Archive for the ‘Vida Cristã’ Category

Os Novíssimos

Terça-feira, Janeiro 12th, 2021

«Em todas as tuas obras, lembra-te do teu fim, e jamais haverás de pecar.» (Sir 7,36) O sábio Bem Sirá ensina a fazer o bem durante a vida terrena e meditar sobre a brevidade da vida terrena: «Em todas as tuas obras, lembra-te do teu fim e jamais haverás de pecar» (Sir 7,36). Podemos traduzi-la de forma atualizada: «Em todas as tuas obras, lembra-te dos novíssimos e deixarás de pecar».

A Igreja intercede continuamente pelas almas do Purgatório e dedica o mês Novembro as almas purgantes. O Catecismo da Igreja Católica assinala que o purgatório é uma «purificação final que devem fazer para chegar ao céu todos os que “morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna» (CIC 1030). As almas que estão no Purgatório se purificam, com a ajuda dos nossos sufrágios, na feliz esperança de participar das alegrias eternas do Paraíso.

Os quatro «Novíssimos» são os seguintes: morte, juízo, Inferno e Paraíso. As almas do Purgatório são destinadas ao Paraíso, embora precisam de se purificar. Ninguém poderá evitar esta realidade ao fim da sua vida terrena, pois, é para todos os seres humanos. Enfrentar a morte, suportar o juízo, ser precipitados no abismo do Inferno ou ser elevados à felicidade eterna do Céu representam a realidade final da nossa vida terrena. Deixar este mundo e entrar eternidade, isto é, deixar o que é transeunte e passar à vida definitiva, significa entrar na eternidade do Inferno ou na eternidade do Paraíso.

Vamos ler os números 1021-1022 do Catecismo da Igreja Católica:
1021. A morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo (Cf. 2 Tm 1, 9-10). O Novo Testamento fala do juízo, principalmente na perspetiva do encontro final com Cristo na sua segunda vinda. Mas também afirma, reiteradamente, a retribuição imediata depois da morte de cada qual, em função das suas obras e da sua fé. A parábola do pobre Lázaro (Cf. Lc 16, 22.) e a palavra de Cristo crucificado ao bom ladrão (Cf. Lc 23, 43), assim como outros textos do Novo Testamento (Cf. 2 Cor 5, 5: Fl 1, 23; Heb 9, 27: 12, 23), falam dum destino final da alma (Cf. Mt 16, 26), o qual pode ser diferente para umas e para outras.

1022. Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação (Concílio de Trento, Decretum de purgatorio: DS 1820.), quer para entrar imediatamente na felicidade do céu (612), quer para se condenar imediatamente para sempre (613).

Ninguém pode evitar a escolha fundamental entre salvação ou perdição eterna, como também, ninguém pode ser substituído, nesta escolha final, a mais decisiva de todas as escolhas humanas. Tal escolha é feita ao longo da vida terrena. «Quem vive bem, morre bem, quem vive mal, morre mal» diz a sabedoria popular. Quem escolhe viver bem, segundo a Vontade de Deus, caminha para o Paraíso, mesmo se precisar um tempo de purificação no Purgatório. Quem não faz uma escolha decidida para entrar no Paraíso, é sinal que quer arriscar a eternidade do Inferno.

«A duração da nossa vida poderá ser de setenta anos e, para os mais fortes, de oitenta; mas a maior parte deles é trabalho e miséria, passam depressa e nós partimos. Mesmo temendo-te e respeitando-te (Senhor), quem poderá compreender a tua ira e indignação? Ensina-nos a contar assim os nossos dias, para podermos chegar ao coração da sabedoria» (Salmo 90, 10-12)

Os Novíssimos são e esperança dos justos. Só metem medo aos injustos, aos que vivem uma vida «morna», «medíocre», acumulando o peso de muitas culpas, as quias, podem ser espiadas no Purgatório, mas também, precipitar no Inferno.

O justo sabe que a vida é breve, «sessenta anos ou oitenta para os mais robustos, mas passam depressa e nós partimos», mas pede ao Senhor «ensina-me a contar os meus dias e chegar à sabedoria do coração». O cristão que quer deixar este mundo para ir ao encontro do Senhor, procura fazer o bem, segundo a Vontade de Deus. Ele bem sabe que é peregrino neste mundo, e que está a preparar-se para a felicidade eterna do Céu.

