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A nossa sala interior

Domingo, Junho 7th, 2020

Meus irmãos, a oração é um recolhimento interior que exige concentração. Podemos dizer que a oração é descer da mente ao coração.

A mente é um turbilhão de lembranças e de imaginações que continuamente nos desviam. Queremos entrar no recolhimento da oração, mas constatamos que estamos continuamente distraídos por diversos pensamentos e imaginações. Vir‑nos‑á a mente o que nos aconteceu ontem ou que acontecerá amanhã. Teremos longas e imaginárias conversações interiores com os nossos amigos ou com os nossos inimigos. Vir-nos-á à mente o que devemos fazer, as coisas que esquecemos, teremos a sensação de que estamos a perder tempo e, por fim, a tentação de deixarmos a oração porque há coisas mais urgentes a fazer. As distrações e as lembranças das coisas que devemos fazer, estão lá para nos convencer que é melhor deixar a oração e voltar ao trabalho.

Devemos estar bem conscientes de que a oração exige um recolhimento interior que não é fácil conseguir, pois, quando nos recolhemos, a primeira coisa que experimentamos é a nossa confusão mental. Temos a certeza de que o Senhor está próximo, bem perto de nós, mas o experimentamos com uma Ausência que, em certos momentos, pode tornar-se dolorosa, por isso, como as 10 virgens prudentes devemos manter acesas as nossas lâmpadas, porque, de repente vai chegar o esposo que nos faz entrar na sala da festa. As virgens imprudentes, levaram as lâmpadas, mas não levaram o óleo para as manterem acesas.

O que é este óleo? Este óleo é a fé, a confiança em Deus. Um produto precioso que só se encontra na Igreja, a Palavra de Deus e os Sacramentos. O Senhor Senhor Jesus prometeu rios de Água Viva que brotarão dos corações daqueles que acreditarem Nele.

A Igreja é depositária deste fonte milagrosa, porque a Igreja alimenta a fé de toda a gente. A oração pessoal nunca é uma oração isolada, é sempre “comunhão” com milhares e milhares de crentes que procuram a Deus. Na Igreja encontramos o alimento da Palavra de Deus e dos Sacramentos, encontramos o testemunho dos irmãos que alimenta a esperança. A comunidade cristã nos apoia e encoraja, nos dá a certeza da presença do Senhor.

Esta experiência da oração não é sempre gratificante. Com frequência, somos tão impacientes e incapazes de encontrar calma interior que, quando menos o esperamos, já estamos ocupados de novo, evitando assim o confronto doloroso com a nossa confusão mental.

Os mestres da vida espiritual ensinam que o aspecto mais importante da oração é a fidelidade ao nosso tempo de oração, mesmo que sejam só dez minutos por dia. A escolha do tempo e da duração da oração depende duma vontade determinada. Não se entra em oração quando se tem tempo, mas se arranja tempo para a oração. (CIC 2710)

Esta fidelidade nos levará à sala interior, ao sacrário íntimo do coração, onde Deus habita, onde Jesus, o Esposo da nossa alma, nos convida a entrar e a viver com Ele.

É este o lugar íntimo, o lugar sagrado, o lugar mais belo e precioso onde se realiza o encontro com Jesus. Quando apreendemos este recolhimento interior, podemos estar numa sala cheia de gente, num escritório, podem estar de viagem, mas sempre sentiremos o convide do Mestre que nos convida a entrar nesta sala interior, onde flui este Rio de Água Viva que jorra para a vida eterna.

Escutar o coração

Sábado, Junho 6th, 2020

O Senhor Jesus ensinou a dar atenção ao coração porque
“O que sai da boca, procede do coração e contamina o homem. Porque é do coração que procedem os maus pensamentos … (Mt 15,18-19)

1. Escutar o coração
Escutando o coração percebemos se estamos a viver recolhidos ou isolados. Vivemos recolhidos quando o coração está em paz. A paz é o dom de Jesus: “dou-vos, a paz, dou-vos a minha paz”. Vivemos isolados quando os nossos pensamentos são maus, rancorosos, revoltados. Quando vivemos fechados nas amarguras do passado ou preocupados pelo futuro. Sobre isto já falamos.

