do essencial: viver o presente. Os desgostos do passado, os rancores, os sentimentos de culpa, os ressentimentos, as mágoas, as rejeições e os abandonos ocupam de tal forma a nossa mente e nos fazem perder a capacidade de “gostar da beleza da vida”, da vida que acontece aqui e agora, da vida presente, da vida que á “um presente”, um dom que Deus renova em cada instante.

Ficamos deprimidos e envergonhados com os sentimentos de culpa, perante o que deveriam ter feito e não fizemos. Ficamos presos nos turbilhão dos nossos pensamentos, num passado doloroso que nos impedem de viver o presente, o único tempo que está ao nosso dispor, a verdadeira vida. Fugimos com as nossas preocupações e imaginação, antecipando o futuro com perguntas angustiantes: «O que será de mi se acontecer isto? se eu ficar desempregado? se a economia enfraquecer? se eu não conseguir pagar as dívidas? se a pandemia não acabar? E se eu adoecer? E se desabar uma guerra?». Gastamos muito tempo e energias revivendo o passado e imaginando o futuro.

A experiência diz-nos que o passado é uma prisão e nos revela quanto a nossa imaginação é enganadora, mesmo assim, preferimos ficar no lugar seguro do que arriscar um futuro incerto. O medo faz-nos ficar, por assim dizer, cegos e surdos, uma cegueira e uma surdez espiritual que nos imobiliza e nos impede de viver ativamente o presente.
– Ficamos cegos diante da beleza da vida, não contemplamos a beleza natureza, não valorizamos os amigos, não apreciamos a vida não vivemos o presente como um dom precioso que não podemos desperdiçar. Perdemos a capacidade de nos maravilhar, de nos surpreender diante do sorriso das crianças, da convivência familiar e dos relacionamentos humanos.
– Ficamos como surdos, não ouvimos as vozes que nos anunciam a esperança, nem os gritos dos que precisam de nossa ajuda, nem as palavras agradecidas dos amigos, dos colegas e das pessoas que nos amam. As amarguras do passado e as preocupações do futuro fecham o nosso horizonte e nos impedem de viver o tempo presente, isto é, a vida real, a vida verdadeira que acontece aqui e agora, o único tempo que está ao nosso alcance. O passado já passou e não pode ser modificado. O futuro há de vir, e será sempre diferente do que podemos prever ou imaginar. Não vivemos o presente, o dom precioso que Deus renova continuamente, em cada instante, em cada hora, em cada ser humano.

Olhamos agora para Deus. Ele é o Deus connosco, o Deus que vive com o seu povo, o Deus que faz do coração do homem a Sua morada. O Deus presente em cada momento da nossa vida, com suas alegrias e tristezas. Quando Jesus falou de Deus, falou do Deus que á Amor, do Deus que á Pai, o Deus que ama os seus filhos, e nos convida a confiar Nele.

Jesus é a Presença de Deus: «Quem me vê a Mim, vê o Pai. Quem Me ouve, ouve a Deus». Deus é Aquele que foi e que será, mas sobretudo é «Aquele-que-é», Aquele que está com o Seu Povo, o Eterno Presente, Aquele que está connosco, aqui, agora, neste momento e para sempre: “É Ele que formou o coração de cada homem. A nossa espera está no Senhor: Ele é o nosso amparo e protector. N’Ele se alegra o nosso coração: em seu nome santo pomos a nossa confiança” (cf. Salmo 132)

A confiança em Deus liberta-nos da prisão do passado e das preocupações do futuro. É Jesus que no lo diz: “Não vos inquieteis com a vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber …
Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. E vós não valeis muito mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, poderá acrescentar um só côvado à duração da suas  vida? Olhai para os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vo-lo digo: nem Salomão, em toda a sua magnifi­cência, se vestiu como qualquer deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por cada um de vós, homens de pouca fé? Por isso, não vos preocupeis, dizendo: que comeremos, que beberemos ou que vestiremos? O vosso Pai celeste bem sabe que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Seu Reino e a sua justiça e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos inquieteis, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu trabalho» (Mt 6, 24-34). 

O Jesus, meu Senhor,
Eu estou tão preocupado e ansioso,
que não não tenho tempo para os amigos,
para a família, nem para ajudar os outros.
Tu queres que eu seja simples como uma criança,
Que confie em Ti, que não me preocupe para o dia de amanhã.

Neste momento, Jesus aqui à Tua frente,
deixo todas as minhas preocupações
Todas as minhas ansiedades,
todos os meus medos e desconfianças.
Entrego-te toda a minha,
tudo o que me preocupa.

Tu, Senhor, me ofereces o Teu amor, a Tua Paz
e liberdade dos pássaros e a beleza dos lírios.