Vigiai e orai

Domingo, Janeiro 10th, 2021

Jesus disse: «Vigiai e orai, para não cairdes na tentação. O espírito está pronto, mas a carne é débil.» (Mt 26,41)

Jesus insiste sobre a vigilância. É necessário vigiar porque não sabemos o dia e a hora da Sua vinda, no último dia e em cada dia: o «hoje» da salvação. O Esposo pode chegar no meio da noite, mas não se deve extinguir a luz da fé: «Diz-me o coração: “Procura a sua face”» (Sl 27, 8). (CIC 2730)

A tentação mais comum, mais oculta, é nossa falta de fé, que se exprime não tanto por uma incredulidade declarada quanto por uma opção de fato. Quando começamos a orar, mil trabalhos ou cuidados, julgados urgentes, se apresentam à nossa atenção como prioritários; de novo, é o momento da verdade do coração e de seu amor preferencial. De facto, voltamo-nos para o Senhor como o último recurso: mas será que acreditamos Nele? As vezes tomamos o Senhor como aliado, mas o nosso coração ainda está na presunção. Em todos os casos, a nossa falta de fé (confiança) revela que ainda não temos a disposição interior do coração humilde: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). (CIC 2732)

Outra tentação que abre a porta à presunção, é a acídia (chamada também “preguiça”). Os Padres espirituais entendem esta palavra como uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração. Jesus disse: “O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41). É preciso vigiar e orar, pois quanto mais alto se sobe, tanto maior será a queda.

Outra tentação é “o desânimo doloroso” que é o inverso da presunção. É preciso pedir ao Senhor um coração humilde, porque os humildes não se surpreendem com sua miséria. A humildade não leva ao desânimo, mas a ter mais confiança em Deus e a perseverar constantemente. (cf. CIC 2733)

A oração faz parte da vigilância, pressupõe sempre um esforço e uma luta constante contra nós mesmos e contra as ciladas do Tentador. O combate da oração é inseparável do «combate espiritual» necessário para agir habitualmente segundo o Espírito de Cristo: ora-se como se vive, porque se vive como se ora. (CIC 2752)

O pecado contra o Espírito Santo

Domingo, Janeiro 10th, 2021

Jesus disse «Todo o pecado ou blasfémia será perdoado aos homens, mas a blasfémia contra o Espírito não lhes será perdoada» (Mt 12,31).

O Maligno leva os homens ao pecado, e rebelar-se contra Deus. Seu objetivo principal é conduzir os homens para o inferno. Não quer que o pecador se converta e viva, não quer que recupere a confiança em Deus e se salve, não quer que reconheça os seus pecados, que se arrependa e receba o perdão de Deus.

Por isso, Jesus alerta sobre o único pecado que não será perdoado, a blasfémia contra o Espírito Santo. Este pecado consiste precisamente na recusa livre e consciente do perdão gratuito de Deus. Se o homem não se reconhece pecador, não quer converter-se, recusa o perdão de Deus, por isso, recusa a salvação porque Deus não obriga a ninguém a aceitar o Seu amor.

O diabo pecou contra o Espírito Santo, condenou-se à perdição eterna por uma sua opção livre, pessoal e irrevogável. Não foi por falta de amor e de perdão da parte de Deus, mas por falta de arrependimento da parte dele.

A mesma coisa pode acontecer aos seres humanos ao fim da sua vida terrena. (cf. CIC 393)

A tentação

Domingo, Janeiro 10th, 2021

A ação mais comum e constante do demônio, em relação ao homem, é a tentação. A palavra tentação significa “por à prova, para que se conheçam as verdadeiras disposições interiores do homem e as suas qualidades.

O homem é chamado à santidade que é a vocação comum de todos os fiéis, mas o caminho para a santidade é obstaculizado pela ação ordinária do demónio, a tentação.

O Maligno exerce a sua atividade ordinária sobre todos os homens, ninguém está excluído. Ele “ataca” mediante um convite a pecar, apresentando o mal sob a forma de bem, isto é, alimentando falsos raciocínio que confundem a verdade com a mentira. O cristão que quer permanecer fiel ao amor de Deus entra no combate espiritual, a sua vida é feita de vitorias e derrotas. Vence quando rejeita o mal e faz o bem. O pecado é sempre uma derrota, é um ceder, um cair na tentação.

Quem vencer a tentação, cresce no caminho da perfeição, mas a vitória é sempre fruto de uma vontade firme que diz «não» ao pecado para fazer o bem e se manter em comunhão com Deus. O cristão vence na medida em que não põe a confiança em si mesmo e na sua razão, mas em Deus. De facto, muitas vezes, é a presunção que engana e a nossa razão que confunde a verdade com a mentira.

A Palavra de Deus alerta:
«Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, prepara a tua alma para a provação. Endireita o teu coração e sê constante, não te perturbes no tempo do infortúnio. Conserva-te unido a Ele e não te separes, para teres bom êxito no teu momento derradeiro. Aceita tudo o que te acontecer, e tem paciência nas vicissitudes da tua humilhação, porque no fogo se prova o ouro e os eleitos de Deus, no cadinho da humilhação. Nas doenças e na pobreza, confia nele. Confia em Deus e Ele te salvará, endireita os teus caminhos e espera nele». (Sir 2,1-5)

E o Apóstolo São Tiago proclama «Bem-aventurado o homem que resiste à tentação porque depois de a tiver vencida receberá a coroa da vida que o Senhor promete àqueles que o amam» (Tiago 1,12).