Jesus ensina a dar atenção ao coração, a escutar o coração, porque o coração nos revela o estado interior da nossa alma. O comportamento depende do coração.
– Quem não presta atenção ao coração não avança na vida espiritual, ficará sempre escravo dos seus sentimentos contraditórios.
– Quem presta atenção ao coração, aos poucos, consegue perceber os dois polos opostos entre os quais oscila a nossa vida interior: se está a viver num doloroso isolamento e se está a viver um sereno recolhimento.

2. Eu posso viver recolhido ou isolado.
A minha vida interior oscila continuamente estes este dois estados interiores. Posso estas sozinho em casa o no escritório, numa sala de espera, na rua, numa loja, em qualquer outro lugar; posso viver situações diferentes, mudar de lugar, encontrar pessoas e ao mesmo tempo, o meu coração está a viver uma sensação dolorosa do isolamento ou também está a gozar de serenidade e da paz de um profundo recolhimento interior. Se escutar o coração, posso tomar consciência da minha vida interior.

Para dar-se conta disso, basta observar as pessoas que nos rodeiam. Algumas vezes, basta um olhar par reconhecermos o estado interior do seu coração. Logo, mesmo sem falar, podemos reconhecer se seu coração está inquieto e perturbado ou se está calmo e tranquilo. Logo percebemos uma pessoa está livre, á vontade naquele lugar e se está constrangida. Se está perturbada ou em paz. Basta olhar ao nosso redor.

Ao mesmo podemos fazer com a nossa própria pessoa. Olhar para dentro de nós e distinguir o estado do nosso coração. Se estamos em paz, no recolhimento interior ou se estamos perturbado num doloroso isolamento.

3. A nossa vida oscila entre isolamento e recolhimento.
O mundo, no entanto, não está dividido em recolhidos e isolados. Cada um balanceia entre estes dois pólos interiores continuamente. Mudamos em cada instante, de hora em hora de um dia para o outro, da uma semana para outra e de um ano para o outro. Há tempos em que recuperamos a paz interior com facilidade, outras vez passam por desertos, que podem durar minutos, horas, dias ou anos. Mas se reconhecermos o nosso estado interior, saberemos também para onde devemos conduzir a nossa vida, e lutaremos para reconquista a nossa paz.

Devemos admitir que não temos o controle sobre todas as nossas oscilações interiores. Existem muitos fatores, conhecidos e desconhecidos, que condicionam o nosso equilíbrio interior. Mas quando desenvolvemos a capacidade de distinguir os pólos entre os quais oscila a nossa mente; quando nos tornamos conscientes do isolamento ou do recolhimento, deixaremos de nos sentirmos perdidos, logo sabemos para onde queremos conduzir a nossa vida.

4. O início da vida espiritual
A capacidade de distinguir entre estar agitado e estar em paz representa o início da vida espiritual. A pessoa que não desenvolve esta capacidade interior não avança na vida espiritual. A pessoa que está atenta e reconhece os movimentos do seu coração, avançará rapidamente no caminho da sua maturidade humana e espiritual.

Qualquer que seja o nosso estado interior podemos elevar a nossa alma para Deus para lhe pedir ajuda, confiar Nele e encontrar a paz.

Humildade e oração

Sábado, Junho 6th, 2020

O Catecismos da Igreja Católica (CIC) dedica acerca de 80 páginas à oração (números de 2559 a 2865)

O Que é a oração? “Para mim a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o Céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria. (Santa Teresinha do Menino Jesus, Manuscrito C, 25r)

Jesus ensinou a humildade na oração com a parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14).
– O fariseu falou a Deus a partir do seu coração orgulhoso: “Ó Deus, eu te agradeço-te porque não sou como os outros, ladrões, injustos e adúlteros, nem tão pecador como este cobrador de impostos”
– O publicano falou a Deus a partir de um coração humilde: “ficou à distância e nem sequer se atrevia a levantar os olhos para o céu; apenas batia com a mão no peito e dizia: “Ó meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!”

«A oração é a elevação da alma para Deus ou um pedido feito a Deus». O Senhor ensina a pedir ajuda a Deus em todas as nossas necessidades. Mas, de onde é que falamos a Deus quando oramos? – Falamos das alturas do nosso orgulho e da nossa própria vontade ou das «profundezas» do (Sl 130, 1) do nosso coração humilde?
– A oração é sempre humilde, Aquele que se humilha é que é elevado (Lc 18,14). A humildade é o fundamento da oração. «Não sabemos oque havemos de pedir para rezarmos como deve ser» (Rm 8, 26). A humildade é a disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração. Ser humilde é reconhecer que a nossa vida depende de Deus, que não podemos viver sem Ele, como dizia Santo Agostinho “o homem é um mendigo de Deus (cf. CIC 2559).