Os dois caminhos

Domingo, Janeiro 10th, 2021

Satanás quer arrastar os homens para o inferno, não quer que participem na felicidade eterna do Céu. Com os seus enganos, cega os homens a não acreditarem na existência do demónio, nem na realidade tremenda do inferno. Engana os homens, com muitas diversões, para que não vejam a possibilidade real da condenação eterna que se esconde por trás de uma vida cheia de escolhas livres, mas irresponsáveis, que se opõem ao amor por Deus e ao amor do próximo.

Se os homens creditassem na existência do inferno, certamente procurariam viver fazendo e bem e cumprindo a vontade de Deus, coisa que «danifica» os planos nefastos do Maligno.

Santa Faustina relata no seu Diário:
«Um dia vi duas estradas: uma, larga, atapetada de areia e flores, cheia de festa, de alegria, música e toda a espécie de prazeres. As pessoas andavam nela a dançar e a divertindo-se. Assim, chegaram ao fim, sem se aperceberem disso. No final desse caminho havia um tremendo precipício – o abismo do inferno. Essas almas caíram às cegas naquele na voragem desse abismo; na medida que lá chegavam, tombavam lá para dentro. O seu número era tão vasto que era impossível contá-las. E avistei uma outra estrada, ou antes, uma vereda estreita, cheia de espinhos e pedregosa, por onde as pessoas seguiam de lágrimas nos olhos e sofrendo toda a variedade de dores. Uma tropeçavam e caíam sobre essas pedras, mas logo se levantavam e lá continuavam a caminhar. No fim desse caminho, havia um magnifico jardim repleto cheio de todo o tipo de felicidade e era para aí que entravam todas essas almas. E era logo, mesmo a partir desse imediato momento, que já se esqueciam de todos os seus sofrimentos» (Diário 153)

No Livro do Deuteronómio, Deus fala ao seu povo:
«26Vede: proponho-vos hoje a bênção ou a maldição: 27a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos prescrevo; 28a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, e vos afastardes do caminho que hoje vos indico, para seguirdes deuses estrangeiros que não conheceis.» (Dt 11,26-32)

O próprio Jesus, falou dos dois caminhos: «13Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. 14Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!» (Mt 7, 13-14; Lc 13,23-24) E exortava: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita» (Lc 13,23)

O homem, no momento em que termina a sua vida neste mundo, sela a sua existência para a eternidade, segundo o que tem sido «enquanto estava no corpo»: «estes (os injustos) irão à tortura eterna, os justos em vez à vida eterna» (Mt 25,46).

O livre arbítrio no Catecismo

Domingo, Janeiro 10th, 2021

O Catecismo da Igreja Católica ao número 1033 fala do livre arbítrio e das suas consequências para a salvação eterna:

«Não podemos estar em união com Deus se não escolhermos livremente amá-Lo. Mas não podemos amar a Deus se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos: «Quem não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida: ora vós sabeis que nenhum homicida tem em si a vida eterna» (1 Jo 3, 14-15).

Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados d’Ele, se descurarmos as necessidades graves dos pobres e dos pequeninos seus irmãos (Cf. Mt 25, 31-46).

Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado d’Ele para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra “Inferno”. (CIC 1033)

Santa Faustina viu o Inferno

Domingo, Janeiro 10th, 2021

Em 1936, enquanto a irmã Faustina participava nos exercícios espirituais de oito dias, viveu esta experiência mística, acompanhada por um anjo:

«Hoje, conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do inferno. É um cavernoso lugar de grandes suplícios – e como é abissal a sua vastidão! Eis os diferentes tormentos que vi:
– o primeiro castigo que constitui o inferno, é a perca de Deus;
– o segundo, o perpétuo remorso de consciência;
– o terceiro, o de que essa condição nunca mudará;
– o quarto, é o fogo, que penetra a alma, embora sem a destruir – é um sofrimento terrível, um fogo puramente espiritual, aceso pela Ira de Deus;
– o quinto, é contínua treva, um horrível cheiro sufocante – e, embora haja escuridão, os demónios e as almas danadas vêem-se mutuamente e reconhecem todo o mal, quer dos outros, quer seu;
– o sexto é a constante companhia de Satanás;
– o sétimo, o tremendo desespero, ódio de Deus, maldições, pragas e blasfémias.