O recolhimento interior

Sexta-feira, Junho 5th, 2020

Quando se fala do recolhimento interior da oração, muitas pessoas pensam que é necessário retirar-e num convento. A sua mente evoca imagens de monges e de eremitas, que deixaram tudo, o ruído e o ritmo frenético do mundo, para se dedicarem à oração.
Em todos os tempos e lugares – como acontece ainda hoje – encontramos homens e mulheres que querendo viver uma intensa vida espiritual se retiraram em conventos, mosteiros ou até no deserto. É porque respondem a um chamamento especial do Senhor.

Para nós é importante lembrar que o recolhimento interior do coração é para todos, não está reservado apenas aos monges e aos eremitas, por isso, ainda hoje, homens e mulheres de todas as idades e condição social procuram o encontro pessoal com Deus no silêncio no recolhimento interior do coração.
Pessoas que escolhem um tempo e um lugar adequados para a oração que favorecem a concentração, geralmente de manhã cedo ou a noite, antes de se deitar. Um tempo reservado a Deus e que pode durar apenas 10 minutos ou mais. O que é importante é a fidelidade. O Senhor Jesus não faltará, com certeza realizará entre encontro. É Ele que convida: “Vinde a Mim todos vós que andais cansados e oprimidos e encontrareis o descanso para a vossa alma”.

A oração, de facto, é escutar a Deus e falar com Ele. É um diálogo de amor que se realiza na intimidade do coração. A oração é retirar-se, estar a sós com Deus, num lugar adequado, longe das distrações do mundo.

Cultivar o recolhimento interior do coração
Como já dissemos, não é fácil concentrar-se para a oração, as memórias do passado e as preocupações do futuro e muitas outra fantasias e imaginações nos distraem continuamente. A oração Temos de perseverar neste luta árdua até acalmar o nosso coração e encontrar a paz. A oração exige sempre um esforço, é um combate contra nós mesmos e contra as astúcias do Tentador que faz de tudo para nos desviar e impedir o nosso encontro com Deus, pode convencer-nos a desistir, com a sensação de que a oração é tempo perdido, tempo inútil. A paciente espera, a perseverança e a luta, fazem parte da oração. O Senhor virá com certeza virá, Ele é fiel, não faltará ao encontro. Pode consultar o Catecismo da Igreja Católica sobre este tema (CIC 2725-2728).

O habito do recolhimento interior do coração.
As pessoas que cultivam o recolhimento interior do coração, aos poucos adquirem o hábito de se recolher interiormente, torna-se uma atitude interior constante, que subiste em todas as circunstancias, mesmo numa numa vida ocupada, cheia de trabalho. O recolhimento interior do coração é uma dimensão interior do coração, um dom precioso que o Senhor concede aos seus amigos, as almas simples que o procuram.

O recolhimento interior do coração não um privilégio reservado aos monges ou aos eremitas, é uma capacidade humana, um dom de Deus que subsiste e se desenvolve, mesmo em pessoas que têm uma intensa vida ativa, no ritmo frenético das grandes cidades. Uma pessoa “recolhida” pode estar numa sala cheia de gente, num comboio, no meio da agitação do mundo e, ao mesmo tempo, saborear a beleza e a doçura da presença do Senhor. O mundo corre, agita-se ao seu redor, mas ele esta recolhido. O mundo atrai e tenta com os seus estímulos divergentes, ma a pessoa recolhida sabe onde se encontra a verdadeira paz, não se deixam enganar, rapidamente voltam ao recolhimento, à morada interior, ao encontro com o Senhor.
Padre Leone Orlando cs

Beato João Batista Scalabrini, Pai dos Migrantes

Segunda-feira, Junho 1st, 2020

Nasceu em Fino Mornasco (Italia), um singelo povoado do Norte da Itália, em 8 de Julho de 1839. Terceiro filho de Luís e Colomba Scalabrini, João Baptista recebeu de seus pais una profunda e sólida educação cristã. Particularmente foi a mãe, naquelas terras marcadas pela espiritualidade de São Carlos Borromeu, que, pela palavra e pelo exemplo, infundiu nele o amor pela Eucaristia, sacramento da presença do Senhor, e uma profunda devoção à virgem Maria e aos santos. Elementos que marcaram a sua vida espiritual para sempre. JOÃO BATISTA SCALABRINI

Um novo começo

Domingo, Maio 31st, 2020

Meus irmãos, já estamos habituados a viver ansiosos e preocupados, mas deveriam aprender a viver a nossa vida, cada dia, cada hora, cada minuto, como um novo começo. O tempo que temos ao nosso dispor é uma oportunidade para fazermos o bem e para nos renovarmos interiormente.

A vida é um dom de Deus, um dom precioso que Ele renova continuamente. Nasce o dia, resplandece o sol e Deus renova para nós o dom da vida. Em cada dia, Ele nos oferece um novo começo, uma nova oportunidade que nós podemos aproveitar.

Vamos agora imaginar a presença misteriosa de Deus na nossa vida. Em cada dia, Ele nos oferece um dom precioso. É como se Ele dissesse para mim, para ti: «Olha, tenho uma prenda para ti e estou ansioso por que tu a vejas!».

Vamos imaginar. Sim, vamos imaginar que a vida é uma prenda preciosa, uma prenda de Deus, uma prenda que Ele renova continuamente, em cada dia! Será que esta uma simples imaginação? Será que é mesmo verdade? Respondemos: não é uma simples imaginação, é mesmo verdade! É algo que nos dá confiança! É algo que abre o coração para a esperança! É algo que nos dispõe a receber o dom de Deus! É uma luz que nos ajuda a enfrentar o novo dia, como um novo começo, com mais amor e confiança.

Infelizmente, as vozes perturbadoras do mundo falam mais alto. Os anos passam, o nosso passado se alonga e a dureza da vida insinua pensamentos que nos dizem exatamente o contrário: «Tu já sabes come é vida, já passaste por tudo isto, tu conheces como vão as coisas, sejas, portanto, realista! As coisas não mudam. O Futuro não será diferente do que o passado. É inútil sonhar que alguma coisa possa mudar. Não arriscar, procura sobreviver o melhor que tu poderes».

Estas vozes astuciosas e muitas outras vozes perturbadoras aparecem de repente e sussurram aos ouvidos: «Não há nada de novo debaixo do sol… não te deixes enganar!»

Estas vozes enganadoras falam mais alto do que a voz de Deus. Apresentam-se de forma tão convincente que acabamos por acreditar, assim é que a vida passa e nada de novo acontece, pois, achamos que é inútil sonhar com as mudanças. A única alternativa é apenas a nossa vida do dia-a-dia, a nossa rotina, os nossos aborrecimentos e as nossas horas vazias.

O que fazer? Em primeiro lugar, renunciar a essas vozes enganadoras e mentirosas. Em segundo lugar, abrir a nossa mente e o nosso coração a Deus, ao Nosso Deus, ao Deus Connosco, ao Emmanuel, Àquele que te diz com voz firme e suave: “Coragem, não tenhais medo, Sou Eu” (Mt 14,27); “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14,18); Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre (Jo 14,16); “Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20).

Eu Sou Aquele que proclama: “Bem- aventurados os pobres, os mansos, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz …” pois a mudança é possível (Mt 5, 2-10).

O Apóstolo São João relata uma visão maravilhosa: «Eu ouvi uma voz forte que dizia: Eis a morada de Deus junto dos homens, onde os homens são meu povo, o povo onde Eu habito. Eu enxugarei as lágrimas dos seus olhos e não haverá mais morte, nem pranto nem dor, porque passou o mundo antigo” (cf. Ap 21, 2-5).

Podemos optar por dar ouvidos à voz de Deus que abre a esperança do futuro e das mudanças que se tornam possíveis, então, cada escolha que fazemos abrir-nos-á um pouco mais à descoberta da vida nova, escondida em cada momento, na espera ansiosa de nascer.

Queríamos ser diferentes

Sábado, Maio 30th, 2020

Queríamos ser diferentes. Queríamos viver com mais profundidade a nossa fé, ser pessoas mais espirituais, pessoas realmente transformadas pelo Espírito Santo.

Passaram-se tantos anos e não vemos grandes mudanças em nossas vidas, oramos, vivemos o amor, perdoamos, procuramos fazer o bem, mas sentimos que ainda temos muito caminho a fazer. Os nossos conflitos interiores, as nossas incoerências, o cansaço, os ressentimentos, os nossos relacionamentos em família e com os outros estão lá para nos dizer que estamos apenas a dar os primeiros passos.