Estes são os tormentos por que todos os condenados em conjunto passam, mas não se acabam aqui os suplícios. Há outros dirigidos a algumas almas em especial: são as penas dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem pavorosas prisões subterrâneas, cavernas e poços de tormento, onde cada tortura difere da outra. Eu teria morrido só de essas terríveis expiações, se não fora a omnipotência de Deus haver-me amparado. Que cada pecador saiba que, naquele dos seus sentidos, com que pecou, há-de vir a ser atormentado por toda a eternidade.

Escrevo isto por ordem de Deus, para que nenhuma alma se desculpe dizendo que o não há Inferno, ou que ninguém esteve lá não se sabe como é. Eu, Irmã Faustina, por desígnio de Deus, visitei os abismos do Inferno, para que o possa noticiar às almas e testemunhar que o inferno existe. Sobre ele, não me é permitido falar agora, mas tenho ordem de Deus para deixar isto por escrito. Os demónios estavam cheios de ódio por mim, todavia, pela vontade de Deus eram obrigados a obedecer-me. E o que acabei de descrever dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi. Notei, no entanto, uma coisa: a maior parte das almas que lá estão é justamente daqueles que o Inferno existia.

Quando voltei em mim quase que não podia refazer-me do terror daquela visão. Como as almas sofrem horrores alí! Por isso rezo ainda com maior fervor pela conversão dos pecadores. Rogo incessantemente a Misericórdia de Deus para eles. Ó meu Jesus, preferiria sofrer a maior agonia, até ao fim do mundo, do que Vos ofender com o menor que fosse dos pecados» (Diário 741).

Misericórdia e livre arbítrio

Domingo, Janeiro 10th, 2021

A salvação eterna do homem não é algo automático dado sem condições, mas um dom que deve ser acolhido com gratidão e «cultivado» ao longo de toda a vida terrena.

O homem pelo livre arbítrio tem o poder de recusar a Deus com as suas escolhas erradas, assim, pode morrer, numa culpa irremissível e «serão castigados com a perdição eterna, longe da face do Senhor» (2Ts 1,10).

«Aqueles que proclamam a minha misericórdia… Eu próprio os defenderei na hora da morte, como minha glória, e mesmo que os pecados das almas fossem tão negros como a noite, quando um pecador se volta para a minha misericórdia, dá-ma a maior glória e é uma exaltação da minha paixão. Quando uma alma exalta a minha bondade, então Satanás treme e foge para o inferno» (Diário 278).

Deus quer que o pecador se converta e chegue a salvação eterna, não nega a ninguém a sua misericórdia. É o homem que pode recusar a salvação porque gostaria de a receber sem mudar a sua vida, sem arrepender-se do mal cometido, sem dar a devida consideração à gravidade dos seus pecados, mas quando «o pecador não aceita críticas e encontra desculpas a seu bel-prazer» (Sir 32,17) se coloca fora do plano de Deus e da salvação eterna.

Deus quer a nossa salvação

Domingo, Janeiro 10th, 2021

Deus «quer que todos os homens sejam salvos» (1Tm 2,4), mas o homem deve tornar-se protagonista desta salvação aderindo com o seu livre arbítrio.

«[Jesus] Diz aos pecadores que sempre estou à espera deles, escuto o seu coração para saber quando bate por Mim. Escreve que lhe falo através dos remorsos da consciência, com os fracassos e os sofrimentos, com as tempestades e os relâmpagos; falo-lhe com a voz da Igreja, e se eles tornarem vãs todas as minhas graças, começo a irar-me contra eles, abandonando-os a si mesmos e dando-lhes o que desejam» (Diário de 1728). Neste texto é evidente a tensão entre o amor e o perdão, mas ao mesmo tempo também o respeito de Deus pela liberdade humana, que chega ao ponto de respeitar as suas escolhas, mesmo que estejam erradas.

Santa Faustina na sua vida teve a missão de lembrar o mundo a Misericórdia de Deus para com o pecador: o pecado não muda a intenção de Deus de conceder a misericórdia, mas impede o homem de a receber; o Homem obtém o dom da Divina Misericórdia na medida em que reconhece Deus como amor que salva e acolhe o seu perdão. «Ó Deus incompreensível, o meu coração transborda pela alegria, pois permitiste-me penetrar os mistérios da Tua Misericórdia. Tudo começa com Vossa Misericórdia, e tudo termina em Vossa Misericórdia… cada graça vem da Misericórdia e a última hora está cheia de Misericórdia para nós» (Diário 795).

No inesgotável tesouro do Diário de Santa Faustina, esta frase é certamente uma das mais preciosas, porque imediatamente expande o olhar do nosso coração para o mistério insaciável do amor divino e lembra-nos que no início e no fim de tudo está a misericórdia de Deus, do qual flui o que de mais precioso o homem recebeu: o dom da salvação.

Exame de Consciência

Domingo, Agosto 9th, 2020

Poderão encontrar aqui um exame de Consciência para preparar a Confissão Sacramental ou Sacramento da Reconciliação.
Exame de consciência