Descobrimos que sabemos que Deus é Amor, queiramos ter uma fé viva, fervorosa, mas a nossa vida interior não tem aquela profundidade que desejaríamos.

O nossos egoísmo escondido está lá para nos dizer que o que chamamos “amor ao próximo” na realidade continua a ser apenas uma forma de egoísmo. Vivemos fechados dentro das nossas próprias necessidades e procuramos os outros por aquilo que nos podem dar. Por isso é que o nosso amor não é puro, não é gratuito. Ficamos contrariados quando os outros não respondem ao que nós desejamos, quando pensam diferente do que nós.

Queríamos ser elogiados, mas os outros não reconhecem os nossos esforços e às vezes nos dizem o que não gostamos ouvir.

O encontro com o nosso vazio interior é doloroso. Preferimos fugir dele. Mas este vazio contém uma promessa. O reconhecimento humilde das nossas fraquezas e pecados nos levam a pedir ajuda Àquele que Tudo pode.

A Igreja é a tua Família, nela ressoa a Voz do Senhor da Vida: não vós afastai, o Espírito Santo descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas.

O Senhor da Vida quer habitar em teu coração, no coração de cada irmão, de cada ser humano. Por isso, invocamos o Espírito Santo, o enviado de Jesus, o outro Paráclito, o Consolador.

A nossa vida interior só tem vida e beleza pela presença do Espírito Santo, quando lhe permitirmos que Ele nos transforme. Que Ele nos ressuscite e nos renove.

Deixemos então que o Espírito Santo dissipe as nossas trevas. Que Ele ilumine a nossa mente, encha de amor os nossos corações, fortaleza a nossa vontade, transforme a nossa vida.

Vem Espírito Santo, vem em nome de Jesus

Vem Espírito Santo,
Vem em nome Jesus,
Vem com teu Amor
Vem com o teu Poder.

Ilumina a minha mente,
cura o meu coração.
Liberta-me da impureza,
do orgulho, do egoísmo,
das trevas deste mundo,
das raízes do pecado,
da dor mais profunda,
das feridas do passado.

Lava-me, purifica-me,
com o Sangue de Jesus.
Renova-me, Senhor,
vem dar-me luz e paz,
que eu passe por este mundo
fazendo o bem a todos,
imitando a Jesus Cristo,
vencendo a iniquidade.

Aniquila para sempre
toda a minha ansiedade
a amargura, a angústia,
a dor do meu passado,
o desgaste emocional,
o desejo de vingança,
a falta de perdão
e toda a minha infelicidade.

Cura o meu coração ferido,
escravo do pecado,
Liberta-me da inveja,
do ódio e da vingança,
do ressentimento, das mágoas,
da falta de perdão,
da fuga de mim mesmo,
do desejo de morrer
e de toda a depressão.

Vem Espírito Santo,
com o Sangue de Jesus.
Liberta-me do Maligno,
de toda a sua opressão,
de todas as suas insídias,
de todos os seus tormentos
e de toda a tentação.

Vem Espírito Santo,
Chama de fogo ardente,
Ó Fogo abrasador,
vem queimar todas as trevas
instaladas dentro de mim,
que me consomem noite e dia
e me impedem de ser feliz.

Liberta-me dos pecados,
das suas tristes consequências,
dos pecados da minha família
e dos meus antepassados,
que me prendem nos vícios,
nas amarras do passado.

Vem Espírito Santo, Senhor,
vem em nome de Jesus,
enche-me do Amor de Deus
e que eu saiba perdoar,
Fortalece a minha vontade,
cura o meu pobre coração.

Lava-me no Sangue de Jesus,
purifica todo o meu ser,
Vence toda a minha soberba
com o dom da humildade.
Derruba todas as barreiras
que estão dentro de mim
Que me impedem de amar,
Que me impedem ser feliz.

Vem Espirito Santo,
tem compaixão de mim,
deste pobre pecador!
Vem liberta-me, Senhor!
Vem curar meu coração!
Vem ilumina a minha mente!
Fortalece a minha vontade!

Ressuscita-me, Senhor,
Vem dar-me a tua alegria,
vem encher-me da Tua paz,
Vem habitar em mim,
vem dar Vida a minha vida.

Cura-me Senhor Jesus,
salva-me Senhor Jesus,
Eu confio em Ti, Jesus,
meu Deus e meu Salvador.

Um momento receptivo

Sábado, Maio 30th, 2020

Não é fácil educar os filhos, mas também não é impossível. Tantas vezes basta um pouco de astúcia para fazer o melhor que podemos. Uma dessas “astúcias” e falar com eles à noite, antes de adormecerem.

O anoitecer é o tempo dos pensamentos delicados e pacificadores. É uma hora bondosa, discreta, terna, é o momento do diálogo íntimo. São João Bosco, que era um bom educador, nunca deixava de dar uma breve meditação aos seus jovens ao fim do dia, antes de dormir.

Ao fim do dia os filhos querem sentir o calor da lar, o afeito e a bondade; querem adormecer com a certeza de ser acolhidos e amados. A noite chega, por isso desejam que alguém lhes dê a mão.

O pai e a mãe não precisam de aprender isso, o fazem espontaneamente. Acompanham os pequenos à cama para se deitarem, ficam sentados ao seu lado e lhes falam com ternura, oram com eles. O bom relacionamento de hoje prepara o relacionamento maravilhoso do amanhã.

É que o calor do anoitecer faz esquecer a frieza do dia, as faltas de paciência, as repreensões. Além disso, As coisas bonitas que o pai e mãe dizem nesses momentos ficam gravadas para sempre em seus corações. São palavras discretas, que ninguém houve, ditas a voz baixa, mas que alimentam a alma.

O que dizemos para os filhos, é também muito importante para os esposos. Dez minutos antes de adormecer é o momento do diálogo, do entendimento para renovar a confiança recíproca. Pode tornar-se também um momento de oração, para pedir a ajuda de Deus.

O que é o diálogo. Quero dar só uma dica, que me parece fundamental. O dialogo não é dizer-se tudo, nos detalhes. Isto, em certos casos pode revelar-se cansativo. Dialogar não é dizer-se tudo, mas sim manifestar a atitude aberta do coração: aconteça o que acontece, podes contar comigo. Para muitos casais, é muito triste o dia em que percebem que já não podem contar um do outro. Sem esta abertura interior do coração, qualquer conversa é como falar com surdos. (Padre Leo)

Faremos Nele a Nossa Morada

Sábado, Maio 30th, 2020

«Aquele que me ama, – disse Jesus – Meu Pai também o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada».

Como é Deus faz morada em nós. É pelo Espírito Santo, o outro Consolador, prometido por Jesus. Pelo Espírito nos tornamos morada de Deus.

É necessário preparar-se! Se um amigo rico e poderoso quisesse visitar-te, entrar em tua casa, com certeza que tu prepararias a tua casa, de forma que o teu amigo, ao chegar, a encontre limpa e bem arrumada, e Ele se sinta bem recebido. Sem esta preparação, o teu amigo, poderia ficar chocado e não sentir-se bem recebido.

Por isso, se quer encontrar-te com Jesus, receber o Espírito Santo, ou renovar este tesouro que está já dentro ti, prepara o teu coração, prepara a morada interior da tua alma. Purifica o teu coração, deixa o homem velho, escravo do pecado, reveste o homem novo, renovado pela Graça, renascido pelo poder do Espírito Santo.

São Gregório Magno exortava os cristãos a preparar-se porque o Senhor prometeu: «Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada». Ele dizia “prepara-te porque o Senhor pode chegar e passar adiante”.

O encontro com o Senhor é alegria e paz, mas, em vez disso, tu podes sentir remorsos e tristezas. Não fugir! São estes os primeiros sinais da Sua presença, confia, nada está perdido, o remorso e a tristeza produzem o arrependimento, o arrependimento leva à conversão. É desta forma que o Senhor Jesus está contigo e te ajuda a preparar o grande encontro.

Nem toda a tristeza é má. Existe também uma tristeza boa, positiva, que leva ao arrependimento, que é já um sinal da presença de Deus, um sinal de que tu estás debaixo do Seu olhar misericordioso.

Considera o que aconteceu aos dois discípulos de Emaús. O Senhor Jesus apresentou-se, caminhou e conversou com eles. O Senhor Jesus escutou o desabafo dos seus corações desiludidos, mas também denunciou a sua dureza de coração, a sua lentidão em acolher a Palavra de Deus. Jesus não desistiu, com muito amor e paciência, passando pelas Escrituras, anunciou-lhes o que lhe dizia respeito. As seus olhos estavam impedidos de reconhecer o Senhor, mas as Suas palavras aqueciam os seus corações desiludidos. Encontraram Jesus pelo caminho, mas não o reconheceram, no entanto a Sua Palavra infundia neles luz e esperança.

O grande encontro.
Chegando na aldeia de Emaús, os dois discípulos estavam prontos para o encontro mais íntimo, convidaram a Jesus a entrar em casa, e lá se realizou o encontro: os seus olhos se abriram e o reconheceram no simples gesto de partir o pão. O encontro mais íntimo com o Senhor, tem uma dimensão comunitária maravilhosa, realizou-se “em casa” isto é na Igreja.

Prepara portanto a tua casa, o teu coração, porque o Senhor certamente virá. É Ele que quer encontrar-se contigo. Ele se manifesta aos corações humilhados e arrependidos.

O Senhor Jesus, pelo Espírito Santo, habita no coração de todos aqueles que amam a Deus e observam os seus mandamentos. És morada de Deus, Templo do Espírito, o amor de Deus que habitar em ti e ajudar-te a vencer todas as tentações. Renuncia ao pecado, renuncia a Satanás e as sua propostas enganosas. Escolhe Jesus, como Senhor da Tua vida.

A partir do coração

Sábado, Maio 30th, 2020

Jesus disse que onde está o nosso coração lá está o nosso tesouro, o nosso verdadeiro amor. O bem e mal brotam a partir do coração. Lá neste centro, somo o que somos e é neste centro, no meio das nossas dores e não sem eles, que acontece o encontro íntimo com Deus que nos liberta.

Não é fácil descer a esta profundeza sozinhos, precisamos de alguém que nos acompanhe nesta descida e que nos encoraje, nos momentos do desânimo. Por isso é importante sabermos, e crescer nesta certeza, que não estamos sozinhos, que temos muitos irmãos e irmãs que descem da mente ao coração para se encontrarem com Deus. Sim, é importante sentir que pertencemos à Igreja, que temos uma família, muitos irmãos e irmãs com os quais podemos partilhar, ajudar e sermos ajudados.

Por quê precisamos de ajuda?
Porque todos temos dificuldade nesta caminhada. Todos, de qualquer forma, fugimos, enfim, para evitar uma verdade amarga: ainda não nos conhecemos, que somos estranhos a nós mesmos. Para tomarmos consciência desta dolorosa verdade, basta ficarmos em silêncio por dois ou três minutos: a confusão dos pensamentos e dos desejos, as mágoas, os ressentimentos, as coisas que deveríamos ter feito, entre muitas outras coisas. Enfim, preferimos abandonar o silêncio e voltar ao trabalho ou qualquer outra atividade, que nos mantenha entretidos.

Essa é a parte mais dolorosa da nossa humanidade.

O coração é o centro do nosso ser. É lá que achamos os nossos pensamentos mais profundos, as novas inspirações que orientam as nossas ações. Lá para no fundo do coração sentimos as emoções mais profunda e brotam as decisões mais persistentes.
As decisões que brotam da nossa mente não têm duração, não primeiras dificuldade, desistimos, porque não têm raizes profunda dentro de nós. Muito pelo contrário o que brota do coração resiste a qualquer tempestade.

Infelizmente, é lá, no coração, onde ficamos mais alienados.

Descendo da mente para o coração entramos no santuário íntimo onde acontece a revelação de Deus. Onde a Palavra de Deus se torna vida em nós. O coração é o centro da vida espiritual. É no coração, neste lugar sagrado, onde acontece o encontro íntimo com Jesus, que transforma a nossa vida.

Qualquer actividade se revela ineficaz e todo o relacionamento humano torna-se tormentoso, quando falta a intimidade do coração.O verdadeiro relacionamento humano implica a capacidade de estar sós, de proteger o nosso santuário íntimo. Uma exposição descuidada, apressada e superficial é sempre prejudicial.

Somos como filhos pródigos, afastado-nos da casa paterna, com a ilusão de que teremos mais liberdade, assim é, procuremos para longe, nos afastamos e perdemos. O que procuramos para longe, na realidade, está bem perto de nós. Precisamos voltar para casa, para a nossa verdadeira casa, a Casa do Pai. Imitar Jesus, o Filho Amado, que é feliz de ficar em casa, porque tudo o que o Pai tem, é também dele. Usufruir desta beleza inefável.

«Em casa encontrarás um abrigo mais seguro, lá receberás o Amor, o Único que preenche teu coração; lá, em casa, finalmente encontrará descanso o teu coração inquieto!»